PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

José Palmyro Masiero



O jovem Yeyé
Arquivo de Rossana Mazza Masiero

José Palmyro Masiero, o Yeyé
"Uma canção ao longe... É um mendigo... Se esse velho que nunca possuiu nada
canta, por que te lamentas, tu, que tens tão belas recordações?..."
TU -  FU (715).

Palmyro Masiero nasceu em 25 de maio de 1931, em Piquete, num claro dia de outono, em que o céu e a serra, de tão azuis que estavam, coloriram seus olhos. Emotivo, sensibilidade à flor da pele, criativo, pautou sua vida na cultura e no saber. Suas inclinações eram voltadas para os horizontes da inteligência e da beleza. Senso estético, apurado, cultivava o belo e, otimista, só via o lado bom das coisas. O pai, Henrique Maziero, mineiro de São João del Rei, "...de tanto ser músico, tornou-se melodia na lembrança..." e a mãe, Maria Aparecida, Dona Dinha, "...legou-lhe uma harmoniosa afeição pelo simples..."


Dinha, Henrique e seus filhos.
Foto publicada no Jornal "O Estafeta"

Da mãe, de tradicional família piquetense, com raízes profundas fincadas neste solo, herdou o amor pela terra e sua gente. Cresceu cercado pelo carinho das avós Marieta e Rosina.  Cursou o Grupo Escolar Antônio João e o Ginásio Industrial da FPV -seus primeiro e segundo amores... - e a Escola Normal Duque de Caxias, recebendo o prêmio Rui Barbosa pela conquista do primeiro lugar em todas as séries da escola. Descobre sua vocação. Educador nato, em todos os momentos ensinava. Participou ativamente de todos os acontecimentos da cidade. Boêmio, com voz privilegiada, musicalizava as madrugadas piquetenses. Escritor vocacionado, cronista excepcional, escrevia com refinado senso de humor suas crônicas disputadas por leitores de todo o Vale do Paraíba. Publicou mais de mil em vários jornais da região. Sabia contar, de maneira prazerosa, fatos que nos levavam a viajar no plano da memória. Foi um dos fundadores do periódico "O Regente", em 1958, e um dos fundadores e redator-chefe do semanário "A Cidade". Foi também redator-chefe do "O Labor", órgão da FPV, em 1967.


Odaisa Frota, Yeyé e Chico Máximo - 1959
Nas mãos o Jornal "O Regente", do qual eram colaboradores
Foto escaneada do Jornal "O Estafeta"

Outra de suas paixões, o teatro, levou-o a dirigir o grupo teatral "ARTE", com o qual encenou, em Piquete, peças memoráveis: "Iaiá Boneca", "Pluft, o Fantasminha", "As Solteironas dos Chapéus Verdes", "Uma Flauta para o Negro", "Comédia do Coração", entre outras. Foi durante os ensaios de Iaiá Boneca que se enamorou de Thereza Myrthes Mazza.


Mirthes Mazza, jovem e linda.
Arquivo Mariinha Mota

A paixão pela palavra, o gosto estético e o teatro os aproximaram. Casaram-se e tiveram os filhos Rossana, Roseane, Rosilene e Júnior,que lhes deram tres netas.


Yeyé, Myrthes e as três filhas em festa de aniversário
Arquivo Rossana Mazza Masiero 


Yeyé, Mirthes e o caçula Júnior. Ao fundo fotos das filhas.
Arquivo Rossana Mazza Masiero.

A exata consciência de cidadania fê-lo participar ativamente de diferentes instituições em Piquete. Assim, foi presidente do Grêmio General Carneiro por duas gestões, conselheiro da Sociedade Amigos de Piquete - SAP -, membro da diretoria da Associação Comercial de Piquete, vereador eleito, em 1964, sendo seu 1º secretário nos anos de 1964 a 1966 e presidente no ano de 1967. Reconhecia a importância do patrimônio histórico-arquitetônico e ambiental do município e os defendia veementemente. Ainda nos anos 50, começou a colecionar tudo o que se referia a Piquete. Por essa época, iniciou pesquisas sobre nossa história, registrando-as. Em 1968 mudou-se para São José dos Campos. Levou consigo Piquete. Foi um embaixador de nossa cidade, pois em todas as oportunidades que teve de falar sobre a "Cidade Paisagem" o fez.

 
Mirthes e Yeyé
Arquivo Rossana Mazza Masiero

Cursou Administração Escolar, Pedagogia e Escola de Belas Artes. Pós Graduação e Mestrado no INPE: Teoria de Comunicação, Engenharia de Sistemas, Desenho, Sistemas Educacionais e Produção Áudio Visual. Suas inúmeras atividades sempre estiveram ligadas à educação. Em São José dos Campos foi professor, assistente de diretor e diretor da Escola Ângelo de Siqueira Afonso. Foi orientador pedagógico na área de Matemática, por cinco anos, do SEROP -Setor Regional de Orientação Pedagógica da Secretaria de Educação do Estado. Seu carisma, erudição e facilidade de comunicação fizeram com que fosse solicitado para conferir vários cursos e palestras sob a Moderna Metodologia da Matemática e conferências sobre tecnologia educacional, comunicação interpessoal e problemas brasileiros. Apaixonado pelo Vale do Paraíba, José Palmyro Masiero era profundo conhecedor de sua história. Tornou-se referência para pesquisadores e estudantes universitários, que buscavam suas luzes e seu rico acervo documental e iconográfico colecionado ao longo de anos, de diferentes cidades da região, para teses e trabalhos. Autor de vários livros, presenteou-nos, no centenário da cidade, em 1991, com "Piquete de meus amores". O título diz tudo. Fez parte da Fundação Christiano Rosa e manteve neste Informativo a coluna "Crônicas Pitorescas". Yeyé é assim: um ser imortalizado pelo otimismo, pelo bom humor, pela inteligência marcante, irônica, sutil. Sua partida deixa seus amores inconsolados, sua terra mais pobre. Porém, sua sobrevida será longa. "O Estafeta" continuará sua caminhada, levando em frente o sonho de seu diretor: divulgar Piquete, que ele, melhor do que ninguém, cognominou: "Cidade Paisagem".

Jornal "O Estafeta" - Seção "Gente da Cidade"
Agosto de 2001

 

 

 

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