PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Maria José Pereira Soares
(Zezé do Carlos Vieira)

 


Dona Zezé
Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

D. Zezé do Carlos Vieira
“Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.”

Viúva de Carlos Vieira Soares, Maria José Pereira Soares nasceu no bairro das Posses, em Piquete, em 18 de março de 1918, filha mais velha de João Rodrigues Pereira e Francisca Alves Pereira. O pai foi funcionário da Fábrica, admitido como aprendiz do Laboratório Químico com 12 anos de idade, onde se aposentou. Em 1927, João Rodrigues comprou um terreno à rua Cel. Mariano, onde passaram a residir. A infância de Zezé foi em convívio com as famílias Jansen, Ecklund, Amorim, Porfírio, Alves, Conte, Luz, Encarnação, Costa Ribeiro, Cunha. 


Edifício da Cadeia, hoje sede do CIRETRAN, na Praça 15 de Junho, antigo Largo de Santa Cruz
Foto publicada no álbum "Coisas Findas" da FCR

Recorda-se do movimento do Largo da Cadeia, local em que se situava a antiga sede da Prefeitura, prédio do século 19, demolido em 1939 pelo prefeito Juca Brito, para edificação da nova sede do Executivo, inaugurada em 1940. Diz que, em sua memória, “o Largo era muito grande... Lá eram montados circos e parques...” 

 


Festa cívico religiosa no prédio da Prefeitura e Câmara que ai funcionaram até a década de 60.
O edifício foi construído na administração do Sr. José de Brito Júnior.
Foto publicada no álbum "Coisas Findas" da FCR

Freqüentou o antigo Grupo Escolar de Piquete, tendo sido aluna das professoras Durvalina Brito e Antonieta de Castro Andrade. “A escola era muito disciplinada, sob a direção do professor Luiz de Castro Pinto”. Paroquiana assídua da Matriz de São Miguel, lembra que, quando menina e adolescente, “padre em Piquete, só aos finais de semana... Vinham de Lorena. Durante a semana, a comunidade se encontrava em terços e novenas...”. Zezé cita os padres Arthur de Moura, “genioso”, e Ascânio Brandão. Mais tarde, em 1934, chegaria o Pe. João Guimarães, o primeiro residente. “A vida da cidade era pautada em ofícios da Igreja. A monotonia era quebrada justamente pelos circos e parques e, periodicamente, pela passagem de boiadas. Era uma correria danada, que eu assistia da janela de minha casa – eu e minhas irmãs...” D. Zezé fez parte da Irmandade de São José e cantou no coro da Antiga Matriz. Foi, ainda, Verônica, e cantava a “Ave Maria” em casamentos piquetenses. Quermesses, procissões, retretas pela Euterpe no coreto da atual Praça Leonor Guimarães e a Revolução de 1932 complementam as memórias de sua juventude. Sobre a Revolução, lembra-se da grande quantidade de soldados espalhados pela cidade. “No começo, todos ficaram com medo e fugiram para a zona rural”. Depois, aos poucos retornaram, e passaram a colaborar com a causa paulista: “eu mesma costurei muitos casquetes para os soldados, ajudando D. Ana do Januário, minha vizinha costureira”. A família de Zezé foi uma das muitas que seguiram com as tropas constitucionalistas para São Paulo, fugindo dos “federais”. Adolescente, passou a trabalhar na loja do Joaquim de Castro. Seu Joca, como era conhecido, era um dos sobrinhos de Mariana Relvas. A família possuía três lojas próximas à casa da matriarca, que, mantinha, ainda, nos fundos de sua morada, um grande rancho de tropas, onde comercializava frutas, animais e vários víveres. Quando estava com 17 anos, foi para o Rio de Janeiro com a família do Cel. Velasco, chefe de seu pai no Laboratório Químico da Fábrica. No dia de sua volta, ao desembarcar na Estação Ferroviária Rodrigues Alves, encontrou Carlos Vieira Soares. “Nunca tinha reparado no Carlos até então, uma vez que nossas famílias se freqüentavam e éramos amigos...” A partir de então começou um namoro que durou três anos. Casaram-se “com as bênção do padre Septímio Ramos Arantes”, em 15 de outubro de 1938. Em novembro de 1941, a família foi enriquecida com a presença de José Ribeiro Soares, que chegou ao lar do casal com dois meses de vida. Com Carlos Vieira viveu por 65 anos. Foi uma união perfeita... Carlos era amante da natureza, grande conhecedor das trilhas da Mantiqueira, cultor da música, das tradições e da história do município. Na retaguarda, D. Zezé apoiava todas as suas atividades. Aos 91 anos, mora com a irmã, Eunice Pereira e, com bom humor, contou-nos parte de sua rica história.

Seção "Nossa Gente" - Jornal "O Estafeta"
Piquete, dezembro de 2009


Dona Zezé e Carlos Vieira
Foto publicada no Jornal "O Estafeta"

 

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