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VAI FALTAR
O OITENTA E UM!...
Amigos, já há algum tempo, pensando neste
reencontro, uma frase bem constante, um pensamento
insistente, entristecia a minh’alma.
- "VAI FALTAR O OITENTA E
UM”, sussurrava a voz do vento, pelas copas verdejantes dos
coqueiros a valsar. - "VAI FALTAR O OITENTA E UM”, lembrava-me a
aragem fresca, com gosto de sal ainda, com cheiro do
verde-mar.
- "VAI FALTAR O OITENTA E UM”, eu pensava em meu
cismar. Ao tentar compor uns versos prá estes momentos gravar,
busquei rimas, rascunhei, mas enfim, desiludida, só consegui
esboçar: - "VAI FALTAR O OITENTA E UM."
Deixei que o meu
coração traçasse o verso perdido; que a mão no papel largada,
apenas guiasse a pena... Só que insistente me vinha a frase
tão comovida, como um soluço incontido, num gemido bem sentido:
- "VAI FALTAR O OITENTA E UM...”
Recriei 68 em minha
imaginação. Jovens, belos, sonhadores, sem rugas, com
destemor... Na face, o riso brilhante; no olhar, o sonho
sorrindo. Jovens, tão moços, tão lindos - que a JUVENTUDE é
BELEZA - enfrentávamos a vida sem dor, sem
desilusão...
Foram seis anos corridos que juntos sempre
vivemos. Foram seis anos tão longos que ora buscamos
reter. Seis anos só, mas profundos... No escaninho da
memória lembranças envelopadas com registros indeléveis,
vibrantes, brilhantes, fortes.
A vida nos separou.
Seguindo nosso destino vivemos risos e prantos; nossa face
envelheceu... Nosso sorriso marcado pela vivência enrugou.
Nosso olhar perdeu o brilho. O cabelo encaneceu.
Aqui
voltamos, amigos, buscando, enfim, reviver a mocidade
esquecida; a amizade construida naqueles anos tão
lindos, que o tempo não apagou... Compreendi então a frase que
a brisa me sussurrou; que a espuma do mar me trouxe com gosto
de sal e sol.
DORALICE, o "OITENTA E UM", a brincadeira sem
peias, a irreverência infantil, tenacidade, alegria; tão doida
e pura, tão VIVA... DORALICE, pobrezinha, perdida em
nossas lembranças, por certo, morreu sozinha.
DORALICE,
revivida nestes momentos felizes, lá se foi com suas flores,
bolsa, baton, seu vestido. Não afirma estar "PRESENTE" por
mais que se clame e grite. Lá se foi o "OITENTA E UM"... Levou nossa
juventude com o tempo que passou.
DORALICE, o "OITENTA E
UM", recupera uma pureza, o sonho de ser feliz; a gargalhada
gostosa, o irresponsável sorriso. Traz de volta a inconsequência
que não se pode mais ter...
Hoje, maduros, senhores, somos
brilhantes doutores, com filhos, lares, clientes; bem sucedidos ou
infelizes... Mas o nosso olhar errante, voltado para o
passado, espelha, ao fundo, a saudade do "OITENTA E UM" que
faltou...
Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux) "Poemas de
uma Vida" |