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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

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Nasceu em Guaratinguetá, no dia 16 de novembro de 1920, filho do Sr. Onofre Amoroso e D. Rosina Pacetti Amoroso. Formou-se médico pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1946. Casado com D. Carmem Amoroso, natural de São Paulo, tem quatro filhos: Maria Betânia, doutora em Teoria Literária pela USP; Marta Rosa, antropóloga; Maria Carmem, jornalista e José Amoroso Filho, médico veterinário. Seis netos completam a união da família. No Rio de Janeiro foi acadêmico do Pronto Socorro, médico interno do Hospital Pró-Mater e da 2ª Enfermaria do Hospital São Francisco.
Em abril de 1948, a convite da Diretoria do Serviço do Interior veio para Piquete, a fim de organizar o Centro de Saúde da cidade, ocupando o cargo de médico chefe até sua aposentadoria. Foi coordenador, por oito anos, do INPS (hoje INAMPS) de Lorena e seu médico pediatra. Em 1952, concluiu o curso de sanitarista na Fundação Rockefeller, no Centro de Saúde de Araraquara. Em nossa cidade começa a saga desse grandioso homem, marcada pelo incessante trabalho de combate às doenças infecto-contagiosas, na medicina preventiva e puericultura. Devido a essa atividade foi agraciado com o título de "Mestre Especial" pela Fábrica Presidente Vargas. No Centro de Saúde atendia, indistintamente, com carinho, à população carente e aos que o procuravam para alívio das dores. Conhecia todas as famílias e poucas são as pessoas que não lhe passaram pelas mãos. Médico do corpo e da alma. Suas palavras de conforto nos tocavam. Às vezes nem se precisava tomar o remédio indicado; de sua presença provinha a cura, tal a confiança que nele se depositava. Deus colocou-o no mundo para ser exemplo. Apesar das atividades profissionais que lhe consumiam a maior parte do tempo, conseguia multiplicar as horas desempenhando obras sociais. Na construção da nova igreja matriz, como presidente da comissão, acompanhou a colocação de cada tijolo. Muitas vezes ao dia, notava-se aquele homem de branco a observar a obra que se desenvolvia em ritmo acelerado, menina de seus olhos. Providencial escolha.
O conceito de "médico de família", tão propalado atualmente, nunca foi novidade para ele. Amigo de todos, das mais altas autoridades ao operário menos graduado. Homem culto e de muitas letras. Cidadão sensível, consciente. Seu amor a Piquete vem de longe, nem ele sabe precisar o momento. "...digo-lhes que este sentimento de irmandade, esta sensação de ser do mesmo povo surgiu como surgem todas as forças da afetividade... Confesso que passei a ser daqui mesmo desde o momento em que, subindo ou descendo nossas ladeiras, ouvia da garotada aquele festivo: ê Dr. Amoroso! seguido do acenar dos bracinhos ainda puros e não viciados pelo convencionalismo da época... " Estas foram suas palavras de amor a Piquete, por ocasião do recebimento do título de "Cidadão Piquetense", em 1962. Conseguiu exercer, na plenitude, sua meta de vida: "Deus, amor, serviço ao próximo, honestidade". As mais profundas homenagens ao Dr. Amoroso; e diante do que representa para todos nós, rogamos a Deus por sua saúde. Jornal "O
Estafeta" - junho de 1997 |

Em sua
atuação sempre presente na comunidade, dr. José Amoroso, juntamente com outras
autoridades,
no lançamento da pedra fundamental da Nova Matriz de São
Miguel.
Foto publicada no jornal "O Estafeta".
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Mamãe sempre
contava ter sido a primeira pessoa da cidade a falar com Dr. Amoroso.
Quando ele chegou na Prefeitura da cidade para se apresentar ao prefeito,
mamãe o recebeu. Como ela se encontrava grávida, fui eu também a sua
primeira cliente. Acometida por uma meningite, aos seis meses de
idade, aquele jovem médico assumiu o caso e me salvou. Numa época em que
as crianças morriam de gripe ele me curou de uma meningite, sem deixar
seqüelas. Durante toda a minha vida acompanhei sua trajetória. Não cheguei
a vê-lo subindo as nossas ladeiras, de charrete. Recordo-me dele mais
próspero, casado e com filhos. Ele chegava gentil, com sua voz
inconfundível, num carro preto muito esperado, trazendo-nos em sua
maletinha a certeza de que nossas dores seriam aliviadas. Pedia uma colher
para examinar as gargantas e este utensílio sempre ficava a sua espera.
Anos depois, estudante de medicina, perguntei-lhe o porque da colher e o
nosso querido amigo disse-me ser um elo necessário. Nenhum abaixador de
língua seria tão aceito como uma colher da própria casa - e isso iniciava
a intimidade da relação médico-paciente. Assim era o nosso doutor Amoroso.
Pediatra de formação, ele resolvia todos os problemas da cidade, até mesmo
os psicológicos. As relações que desenvolvia com os seus pacientes lhe
davam o direito de orientar suas vidas e alertá-los para as condutas
erradas, inclusive na educação dos filhos. Eu pretendia seguir os seus
passos; desejava ser como ele uma médica conhecida na cidade, minorando o
sofrimento do nosso povo. Direcionei a minha formação médica pensando em
voltar para Piquete. Sempre que podia, sentava-me nos corredores de nosso
Hospital para conversar com ele sobre a vida de um médico do interior.
Ele, pacientemente, falava-me da vida trabalhosa mas gratificante que
teria. Orientava-me sobre como deveria agir, o que esperar do Hospital da
FPV, do comportamento nem sempre grato da população. Lembro-me de uma
ocasião em que ele estava um tanto entristecido. Adoentado, certo de que
não era mais tão necessário, pois o hospital mantinha médicos de plantão,
passou a desligar o telefone à noite. Não me recordo bem mas parece-me que
ele havia sofrido um enfarte, ou uma crise de angina - algo relacionado ao
coração. Disse-me que estavam falando que ele não mais atendia à noite
porque já estava rico e não precisava mais do povo de Piquete. Ingratidão
terrível esta, pois isso aconteceu em 1972; ele contava na ocasião
cinqüenta e dois anos - e estava doente. Mas, mesmo assim, Dr. Amoroso se
mostrava satisfeito com o dever cumprido. Amigo e confidente, quando
iniciei o namoro com um colega de faculdade, ele me disse: O destino havia
me traçado um caminho diverso. Depois do meu casamento, morando no Ceará,
nunca mais encontrei Dr. Amoroso. Soube de sua doença, de seu falecimento
e senti muito por ele, por mim, pela cidade que perdeu seu irmão maior...
Com dois filhos médicos, ouvindo-os contar destes modernos Programas de
Saúde da Família, como um avanço na Medicina Pública e na Assistência
Primária à população, espero de todo o coração que os médicos de hoje
consigam oferecer aos seus clientes o mesmo carinho e dedicação que o
nosso Dr. José Amoroso ofertou a todo o povo piquetense. |

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