MAIS UM NATAL

Mais um final de ano. Mais um Natal. Não vou aqui desejar que todos nós, como num passe de mágica e sob a inspiração de Jesus, passemos a partir de hoje a ser pessoas mais decentes, mais amigas e mais humanitárias.

Não farei isso. Não farei porque simplesmente não acredito nisso. Acredito sim, no ser humano com falhas, com defeitos e repleto de dúvidas. Porque a Perfeição para mim é só uma palavra, a Qualidade Total é o nome de um curso e o Paraíso é um jardim onde florescem o tédio e a inércia.

Eu ando cheio da fome que tem medo de comer. Eu ando cheio da sede que tem medo de beber. Eu ando cheio do amor que tem medo de gozar. Eu ando cheio dos Homens que têm medo de ser HOMENS. Pois creio que só através do reconhecimento de nossos limites e de nossa pequenez diante do Universo, possamos sair do outro lado deste redemoinho que é o nosso tempo, para emergir mais adiante uma vida plena e verdadeira.

Chega de confeitos postiços importados de além mar. Não me encantam os pinheiros nevados, pois conheço bem a neve que se acumula no coração de nossos governantes. Não me encantam as guirlandas, pois num país que passa fome, guirlandas mais parecem coroas de flores a enfeitar o funeral de nossa vergonha. Não me encantam nozes e avelãs, porque nozes e avelãs são duras demais para um país de desdentados. E também não me encantam os trenós que trazem brinquedos do céu para crianças nórdicas. Em nosso país também há um trenó que todo dia, não traz brinquedos, mas leva crianças para o céu.

Certamente, quem me lê agora está a se perguntar o que então me encanta no Natal...

Me encanta simplesmente a figura de Jesus, na sua magnífica humildade e no seu infinito amor pelos Homens. Me encanta a sua outra face. Me encanta a sua revolta contra os mercadores do Templo. Me encanta a sua dúvida diante do Cálice. Me encanta única e exclusivamente a sua dimensão humana.

O miraculoso nunca me interessou. Não preciso que me dourem a pílula. E num começo de milênio como este, onde se multiplica o amor dos Homens pelos santos, anjos, arcanjos, duendes, magos e outras entidades invisíveis, conclamo a todos que amemos o visível, que amemos o irmão, que amemos o colega, que amemos o amigo, que amemos o vizinho, que amemos o desconhecido que passa. Enfim, que amemo-nos.

Não desperdicemos nosso amor com o que não podemos ver, É aqui que precisamos de amor. E basta de amigos secretos. Basta de amigos ocultos.

Nós precisamos mesmo é de amigos declarados.

Assis Ximenes
Página formatada em 20 dez 2012

 

 

 

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