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PIQUETE - CIDADE PAISAGEM Célia Aparecida da Rosa |

Célia Rosa
Foto escaneada do jornal "O Estafeta"
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A Presidente da Fundação Christiano Rosa, Célia
Aparecida, nasceu em Piquete, no dia 03 de outubro de 1942, filha de
Christiano Alves da Rosa e Aída Oliveira Lucas da Rosa. Faleceu em
São Paulo no dia 15 de julho de 1998. Bacharel em Pedagogia, foi
professora na atual EEPSG Profa Leonor Guimarães, em nossa cidade e
diretora de escola em Cananéia e Guarulhos, de 1972 a 1991, sempre
devotada à causa do ensino e preocupada com a formação integral
dos jovens. Durante sua gestão frente à EEPSG "Dom Paulo
Rolim Loureiro", em Guarulhos, instalou a primeira escola
estadual de nível médio profissionalizante do município, com os
cursos de Contabilidade, Secretariado e Desenho de Arquitetura. Sob
sua coordenação pedagógica a escola alcançou o melhor nível
educacional do município. Implementou atividades extra-classe nas
áreas do Esporte, Cultura e Lazer, transformando a escola num
centro de convivência comunitária. Desse projeto inúmeros atletas
se profissionalizaram e muitos jovens tomaram-se arquitetos. Convênios
firmados com as indústrias de Guarulhos permitiram que os melhores
alunos dos cursos técnicos ingressassem no mercado de trabalho.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade "Farias
Brito", de Guarulhos, conquistou o título de Mestre em Estética.
Convidada pela mesma Universidade para lecionar as disciplinas
Projetos Arquitetônicos, Métodos Construtivos e Planejamento
Urbano, atividades que exerceu durante 13 anos. Manteve em
Guarulhos, durante 06 anos, escritório de Arquitetura,
desenvolvendo projetos arquitetônicos e fiscalização de obras no
citado município. Foi Diretora de Obras da Prefeitura de Piquete,
em duas gestões, elaborando, para aprovação da Câmara, o Código
de Obras Municipal, a Lei de Parcelamento do Solo Urbano, Diagnóstico
do Saneamento Básico no Município de Piquete (1997) e as leis de
Criação e Regulamentação do Conselho de Preservação do Patrimônio
Histórico-Artístico e Paisagístico do Município. Em co-autoria,
organizou os livros "Coisas Findas" e "Estação
Rodrigues Alves-90 anos", publicados em 1996, e
"Agenda-1998". Fez parte da equipe de criação e redação
do Informativo "O ESTAFETA", da Fundação Christiano
Rosa. Integrou a comissão de festejos do Centenário do Município,
promovendo várias atividades. Concebeu, em co-autoria com um grupo
de arquitetos piquetenses, o marco do Centenário, instalado na Praça
da Bandeira, cujo projeto de remodelação é também de sua
autoria, bem como a Praça do Jambeiro. Foi instituidora da Fundação
Christiano Rosa, entidade de fins culturais e filantrópicos, em
funcionamento em nossa cidade. Como presidente, coordenou todas as
atividades até então desenvolvidas pela Fundação, com dedicação
e amor. Dotada de grande sensibilidade para as Artes Plásticas, Música
e Poesia e de apurado senso e estético. Participou de exposições
de Artes Plásticas na cidade de São Paulo, sendo várias vezes
premiada. Marcante o seu senso de cidadania, sempre preocupada com
os problemas sociais da cidade de Piquete como saneamento básico,
educação, cultura, meio ambiente, delinqüência infanto-juvenil,
prevenção de drogas, preservação do patrimônio histórico,
arquitetônico e paisagístico do município. Metódica e
organizada, primava pela procura da perfeição em todas as
atividades em que se envolvia. Determinada, nunca esmorecia diante
das dificuldades, dando-nos sempre lições de tenacidade e
perseverança. Sua sensibilidade artística aguçada, sua riqueza
cultural, sua fidelidade, companheirismo e amor fraterno foram
fatores da manutenção, por toda a vida, de amigos fiéis e
dedicados que caminharam ao seu lado nos momentos de alegrias e
tristezas. Praticou sempre a caridade pura no silêncio e anonimato.
Transmitiu-nos uma inabalável fé em Deus. Compreendeu a vida e foi
feliz. Enfrentou com serenidade a doença, o sofrimento e a morte.
Por Piquete nutria um grande amor. Conhecia cada cantinho de nossa
cidade e se extasiava diante de suas belezas naturais. Enquanto pôde,
mesmo na doença, fez planos, sonhou e semeou a certeza de que com o
trabalho de todos o futuro será bem melhor. Deixou-nos, enfim, uma
grande responsabilidade - a de continuar seu trabalho em benefício
de Piquete. Talvez não tenhamos sua competência, mas sob o influxo
de sua força espiritual procuraremos não transviar no pessimismo,
lutaremos para levar avante o seu trabalho e concretizar o seus
sonhos. Que Deus nos ajude e nos inspire nessa caminhada cultural,
em benefício de sua terra. Manuel
Bandeira - "Consoada". Da Saudade Célia era toda primavera, pura poesia. Porque a poesia é só dar, é só perder. Generosa, você se doou toda a vida. Observadora arguta. Acuidade sensorial epidérmica. Olhos grandes e calmos a filtrar o mundo e seus problemas sociais. Otimismo contagiante. Simplicidade, equilíbrio, retidão de caráter. Amante da natureza: daí seu grande amor pela "Cidade Paisagem". Lúcida, arquitetou sua vida, construiu muitos amigos e admiradores. Deixa saudade. Fará muita falta. Cecília Meireles nos ensina que: "A natureza da saudade é ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza - mas iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes de nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade. Há uma saudade queixosa: a que desejaria reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem, como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência de eternidade. É a única maneira, aliás, de lhe dar permanência: imortalizá-as em amor. O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum." Célia,
espírito iluminado, foi só amor; sua passagem, mera circunstância.
Fica-nos através da memória, a sensação de eternidade, pois é
forte e marcante sua presença em todos que tiveram o privilégio de
desfrutar de seu convívio.
Jornal "O Estafeta" - julho de 1998 |

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