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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |
Família Guedes
Pinto
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Falar dos Guedes é discorrer sobre um clã. Uma família imensa, que seguiu bem os mandamentos divinos “Crescei e multiplicai-vos”. Família de gente querida, inesquecível, guardada nos escaninhos da memória. Do seu casarão da Rua Major Carlos Ribeiro emanava
uma luz, uma paz imensa para todos nós, seus vizinhos.
Embora sentisse muito carinho por todos e
frequentasse com assiduidade seu casarão, o que me fascinava era a ternura
transmitida por dona Lídia. Fui acolhida por ela. Menina ainda, aos
domingos, era convidada a passear no caminhão cheio de seus familiares. O
destino era a Escola Dominical da Igreja
Metodista. Dona Lídia apreciava o meu gosto pela poesia e pela leitura e o incentivava. Certa feita, chamou-me em um canto de sua sala e, sentada ao meu lado, mostrou-me suas “preciosidades”: encadernadas em couro marron, as edições de uma revista metodista infantil de nome “Bem te Vi”. Eram muitos volumes e ela prometeu emprestá-los um de cada vez. Fiquei deslumbrada! A revistinha tinha tudo que eu gostava. Contos, poemas, brincadeiras, jogos.
Como ela falou, levei os volumes encadernados, um a um para minha casa. Copiei os poemas, diverti-me com o seu conteúdo. Um dos poemas que mais me recorda a infância copiei das suas páginas: "Joãozinho Ninguém" de Gesse Cardoso. Dona Lídia dizia que não emprestava as suas “preciosidades” para ninguém, só para mim, porque sabia que eu cuidaria bem delas. E como eu cuidava! Acho que foi a primeira experiência de zelo que tive. Como eu gostaria de ter hoje, em minhas mãos, um qualquer desses volumes, para sentir novamente o cheiro da infância, da pureza, dos sonhos ainda se esboçando. Dona Lídia foi tudo isso para mim e eu não poderia deixar de lhe prestar aqui uma homenagem. Na minha descoberta da vida imprimiu-me uma boa lembrança do ser humano. Ao conhecer pessoas tão transparentes e puras, aprendi a crer na bondade e na delicadeza. A meu pedido, sua neta Adelaide me enviou alguns dados sobre dona Lídia, sr. Eliseu, seus filhos e filhas.
Maria Lidia Guedes Pinto nasceu em Itamonte-MG, no dia 27/09/1901, filha de Rosina Mafra da Silva e de Elidio Ribeiro. Casou-se em Itamonte no dia 8 de maio de 1919, com Eliseu Guedes Pinto. Eliseu nasceu em um lugarejo chamado Colina na cidade de Itamonte-MG no dia 17/11/1901, filho de Urias Guedes e Deolinda Guedes. Ao se casar, apesar da pouca idade já era dono de uma padaria. Em 1939 mudaram-se para Itanhandú. Em 1943, Eliseu veio para Piquete, visando trabalhar na Fábrica Presidente Vargas com seu caminhão. Instalados na cidade, Maria Lídia e Eliseu tornaram-se membros da Igreja Metodista de Piquete. Moravam num casarão da Rua Major Carlos Ribeiro, grande o suficiente para abrigar sua numerosa prole.
Na década de 50, Eliseu deixou o emprego da FPV, associando-se com seu genro Evaristo Touron Martinez em uma oficina mecânica, retífica de motores e casa de peças, denominada "Martinez e Guedes", situada na Av. Major Pedro, 113.
Em 1960, Maria Lídia faleceu, no dia 14/07/1960. Com a morte prematura do genro e sócio Evaristo, em 19/06/1963, a oficina foi fechada. Eliseu mudou-se para Guaratinguetá em 1965, abrindo uma casa de auto-peças no centro da cidade. No início dos anos 70, acometido pelo Mal de Alzheimer, veio a falecer em Piquete, no dia 29/03/1973.
A família de Maria Lidia e Eliseu era constituida por quatorze filhos: Rute, Marta, Deolinda, Zezé, Paulo, Arlete, Kora, Silas, Rubens, Cele, Lutero, Cilene, Daniel e Lidia. As belas moças destacaram-se como professoras em Piquete, educando nossas crianças. Os netos de Maria Lídia e Eliseu seguiram a trilha traçada por seus avós de integridade, caráter e religiosidade. Rute faleceu de meningite na infância,
com apenas um ano e oito meses. |
As fotos dessa página pertencem ao arquivo de Adelaide Touron de Senne.

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