PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

Terezinha Maduro

 

A maioria dos professores que conheci nasceu para ensinar. Cumpriam seu dever como mestres, cientes da importância de seu ofício e felizes por vislumbrar o futuro de seus alunos. Piquete foi privilegiado na área de Educação. Por meio da Fábrica Presidente Vargas, dispôs de docentes de qualidade indiscutível e pioneiros métodos de ensino.

Uma das professoras beneficiadas por esse privilégio foi Terezinha Maduro. Filha mais velha do casal Joaquim Pereira Maduro e Zulmira dos Santos Maduro, Maria Terezinha Maduro dos Santos é a mais velha entre dez irmãos. Nasceu em Itajubá em 16 de fevereiro de 1934.

Em 1944, quando contava dez anos e já havendo cursado dois anos do primário, o pai veio para Piquete trabalhar na Fábrica e trouxe a família, ainda com seis filhos. Na cidade paulista, vieram residir em uma casa à rua São Benedito, onde nasceram os outros quatro filhos do casal e onde sua mãe permaneceu por toda a vida. Terezinha foi matriculada, então, no Grupo Escolar Antônio João, de onde cita as professoras D. Palmira Ferrari e D. Alice Luz e o diretor Benedito Edson de França Guimarães. Após concluir o primário, prestou o “Exame Admissional”. Aprovada, ingressou no Ginásio da FPV. Em seguida, cursou a Escola Normal Livre Duque de Caxias. Em ambos, “fomos a primeira turma...

Essas escolas foram ‘feitas para mim’”, brinca, orgulhosa. Dessa época, cita os amigos Chico Máximo e Olga Ecklund: “Eram os mais chegados...” reforça. Em 1952, aos 18 anos, formada professora, Terezinha foi lecionar no curso noturno da Escola Darwin Felix, na alfabetização de adultos. Em seguida, assumiu sala no curso pré-primário na Escola da FPV, sob a direção do professor Leopoldo Marcondes de Moura Netto. Em 1954, após ser aprovada em concurso do Estado, tornou-se efetiva na Escola Mista da Paineira de Cima, na zona rural de Cunha, “a uns 15km do centro de Cunha... Vinha para cá uma vez por mês ou em ocasiões especiais... Era muito difícil: ônibus até Guaratinguetá, depois Cunha... Lá, era somente com carona, caminhão de moradores...”. Não demorou muito em Cunha: cerca de um ano e meio e já retornava a Piquete, de volta ao Darwin Félix, onde ficou por cerca de nove anos. Foi, então, para São Paulo, tendo ficado na capital do Estado por três anos. Retornou, comissionada, para o Departamento Educacional da FPV, lecionando na “Escola do professor Leopoldo”... Removida, passou os últimos anos da carreira no Guimarães Rosa, onde se aposentou em 1982.

Dona Terezinha diz que “Sempre gostou de ser professora... Na minha época, tínhamos o apoio dos pais das crianças. Com isso, tínhamos autoridade sobre os alunos e também o respeito deles”. Afirma que o gosto pelo magistério foi-lhe passado pelos excelentes professores que teve.

Em 11 de janeiro de 1957, Terezinha tornou-se esposa de Jorge Pereira dos Santos. Têm dois filhos, seis netos e uma bisneta. Desde que se aposentou, Terezinha passou a se dedicar aos netos, inclusive com a educação. Em casa, era a responsável pela cobrança das tarefas, por tomar-lhes a tabuada, complementar-lhes as lições recebidas na escola. Faz questão de citar, também, o zelo pelos pais, dos quais cuidou até que “partissem”. Sua herança e dos irmãos foi a educação, exigência do pai: as seis irmãs são professores; dos homens, um também é do Magistério e outros militares.

A carreira e a vida de Terezinha Maduro são exemplos do modelo de professores cuja vocação e amor pela profissão vêm se tornando raros em nossos dias. Ao lecionar com amor, aplicava os métodos disponíveis, mas também os recursos que vislumbrava para transmitir às crianças os ensinamentos necessários. A dedicação e a responsabilidade aumentavam frente às dificuldades de transporte, de falta de recursos e da separação dos familiares por que muitos passaram.

No entanto, o resultado é o orgulho demonstrado no brilho do olhar quando conta ser “uma de suas maiores alegrias” ter ensinado duas gerações: pai e filho foram por ela alfabetizados. E, ainda hoje, quando recebe convites de formatura, casamento de ex-alunos: “É sinal de que fui importante para eles. E isso nos traz alegria!”, conclui emocionada.

Seção "Gente da Cidade"
Jornal "O Estafeta" - Outubro de 2010


Alunos da Escola Normal em 1952. Terezinha é a primeira
na fila da frente, da esquerda para a direita.

 

MINHA HOMENAGEM

Dona Terezinha fez parte de minha vida sempre. Estudei e fui amiga de suas irmãs. Freqüentei a casa de seus pais e me recordo da delicadeza de Dona Zulmira e da ternura de "seu" Maduro. Sempre fui tratada com muito carinho por eles.

Dona Terezinha, contudo, é especial em minhas recordações. No meu primeiro dia de aula no Jardim da Infância do "Seu" Leopoldo, bem pequenina, encantei-me com a jovem professora contando através de gravuras coloridas, a história da "Galinha Ruiva". Eu ainda me recordo dela, acariciando docemente os longos cachos da aluna recém chegada. Queria saber como ficavam tão certinhos, tentava enrolá-los quando se desmanchavam, até que lhe contei que mamãe os enrolava com vela... 
Quando eu me esquivava de brincar no recreio, ela me conduzia pela mão até à gangorra verde que eu tanto temia, após ter levado uma queda, estatelada na lama de uma manhã chuvosa, provocando risos dos coleguinhas.

 Hoje percebo que suas indagações e carinhos buscavam vencer a timidez e amenizar o comportamento arredio daquela aluna novata e assustada. Conseguiu, mestra, muito bem conseguido. Nada restou da minha timidez; não mais me assusto facilmente nem temo as situações novas. Aprendi a lutar contra as adversidades com as quais nos deparamos na vida, muito mais poderosas do que a queda de uma gangorra, um chão enlameado e a zombaria de crianças inconseqüentes.  Só permaneceu ainda, em mim, um pouco da teimosia daquela meninazinha. 

Outras historinhas a querida mestra nos contou: o "Patinho Feio" - eu me sentia como ele e sonhava com o dia em que me transformaria em cisne; "Gata Borralheira", "Branca de Neve", "Chapeuzinho Vermelho" - e eu chorava com medo de perder minha avó Lourdes, tão querida. Mas a primeira historinha ouvida marcou demais minha vida.  Quando meus filhos pequenos pediam uma historinha era sempre da "Galinha Ruiva" que eu me lembrava, associando-a a minha querida primeira mestra Terezinha.

Na seção infantil desse site, a historinha dessa Galinha foi devidamente oferecida à Terezinha Maduro.
www.mauxhomepage.net/cantinhoinfantil/contosinfantis/galinha.htm

 

 

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