Prá que, Mariana?

- Prá que, Mariana? Prá que
você enterra esta cuia?
Você a afunda na areia
prá que, Mariana, prá que?
Você a esconde do sol,
você a priva da luz...
Prá que, Mariana, prá que?

- Menino, te digo eu
porque enterro esta cuia,
porque a afundo na areia.
Se eu a escondo do sol,
se eu a privo da luz,
menino, te digo eu
porque Mariana isso faz.

A cuia é um sonho lindo
que a gente tem que enterrar
prá bem no fundo da areia
dela, raízes brotar.
A cuia é uma ilusão pura
que a gente tem que guardar
prá não se perder no mar...

- Prá que, Mariana, prá que
você tem que por tão dentro,
tão longe da luz do sol?
- Prás raízes serem grossas
prá entrar no fundo da terra,
agarrar-se bem lá dentro
e da gente não escapar!

- Prá que, Mariana, prá que?
perguntou durante a vida
aquele louro menino.
Depois da infância, crescido,
só a pergunta ficou:
- Prá que, Mariana, prá que
você a cuia enterrou?

.........................................................

A cuia que era um sonho
que ela na areia ocultou,
ah! velho, hoje eu sei, Mariana,
a lição que me legou.
Você morreu, Mariana.
A cuia o mar carregou.
Meu riso o pranto secou.

A cuia é a felicidade
que pela infância ficou.
De minh'alma de criança
pouco ou nada mais restou.
Prá que Mariana esconder
se o mundo inteiro a procura,
se toda gente a deseja?

- É que ela escapa das mãos
como se fosse fumaça,
como se fosse o luar.
A gente tem que enterrar
prá criar grossas raízes,
senão o vento a carrega
ou então se perde no mar...

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"
Página formatada em 14 mar 2005























































































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