MITOLOGIA GREGA

 

Deméter e o rapto de Perséfone

Deusa da agricultura, representa os frutos obtidos da terra cultivada, de forma geral e notadamente, o trigo. Filha dos titãs Cronos e Réia, nascida logo depois de Héstia, Deméter teve uma filha com Zeus chamada Perséfone. Perseguida por Posseidon, tentou escapar dele na forma de égua, mas o deus se transformou em cavalo e uniu-se a ela.

Algum tempo depois, Deméter deu à luz um cavalo rapidíssimo: Aríon, que ficou famoso durante a luta dos Sete Contra Tebas. Consta que ela teria se unido também a Iásion, um dos filhos de Zeus, em cima de um campo, três vezes lavrado, e gerado Pluto, a riqueza. Deméter sofreu muito com o rapto de sua filha Perséfone, também conhecida como Core - a donzela.

Perséfone brincava em um belo prado perto de Hena, na Sicília, juntamente com as filhas de Oceano, o deus mar todo-abrangente e pai de todos os rios. Distraída, percebeu uma bela planta com centenas de flores, que espalhavam um suave perfume por todo o lugar. Esta planta, porém, tinha sido enviada à terra justamente para seduzir a jovem, pela deusa-mãe Gaia a pedido de Hades, o senhor do mundo inferior.

Quando ela se abaixou para colher as flores, abriu-se uma fenda na terra e dela surgiu o poderoso deus, montado em uma carruagem de ouro, tendo negros cavalos a conduzí-la. Hades raptou Perséfone, levando-a, rapidamente, para o seu reino subterrâneo. Os gritos de Perséfone foram ouvidos apenas por sua mãe e por Hécate, uma divindade da Lua. Deméter ficou desesperada ao notar o desaparecimento da filha e tentou, em vão, seguir suas pegadas.

No exato momento em que Hades levou Perséfone à força, passava por aquele local uma manada de porcos e as pegadas da donzela se misturaram às pegadas dos porcos. Ainda, no exato momento em que a terra se abriu para receber Hades e Perséfone, a manada de porcos também caiu no abismo.

Deméter vasculhou a terra em busca de algum sinal. Vagou desesperada por nove dias e nove noites, levando à mão apenas uma tocha em forma de longo bastão. No décimo dia encontrou Hécate e, juntas, foram até o deus sol Febo, que tudo vê. Assim, souberam o que havia ocorrido com a jovem raptada.

Deméter ficou tão desolada que fugiu da companhia dos deuses. Afinal, por que o grande Zeus, pai de Perséfone, havia permitido que sua filha fosse levada ao mundo dos mortos? Irada, privou a terra de toda a fertilidade - nenhum fruto mais nasceria, nem para deuses nem para homens. Uma grande fome passou então a grassar no mundo, ameaçando toda a humanidade.

Demeter tomou a forma de uma mulher idosa e passou a vagar entre os homens como uma mendiga. Permaneceu, durante dias, sentada junto a um poço, denominado Poço da Virgem. Pôs-se a serviço de  Céleo, rei de Elêusis, que encarregou-a de cuidar do jovem Triptólemo, seu filho. Deméter afeiçoou-se ao menino e tentou torná-lo imortal, colocando-o periodicamente no fogo.

Surpreendida, porém, numa das "sessões de imortalização" pela assustada Metanira, mãe do menino, não pôde completar o processo. Revelou-se então aos assustados reis e confiou a Triptólemo a tarefa de espalhar pelo mundo a cultura do trigo. Enquanto isso, a terra permanecia estéril, pois sem Deméter nada do que era plantado crescia. Todo um ano se passou sem que nascesse uma planta sequer. De nada adiantaram as súplicas dos deuses - nem mesmo os pedidos do poderoso Zeus.

O deus dos deuses teve de intervir junto a Hades para libertar Perséfone e aplacar a mãe enfurecida. Zeus ordenou que a jovem Perséfone, agora esposa de Hades e deusa dos infernos, fosse libertada. Abraçada e acompanhada de sua mãe e de Hécate, a deusa retornou ao Olimpo.

Neste momento, os campos e pastagens novamente floresceram e a vida retornou à terra. Mas, que surpresa! - a jovem não podia mais abandonar o Reino de Hades para sempre, pois quem se alimenta da comida do mundo dos mortos, fica preso a ele. Perséfone havia comido uma semente de romã na mansão de seu marido.

Zeus estabeleceu então, que a jovem deveria passar um terço de cada ano com Hades. Deméter reassumiu suas tarefas divinas. A cada primavera, Perséfone deixa Hades em seu mundo subterrâneo e reune-se à mãe, no Olimpo. Nessa época a terra cultivada dá seus frutos.

 

 

 

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