PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Maria Lidia Guedes Pinto

 


 
Família Guedes Pinto

 

Falar dos Guedes é discorrer sobre um clã. Uma família imensa, que seguiu bem os mandamentos divinos “Crescei e multiplicai-vos”. Família de gente querida, inesquecível, guardada nos escaninhos da memória.

Do seu casarão da Rua Major Carlos Ribeiro emanava uma luz, uma paz imensa para todos nós, seus vizinhos.
De onde vinha essa energia? Do sr. Eliseu sempre tranquilo, calado, gentil ou de Dona Lídia com sua postura de matrona abençoada por Deus? De suas filhas tão bonitas, tão meigas, um buquê encantador colorindo a nossa tão lembrada Rua Major Carlos Ribeiro?
Quem pode saber? Impossível ressuscitar a paz e o silêncio de nossa rua, apenas violado pelo trotar dos burros, das charretes e pelas festas de aniversário, onde todos se reuniam como uma grande família...

Embora sentisse muito carinho por todos e frequentasse com assiduidade seu casarão, o que me fascinava era a ternura transmitida por dona Lídia. Fui acolhida por ela. Menina ainda, aos domingos, era convidada a passear no caminhão cheio de seus familiares. O destino era a Escola Dominical da Igreja Metodista.
Não, eu não professava essa crença, nem meus pais, mas o convite sempre era aceito por mim, sem que eles se incomodassem. E lá ia eu, entre os Guedes, acompanhando suas festas e orações. Chamavam-me sempre para declamar (a desculpa sensata de dona Lidia). Não penso que houvesse intenção de me catequisar, isso nunca aconteceu – era carinho mesmo.

Dona Lídia apreciava o meu gosto pela poesia e pela leitura e o incentivava. Certa feita, chamou-me em um canto de sua sala e, sentada ao meu lado, mostrou-me suas “preciosidades”: encadernadas em couro marron, as edições de uma revista metodista infantil de nome “Bem te Vi”. Eram muitos volumes e ela prometeu emprestá-los um de cada vez. Fiquei deslumbrada! A revistinha tinha tudo que eu gostava. Contos, poemas, brincadeiras, jogos.


Página de "Bem te Vi", encontrada na Internet.

Como ela falou, levei os volumes encadernados, um a um para minha casa. Copiei os poemas, diverti-me com o seu conteúdo. Um dos poemas que mais me recorda a infância copiei das suas páginas: "Joãozinho Ninguém" de Gesse Cardoso. Dona Lídia dizia que não emprestava as suas “preciosidades” para ninguém, só para mim, porque sabia que eu cuidaria bem delas. E como eu cuidava! Acho que foi a primeira experiência de zelo que tive. Como eu gostaria de ter hoje, em minhas mãos, um qualquer desses volumes, para sentir novamente o cheiro da infância, da pureza, dos sonhos ainda se esboçando. Dona Lídia foi tudo isso para mim e eu não poderia deixar de lhe prestar aqui uma homenagem. Na minha descoberta da vida imprimiu-me uma boa lembrança do ser humano. Ao conhecer pessoas tão transparentes e puras, aprendi a crer na bondade e na delicadeza. A meu pedido, sua neta Adelaide me enviou alguns dados sobre dona Lídia, sr. Eliseu, seus filhos e filhas.


Rosina Mafra da Silva e Elídio Ribeiro, pais de Maria Lídia.

Maria Lidia Guedes Pinto nasceu em Itamonte-MG, no dia 27/09/1901, filha de Rosina Mafra da Silva e de Elidio Ribeiro. Casou-se em Itamonte no dia 8 de maio de 1919, com Eliseu Guedes Pinto. Eliseu nasceu em um lugarejo chamado Colina na cidade de Itamonte-MG no dia 17/11/1901, filho de Urias Guedes e Deolinda Guedes. Ao se casar, apesar da pouca idade já era dono de uma padaria. Em 1939 mudaram-se para Itanhandú. Em 1943, Eliseu veio para Piquete, visando trabalhar na Fábrica Presidente Vargas com seu caminhão. Instalados na cidade, Maria Lídia e Eliseu tornaram-se membros da Igreja Metodista de Piquete. Moravam num casarão da Rua Major Carlos Ribeiro, grande o suficiente para abrigar sua numerosa prole.

Na década de 50, Eliseu deixou o emprego da FPV, associando-se com seu genro Evaristo Touron Martinez em uma oficina mecânica, retífica de motores e casa de peças, denominada "Martinez e Guedes", situada na Av. Major Pedro, 113.


O espanhol Evaristo Touron Martinez e sua linda esposa Deolinda.

Em 1960, Maria Lídia faleceu, no dia 14/07/1960. Com a morte prematura do genro e sócio Evaristo, em 19/06/1963, a oficina foi fechada. Eliseu mudou-se para Guaratinguetá em 1965, abrindo uma casa de auto-peças no centro da cidade. No início dos anos 70, acometido pelo Mal de Alzheimer, veio a falecer em Piquete, no dia 29/03/1973.


Deolinda, Evaristo e alguns de seus filhos.

A família de Maria Lidia e Eliseu era constituida por quatorze filhos: Rute, Marta, Deolinda, Zezé, Paulo, Arlete, Kora, Silas, Rubens, Cele, Lutero, Cilene, Daniel e Lidia. As belas moças destacaram-se como professoras em Piquete, educando nossas crianças. Os netos de Maria Lídia e Eliseu seguiram a trilha traçada por seus avós de integridade, caráter e religiosidade.

Rute faleceu de meningite na infância, com apenas um ano e oito meses.
Marta casou-se com Luiz Silva e teve treze filhos: Luiz Carlos, Maristela, Abílio, Vera, Maria Teresa, Paulo Roberto, José Carlos, César Augusto, Célia, Maria Lidia, Mário e Joana Mara.
Deolinda casou-se com Evaristo Touron Martinez e concebeu oito filhos: Eliseu, Nelson, Dolores, Elizabeth, Paulo, Evaristo, Carmen e Adelaide.
Zezé casou-se com Pedro Ramos tendo seis filhos: Jairo, Berenice, Kleber, Celso, Marcos e Jacqueline.
Paulo casou-se com Nair Santos com quem teve apenas uma filha de nome Néia.
Arlete não se casou. Kora casou-se com Eli Rédua teve três filhos: Celmara, Eliana e Eli Junior.
Silas casou-se com Shirley Moura com quem gerou quatro filhos: Silas Kleber, Carlos Augusto, Eliseu e Patricia.
Rubens casou-se com Corina Lorena e sua família foi constituida por quatro filhos: Douglas, Cristina, Yara e Mayra.
Cele casou-se com Paulo Gomes com quem teve dois filhos: Everson e Marcelo.
Lutero casou-se com Wanda Oliveira  e desse casamento nasceram quatro filhos: Paulo, Mônica, Ricardo e Lutero.
Daniel casou-se com Jurema Marques e geraram três filhos: Luiz Fernando, Luiz Henrique e Luiz Gustavo. Separado, casou-se novamente com Bete, com quem teve mais quatro filhos: Daniela, Leandro, Junior e Bruno.
Cilene casada com Persival teve duas filhas: Fabiana e Débora.
Lídia casou-se com Ércio Santos concebendo três filhos: Carolina, Cecília e Carlos Henrique.

Hoje dos quatorze filhos só estão vivos Arlete, Rubens, Cele, Lutero, Cilene e Lidia.

As fotos dessa página pertencem ao arquivo de Adelaide Touron de Senne.

 

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