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SÓ
CRIANCINHAS
Um grande
industrial, milionário, cansado dos imensos trabalhos que tinha o ano
inteiro, costumava passar as férias, sossegado, em cidades
balneárias ou no estrangeiro.
Uma vez, entretanto, foi passar uns
dias numa cidadezinha humilde e modesta, ficando à beira-mar, nas
manhãs menos frias à tarde aproveitando pra fazer sua sesta.
E
ali, observava os duros labores dos homens que do mar tiravam seu
sustento, vendo tristes mendigos, pobres pescadores que, então,
viviam em rude, agreste sofrimento.
Tentou aproximar-se de um dos
caiçaras e com ele iniciou uma conversação; verificou tratar-se de
um homem que em raras vezes já desfrutara a civilização.
O rapaz
respondia às perguntas, somente, por duros monossilabos,
esperançoso que o aborrecido intruso fosse logo em frente, não
espantando os peixes que aguardava ansioso.
Em um dado momento
indaga-lhe o ricaço: - Escute, moço, diga-me se, porventura, aqui
onde só vejo lutas e fracasso, nasceu um grande homem de
desenvoltura?
E o humilde caiçara, sem pestanejar, respondeu,
firmemente, sem fazer gracinhas: - Que eu ficasse sabendo aqui neste
lugar tem só nascido mesmo, muitas criancinhas...
Mariinha Mota Página formatada em
18 abr 2005 |