PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Eunice de Azevedo Vasconcelos Coelho


Da esquerda para a direita: Eunice, Darcy, Alba Maria, Fábio Medeiros e seus pais Enilda e Orestes.

 

Eunice de Azevedo Vasconcelos Coelho era natural de Promissão-SP, nascida em 06/12/1935. Filha de Osíris Barbosa Teixeira de Vasconcellos e Olívia Azevedo e Silva, penúltima filha de uma família constituída de sete filhos: dois homens e cinco mulheres.

Seu pai era um destacado gerente de Banco que, promovido a inspetor regional de agências do Banco do Estado de São Paulo, transferiu-se para a então Capital do Fundo do Vale, terra das Três Garças, a próspera Guaratinguetá. Homem de atitude e poucas palavras, austero, exigente com a formação de seus filhos, colocou-os a estudar no Instituto de Educação de Guaratinguetá, numa época em que estudar em escola pública era privilégio, validado pela exigência de aprovação no exame de admissão. Faleceu jovem ainda, aos 56 anos de idade.

Eunice contava então 16 anos de idade. Seus irmãos mais velhos já estavam empregados; ela que sempre fora primeira aluna na escola, passou então a dar aulas particulares, auxiliando no seu sustento. Ao formar-se com louvor no Instituto de Educação, ganhou a cadeira-prêmio para lecionar em escolas públicas. Naquela época não havia estradas vicinais nem ônibus que conduzisse os professores às escolas públicas dos vilarejos da região. Eunice, assim como aconteceu com uma plêiade de jovens professorinhas paulistas, usava o cavalo como meio de transporte para as escolas de Lavrinhas, Queluz e por último Piquete.

Nesta cidade ela passou a residir, como professora primária e, mais tarde, como diretora de Escola. Dirigindo a Escola Estadual Leonor Guimarães - que nesta época dividia espaço com a Escola da Fábrica Presidente Vargas - Eunice não se conformava com tantas pessoas da região sem vagas para estudar, embora desejassem fazê-lo. Assumindo os riscos, aumentou por conta própria o número de classes e vagas da escola. Punida por seu ato corajoso, perdeu o cargo de diretora, voltando a atuar apenas como professora. Polêmica, criativa, corajosa sempre...


Darcy e sua mãe Adelaide, em Piquete.

Conheceu em Piquete o seu futuro marido. Darcy da Silva Coelho, nascido a 13/02/1938, filho de Adelaide da Silva Coelho e Genário da Silva Coelho. Fazendeiro e próspero comerciante da região, proprietário de terras na Serra dos Marins, Bairro do Passa-Quatro e Piquete, Darcy pertencia a uma família constituída por oito filhos: duas mulheres, cinco homens e um irmão adotivo. Eunice e Darcy casaram-se em 30/12/1961 tendo dessa união três filhas.

Eunice, sempre ativa, formou-se em Letras, depois em Pedagogia. Morando em Piquete, com as filhas já crescidas, Eunice foi aprovada em concurso público para direção de escola. Escolheu a cidade de Ubatuba e lá se instalou com sua filha caçula. Darcy, por conta de seus negócios locais, manteve-se em Piquete. A filha do meio fez faculdade em Taubaté e a mais velha foi morar em São Paulo. Família dos tempos modernos: separada, mas unida pelo coração...

Tereza Cristina formou-se em Administração de Empresas, atualmente atuando na área imobiliária; Silvia Regina concluiu a Faculdade de Engenharia; Alba Maria casou-se em Ubatuba com Fábio da Silva Medeiros e geraram uma filha: Camila, atualmente com 12 anos de idade. Aposentada como diretora de escola, Eunice foi aprovada novamente, em concurso, para professora de Português-Inglês. Na ocasião, todas as filhas reuniram-se com a mãe em Ubatuba.


No casamento de Alba Maria, O genro Fábio e Darcy. O casal da direita apadrinhava o noivo.

Em 1998, Darcy faleceu de aneurisma torácico. Eunice, por sua vez, apesar de sua intensa atividade, lutou muito tempo com problemas de hipertensão e distúrbios tireoidianos. Afirmava sempre que o que lhe dava vida eram seus alunos. Em 2005, aos 55 anos de magistério, Eunice foi obrigada por lei a se aposentar pela compulsória, ao completar 70 anos. Infeliz por deixar sua maior alegria, a profissão que para ela era uma profissão de fé, foi definhando e, após 10 meses, faleceu em 20/10/2006.


 

MINHA HOMENAGEM

Todos conhecem Eunice Coelho por sua atividade profissional. Como disse acima: polêmica, criativa e corajosa sempre! A Eunice que eu conheci e da qual me recordo com saudades, era mais do que isso. Frequentei sua casa e me encantava com o rádio sempre ligado, sua sensibilidade para a música e seu talento para os trabalhos manuais, desconhecido da maioria das pessoas.

Eunice possuía uma máquina de tricô Lanofix e com ela criava verdadeiras obras de arte. Não se limitava às mantinhas e aos casaquinhos de lã. Nem gostava de fazê-los... Ela trabalhava com todo o tipo de fios, das mais diferentes cores, metalizados, grossos ou finos, formando lindos tecidos. Com eles, criava vestidos maravilhosos para nossas festas e bailes. Bordava-os, montava bijuterias para acompanhá-los e nos deixava lindas...

Sempre rindo e cantando, através de suas criações maravilhosas, enfeitava nossos sonhos, criava a moldura perfeita para nossas fantasias. Ser humano intenso, sem "papas na língua", mantínhamos longas conversas no meio da tarde, com as suas meninazinhas correndo ao redor.


As três meninas

Eunice, conselheira amiga, estimulava o nosso crescimento pessoal e a coragem para enfrentar a vida e realizar nossas recônditas aspirações. Cada confidência nossa conduzia a um detalhe na indumentária que nos montava. Saudades muitas da extraordinária mulher que ria, cantava e, por vezes até dançava, antecipando conosco o sucesso de suas criações e das nossas emoções...

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

 

As fotos dessa página pertencem ao arquivo de Tereza Cristina Coelho.

 

Envie esta página para:

Digite o seu e-mail

Coloque seu nome

E-mail de quem a receberá

 

Voltar