PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Salvador de Souza




Salvador de Souza
Foto enviada por Lety


A turminha do Salvador - Campeões em 1959
Foto do extinto site
http://piquete.multiply.com

 

O Sr. Salvador de Souza nasceu em São Gonçalo do Sapucaí, em 15 de julho de 1922, filho de João Belisário de Souza e Marieta da Conceição de Souza. Ainda jovem veio para Piquete e em 1944 já defendia o Esporte Clube Estrela, equipe de futebol que tantas alegrias ofereceu à nossa cidade. Como atleta estrelino, foi também responsável pelo engrandecimento do nome de Piquete, no cenário esportivo do estado de São Paulo. Vários títulos compõem o seu cartel de atleta, que ele ostenta com muito orgulho. Sem desmerecer suas glórias como atleta, evidentemente merecidas, reputamos como seu maior troféu aquele que não pode ser exposto na estante, por se tratar de algo imaterial, impalpável, porém de irrefutável valor: o trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes, por gerações a fio. O local era simples e humilde como ele, o chamado "campinho do Salvador", localizado próximo ao campo do Estrela, sua grande paixão. Naquela época não se falava em escola de futebol, porém o professor já lecionava havia muito tempo. Formou gerações com disciplina rigorosa, emanada de seus olhos e gestos calmos. Foi mestre, amigo e muitas vezes, pai. Acompanhava a vida dos pequenos atletas como se fossem seus próprios filhos. Muitas vezes, aos sábados, à tarde, ou domingo, pela manhã, presenciei pais conversando com ele e pedindo ajuda para redirecionar os comportamentos dos filhos. Com carisma dominava e influenciava seus pupilos. Quando chamava a atenção de um jovem, por comportamento inadequado, conseguia penetrar-lhe a alma e era impossível segurar-lhe as lágrimas. De grande força moral e dedicação ímpar ao seu ideal de vida, despojado de quaisquer ambições pessoais, o ídolo Salvador seguiu sua meta de vida de amor ao próximo. Doou, sem nada pedir em troca, aquilo que de mais caro recebeu: o poder de distribuir amor. Sua vida está construída sobre alicerces espirituais sólidos, imbatíveis; suas lições de vida estão gravadas nos corações de seus alunos. São raros os seres humanos de sua estirpe. Bom filho, bom amigo,excelente cidadão. Por onde passou deixou exemplos de conduta. Na Fábrica Presidente Vargas, recebeu, por seus méritos, um lugar entre os membros do Quadro de Honra daquele estabelecimento fabril. Por reconhecidos serviços prestados à nossa comunidade, foi agraciado com o titulo de "Cidadão Piquetense". Sua luta pelo futebol amador trouxe resultados concretos - o Flamengo Futebol Clube e o Unidos. Formou atletas que foram integrar importantes equipes de futebol. Homenagear o Sr. Salvador é um exercício de cidadania. Neste momento em que vivemos, de minguadas perspectivas de futuro para nossos jovens, quando os vemos atirando-se a vícios danosos, sem oportunidades de lazer e ocupações sadias, podemos avaliar com muita clareza a importância e a seriedade do trabalho executado, durante longo tempo, pelo Sr. Salvador. Temos esperança de que algum de seus ex-alunos, ao ler esta coluna, possa lhe prestar a maior das homenagens: continuar o seu trabalho. Sr. Salvador, aceite nossos mais elevados protestos de estima, consideração e respeito.

Coluna "Gente da Cidade"
Jornal "O ESTAFETA", outubro de 1997
Piquete, SP


Salvador e seus atletas. Da direita para esquerda, em pé,
Damico, Salvador de Souza e Michel Gosn
Foto escaneada do jornal "Cidade Paisagem"

Adeus ao Mestre Salvador

Foi-se embora o bom moço Salvador (Dodô ). De fala mansa e pausada, conquistava a todos com o jeito simples, humilde e tranqüilo. Alto, esguio e forte, não aparentava a idade avançada que possuía. Mais parecia o moço que aqui chegara de São Gonçalo - MG, nos anos 50, para trazer vitórias ao Esporte Clube Estrela onde jogou como ponta esquerda, sendo tri-campeão sob o comando do mestre Alcides Villar. Tempos depois começou a atuar como técnico da criançada no "Campinho do Salvador", que ele mesmo cuidava com tanto carinho e com o uniforme do Unidos Futebol Clube. Passava a seus subordinados não só a técnica de jogar bem, como a ética, a moral e a preocupação com a vida escolar dos mesmos. Mas o tempo, inimigo cruel de todos nós, aos poucos, apesar do físico vigoroso, fez com que sua capacidade mental começasse a fraquejar. E ele teve que recolher-se a uma clínica de idosos em Guaratinguetá onde veio a falecer em 13 de janeiro último. Não teve esposa, nem filhos. Somente irmãs e a sobrinhada. Mas teve muitos e muitos amigos, razão pela qual, ninguém há de ser tão lembrado quanto ele por seus ex-atletas de norte a sul do país, não só como um descobridor mas também, como formador de talentos na arte do futebol. Entre eles muitos militares, advogados, engenheiros e outros profissionais diversos espalhados por este Brasil. Com certeza vieram lhe abrir a porta do céu o Mário Peru, o filho do Muriaé, o Eltinho agora com as pernas perfeitas, disputando sua presença nos jogos celestiais. Aqui na terra, uma lágrima de saudade há de sempre rolar dos olhos daqueles que pelo Campinho do Salvador passaram e tiveram como mestre, pessoa tão bondosa. E, com certeza, dirão a seus filhos, sobrinhos, netos, etc.: 
- Aqui, antes de jogar bola, aprendi a respeitar meu próximo.
Entre eles: César Augusto, Celsinho, Arnaldo, Caio, Corujinha e primos, Robertinho, os Batista, os Ricardo (Pirriello, Ribeiro Alves), Pedro Henrique, Silvio Henrique, Claudinho, Moisés, Fofinho, Clayton, os filhos da Cota, Careca, os Guarús, etc, etc. Mas, os bons exemplos devem ser sempre seguidos e aí está o Sabará na mesma trilha do tio. Que Deus e o mestre Salvador o ajudem!

Autora: Sueli Brito Villar
Jornal Cidade Paisagem - fevereiro de 2004
Piquete, SP


Piquete - futebol 2005
Fotos de Lety

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