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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |
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De família tradicional, Conceição Godoy Soares, 81 anos completados em 23 de abril, nasceu no bairro do Embaú, filha mais nova, entre quatro irmãos, de Rosmínio de Godoy e Firmina Gomes de Godoy. Até os 8 anos viveu naquele bairro. Depois foi para Guaratinguetá, onde estudou para formar-se professora, em 1940. Orgulha-se de dizer que "não perdeu ano algum..." O início da carreira foi, por pouco tempo, como substituta em Cachoeira Paulista. Em 1941 surgiu uma vaga em Piquete e Conceição veio para a terra que "a acolheria muito bem..." Ao chegar, passou a residir no Hotel das Palmeiras. No início, lecionou em uma pequena escola municipal, no bairro da Tabuleta, transferindo-se, em 6 de maio de 1941, para o Grupo Escolar da FPV (atual Escola "Guimarães Rosa"). Aí permaneceu, como substituta, por um ano. Em seguida, foi para o Grupo Escolar "Antônio João", onde lecionou até se aposentar, com 35 anos de serviço, em 1977. O amor pela profissão pode ser constatado quando fala com carinho das companheiras que teve durante a carreira: Mariinha Mota, Maria do Carmo Pascoal, Céli Guedes, Wanda Mota, Irene Sorbile, Eunice Fernandes, Cida Uchoa, Yolanda Luz e "muitas outras que a cabeça já não me permite mais lembrar..."
Já na primeira semana em que lecionou no Grupo Escolar da FPV, conheceu, no percurso de trem entre a escola e a estação Rodrigues Alves, o "sempre educado e gentil, Luiz Vieira Soares" com quem viria a se casar. Lembra-se de que, quando da primeira vez que Luiz Vieira sentou-se ao seu lado no trem, seu primeiro gesto foi fechar o vidro para que o vento não a incomodasse. Foi um grande amor que resultou em "...53 anos de união: uma vida perfeita, ao lado de um companheiro perfeito", dois filhos, netos e bisnetos. O espírito humanitário e a vocação pela caridade nortearam a vida desta mulher que foi, por três vezes, a primeira dama de Piquete. Mesmo "...não querendo que o Luiz se envolvesse com política...", acompanhou o marido sempre. Recorda-se de momentos difíceis pelos quais o marido passou, sem nunca trazer problemas para dentro do lar. Está certa de que, em todas as gestões, cumpriu o seu dever, dando o melhor de si.
Conceição vive hoje em Lorena. A idade não lhe permite mais viver sozinha em Piquete. Mora com a filha e o genro, cercada de cuidados e do amor da família. Mantém a mente ativa. Educadora nata, preocupa-se com o atual método de ensino. É contra a "promoção automática" dos alunos, que, acredita, os prejudica. Os trabalhos para a Oficina de Santa Rita, que realiza há anos, ainda lhe são muito importantes. Os gestos comedidos, a consciente discrição, a calma, a sensibilidade acentuada e a sinceridade fazem desta senhora uma professora invejável, dando-lhe ares de "rainha mãe", sem, no entanto, tirar-lhe a candura de um anjo, de uma vovó da qual se espera, com ansiedade, lições que, com certeza, não serão aprendidas em banco de escola alguma, só durante uma vida de caridade, de doação, de amor e dedicação. Jornal "O
Estafeta" |
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