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PIQUETE - CIDADE PAISAGEM |

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Foto de Lety "Olha o leite, Por muitos anos ouviu-se esse refrão pelas
ruas de Piquete. Logo cedo, recebíamos a visita do senhor Benedito Eugênio
Rodrigues, nascido em 23 de julho de 1921, em Delfim Moreira. Em sua carroça
chacoalhavam os latões do leite que seria entregue de porta em porta, sempre
com um bondoso e sincero sorriso. Quem nunca ouviu falar do "Seu Dito
Leiteiro "? Ícone de nossa cidade, pessoa simples, de pouco estudo, mas de
imensa sabedoria. O trabalho de leiteiro conheceu aos 12 anos, nas ruas de
Delfim Moreira. Foi também peão de boiadeiro, dos 14 aos 18 anos, quando veio
para Piquete, acompanhando o patrão, José Rodrigues Ferreira. Em 1940,
casou-se com Dona Carmem Soledade Rodrigues. A união gerou nove filhos, netos e
bisnetos. Tem, ainda, mais quatro filhos adotivos, sinal de seu espírito
generoso. Em 1943, passou a trabalhar para o Sr. Antônio Pelúcio Júnior, na
Fazenda Santa Lydia, no Itabaquara. Trabalhou e morou ali até 1954. Fazenda Santa Lydia Nesse ano, comprou uma chácara no bairro do Itabaquara e passou a cultivar hortifrutigranjeiros que vendia nas ruas de Piquete. A oportunidade do comércio de leite surgiu com a compra de uma "linha de leite" do Sr. Geraldo Guilherme. A partir de então essa foi sua atividade principal. Não falhava. Com chuva ou sol, frio ou calor, todos os dias podia-se esperar o seu Dito Leiteiro. Talvez ele não soubesse da importância do seu trabalho: quantas gerações de crianças de nossa cidade cresceram bebendo do leite da "vaca preta"! Sua generosidade não permitia que o alimento das crianças faltasse, mesmo com o atraso dos pagamentos. Ele reconhecia a dificuldade dos pais e, por várias vezes, deixava de receber. Os animais da carroça, tão acostumados que estavam com o itinerário, paravam sozinhos em frente às casas dos fregueses... Pessoas como ele serão sempre lembradas. Sua figura, ao mesmo tempo faceira e séria, é lembrança viva na memória. o reconhecimento da popularidade fez com que seu Dito recebesse, em 1991, o merecido titulo de Cidadão Honorário de Piquete. Pelas ruas de Piquete ainda ecoam os sons do tanger dos burros do seu Dito Leiteiro e seus refrões:"Corre,
Dona Aurora. Seu
Dito não vai embora. Ele vai ficar para sempre na memória de Piquete.
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