PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Antônio Vianna


Orquestra da FPV - Antonio Vianna é o segundo sentado da direita para a esquerda
Arquivo Mª Auxiliadora M. Gadelha Vieira

 

Antônio Vianna e Benedita da Cunha Vianna (Dudu)

A propósito do casal acima nomeado, conversei agradavelmente com Mabel e Julieta Vianna e falei-lhes de minha admiração por seus pais, expressando, segundo admito, a opinião dos piquetenses que com eles conviveram. Na casa familiar onde o casal se instalou após o casamento e criou seus filhos, Mabel e Julieta vivem num ambiente de belíssima decoração, conservação e memórias bem cultivadas. Na rua Barão da Bocaina, 118, a tradição familiar piquetense tem presença exponencial pontilhada pelas fotos – evocativas e lindas –, os móveis da herança e da escolha das proprietárias, os quadros bem posicionados, a tapeçaria, as plantas, o jardim interno e a calorosa hospitalidade. Um verdadeiro relicário. Antônio Vianna viveu de 17 de abril de 1903 até 29 de outubro de 1973, portanto, 70 anos. Nasceu em São João da Barra (RJ) e faleceu em Piquete, para onde veio aos 8 anos de idade, acompanhado da mãe e irmãos, após a morte do pai. Um irmão da mãe, Sr. Targino Cunha, os recebeu e ajudou a encaminhá-los na fixação da residência em nossa cidade. Dona Benedita da Cunha Vianna (Dudu), natural de Piquete, nasceu a 7 de janeiro de 1911 e faleceu nessa cidade a 14/jul/1986. O casal teve 5 filhos: Maria Benedita Vianna Cintra, Mabel Vianna, Targino Vianna, Luiz Vianna, já falecido, e Julieta Vianna. Os netos, em número de 10, somam 4 filhos de Maria Benedita, 4 de Targino e 2 de Luiz. Os bisnetos são 7, sendo 3 originados de Targino e 2 de Luiz. Antônio Viana foi mecânico, professor dessa atividade na Escola Industrial Masculina, onde granjeou admiração pela dedicada tarefa a que se propôs. Músico, era presença sempre marcante e bem representada na Banda de Música da FPV, e depois, na Corporação Musical Piquetense. Seus instrumentos eram o clarinete e o saxofone, e em ambos o desempenho atento e bem constituído. Inúmeras fotos circulam na iconografia piquetense registrando essa presença inolvidável. O homem simpático, bem posto, bom músico e um cavalheiro modelar na etiqueta dos bons costumes. Dona Dudu, com esse nome carinhoso da nossa lembrança, costurava, e dessa arte era mestra. A delicadeza que a envolvia fazia dela uma pessoa bem recebida, e que bem sabia receber os que se aproximavam. Ao percorrer os olhos pelas fotos nos ambientes da casa, notamos registrados os componentes do núcleo familiar, fixados para pontuar o tempo e a memória afetiva. No percurso do olhar, o detalhe dos candelabros, dos tapetes e almofadas, a porta envidraçada com rendas interpostas aos vidros, uma delicadeza de bom gosto. E mais, o brilho das louças, porcelanas finas, metais e cristais –, além das lendárias e preciosas porcelanas chinesas. A cadeira de repouso do avô e o relógio de pêndulo lá estão como testemunhas em harmoniosa composição. E lá também o registro do relógio despertador funcional, na lembrança da missão de acordar o pai nas manhãs operosas da faina diária. Os móveis restaurados por boa artesania atestam, por sua vez, o cuidado das proprietárias atendendo à boa educação que receberam. A conversa que tive com elas a 12 de agosto de 2009, prazerosa, foi um exercício de mergulho na alma piquetense, no que ela tem de mais precioso e significativo. Possam esses sinais nos orientar na motivação em presentificar um passado, cuja referência nos mantém cidadãos de um local sempre construído pela fé no futuro e no dia-a-dia, fundamentados no esforço conjunto. Fé que sempre esteve presente na trajetória dessas vidas e mantém-se viva para solidificar-se na continuidade.

Dóli de Castro Ferreira
Memorial dos Moradores de Piquete
Jornal "O Estafeta"  - Novembro de 2009


No antigo Salão da Banda da FPV, "Seu" Vianna é o segundo sentado, da esquerda para a direita

 

 

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