PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

THEREZA MIRTHES MAZZA MASIERO

 


Myrthes Mazza em sua formatura.

 

Laureada como poeta e declamadora, Myrthes Mazza Masiero coleciona títulos e medalhas obtidos em recitais e concursos de poesia e declamação. É conhecida por todo o Vale do Paraíba pelo talento, arte e brilho com que expressa a palavra. A poesia por ela recitada ganha vida, tem sonoridade e brilho especiais. Interpreta como poucos. Pedagoga, professora, militante ativa na área da cultura e da educação, foi diretora de escola, professora da UNIVAP, assistente técnica da Divisão Regional de Ensino do Vale do Paraíba. Neste cargo, foi responsável pelo ensino de primeiro grau rural e profissionalizante de todo o Vale e Litoral Norte. Tem poemas publicados em vários jornais, revistas e antologias. É autora de “Poemínimos” e co-autora de “Mulheres de São José”, “Bons Autores”, “Saciedade dos Poetas Vivos”...

Filha do professor Pedro Mazza e de Idalina Marcondes Romeiro Mazza, Myrthes nasceu em Lorena num 29 de julho do século passado. Iniciou seus estudos primários na escola Gabriel Prestes. O pai, que trabalhava na FPV e viajava diariamente no trenzinho dos operários, achou por bem mudar-se com a família para Piquete, em 1948. Vieram morar na “rua dos professores” e foram vizinhos de José Geraldo Evangelista, Leopoldo Marcondes, Ricarda Godoy, Miguel Médice, João Evangelista do Prado, Odaísa Frota, Pini e Maravalha. Cursou o quarto ano do Grupo no Antônio João. Cita as colegas Mabel Viana, Elzira Rosa, Dinho Maduro, Shirley e Suely Villar, Diná Encarnação. Após a conclusão do Grupo, matriculou-se no Ginásio da FPV. 

“A formação que recebi no Departamento Educacional da FPV foi o que de melhor poderia ter recebido”, afirma. “Lutgardes de Oliveira, diretor e professor de matemática, Marília Ester, Ozires Araújo, Zito... O corpo docente era excepcional”, complementa. Em seguida, ingressou na Escola Normal Livre Duque de Caxias, formando-se professora em 1957. “Fui a primeira da turma...”, diz orgulhosa.

Como prêmio, recebeu a “Cadeira Prêmio”, isto é, foi contratada para lecionar no Curso de Aplicação Duque de Caxias. A paixão pelos versos veio desde pequena. Com facilidade para decorar, dona Sinhá, sua mãe, a colocava em cima de uma cadeira para declamar poesias. Assim foi se apaixonando ainda mais...

Em 1956, representando Piquete, ganhou a medalha “Arnolfo de Azevedo”, num concurso de declamação em Lorena. Fazia parte do júri Péricles Eugênio da Silva Ramos, Menotti Del Pichia e Cassiano Ricardo. Mirthes declamou “A Iara”. Foi ovacionada. “Cassiano Ricardo se levantou para me abraçar”, conta. Mais tarde, Cassiano escreveu “Bando de Canários” especialmente para que declamasse. “É uma preciosidade que guardo com muito amor. Não consta de sua antologia”. 

Myrthes conta que, em Piquete, nos anos 50 e 60, Michel Gosn, entusiasta da poesia, promovia encontros e concursos para estimular os jovens. Foi aí que conheceu Thaís Florinda, Ritinha Cezimbra, Mariná Sarmento, poetisas e declamadoras renomadas.

A paixão pelas letras fez nascer, também, a atração pela representação. Em 1957, a professora Nely Quadrado e o Major Lessa Bastos resolveram criar o Grupo Arte, de teatro. Encenaram “Yayá Boneca”, peça em que Myrthes fez o papel principal. A peça foi premiada e o grupo viajou por várias cidades. Encenaram, entre outras peças: “Pluft, o Fantasminha”, “Comédia do Coração”, “As solteironas do Chapéu Verde”.

Foi no teatro que conheceu Palmyro “Yeyé” Masiero, “um conquistador nato...”. Casaram-se em 26 de dezembro de 1959. Tiveram quatro filhos e três netas. Em 1968, a família mudou-se para São José dos Campos. Myrthes e Yeyé sempre estiveram ligados à arte e à cultura. 

Em São José, participaram ativamente da vida daquela cidade, como educadores e agentes culturais. Cidadã joseense, Myrthes faz parte da União Brasileira de Trovadores, da Academia Joseense de Letras e é membro fundador da Academia de Letras de Lorena.

Seção "Gente da Cidade"
Jornal "O Estafeta" - Julho de 2011



Myrthes e Yeyé juntos num momento de sonho! A mais bela cena apresentada
nos palcos de Piquete: uma adorável recordação da peça "Comédia do Coração".

 


A normalista Myrthes Mazza, foto 3x4 conservada por Mariinha Mota

MINHA HOMENAGEM

Há muito tempo desejava prestar essa homenagem. Guardei as fotos que suas filhas me enviaram, outras que ela mesma me mandou. Esperava o momento certo.

Aproveitando o artigo do jornal "O Estafeta", nesse julho de 2011, apressei-me em montar essa página. A foto acima, um instantâneo conservado por mamãe em seus guardados, é a primeira imagem, retida em minhas lembranças, dessa querida mestra.

Quase da minha idade, era a caçula de sua turma da Escola Normal, juntamente com Betinho Luz. Mariinha Mota, sua colega de turma, gostava dela da mesma forma que se ama uma criança linda, inteligente e promissora. Aprendi com mamãe a amá-la. Reforço e explico a minha afirmativa de que ela era quase da minha idade: quando eu nasci, mamãe tinha apenas 17 anos, poderia até ser considerada da minha geração. Myrthes sendo vista por ela como uma menina, poderia significar para mim mais uma amiga do que uma mestra. No entanto, o seu brilho precoce a tornavam um exemplo a ser seguido - não uma companheira de folguedos. Ela representava o que eu queria ser quando crescesse um pouco mais. Não fui sua aluna em sala de aula, mas com ela aprendi mais do que o bê-á-bá ou a tabuada. 

Aprendi a sonhar, tentei ser doce como ela, meiga e criativa. Acompanhei sua trajetória e possuo registros, inclusive fotográficos, de nossas parcerias em festas e eventos artísticos da cidade. Estava presente, participando também do concurso "Arnolfo de Azevedo" em Lorena, onde ela brilhantemente declamou "A Iara", citada no texto do jornal "O Estafeta". A sua interpretação magistral nunca foi esquecida por mim. Já adulta, garimpando versos, procurei muito por esse poema e nunca o encontrei impresso. Uma das minhas maiores emoções últimas aconteceu quando Myrthes me enviou o poema, juntamente com outros, como "O Tédio" de Heinrich Heine.

Como disse, há muito desejava reverenciar Myrthes Mazza Masiero. Para animar musicalmente a página, sempre soube que seria essa interpretação da também linda e doce Celly Campelo. O que a canção suscitou em meu inconsciente? Desconheço o motivo - e nem desejo analisá-lo -, mas somente esse poderia ser o fundo musical dessa homenagem.

Espero que a querida mestra continue ainda por muitos anos brilhando no firmamento de nossas vidas.

“Amizade é sol que aquece
Aonde quer que se vá;
Nem sempre o sol aparece,
Mas se sabe que está lá...”

Myrthes Mazza Masiero
Trova vencedora em “Juegos Florales del Caribe” - 2009,
Santo Domingo, na Republica Dominicana.


Myrthes Mazza na atualidade, ainda linda.

 


Myrthes Mazza e seus filhos.

 

 

 

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