PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Therezinha Rodrigues dos Santos

 


Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

Muitos dizem que a lembrança é a sobrevivência do passado. Numa conversa com Therezinha Rodrigues dos Santos, o passado aflora à consciência com facilidade e rico em detalhes. Recorda-se e conta-nos sobre a Praça da Bandeira desde o início de sua construção, no final dos anos 30, até nossos dias – os primeiros moradores, os sucessivos pontos de comércio... Sua relação com a principal praça da cidade tem sua razão de ser: Thereza nasceu e reside nos limites desta Praça com a rua Cel. Luiz Relvas.


Praça da Bandeira na subida da Rua Cel. Luiz Relvas.
Foto de Dogmar Brasilino

 Filha de João Rodrigues dos Santos e Albertina Maria dos Santos, nasceu em 13 de novembro de 1927. É a mais velha entre dez filhos. Sua mais remota lembrança da infância remonta à Revolução de 1932, quando, ainda menina, foi para São Paulo num trem lotado de famílias piquetenses, fugindo das tropas federais que avançavam sobre Piquete. Em São Paulo, ficaram alojados num ringue de patinação, as famílias separadas por um gradil de madeira. Cita, ainda, a visita de uma Folia de Reis a sua casa: “Meus pais colocaram as crianças para dormir... Eles vieram cantando; após visitar o presépio, entraram no quarto e passaram a bandeira sobre nós, para nos abençoar...” Lembra que, como não havia a rodovia, todo trânsito de São Paulo para o Sul de Minas e vice-versa, passava em frente à sua casa. Passavam, também, muitas tropas e boiadas. No período das chuvas, como as ruas não eram calçadas, a subida da Praça se tornava um atoleiro. “Era preciso colocar corrente nas rodas dos carros para subir...”, diz. Aos sete anos, foi matriculada no antigo Grupo Escolar do Piquete, prédio que ficava a poucos metros de sua casa. Cita as professoras Alcina, Thereza de Mello e Virgulina. Das colegas, Marília Moreira, Eunice Gonçalves, as irmãs Natália, Natalina e Alice, filhas de José Lúcio de Souza. Fez sua primeira comunhão na antiga Matriz de São Miguel, tendo sido preparada por D. Leonor Guimarães. Com a criação da Escola Profissional Feminina da FPV, nela se matriculou. “São muitas as boas recordações daquele período. O diretor Augusto Ribeiro de Souza, os professores Osires, Zito, Lutgardes...” Reverente, cita o professor Laércio de Azevedo: “Ele ensinava música e mantinha um coral do qual eu fazia parte...” Na escola aprendeu a costurar e a bordar. Seus trabalhos eram impecáveis. “As aulas eram com as professoras Noemi, Maria e Antonieta Azevedo”. Mais tarde, cursou a Escola Industrial Feminina. Foi colega de Therezinha Masiero, Otília Pereira, Eunice Fernandes, Therezinha do Jacó... Com a conclusão do curso, lecionou como professora substituta na Escola da Tabuleta, cuja titular era a professora Conceição Godoy. Lecionou, também, no Curso de Aplicação Duque de Caxias, dirigido pelo professor Leopoldo,e na Escola Agrícola. Apaixonada por Piquete, acompanhou o crescimento da cidade. Assistiu o surgimento das vilas operárias, da Praça Duque de Caxias, as várias transformações da Praça da Bandeira, “especialmente quando ela era cheia de roseiras – era linda!”... Cita os comerciantes João e André Raffoul, Elias e Nagila Hanks, Thomé e Genoveva Seraphim, o bilhar do Serafim Machado, o Posto de Gasolina Caloric, o Hotel do Brasilino, os clubes dos Ex-alunos e Comercial... Cita comícios de Adhemar de Barros e Jânio Quadros... Não se esquece, também, dos inúmeros vizinhos. Em 12 de outubro de 1945, Therezinha casou-se com Hugo Prado. Tiveram dois filhos, Roberto Wilson e Sílvia Maria. Viúva há 26 anos, tem três netos e dois bisnetos. Participa há muitos anos do Coral Santa Cecília, resultado da paixão que tem, desde pequena, pelo canto. Cidadã consciente, é voluntária da Oficina Santa Rita. 


Coral Santa Cecília - Therezinha é a quarta na fila da frente da esquerda para direita
Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

Thereza do Hugo é uma arguta observadora: acompanha e avalia a situação de Piquete. Para ela, é preciso melhorar as perspectivas dos munícipes. “Tomara que Piquete ainda encontre seu caminho para o crescimento."

Seção "Nossa Gente" - Jornal "O Estafeta"
Janeiro de 2010 - Piquete, SP

 

 

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