PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Marta Schmoeller do Prado

Marta nasceu em Santa Terezinha, distrito de Criciúma, SC, em 15 de junho de 1933. Filha de Cândida da Rosa Schmoeller e de Antônio Augusto Schmoeller, pertencia a uma família composta de quinze filhos. Em 1956, já tendo trabalhado como enfermeira por seis anos, em Tubarão, SC, formou-se em Obstetrícia, na capital do estado de Santa Catarina. Após sua formatura, exerceu, por dois anos, a sua profissão na Maternidade Dr. Carlos Correia, dirigida por freiras salesianas, em Florianópolis . Por intermédio das freiras, conseguiu, em 1960, uma vaga no Hospital da Fábrica Presidente Vargas, em Piquete. Pensava em ficar dois meses apenas , mas ali vive até hoje. No início, Marta era a única parteira. Realizava todos os partos normais, apenas chamando os médicos plantonistas quando se tornava necessária uma operação cesariana. Mesmo assim, dependia dela toda a preparação da gestante, para a finalização cirúrgica do trabalho de parto. Só mesmo quem trouxe uma criança ao mundo, quem estabeleceu o primeiro contato de um pequenino ser com a vida, quem sentiu a tepidez de um corpinho deixando as entranhas maternas, pode entender o sentimento de Marta quando se refere à alegria de um parto bem sucedido. Durante toda a minha vida, como médica obstetra, afirmei que a obstetrícia era a única parte da Medicina que não lidava com dor e sofrimento, mas com felicidade. Claro que existem alguns instantes dolorosos e perdas, mas com o avanço da Obstetrícia atual, tornam-se mais raros e difíceis de suceder. Marta viveu bons momentos no Hospital da FPV, quando este contava com uma plêiade de médicos, em sua maioria militares. Em suas lembranças, Marta revela sentir saudade dos tempos em que este hospital era referência na região. Saudade de toda uma cidade... Tristeza de todo um povo que vê o outrora bem cuidado Hospital da FPV estiolar-se, por conta de desinteresse dos políticos e desmandos administrativos. Marta casou-se com Josias do Prado e teve três filhos que lhe deram três netos. A "alemã", como a chamávamos às escondidas, tornou-se gente de Piquete. Eu me recordo de sua figura marcante: branca, alta e séria, caminhava envolta na garoa da manhã, trajada em branco e sempre com um casaco escuro a protegê-la do frio. Dirigia-se assiduamente ao trabalho, exemplo de seriedade e competência. Marta sempre significou para mim sobretudo isso: competência. Quando estudante de medicina, nas férias escolares, freqüentava o Hospital da FPV. Como era interna da 33ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, no Serviço do Professor Jorge de Resende, nada mais natural que procurasse entrar na Maternidade de Piquete. Juntamente com Cláudio, um primo que também era estudante de Medicina - hoje, como eu, ginecologista e obstetra - fomos até lá, ansiosos em revelar os conhecimentos práticos que havíamos adquirido durante o ano letivo. Então Diretor do Hospital, Dr. Leopoldo Wanderley, chamou-nos e disse: "Façam o que quiserem, onde quiserem. Mas a Maternidade é da Marta!
Recolhemo-nos à nossa insignificância e deixamos as crianças da cidade nascerem pelas mãos daquela bela mulher
...

 

Envie esta página para:

Digite o seu e-mail

Coloque seu nome

E-mail de quem a receberá

 

Voltar