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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

Grupo Escolar Antônio João - 1949
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Mestra e
Missionária
Desempenhou, entre nós, o trabalho de mestra e missionária. Seu aluno, testemunhei-lhe a estatura moral, o equilíbrio, o bom senso, os gestos comedidos, a voz baixa, às vezes quase sussurrada, nada de grandes expansões. A tarde, no silêncio de sua casa reunia "os alunos de raciocínio mais lento", como eufemísticamente dizia, para aulas gratuitas de reforço - semeava a palavra e investia no futuro de cada um. Ficou-me esculpida na memória a imagem de uma mulher de físico frágil, acometida de bronquite asmática, a subir morosamente a ladeira da Rua Cel. José Mariano, a bolsa recheada de cadernos, em direção ao Grupo Escolar "Antonio João". Animada, porém, de fortaleza interior, capaz de grandes decisões. A serviço do Cristianismo, soube conjugar contemplação com ação. Foi um dos esteios da vida religiosa de Piquete. Uma religião isenta de sentimentalismo. Falava do sagrado com unção e alegria, como quem saboreia uma guloseima ou uma fruta apetitosa. Nas aulas de catecismo, ao discorrer sobre as passagens bíblicas, fazia-o com tal emoção, que nós, crianças, visualizávamos as "Bodas de Caná", a "Multiplicação dos Pães", a "Pesca Milagrosa"... e nossas vidas, bafejadas pelo Evangelho, ficavam mais leves, como que transcendentalizadas. Ao se referir à Mãe de Cristo, e com muito carinho, reconstituía a casinha de Nazaré e a pobreza de Maria afeita aos trabalhos domésticos, e nós a imaginávamos tecendo, varrendo, lavando, transportando água e cozinhando, sem idealizações românticas, quase palpável, bem próxima de nossas mães mergulhadas no anonimato e na rotina do lar. Durante toda a vida foi consultora da comunidade piquetense: orientava, dirimia dúvidas e apontava direções. Sabia compreender e desculpar. Alegrava-se com as nossas pequeninas vitórias e nos estimulava a fazer do tempo uma espécie de construção.
Sem se abater diante das dificuldades e sem se deixar transviar no pessimismo, soube dignificar o trabalho da mulher, revelando que esta é capaz de transpor os limites de uma vida acanhada e sem perspectivas. A saúde precária obrigou-a, infelizmente, a nos deixar. O clima úmido e a topografia acidentada de Piquete impeliram-na a buscar Lorena, sua terra natal, onde morreu no dia 26 de maio de 1955, após muito sofrimento, assistida por três sacerdotes. Interessante que ela sempre nos dizia que uma das grandes graças concedidas a um católico é poder contar com um padre à cabeceira, à hora extrema da vida.
O filósofo Teilhard de Chardin classifica os seres humanos em três categorias: os desanimados, os boas-vidas e os entusiastas. Para ele, os entusiastas são ardentes porque queimam como chama, nunca se desanimam, lançam-se na vida e acreditam na dimensão do próprio vôo. São nobres, têm Deus dentro de si. Leonor Guimarães, mestra e missionária, foi uma entusiasta porque acreditava na utopia e na ação silenciosa de Deus nos corações dos homens. Nós a perdemos no tempo, mas ganhamos na espiritualidade. O importante é que ela nos ensinou a amar o bem e crer na santidade. Coluna do
Chico Máximo - Jornal "O Estafeta" |
OBS. As fotos
coloridas são de Lety e revelam algumas escolas de Piquete que se apresentaram
no desfile de 15 de junho de 2004, aniversário da cidade.
Estas crianças
simbolizam a continuidade da educação de nosso povo, meta de vida de Dona Leonor
Guimarães, que atualmente nomeia uma das nossas escolas.
A foto antiga do
Grupo Escolar Antonio João foi escaneada do Jornal "O
Estafeta".

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