PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Carlos Ramos da Silva


Prof. Carlos Ramos pouco antes de seu falecimento, 
na comemoração dos 80 anos do G. E. Antonio João
Foto de Lety

Carlos Ramos da Silva - Uma Vida de Bons Serviços  

Há mais de 50 anos (1948), na cidade de Piquete-SP, onde morei por uns 3 anos, tive a oportunidade do primeiro contato com a imprensa. Sem dúvida que foi um caso de amor a primeira vista pelo jornalismo, seguido de uma eterna paixão... Foi lá que tive a felicidade de conhecer o Professor Carlos Ramos da Silva, o jornalista diretor e fundador do jornal "Folha de Piquete". Lá dei os meus primeiros passos no jornalismo como "repórter" e, também no setor gráfico da imprensa; naquela época o jornal era composto e impresso de modo artesanal, hoje incorporado ao folclore, certamente. E o resultado disso é que até hoje estou no jornalismo... Teimosia? Vocação? Sei lá... Mas o que me motivou a escrever esta matéria foi o mais recente trabalho lítero-musical do Professor Carlos Ramos da Silva, com letra e música de sua autoria, sob o título "A Escola" (marcha-exaltação). E o amigo Carlos Ramos da Silva é uma pessoa dotada de extraordinária formação moral, cultural e profissional e com múltiplas atividades, não obstante os seu 80 anos, como se pode constatar num breve curriculum:

CURRICULUM VITAE

Nascido em Guaratinguetá-SP, em 31 de Outubro de 1921, filho de Abel Ramos da Silva e Djanira Ferreira da Silva.

Cursos Concluídos (Área Educacional)

Primário/Ginasial/Profissional do Professor/Administração Escolar/Técnico Educação Física/Psicologia Infantil/"Escola de Pais"/ Ciências Jurídicas e Sociais/ Pedagogia.

Atividades Exercidas

Radialista/Jornalista/Profissional do Professor/Diretor EE "Antonio João"/Auxiliar Delegacia de Ensino/Diretor da EE "Prof. E. Quissak"/Prof. Ginásio "Nogueira da Gama"/Diretor (Fundador) - Guarda Mirim de Guaratinguetá (CMG)/Membro do Conselho Tutelar Municipal de Guaratinguetá-SP.

Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Piquete e 1º suplente de vereador em Guaratinguetá. Advogado, com mais de 30 anos de atividades, Integrante da FEB/ Integrante do " CIRVAP" como radialista e jornalista. 

CONCLUSÃO

Para uma apreciação correta sobre o acerto de sua escolha para integrar o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Guaratinguetá, tomamos a liberdade de transcrever as " DUAS PALAVRAS" do próprio Professor e Doutor Carlos Ramos da Silva, na edição de seu trabalho lítero-musical "A ESCOLA". Embora poeta e sonhador, ele não tira os pés do chão, encarando a realidade dos fatos e sua incansável preocupação como Conselheiro Nato da entidade, objetivando um mundo melhor através da nossa juventude.

 DUAS PALAVRAS

"Quanto mais me aproximo dos meus vividos oitenta anos dos quais quarenta convivendo com a CRIANÇA e ADOLESCENTE, mais convencido estou de que somente a ESCOLA alicerçada na ORAÇÃO, na MUSICA e no ESPORTE, comprovado triângulo que desperta as emoções humanas, com a devida colaboração da Família, poderá realmente amenizar os graves problemas e conflitos que afetam a nossa JUVENTUDE. Com a permanente e necessária presença das autoridades e da sociedade como um todo reconhecendo os DIREITOS E DEVERES da Criança, teremos com certeza um adolescente sem problemas. Quem resiste a uma PRECE com fé, uma MUSICA bem dirigida, com palavras positivas, a participação direta ou indireta numa atividade esportiva? Livros, Revistas, Estatutos, a Imprensa falada e escrita, têm se empenhado nessa tarefa o que é muito louvável. Porém, a ESCOLA devidamente equipada, com funcionários especializados na área da EDUCAÇÃO ao lado das abnegadas e heroínas professoras, por certo será a solução ideal do complexo problema na formulação e informação da nossa MOCIDADE. A ociosidade é o caminho mais curto para o vício. Mais educação e menos prisão."
Carlos Ramos da Silva
Conselheiro Tutelar

 Artigo de G. Dimas Carvalho Rosas, publicado no Quinzenário "Folha do Povo"
01 a 15 de janeiro de 2002
- Guaratinguetá, SP


Na preparação da Campanha do Agasalho, o Diretor Carlos Ramos ao lado de professoras
e funcionárias do .E. "Antonio João". Na máquina de costura Mirthes Mazza.
Foto escaneada do Jornal "O Estafeta"

MINHA HOMENAGEM

Encontrei entre meus guardados essa folha de jornal. Não sei quem a mandou para mim, mas despertou minhas lembranças...

O Professor Carlos Ramos da Silva em seu vasto curriculum destaca ter sido diretor do nosso querido "Antonio João". E é assim que o encontro em minhas recordações. Fui aluna desse grupo escolar, de 1956 a 1957 e nesses primeiros anos ele lá estava. Acompanhado de dona Vanda, sua esposa e secretária, nosso diretor buscava sempre a proximidade conosco e com nossas mestras. Na ocasião, aluna da professora Fernanda Faury, encantava-me o seu empenho na organização das festas com música, declamação e peças de teatro, indo pessoalmente supervisionar nossos ensaios. Recordo-me quando ensaiávamos a peça "Chapeuzinho Vermelho". Eu interpretava a Vovozinha e seu filho Antonio Carlos o Lobo Mau. Ele insistiu tanto no aumento da ferocidade do Lobo, cobrando mais autenticidade de seu filho, que levou o garoto às lágrimas. Carlos Ramos era assim: exigente, perfeccionista, tratando conosco como se pudéssemos sempre ser melhores, mais completos e mais perfeitos. Quando da organização de nosso Orfeão, Carlos Ramos participava da seleção dos alunos, ouvindo todos cantarem, observando seus timbres de voz, seus possíveis talentos, decidindo quem faria uma apresentação solo, os da primeira e os da segunda voz. 

Contava cerca de nove anos, quando de uma participação artística do Grupo Escolar "Antonio João", em Guaratinguetá. Além do Orfeão teríamos números de declamação, arte na qual eu me destacava, que sempre me permitia representar minha escola. Como cantora era uma lástima, mas a verdade é que o professor Carlos Ramos não pensava assim. Ele me queria no Orfeão... Após constatar que minha presença ali apenas serviria para causar um desastre no grupo tão afinado, ele resolveu a questão de forma bem simples: colocou-me na regência do Orfeão, no lugar da professora dedicada que o ensaiara. Quando lhe perguntei o que deveria fazer ele respondeu: "Mexa as mãos, os braços. Pergunte ao seu pai que é músico o que deverá fazer, ora bolas..." Assim eu fiz. Papai deu-me algumas noções de como deveria me comportar, rindo da decisão do nosso diretor. No dia da apresentação foi um sucesso: o G. E. "Antonio João" possuía um Orfeão regido pelos próprios alunos...

Carlos Ramos contava em sua escola com uma equipe maravilhosa de professoras. Cobrava delas, estimulava o desenvolvimento de seus potenciais. Acredito que o piano de Dona Milita nunca ecoou tanto por aquelas paredes como aconteceu na direção de Carlos Ramos. Ele apostou também na capacidade artística de Mirthes Mazza, jovem professora substituta e permitiu que ela desenvolvesse conosco peças de teatro, declamações e festas as mais diversas. Campanhas beneficentes como a Campanha do Agasalho, tentativas de melhorar a arrecadação da Caixa Escolar, enfim Carlos Ramos estava sempre presente. As vezes rude e sarcástico, zombeteiro até, mas próximo, idealista e companheiro - um grande e saudoso diretor. Um homem que colaborou na formação de toda uma geração de piquetenses.

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira
Obs. "Tajapanema - Foi Bôto Sinhá" era uma das canções que cantávamos em nosso Orfeão.

 


1956 - Turma do 2º ano primário, da profª Fernanda Faury.
Ao centro o diretor Carlos Ramos e sua esposa profª Vanda.
Arquivo M. Auxiliadora Mota G. Vieira

 

 

 

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