PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

José Rosa da Silva

Dono de um senso humor contagiante, o filho de Maria Rosa da Conceição Silva, José Rosa da Silva, nasceu no bairro do Campinho, em Guaratinguetá, em 12 de fevereiro de 1917. De família pobre, até os quatro anos morou com os padres do Colégio São João, em Guaratinguetá, quando foi residir na fazenda Santa Maria, no caminho de Cunha, de propriedade da família Paula Santos. Na fazenda, trabalhava de sol a sol, no trato do gado e na lavoura. Explorado pelos donos, sem estudo e melhores perspectivas, lá permaneceu até os 19 anos, quando fugiu para Pindamonhangaba, apresentando-se como voluntário no quartel daquela cidade. O acaso levou-o a tornar-se motorista do coronel comandante, mesmo tendo como experiência de direção apenas um velho caminhão da Santa Maria. Prestativo, agradou seu superior, que o manteve no cargo, utilizando-se de seus serviços também para atender à sua família. Aproveitou esse período no quartel para receber as primeiras instruções de estudo. Em 1939, deu baixa, indo trabalhar na rede ferroviária Pinda - Campos do Jordão. Continuou, no entanto, requisitado pelo Exército para a função de motorista do coronel comandante. Influenciado pelos amigos de farda, abandonou o emprego, seguindo para São Paulo. Na capital, permaneceu por pouco tempo, até que soube que a Fábrica de Pólvoras e Explosivos, em Piquete, estava contratando novos operários. Voltou, então, para o Vale do Paraíba. Foi contratado em 02 de janeiro de 1942, como jardineiro. Fez um curso de enfermagem ministrado pelo Dr. Tibúrcio Ferreira, no antigo hospital da Fábrica (atual Fórum). Não se adaptando, conseguiu transferência para o setor de transportes, passando a dirigir o ônibus que conduzia os oficiais da Vila Militar para a Fábrica Presidente Vargas. Aos domingos, conduzia-os para a missa, na igreja de São José. Como motorista de ônibus trabalhou até a aposentadoria, com 70 anos de idade e 45 anos de serviço. Quando chegou a Piquete, "Zé Rosa" foi morar na pensão do Sr. Rafael Gulo, onde conheceu sua primeira esposa, Geraldina Alves da Silva, com quem teve 5 filhos. Após enviuvar, casou-se com a cunhada, Maria Benedita Alves Silva, tendo mais 6 filhos. Zé Rosa é conhecido por todos na cidade como o motorista do ônibus da Fábrica, profissão que exerceu por 31 anos. Seu ônibus era freqüentemente requisitado para romarias a Aparecida, visitas a feiras e exposições em São Paulo e Rio de Janeiro, e transporte dos músicos do famoso Jazz Band da Fábrica e dos atletas do Esporte Clube Estrela. Seu Rosa também é lembrado por muitas gerações de estudantes. Guarda inúmeras passagens pitorescas. Bem humorado, recorda-se das diversas vezes em que teve de aguardar que a torcida adversária, furiosa, vencida pelo time piquetense, se acalmasse, para que pudesse deixar o estádio com segurança. Quando o jogo era contra o tradicional rival Hepacaré, de Lorena, ganhando ou perdendo, a situação era a mesma: deixar o estádio lorenense só com proteção policial... O mesmo acontecia em Piquete, com o time do Hepacaré... Seu Rosa, com seu largo sorriso, é certeza de uma conversa agradável e horas de boas histórias sobre um tempo que não volta mais...

"Gente da Cidade"
Jornal "O Estafeta" - agosto de 2004


1945 - Zé Rosa, de uniforme, com romeiros em frente à Basílica de N. S. Aparecida.
Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

 

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