PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE



José Dimas Junqueira
 


José Dimas e Olga - um amor inconteste.
Arquivo Rita Junqueira

 

José Dimas Junqueira nasceu em Caxambu/MG, em 1908. Sempre se dedicou à agropecuária. Estudou interno em Cruzília/MG. Após deixar a escola, passou a trabalhar na farmácia de um tio dentista, com formação também em medicina, com quem aprendeu a aplicar injeção, a fazer curativo e a prestar primeiros socorros. Casou-se em 1930 com Olga Alves Ribeiro Junqueira e passou a residir na Fazenda Santo Inácio, município de Luminárias/MG.


Fazenda Itabaquara
Arquivo Rita Junqueira

Em 1939, estabeleceu-se em Piquete, na Fazenda Itabaquara com o objetivo de educar seus filhos: Wanderley, Vera e Ila (falecida aos 3 anos). No Itabaquara nasceram Aloísio (falecido aos 47 anos), Sebastião, Rita e Regina. Angelina passou a fazer parte da família aos 7 anos, após o falecimento da mãe. Sustentou a família com uma pequena produção de café, milho, arroz, feijão, verduras, legumes e frutas. Tinha  carinho especial pelas  laranjeiras de excelente qualidade e também pelo jardim que possuía na frente da casa. Amava todas as flores, mas tinha preferência pelas rosas brancas. Dedicou-se à cultura do café durante algum tempo, porém, com a queda do preço, a dificuldade de manutenção e, conseqüentemente, um grande prejuízo, aborreceu-se e abandonou o cafezal. Durante alguns anos plantou mandioca e produziu farinha para a região. Paralelamente, uma pequena produção de leite sempre fez parte de sua vida. 
O Itabaquara era, para ele, o paraíso. Como era muito sociável, vinha a Piquete para participar de festas, bailes, casamentos, funerais e também retribuir visitas de amigos. No Dia de Finados, depositava uma flor no túmulo de cada amigo e não apenas no da filha. Para ele, a hospitalidade era sagrada. Era uma grande honra receber visita — o nível socioeconômico não importava. Viveu para trabalhar e servir. Sendo um homem íntegro, era procurado para resolver problemas de divisa ou de partilha de bens. Nunca ninguém o ouviu dizer que estava com preguiça. Andava horas a cavalo para assistir os doentes: aplicava injeção e fazia curativos. Salvou muitas pessoas picadas por cobras, pois sempre teve o cuidado de ter o soro antiofídico em casa. Nunca cobrou nada pelos seus serviços.


Festa na residência de Dimas e Olga, nos anos 70.
Olga entre amigos e familiares.
Arquivo Mª Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

Quando chegou a Piquete (em 1939), pensava em voltar para Caxambu, assim que seus filhos estivessem formados e empregados. Mas gostou tanto de Piquete que logo desistiu dessa idéia. Amou muito a família, em especial a mulher Olga, por quem sempre fora apaixonado. Criou os filhos com amor e muito rigor, dentro de um lar religioso. Diariamente rezava o terço com D. Olga.


Coral de Piquete, nas Bodas de Ouro de Dimas e Olga
Arquivo Rita Junqueira

Sempre disse ser um homem feliz, que havia realizado o que havia proposto para sua vida: filhos responsáveis e escolarizados. Nem mesmo a doença, que lhe tirou os movimentos, conseguiu diminuir seu amor e gratidão a Deus, à família, aos amigos e à vida. Morreu aos 85 anos, lúcido e confidente não só dos filhos como também dos netos. Só não conseguiu realizar um sonho: morrer trabalhando.

Texto enviado por Lety.
Página formatada em 10 dez 2005


Pela Lei 1498/ 96, a Casa da Agricultura de Piquete passou a chamar-se 
Casa da Agricultura José Dimas Junqueira.
Foto de Lety


Suave Caminho

Assim, ambos assim, no mesmo passo,
iremos percorrendo a mesma estrada.
Tu, no meu braço trêmulo, amparada,
e eu, amparado no teu lindo braço.

Ligados nesse arrimo, embora escasso,
venceremos as urzes da jornada...
Tu te sentirás menos cansada,
e eu, menos sentirei o meu cansaço.

E assim, ligados pelos bens supremos
que para mim o teu carinho trouxe,
placidamente pela vida iremos.

Calcando mágoas, afastando espinhos,
como se a escarpa desta vida fosse
o mais suave de todos os caminhos.

Mário Pederneiras

 

 

 

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