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Os Escombros de
uma Saudade |
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Os Escombros de uma Saudade Vai abaixo mais uma residência tradicional de Fortaleza, conhecida em sua vizinhança como o casarão dos Vieiras. O prédio situava-se na rua Rufino de Alencar, esquina com Pedro Ângelo, à meia distância entre a Praça da Sé e a do Cristo Redentor, próxima ao Seminário da Prainha. Construído pelo capitalista Luiz Jorge de Pontes Vieira, empresário de larga visão, que empregou sua notável força de trabalho em múltiplas atividades como banqueiro, industrial e agropecuarista.
Luiz Vieira, como era mais conhecido, foi proprietário do Banco União S/A, o banco dourado dos anos cinqüenta, de grande importância econômica e política naquela época e cujas "calçadas in" deixaram "saudades" na sociedade cearense, como registrou o cronista Lúcio Brasileiro. Entre suas propriedades rurais no município de Quixeramobim, a fazenda "Teotônio", exportadora de algodão para a Europa e distribuidora das afamadas laranjas para todo o nordeste; a fazenda contígua "Barrigas", conhecida pelo aprimorado plantel de gado da raça Nelore, produtor de campeões nacionais. Servia estas fazendas o maior açude particular do sertão cearense, o que levou o ex-presidente Humberto de Alencar Castello Branco a apelidá-las de "Oásis do Ceará". Como industrial, Luiz Vieira foi proprietário da União Algodoeira S/A, da Empresa de Fios e Redes S/A, da Fábrica de Tecidos São Luiz Ltda., na Av. Tristão Gonçalves; da Fiação e Tecelagem Santa Maria Ltda., na Avenida Duque de Caxias; da Fábrica de Louças São José S/A e da Usina Ceará, de Siqueira Gurgel e Cia. Ltda. Sua imobiliária - Empresa de Terrenos Ltda. - foi pioneira no loteamento dos terrenos de Fortaleza e destes loteamentos surgiram grande parte dos atuais bairros da cidade como Aldeota, Água Fria, São João do Tauape, Vila União, 14 de Julho (Montese), Pio XII, São José, Sabiaguaba (Praia do Sabiaguaba).
Em 1937, a Empresa de Terrenos Ltda. adquiriu do Patrimônio de São José do Arcebispado de Fortaleza, uma grande área no antigo bairro do Outeiro da Prainha, compreendida entre o chamado "Quintal do Bispo", hoje fundos do Paço Municipal, até próximo ao Seminário da Prainha e entre as ruas Costa Barros e Rufino de Alencar. Deste loteamento surgiram as ruas Afonso Viseu, Pedro Ângelo, Pereira Filgueiras e João Lopes; as duas primeiras nomeadas por indicação de Luiz Vieira, em homenagem a pessoas de sua amizade e admiração. Na parte mais alta do Outeiro, Luiz Vieira reservou um aprazível sítio para ali construir uma vila residencial para sua família. Há muito tempo a família residia não muito longe do Outeiro, em belas residências defronte ao Quartel da 10ª Região Militar, também recentemente demolidas para darem lugar à construção do novo Mercado Central. Estas casas e sua vizinhança formavam, nas primeiras décadas do século, um primoroso e bucólico recanto onde o riacho Pajeú coleava em seus pomares, na sua despedida para o mar, ladeando a antiga Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
A nova residência do Outeiro foi inaugurada com festejos que se prolongaram por mais de uma semana, de 8 a 19 de outubro de 1946, quando se comemoravam também os casamentos de duas filhas de Luiz Vieira e o aniversário natalício de sua esposa Judith Correia Câmara Vieira.
Sua construção fora entregue aos cuidados do engenheiro Alberto Sá que, pela primeira vez em Fortaleza, utilizava o concreto armado na confecção de seus forros. Um sólido embasamento revestido de pedras colocava a construção num nível acima dos jardins. Estes eram divididos por cercas vivas de ficus-de-benjamins, sobre um extenso gramado, onde bancos, lampadários e uma fonte luminosa distribuiam-se entre folhagens e árvores. No interior, seus pisos eram revestidos por parquetes decorativos, táboas corridas, mármore e cerâmica. Colunas com capitéis corínteos, mísulas e frisos de gesso decoravam o teto, ao gosto da época. Tapetes, quadros, apliques, lustres de bronze e cristais e um mobiliário primoroso tornaram-na uma das belas residências da cidade.
Em seus banheiros - verdadeiros salões de banho - os aparelhos de louça inglesa variavam suas cores de camurça, azul-turquesa e verde-piscina. Seus dormitórios no segundo piso abriam-se para espaçosos terraços de onde se apreciava o mar.
Ao longo de sua existência o casarão abrigou cinco gerações da família Câmara Vieira, numa convivência rica de parentela e amigos. Hospedava pessoas ilustres, numa época em que os hotéis da cidade não apresentavam o conforto necessário.
Vanius Meton
Gadelha Vieira |

Carlos Meton despedindo-se do casarão de sua
infância.
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