Carta do pai de
um viciado em crack que virou assassino! Sei
que há seis anos perdi meu filho para o crack, mas apesar das sequelas e
problemas, ele nunca deixou de ser carinhoso e educado com todos, o que
lhe granjeou um número sempre crescente de amigos. Ele passou por várias
internações - tinha desde pequeno outros problemas mentais que se
exacerbaram com as drogas. Sempre que saia das internações ficava bem, até
encontrar os amigos, tomar umas cervejas e aí a coisa saía novamente de
controle. Nestes tempos o vício, apesar de grave, ainda não tinha
produzido todos seus efeitos devastadores. Mas com o tempo e a
reincidência o crack o foi devastando. Nos últimos tempos dizia-se
derrotado para o vício, vivia muito deprimido e voltara a frequentar o NA
- Narcóticos Anônimos. Tentei de tudo para convencê-lo a se internar, mas
vá pedir a um pinguço que largue sua garrafa: é inútil. Ele foi cada vez
mais descendo a ladeira. De mãos atadas fiquei esperando pelo pior ou por
um milagre, já que segundo os “especialistas” que ditam as políticas
públicas para o tratamento de drogas, o drogado tem de se internar por
vontade própria.
A reportagem
que o Brasil assistiu esta semana, da mãe que construiu uma cela em casa
para tentar salvar o filho viciado em crack é bem representativa de como
as famílias vítimas deste flagelo estão abandonadas pelo Estado e se
virando à própria sorte. E é bem possível que ela seja punida por isso. Na
mesma reportagem, uma psicóloga inteligente afirmava que o viciado em
crack tem de ir voluntariamente para o tratamento; este é o método
correto, segundo a maioria dos que estão à frente das políticas para esta
área. Será que essa profissional é incapaz de entender o estrago que o
crack/cocaína ocasiona nas mentes de seus dependentes? Será que ela é
capaz de perceber o flagelo que o comportamento desses doentes causam
sobre as famílias?
Um drogado, ou
adicto, que já perdeu o senso de realidade e o controle sobre sua fissura,
torna-se um perigo para a sociedade, infernizando a família, partindo para
roubos, prostituição e até assassinatos, por surto ou por droga. Esperar
que uma pessoa com a mente destruída pela droga pesada vá com seus
próprios pés para uma clínica é mera ingenuidade destes profissionais. O
Estado tem de intervir nesta questão para preservar as famílias e os
inocentes. A internação compulsória para desintoxicação e reabilitação
destes doentes, que já perderam todo o limite, é uma necessidade premente.
Ou será que todas as famílias que vivem esse problema terão de construir
jaulas em casa?
Se
meu filho fosse filhinho de papai, como falaram, eu já teria pago uma ou
mais internações. Infelizmente, o papai aqui não tem grana para isso,
assim como a maioria das famílias vítimas deste, que insisto em reafirmar,
FLAGELO.
Hoje vi uma
pessoa boa se transformar num assassino, assim como aquele pai de família
correto, que um dia bebe umas redondas, dirige, atropela e mata seis num
ponto de ônibus. As drogas ilegais ou não estão aí, nas ruas, fazendo suas
vítimas diárias, transformando pessoas comuns em monstros e o Estado não
pode ficar fingindo que não vê. Dizem que vão gastar 100 milhões para
equipar a polícia, mas... e as vítimas diretas das drogas como ficam, os
jovens humildes atraídos pelos criminosos para seu exército e os policiais
mortos em combate nesta via indireta da guerra do tráfico? Está na hora de
acabar a hipocrisia!
Meu filho
destruiu duas famílias: a da jovem e a dele, além de a si próprio. Queria
sair do vício, mas não conseguia. Eu queria interná-lo à força e não via
meios. Uma jovem, a quem ele amava, queria ajudá-lo e de anjo da guarda
virou vítima. Ele irá pagar pelo que fez, será feita justiça, isso não há
dúvida. O arrependimento já o assola. Desde que acordou do surto do crack
deu-se conta do mal que sua loucura havia lhe levado a praticar. Ele me
ligou, esperou a chegada da polícia e se entregou, não fugindo do
flagrante. Não passarei a mão na cabeça dele, mas não o abandonarei. Ele
cumprirá sua pena de acordo com a lei, dentro da especificidade de sua
condição. Infelizmente, só consegui interná-lo pela via torta da loucura,
quando já não havia mais nada a fazer, num surto fatal. Este é um caso de
saúde pública que virou caso de polícia.
Que a família
da Bárbara possa um dia perdoar nossa família por este ato imperdoável.
Chorei por meu filho 6 anos atrás. Hoje, minhas lágrimas vão para esta
menina que tentou, por amor e amizade, salvar uma alma, sem saber que
lutava contra um exército que lucra com a proibição (que não minimiza o
problema, pelo contrário, exacerba), por um bando de tecnocratas e suas
teorias irreais, e para um Estado que, neste assunto, se mostra
incompetente.
Luiz
Fernando Prôa, o Pai. Envie esta
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Meu filho começou na droga pelo álcool, no
colégio, esta droga LEGAL com que a propaganda bombardeia nossas crianças
e jovens todo dia, escancaradamente, e que produz milhares de mortes no
trânsito, destrói lares, pessoas do bem e, como se sabe, a primeira droga
que os jovens experimentam. A maioria segue pela vida em maior ou menor
grau se drogando com ela - o álcool; outros acabam provando das ilegais,
sendo que uns fogem delas, outros se viciam numa espiral crescente e
veloz. Em geral, passam pela maconha, vão na boca adquiri-la e os
comerciantes felizes lhes oferecem um variado cardápio self-service:
cocaína, crack, haxixe, êxtase, ácido...