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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

O jovem casal Geraldo e Mariinha ao lado de
sua primogênita Auxiliadora, em seu segundo aniversário.
Novembro de
1950
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MARIINHA MOTA – UM OLHAR E UM SONHO Eu me acostumei
com o brilho de seu olhar... Olhar intenso, brilhante, perscrutador,
visionário. Absorvi todas as mensagens que ele transmitia sem palavras:
aprovação, crítica, ternura, orgulho, confiança, cobrança, exigência,
incentivo. Aprendi com ele e, mesmo distante, eu o sentia guiando meus
passos. Em minhas lembranças mais primevas esse olhar está presente,
ensinando, agregando, esclarecendo. “(...) E noto por entre os mais/os passos MINIATURAIS/ de uns pezinhos de criança (...)”. E continuava o poema, com sentimento e interpretação intensos: “(...) Que descalcinhos doriiiiiiiiiidos,/a neve deixa inda vê-los/primeiro bem definidos,/depois em sulcos compridos/porque não podiam erguê-los (...)”. Essa força que
ela transmitia em seu olhar e em suas palavras, a certeza da vitória se
depois de estabelecidas as metas houvesse dedicação e esforço para
atingi-las, direcionou nossa vida e nossas conquistas sempre. Mariinha
Mota acreditava até no que parecia ser impossível. Não admitia limites nem
barreiras. Sendo Mariinha
Mota a personificação da poesia, somente se pode a ela referir em
versos. Um dia, em trova antológica, definiu o que seria a suprema felicidade: “Duas coisas pedi a Deus/nessa vida tão sumária:/Viver feliz junto aos meus!/Ser professora primária!”. Mulher apaixonada registrava em seus versos: “Então fiz desse amor que me inspiraste um dia,/ a escada que Jacó em sonhos viu surgir./ E que não tinha fim, ligando a terra fria,/ aos céus de luz e paz, de sonhos a luzir (...)”. Mãe extremosa, recordando a perda do filhinho caçula: “Filhinho, tão querido, és no mar da distância/a nossa Estrela-Guia, o Anjo da Ternura,/que as horas abençoa e enche de fragrância/como linda florzinha perfumada e pura (...)”. Sonhadora e visionária repetia: “Quero sonhar, sonhar intensamente/e em cascatas de luz compor meu verso./Quero sempre viver, conscientemente,/procurando as estrelas do Universo (...)”. Amante de sua terra e de sua gente, em belíssimo soneto registrou a sua Cidade Paisagem: “Existe uma cidade linda, acolhedora/almo ninho imortal de cálidos olores/de edênica paisagem, tela sedutora/domicílio gentil de rosas e de flores (...)”. Com inquestionável confiança, acreditando em seu país, grafou: “É o meu Brasil querido, o coração do mundo/gigantesco a pulsar em ritmo grandioso,/abrigando em seu seio nobre e tão fecundo,/um povo hospitaleiro, forte e generoso (...).” E concluía: “(...) No amor pátrio que inspira e toda a alma me invade/Agradeço ao meu Deus a benção, a caridade:/Ter nascido afinal em solo brasileiro!”. Com sua fé inabalável, em dolorosos momentos da vida, saudou o Mestre: “(...) Amparada na luz da crença nobre e santa,/esperando o porvir que acalma e nos encanta,/ sabendo que em meu ser a sombra é transitória,//ante o Cristo eu irei, sustendo sobre os ombros,/a cruz da dor cruel, dos míseros escombros,/guardando dentro em mim, certeza da vitória”. Dirigindo-se à Virgem Maria, em prece, destacou: “Do vosso trono, Flor de Nazaré,/derramai vossas bênçãos de ternura,/escutai nosso cântico de fé,/nossas preces de amor, ó Virgem pura! (...)”. Para a escola, a qual se dedicou por toda a vida, rascunhou a letra de um Hino: “(...) Minha escola é tão bonita/que dá gosto a gente ver./Tem um pátio e um jardim/e na frente há uma praça/que é mesmo uma graça,/tão galante e tão florida.//Minha escola é a mais linda/de toda essa região./Minha escola que tem tudo,/tanta coisa de valor,/eu adoro a minha escola,/meu querido Antonio João.” Definindo sua vida, transformando sua história e seu coração em um colorido jardim, Mariinha Mota compôs: Cultivei longo tempo, em meu jardim,/gama gentil de prediletas flores:/cravos, rosas, boninas e o jasmim,/e um mar de perfumes e esplendores.//Um dia me cansei de todas elas.../Reformei meu canteiro de vaidades/plantando só violetas, tão singelas,/a flor representante da humildade!//E, todas as manhãs, eu vou colhê-las./Elas são para mim, roxas estrelas,/escondidas nas folhas, rente ao chão.//Assim, em minha vida, finalmente,/as violetas cultivo, unicamente,/no jardim do meu próprio coração...”. Mariinha Mota nos deixou dia 26 de janeiro de 2011. Seu intenso olhar se apagou, mas ela nos legou sua poesia, sua força, sua fé e coragem. Talvez, em qualquer dessas noites de luar, surja no céu, bem perto dos Marins, como uma nova estrelinha, o olhar brilhante de Mariinha Mota nos permitindo novamente voltar a sonhar... Maria
Auxiliadora Mota G. Vieira |

Mariinha Mota declamando
Foto publicada no Jornal
"O Estafeta"
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Minha querida Auxiliadora, a paz de Cristo para você e todos os seus! Meus profundos sentimentos e meus sentidos pêsames. Sua mãe foi uma
grande guerreira que depôs as armas e, agora, dorme o "merecido sono da
paz". Que o Senhor a receba de braços abertos, pois ela só plantou o bem
por onde passou! Quero que saiba que Mariinha foi muito importante em
minha juventude, incentivava-me a escrever poemas, aconselhava todos os
colegas de sala, ajudava-nos nos estudos e a apaixonarmo-nos pelas músicas
de filmes clássicos e eternos... Lembro dela e sempre lembrarei ao ouvir:
"As time goes by", "Storm Wheather", "Secret love", "A woman in love",
"Blue moon", "Serenade in Blue"... e tantas outras coisas tão belas que
ficaram de sua alma romântica, vibrante, sonhadora, apaixonada (pelos
filhos e marido) pela vida, pela artes, pelo belo, numa efusão de
luz! Myrthes Mensagem da amiga e poetisa Myrthes Mazza Masiero |

Entre suas bem cuidadas folhagens.
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Memória de
Mariinha Mota Para
Mariinha, Maria Augusta,
Mariinha, se quiserem, me chamo, e me delicio em ouvir assim o meu nome.
Sinto-me leve nesta tarde primaveril em que as correntes de ar começam a
se tomar ascendentes pela elevação da temperatura. O ar está cada vez mais
leve, sinto, aspiro, meus pulmões estão cheios de ar. Dóli de Castro Ferreira, em Piquete, 11 de julho de 1991, dia do eclipse solar total, não visível nesta parte do Brasil. Esta crônica foi escrita há 20 anos, como é demonstrado pela data acima citada. Dedicada à minha amiga e comadre Mariinha, agora é o momento de publicá-la com a homenagem que lhe devoto. (26 de janeiro de 2011) Dóli de
Castro Ferreira |

A família que ela construiu, com a poesia e a música sempre
presentes.
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Mariinha
Mota Ao longo de
nossa vida convivemos com pessoas das quais guardamos gratas lembranças.
Maria Augusta Beraldo Leite Mota ou simplesmente D. Mariinha Mota é, em
minha vida, uma dessas pessoas. Não fui sua aluna em qualquer curso
regular, no entanto a considero com minha mestra. Aprendi tanta coisa com
ela, através de uma convivência quase diária, no meu tempo de menina e
adolescente... Em sua casa era recebida e tratada como filha. Lá aprendi a
gostar de ler, recitar poesias e muito mais. Uma das coisas de que não me
esqueço: a coleção de livros de Monteiro Lobato; eu devorava esses livros
tão rapidamente que parecia sentir medo deles sumirem e eu ficar sem
lê-los. Quantas vezes ela nos preparou, a mim e as suas filhas para o
concurso de poesias Thaís Florinda, realizado anualmente e esperado por
nós com muita ansiedade. O Navio Negreiro, Vozes d’África, Meus Oito
Anos... A vida nos levou para longe dessa convivência, mas os ensinamentos que recebi naquele lar ficaram para sempre e por isso eu a considero como uma das minhas mestras. Este texto é apenas uma pequena homenagem a uma grande mulher, mãe e mestra, poetisa das melhores. Gostaria que a vida não lhe tivesse tirado, durante seus últimos anos, a capacidade mental, mas é certo que ela repassou grande parte de seus conhecimentos e de sua sensibilidade poética a muitas pessoas e me considero privilegiada por ter convivido com ela em seus melhores momentos. As melhores lembranças dessa mestra estão guardadas no cofre do meu coração. Obrigada mestra, amiga, e se me dá licença também um pouco mãe, por ter existido em minha vida. Hoje ela descansa em paz. Deixou-nos um legado de imenso amor pela família, pelos seus alunos, mas também uma enorme saudade nos corações daqueles que, como eu, participaram de seu convívio. Com carinho Ilce Nunes
Pazzini |

Em sua posse na Academia de Letras do Vale do
Paraiba, recebendo a diplomação
do então prefeito de Piquete, seu sobrinho
José Armando de Castro Ferreira.
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MARIINHA MOTA PARTIU! Mamãe partiu!
Coube-nos a tarefa de organizar seu acervo para uma futura publicação. Em
meio aos seus poemas, trovas, textos, fotos, títulos e diplomas
redescobrimos essa mulher maravilhosa. A cada instante uma emoção
renovada! Nas páginas revisitadas a lembrança de seu brilho e de sua
inteligência privilegiada. Indagamo-nos se hoje Piquete chora a partida de Mariinha Mota... Talvez seus pequeninos alunos, transformados por ela em artistas, declamadores, músicos e comediantes, hoje cidadãos adultos e responsáveis, preservem em seus corações a sua memória. Quiçá recordem o esforço e a dedicação da “Dona Mariinha” nos ensaios das apresentações artísticas; revejam o brilho dos desfiles do G. E. Antonio João e a sua incansabilidade na montagem dos quadros vivos da História do Brasil. Quem sabe ainda repercuta pelas ruas da cidade, em suas lembranças, o apito de Mariinha Mota regendo a impecabilidade da ginástica rítmica. Mais de um ex-aluno de mamãe, em momentos diversos, contou-nos que ela os “descobriu”, percebeu seus potenciais e, a partir de seu apoio e orientação, transformaram-se no que são hoje. Mamãe partiu!
Ela não precisa de lágrimas nem que lamentemos o seu desaparecimento.
Legou-nos sua vida, sua história e sua luta. Deixou-nos a sua integridade,
honestidade, patriotismo, fé e amor ao próximo. Mamãe partiu! Piquete não perdeu sua poetisa maior, de quem um dia se orgulhou. Ela continuará brilhando e orientando nossos passos, através de seus poemas e de sua arte. Compete a todos nós que tivemos o privilégio de com ela conviver, prosseguir em sua missão junto às crianças carentes de educação, afeto e orientação. Maria
Auxiliadora Mota G. Vieira |

Mariinha e Julia Beatriz na Praia do
Iguape, CE - 1985
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Na hora da partida, as palavras me saiam com dificuldade e emoção. O celular, como sempre inconveniente, tocou. Felizmente, pensei eu, sem interromper o meu adeus, colocara um som delicado nele, em vez desses mecânicos e padronizados horríveis: André Rieu e seu violino mágico, interpretando "Edelweiss". Suave e terna, uma canção de despedida bem apropriada, pensei. Mamãe gostaria, em sua sensibilidade e poesia, que essa canção acompanhasse seus últimos momentos entre nós. Depois, ao retornarmos do campo santo, lembrando-me da ligação não atendida, verifiquei, emocionada, que o telefonema fora de minha filha Júlia Beatriz, a única neta que não pudera estar ali. Por uma sincronicidade inexplicável do destino, ela provocara essa homenagem musical linda e inesperada, tornando-se assim presente no momento de partida da avó... A plantinha
alpina edelweiss é conhecida como símbolo do "Supremo Talismã do
Amor". Edelweiss,
Edelweiss, Possa na
neve o teu botão Maria Auxiliadora Mota G. Vieira |
Mais homenagens:
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2011/02/mariinha-mota-1930-2011.html
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