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MITOLOGIA Lendas do Brasil |

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Mula sem Cabeça
A
Mula sem Cabeça é uma personagem do folclore brasileiro, também
conhecida como mula preta, mulher de padre ou mula de
padre. É
muito difícil conseguir determinar a origem da lenda da Mula sem Cabeça.
Existem algumas versões diferentes que variam conforme a localização
geográfica. Em alguns casos, a lenda afirma que a moça que tiver
relacionamento amoroso com um padre será amaldiçoada e transformada em
Mula sem Cabeça. Na passagem da quinta para sexta feira ela vai numa
encruzilhada e ali se transforma na besta, correndo com espantosa rapidez,
até o terceiro cantar do galo. Sua sina é percorrer sete cidades ou
povoados, ao longo daquela noite, sempre em carreira infernal, soltando
ruídos pavorosos. Ouve-se seu galope acompanhado de longos relinchos, às
vezes parecendo chorar como se fosse uma pessoa. Ao ver a Mula sem Cabeça
deve-se deitar de bruços no chão, permanecer imóvel, sem respirar, tomando
o cuidado de esconder olhos, unhas e dentes para não ser atacado. Isso
porque quando encontra alguém no seu caminho, homens ou animais, a Mula
sem Cabeça ataca-os com seus cascos afiados, ferindo-os com coices que
ferem como navalhadas; chupa seus olhos e come suas unhas e
dedos. Para que a "manceba" do padre não se transforme em
Burrinha é preciso que este jamais esqueça de amaldiçoá-la antes de
celebrar a Santa Missa. Segundo a lenda, a Mula sem Cabeça normalmente é
de cor marrom ou preta, com ferraduras de aço ou prata. Os detalhes
variam. É uma mula que não tem cabeça, mas relincha. Ou é de cor negra,
com uma cruz de pelos brancos no dorso. Tem olhos de fogo. Tem um facho
luminoso na cauda e geme como um ser humano. Está em todo Brasil, em todas as regiões. A cabeça da
mula não é visível, envolvida em uma tocha de fogo. Apesar do nome, "Mula
Sem Cabeça", na verdade, segundo relatos dos que afirmam te-la visto,
aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e boca,
onde tem freios de ferro. Ouve-se, de longe, o barulho do seu galope
sobrenatural e as dentadas com que morde o freio de ferro que tem à
boca. Para quebrar a maldição, é preciso retirar os freios
da boca do animal, ou então conseguir retirar sangue dele (uma gota
basta), com um alfinete virgem. Quando o encanto é quebrado, a mula se
transforma novamente em uma moça, arrependida dos seus pecados, livre da
maldição que a castiga, para sempre. Nos pequenos povoados ou cidades, onde existam casas
rodeando uma igreja, em noites escuras, pode haver aparições da Mula sem
Cabeça. Também se diz que, se alguém passar correndo diante de uma cruz à
meia-noite, a misteriosa entidade irá aparecer. Outras versões afirmam que se uma mulher perde a
virgindade antes do casamento, é transformada em Mula sem Cabeça. Esta
versão está muito ligada ao controle que as famílias tradicionais buscavam
ter sobre os relacionamentos amorosos, principalmente das filhas, uma
forma de mante-las dentro dos padrões morais e
comportamentais. Existe ainda outra versão mais antiga e complexa da
lenda. Conta que, num determinado reino, a rainha costumava ir
secretamente ao cemitério durante a noite. O rei, certa feita, resolveu
segui-la para ver o que estava acontecendo. Chegando ao cemitério,
deparou-se com a esposa comendo o cadáver de uma criança. Assustado,
elesoltou um grito horrível. A rainha, percebendo que o marido descobrira
seu segredo, transformou-se numa Mula sem Cabeça e saiu galopando em
direção à mata, nunca mais retornando para a corte. No
entanto a versão mais divulgada da lenda é aquela que se refere ao caso
amoroso com padres. Ainda hoje, de acordo com a crença popular, pessoas
afirmam que nas noites de quinta para sexta, especialmente quando ocorre a
lua cheia, é possível avistar padres cavalgando sobre mulas sem
cabeça. É
crença nos sertões de todo Nordeste, que as Burrinhas, em sua forma
humana, além de muito belas, são extremamente gentis e
delicadas. Nomes comuns: Burrinha do Padre, Burrinha, Mula
Preta, Cavalo-sem-cabeça, Padre-sem-cabeça, Malora (México), Mula-Anima
(Argentina). Origem Provável: É uma tradição que nos veio da
Península Ibérica, trazida pelos espanhóis e portugueses. Corre toda
América, do México até a Argentina. No Brasil varia entre as regiões,
sendo um mito forte entre Goiás e Mato Grosso. Em
todas as versões há sempre uma finalidade punitiva. Em Santa Catarina,
para saber se uma mulher é amante do padre, lança-se ao fogo um ovo
enrolado em fita com o nome dela; se o ovo cozer e a fita não queimar, ela
o é. Às vezes, o próprio padre é o amaldiçoado. Nessa ocasião então, ele
vira um Padre sem Cabeça, e sai, ora a pé, ora montado em um cavalo do
outro mundo. O Cavaleiro sem Cabeça Norte Americano lembra muito esta
variação. Na
Ásia e Austrália, há a tradição das mulheres velhas que se transformam em
tigres, lobas, panteras, voltando à forma humana com a luz do sol. Mas,
nesse caso, não há uma sina punitiva como no caso da Mula sem
Cabeça. |

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