PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
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Benedito Ramos Pinto Barbosa

A professora Leonor Guimarães chamava o moreninho baixinho e gorduchinho de "charutinho"... Isso foi lá pelo final dos anos 20... A partir daí o caçula dos oito filhos de Ramiro Pinto Barbosa e Edwirges Teresa Ramos já não é mais conhecido pelo nome de batismo: Benedito Ramos Pinto Barbosa. Passou a ser o "Dito Charuto"... Nasceu em 02 de abril de 1921, nas proximidades da antiga estação Cel. Barreiros, do ramal férreo Lorena-Piquete. Seu pai trabalhava numa fazenda próxima ao local. Foi, no entanto, registrado em Piquete. Veio para a cidade com menos de quatro anos. Passou a residir no Alto do Santo Cruzeiro, de onde avistava "todo o Piquete...". Hoje, "Dito Charuto" é personagem conhecido em Piquete. Já não assina mais o Barbosa. Conta que esse sobrenome foi acrescido ao nome do pai, filho de escravos, pela família que o criou. Quando foi para o Exército, em 1939, não aceitaram três sobrenomes e ele foi forçado a retirá-lo de seus documentos. Dito Charuto perdeu o pai aos sete anos, quando ainda estudava no Grupo Escolar do Piquete, onde foi aluno da "querida professora Leonor Guimarães", de d. Carlina Barbosa e do professor Juca Ribeiro. A infância foi como a de todas as crianças daquela época: simples, mas cheia de travessuras: "ninguém sabia roubar... mas artes a gente fazia bem..." De família humilde, fazia de tudo para conseguir uns trocados: na volta da escola, levava pães para a Fazenda da Barra, carregava malas na estação ferroviária, era porteiro do Cine Glória... Assim ia levando a vida até que, com quase 15 anos, por intermédio do coronel Monte, ingressou na Fábrica, na construção da nova unidade de produção de óleum. Seu chefe era Antônio Brasilino: "grande mestre..." Trabalhou até 1939; quando se afastou para servir, por um ano e meio, ao Exército, em Lorena. Em 1942, em plena II Guerra, foi reconvocado para compor o batalhão que iria para a Itália. Problemas de saúde, no entanto, não permitiram que fosse aceito. Assim, retomou para a Fábrica. Em 1952, beneficiou-se com uma lei que dava aposentadoria aos que serviram ao Exército durante a II Guerra. Aposentou-se como 3º Sargento. A partir de então, passou a trabalhar por conta própria. Para aumentar a renda, especializou-se em construir túmulos. Durante anos trabalhou no cemitério do município. Sua participação na comunidade é ativa. É conselheiro do Montanhês Clube, da Sociedade Beneficente da FPV e da SAP.

Há 60 anos, mais ou menos, na Páscoa, confecciona o "Judas", que é malhado no largo da Estação Rodrigues Alves. Seu Dito casou-se, em 31 de dezembro de 1945, com Maria Antônia Pinto, com quem teve dois filhos, que lhe deram dois netos. Bom de prosa, seu Dito vive com as lembranças do "...Piquete antigo" e diverte-se com os netos, sua paixão.

Seção "Gente da Cidade"
Jornal "O Estafeta" - setembro de 2002
Página formatada em 02 nov 2004
Fotos escaneadas do Jornal "O Estafeta"

 

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