RETRATO DE MÃE

Uma mulher existe que, pela imensidão do seu amor, tem um pouco de Deus, e  muito de anjo pela incansável solicitude dos cuidados seus.

Uma mulher que, ainda jovem, tem a tranqüila sabedoria de uma anciã e, na velhice, o admirável  vigor da juventude; se de pouca instrução, desvenda com intuição inexplicável os segredos da vida e, se muito instruída age com a simplicidade de menina.

Uma mulher que sendo pobre, tem como recompensa a felicidade dos que ama, e quando rica, todos os seus tesouros daria para não sofrer no coração a dor da ingratidão.

Uma mulher que, sendo forte, estremece com o gemido de uma criança e, sendo frágil, consegue reagir com a bravura de um leão.

Uma mulher que, enquanto viva, não lhe damos o devido valor, porque ao seu lado todas as dores são esquecidas; entretanto, quando morta, daríamos tudo o que somos e tudo que temos para vê-la de novo ao menos por um só momento, receber dela um só abraço e ouvir de seus lábios uma só palavra.

Dessa mulher não me exijas o nome, se não quiseres que turve de lágrimas esta lembrança, porque ... já a vi passar em meu caminho. 

Quando teus filhos já estiverem crescidos, lê para eles estas palavras. E, enquanto eles cobrem a tua face de beijos, conta-lhes que um humilde peregrino, em paga da hospedagem recebida, deixou aqui para todos o esboço do retrato de sua própria mãe.

Don Ramon Angel Lara
Bispo de La Serena - Chile
Página formatada em 30 jul 2003

 

 

VOLTAR

Envie esta página para:

Digite o seu e-mail

Coloque seu nome

E-mail de quem a receberá