MITOLOGIA GREGA

 

ULISSES

Só um mortal no mundo poderia competir com o astucioso Autólico: Sísifo, rei de Corinto, o homem mais inteligente da Grécia. Sísifo era tão inteligente que enganou, com êxito, Tanatos (a morte) e Hades, rei do inferno.

Um dia, Autólico resolveu roubar os rebanhos de Sísifo e sofreu uma grande decepção: o esperto soberano havia marcado todos os seus animais e identificou-os em meio ao gado do outro. Mesmo reavendo o que era seu, Sísifo não ficou satisfeito. Queria vingar-se e para isso violentou a bela filha de Autólico, a jovem Anticléia.

No entanto, era exatamento isso que Autólico desejava: um neto tão inteligente quanto ele próprio e somente Sísifo poderia gerá-lo. Nove meses depois Anticléia, esposa de Laertes, rei de Ítaca, no Monte Nértion, durante uma tempestade, trouxe à luz, em meio à chuva e à lama, o futuro guerreiro Ulisses, lider inteligente dos homens e desafio perene aos deuses.

A vida de Ulisses é relatada nas duas epopéias homéricas: a Ilíada e a Odisséia, sendo o protagonista da última. Ulisses foi educado pelo centauro Quirão, que viu nele a sua mais gloriosa missão de mestre. Ensinou-lhe música, medicina e a arte de guerrear. O jovem retornou a Itaca, onde Laertes já o considerava como filho. O jovem misturou-se ao povo de Itaca, conversando com todos, observando de perto os seus problemas, preparando-se para sua missão de governante justo como lhe ensinara Quirão.

Procurando uma companheira escolheu a mulher mais bela da Grécia: Helena, filha de Tíndaro, rei de Esparta. No entanto, ao lá chegar, desistiu da moça: eram tantos os pretendentes que uma guerra poderia ser deflagrada nesta disputa. Tíndaro pediu a ajuda de Ulisses e este sugeriu que o escolhido de Helena deveria ser respeitado pelos demais. Os pretendentes prometeriam ajudar o eleito a manter-se em paz e conservar a mulher ao seu lado. Tal seria a condição fundamental para os candidatos à mão da jovem. Ou eles se curvavam à imposição ou perdiam, de antemão, o direito de desposar a princesa.

O rei de Esparta, seguindo o conselho de Ulisses, dirigiu-se à multidão e comunicou-lhe a estranha lei. Todos concordaram e aguardaram a decisão de Helena. Enquanto Helena chorava em seu quarto sem saber quem escolher, Ulisses deparou-se com uma bela jovem: Penélope, prima de Helena. Apaixonados ao primeiro olhar, os dois jovens seguiram mudos pelos corredores do palácio. Uma força mágica uniu-os num longo beijo e partiram rumo à Itaca.

Nem deuses, nem homens, nem o próprio Destino poderia separá-los. Após o nascimento de Telêmaco, uma notícia não demorou a chegar: Helena, que escolhera para esposo Menelau, fora raptada por Páris, príncipe troiano. Menelau, amparado pela promessa feita antes de seu casamento, conclamava todos os príncipes gregos a ajudá-lo no resgate de sua esposa. Ulisses não desejava partir para a guerra. Era feliz com sua Penélope, seu filho e seu reino.

Tentou simular loucura mas foi desmascarado por Palamedes, um jovem grego e teve que seguir. Enfrentando o que lhe fora destinado, Ulisses demonstrou coragem e inteligência em todos os momentos vividos nesta longa batalha. Ajudado pela própria Helena e Hécuba, rainha de Tróia, conseguiu, disfarçado, roubar o Paládio de Tróia, profetizado como uma das exigências para que a guerra findasse.

Ulisses também foi o idealizador de um plano grandioso que traria aos gregos a conquista de Tróia. Sob suas ordens, os soldados construiram um grande cavalo, talhado em madeira. No interior oco da estátua, ocultaram-se dezenas de soldados. Os soldados gregos, que não se encontravam dentro do cavalo, esconderam-se nos seus navios, como se estivessem se preparando para partir, parecendo ter desistido da luta. Os troianos regozijaram-se com o final da longa batalha. Dizendo tratar-se de um presente de Atena para eles, o jovem Sínon entregou aos troianos esse cavalo.

Para que a estátua pudesse ser conduzida ao rei Priamo, a muralha da cidade teve que ser derrubada. Os troianos festejaram sua vitória, durante toda a noite, e adormeceram na madrugada, encharcados de vinho. Os soldados gregos sairam de dentro do cavalo e acenaram para os demais que se escondiam nos navios. Pegos de surpresa, os troianos foram derrotados.

Os vencedores, no entanto, provocaram a ira dos deuses. Cantaram feitos heróicos sobre a cidade espezinhada, sem agradecer aos imortais que tanto os haviam ajudado nesta empreitada. Sob a liderança de Atena, os olímpicos decidiram: nenhum guerreiro conseguiria voltar à pátria. E para Ulisses, o autor do estratagema do cavalo de madeira, responsável pela vitória a punição seria mais rigorosa.

Ulisses iniciou o seu regresso a Ítaca, mas um temporal afastou-o, com suas naves, da frota. Assim, iniciaram-se os dez anos de aventuras pelo Mediterrâneo. Durante este período, em Ítaca, Penélope aguardava o regresso de seu esposo, cortejada por toda sorte de indivíduos, que abusando de sua hospitalidade, deitavam-se até com suas criadas. Penélope, reticente, propunha-se escolher um deles para esposo, somente quando terminasse a tapeçaria que tricotava durante o dia, desfazendo-a à noite, às escondidas.

Protegido por Atena, deusa da sabedoria, e perseguido por Posseidon, deus dos mares, cujo filho, o ciclope Polifemo, havia cegado, Ulisses conheceu incontáveis lugares e personagens: a terra dos lotófagos na África setentrional, a dos lestrigões no sul da Itália; as ilhas de Éolo, a feiticeira Circe e o próprio Hades no reino dos mortos. Ulisses perdeu todos os companheiros, sobrevivendo graças a sua sagacidade.

Retido vários anos pela ninfa Calipso, o herói pôde enfim retornar a Ítaca, disfarçado de mendigo. Revelou sua identidade ao filho Telêmaco, e convenceu Penélope, sua fiel esposa, sem se revelar, a contrair casamento com aquele entre os seus cem pretendentes, que fosse capaz de tensar o potente arco de Ulisses.

Depois de esvaziar a sala de armas, Ulisses e Telêmaco contemplaram as vãs tentativas dos pretendentes. Para surpresa de todos, Ulisses, ainda disfarçado de mendigo, tensou o arco, acertou o alvo, revelando, então, sua real identidade aos atônitos pretendentes. Com a ajuda de dois leais criados e de Telêmaco, matou-os todos, recuperando seu reino.

A literatura ocidental perpetuou, como símbolo universal da honradez feminina, a fidelidade de Penélope ao marido, assim como encontrou em Ulisses e suas viagens, inesgotável fonte de inspiração. Legendário herói grego e rei de Ítaca, pequena ilha do mar Jônico, Ulisses é o protagonista de um dos mais apaixonantes relatos da sagacidade e da perseverança humanas. O herói converteu-se em símbolo da capacidade do homem em superar as adversidades.

 

 

 

 

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