MITOLOGIA GREGA

 

HEFESTOS

As feridas que as constantes ausências de Zeus abriram no coração de Hera só podiam mesmo ser sanadas com duras vinganças. Sozinha, em seu palácio, a rainha do Olimpo tramava planos para punir as seguidas infidelidades de seu divino esposo. Era preciso anunciar aos deuses o abandono que Zeus lhe impusera.

Para isso, nada melhor do que gerar um filho sem que de tal concepção o marido participasse. Haveria de ser uma criatura belíssima como a mãe e faria a morada dos deuses vibrar de emoção e de felicidade.
No entanto, o pequeno Hefestos nasceu feio, disforme e coxo. Não lhe alegrava o coração e nem serviria de instrumento para a sua vingança, pois jamais teria coragem de apresentar tão horrenda criança. Envergonhada, agarrou o menino com ambas as mãos e, do alto do Olimpo, atirou-o ao mar.

Do fundo do oceano, a nereida Tétis e sua amigas Eurínome viram quando o pequeno corpo mergulhou. Apanharam-no e, com extremo carinho, agasalharam-no em seus braços, levando-o para uma caverna escondida, onde cuidaram dele por nove anos. Durante este período, ensinaram o menino a trabalhar o metal. Após este tempo decorrido, Hefestos partiu, para cumprir o seu destino de deus feio e solitário, habilidoso artesão dos metais, senhor do fogo e da forja.

Um dia, chega ao Olimpo um trono de ouro magnífico, encantando todos os deuses. Um presente misterioso, sem destinatário nem assinatura. Ficou brilhando ao sol com tão grande intensidade que os imortais precisavam proteger os olhos com as mãos para não sofrerem com a luz. O alvoroço despertou a atenção de Hera. Ao ver o trono parou deslumbrada. Fascinada, a majestosa Hera desejou apossar-se do presente, símbolo de poder e de riqueza. Sentada no trono, iluminada pelo sol, a esposa de Zeus esqueceu os dissabores, perdeu a noção do tempo e do espaço. Só havia ela e o trono...

Depois que todos se afastaram da sala, após muitas horas de encantamento, onde o tempo parecia não se mover, Hera tentou, sozinha, levantar-se. Alguma coisa prendia a deusa ao trono e ela não conseguiu sair. Tomada pelo medo e pelo pavor gritou desesperada. Todos os deuses, inclusive Zeus, tentaram libertá-la em vão. Nesta hora entenderam tudo: Hefestos, o deus do fogo, forjara o trono de ouro que prendia Hera, para vingar-se da mãe que o rejeitara.

Apesar de todas as tentativas para desfazer o feitiço, nada conseguiram e Hera, aflita, continuava presa ao trono de ouro. A solução seria convencer Hefestos a subir ao Olimpo e demovê-lo das idéias de vingança, em troca de concessões ou com o emprego da força.

Ares foi o emissário dos imortais e partiu sozinho para a ilha de Lemnos, onde se encontrava Hefestos. Ao pisar na ilha vulcânica, o deus da guerra foi atingido por tochas incendiárias fabricadas pelo deus coxo.
Derrotado, Ares retornou ao Olimpo e os deuses enviaram um segundo emissário: Dioniso, deus do vinho e amigo de Hefestos. Dioniso embebedou Hefestos e o conduziu ao Olimpo, no lombo de um pequeno asno branco. Retornando à lucidez, horas depois, Hefestos não se deu por vencido: só libertaria Hera se lhe fosse concedida por esposa, a deusa Afrodite.

Zeus, que apreciava Hefestos, de quem recebera o seu escudo e o cetro, e desejando castigar Afrodite, que se negara a amá-lo, consentiu nas bodas. O deus do fogo, então, libertou Hera.
Afrodite não podia desobedecer à determinação do deus dos deuses, mas vingou-se, traindo inúmeras vezes o disforme esposo.

 

 

Voltar

Envie esta página para:

Digite o seu e-mail

Coloque seu nome

E-mail de quem a receberá