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GERALDO SÍLVIA
MOTA |

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No final do século XIX, numa ilha da Sicília chamada Pantelleria, nasceu em 18 de março de 1888 Salvatore Silvia, filho do vinicultor Pietro Silvia e de sua esposa Melchiora Belvisi. A ilha de Pantelleria está localizada no Estreito da Sicília, no Mar Mediterrâneo, 85km a sudoeste da extremidade da Sicília ocidental e 70km a leste da costa africana. Pertence à província siciliana de Trapani. Administrativamente, tem apenas um município, que leva o mesmo nome da ilha (Comune de Pantelleria). A ilha é inteiramente de origem vulcânica, sendo seu ponto mais alto uma cratera vulcânica extinta que se eleva a 836 metros acima do nível do mar. Fontes de água mineral quente e ebulições de vapor ainda denunciam a presença de atividade vulcânica, assim como as pedras negras de suas praias, evidenciam os resquícios desse permanente risco. Em dezembro de 1891, logo após o nascimento de Salvatore Silvia, uma erupção submarina a partir de um respiradouro ao largo da costa noroeste foi a última grande atividade vulcânica conhecida. Pantelleria conecta-se com a ilha-mãe por barcos que partem de Trapani ou Agrigento. É através do transporte marítimo que a ilha exporta sua produção vinícola. Uma das principais atrações da ilha são os dammusi, pequenas casas rurais feitas em pedras lávicas em formato cúbico, com aberturas em arco e tetos brancos em cúpula. Reza a tradição que Ulisses, o rei aventureiro de Itaca, após a Guerra de Tróia, teria ali permanecido por sete anos, encantado pela deusa Calypso. Criados na ilha, Salvatore e seu irmão Francesco serviram ao exército do Reino da Itália, no 22º Reggimiento Artiglieria de Palermo, no período de 15/10/1908 a 31/08/1910. Durante os terríveis terremotos de 1908/1909, em Messina, Salvatore prestou auxílio à população vitimada, fato que impressionou de forma marcante o jovem insular. Essa experiência traumática despertou nele o desejo de correr o mundo e viver de forma diferente antes de retornar à sua ilha. O Estreito de Messina é uma estreita faixa de mar que separa a Itália da ilha da Sicília. Um lugar tranqüilo, lar de pescadores e antigas cidades portuárias. Essa tranqüilidade foi abalada as 5h25 da manhã de 28 de dezembro de 1908, quando o primeiro de uma série de terremotos começou a demolir tudo o que estava em pé na região. Como geralmente acontece, os terremotos causaram um tsunami de 15 metros de altura que tornou a destruição ainda mais terrível. Entre as cidades afetadas estavam Reggio di Calabria, Cosenza e Catânia. Mas a cidade mais atingida foi Messina. Boa parte das construções da cidade ruíram como se fossem feitas de papelão. Os incêndios tomaram conta da cidade. Cães e ratos comiam os corpos dos mortos. Pessoas presas nos escombros mastigaram os dedos até atingir os ossos antes de morrerem de inanição. Saqueadores agiam impunemente roubando os mortos e feridos. Algumas imagens da destruição são impressionantes. http://www.youtube.com/watch?v=PsDCwhwpioo&feature=related No final do século XVII, por volta de 1692, transpondo os contrafortes da Serra da Mantiqueira, os paulistas Antonio Delgado da Veiga, seu filho João da Veiga e o capitão Manoel Garcia Velho, partindo de Taubaté (SP), alcançaram um sítio que chamaram de Maependi, do tupi-guarani: mbaé-pindi cujo significado é "clareira aberta". Esta foi a primeira referência ao nome da cidade. A primeira casa foi construída em 1717, na margem esquerda do rio, pelo português Capitão-Mor Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, Provedor dos Quintos do "Registro da Mantiqueira". Posteriormente, na margem direita, surgiu um pequeno povoado, sendo ali construída, no ano de 1754, uma capela em honra à santa espanhola Nossa Senhora de Montserrat, hoje Igreja Matriz de Baependi. Em 1752, o pequeno povoado tornou-se Freguesia; em 1814, Vila; em 1855, passou a ser sede da comarca, separando-se da Comarca do Rio das Mortes. No dia 2 de maio de 1856, finalmente, Baependi foi elevada à categoria de cidade. Os bandeirantes que chegaram na região, buscavam ouro, mas foi a agricultura que dominou a economia local. Cidade remanescente do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, Baependi se desenvolveu ao longo do caminho da Estrada Real - a primeira grande via de comunicação regular no Brasil -, que ligava a região das minas a Paraty (RJ), porto de onde saía o ouro em direção à Europa. A mineração foi, aos poucos, substituída pela agricultura e pela criação de gado. Destacou-se a grande lavoura do tabaco e ao final do século XVIII, Baependi já era o maior centro produtor da Província de Minas Gerais, representando importante fonte de riqueza até meados do século XIX. Em 1911, a cidade inaugurou a Usina Ribeirão, uma usina hidrelétrica cujo prédio histórico encontra-se, hoje, tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural. Para esta usina em formação Salvatore se dirigiu, em busca de trabalho. Já morando em Baependi, na procissão da Semana Santa,
Salvatore encantou-se com a jovem que representava Maria, a mãe de Jesus e
disse aos seus amigos: "Encontrei a moça com quem vou me casar". A jovem
que o encantara possuía a pele clara, cabelos negros e lindos olhos
verdes. Silvina da Conceição Motta, filha do sacristão da Matriz de Nossa
Senhora de Montserrat, Joaquim das Dores Motta e de sua esposa Auta
Felippa da Conceição Motta, era exímia violinista e esta qualidade mais
encantou ao jovem italiano. O jovem italiano casou-se com Silvina em 23/05/1914. Desta união nasceram 21 filhos, dos quais apenas dez atingiram a idade adulta: Geraldo, Pedro, João, Salvador, Luiz (Lulu), Antônio (Bibiu), Judith (Lolita), Maria, Terezinha e Joaquim. Geraldo era o primogênito do casal. Louro, olhos azuis, inteligente, nascido em 26/05/1916, Geraldo desde pequeno destacou-se entre os irmãos. Acompanhava o pai em suas lides de carpinteiro e marceneiro, tentando imitá-lo em seu trabalho. Quando contava oito anos de idade, seu pai apresentou uma febre que o deixou por mais de seis meses sem poder trabalhar, com parte do corpo paralisado. Silvina, quituteira conhecida e de mão cheia, sustentava a família com seus doces, biscoitos e pães. Geraldo, filho mais velho, era o responsável pela venda dos tabuleiros de guloseimas. Silvina fornecia doces para uma senhora que os colocava em caixas de papelão, revendendo-os para os hotéis da região do circuito das águas. Geraldo era sempre solicitado a conseguir estas caixas para ela. Um dia perguntou-lhe porque não colocava os doces em caixas de madeira. Desafiado pela senhora a construí-las, o pequeno garoto desenhou a caixa e a foi montando, sob o olhar curioso e impotente, mas orgulhoso de seu pai. A caixa fez um sucesso tão grande que mesmo depois do pai recuperado a família continuou a produzi-las.
Aos quatorze anos, trabalhando sempre com seu pai e
ajudando-o a cuidar da numerosa prole, Geraldo decidiu estudar música e o
instrumento escolhido foi o piston. Todas as noites, após o trabalho, o
rapazinho dirigia-se ao seu aprendizado musical. Aos dezoito anos,
marceneiro competente e requisitado, chefe de uma oficina que comandava ao
lado de seu pai, solicitado pelo padre local, esculpiu uma fortíssima e
bela porta de madeira, em peça única, que ainda hoje permanece no mesmo
local, em Baependi. Seus irmãos também estudaram música e com eles e
alguns amigos, Geraldo montou um conjunto de jazz que tocava nas festas e
bailes que sempre aconteciam pelos hotéis e cassinos locais. Como esporte,
Geraldo praticava a canoagem pelas corredeiras da região. Todos os irmãos de Geraldo dedicaram-se à música,
paralelamente às suas outras funções. Lulu, o mais bonito entre eles,
fascinava com seu clarinete e também com seu desempenho ao violino; João
era baterista; Antônio com seu trombone de vara encantava nas noites de
carnaval e durante toda a sua vida participou da Corporação Musical
Piquetense, preenchendo o amanhecer da cidade com seus dobrados. Dentre
eles, Pedro foi o que mais se destacou. Acordeonista, pianista e
violinista, Pedro da Motta Silvia fundou, no Instituto Abel, em
Niterói-RJ, a Orquestra Típica La Salle. Seu filho Henrique Manso Silvia o
sucedeu e seu neto Henrique Manso Silvia Júnior também seguiu sua
trajetória musical. Mas estes sucessos ainda não podiam ser previstos na
época.
Geraldo tornara-se
um homem adulto, trabalhador e responsável. Alguns de seus irmãos já se
dirigiam para São Paulo. Uma pequena cidade do Vale do Paraíba - Piquete -
onde funcionava uma fábrica de armamentos do Exército, parecia ser
promissora e, para lá, aqueles belos homens de cabelos louros e olhos
azuis se encaminhavam... Geraldo, filho mais velho, não podia se
aventurar. Precisava de uma renda fixa que lhe garantisse a possibilidade
de ajudar seu pai a educar os irmãos ainda menores. Trabalhando como
carpinteiro, chefe de sua oficina, recebia proventos razoáveis. Segundo
ele contava, o seu ganho mensal era em torno de dezoito contos de réis.
Seu irmão Pedro, estabelecido no Vale do Paraíba, insistia em levá-lo para
lá. O objetivo era a participação na "Orquestra Estrela do Norte" e numa
banda de música da Fábrica Presidente Vargas em Piquete-SP. Atuaria como
músico, mas se tornaria um funcionário público federal. Na ocasião, ser
funcionário público era uma segurança irrecusável. Disso fala em seus
escritos o "maldito" Plínio Marcos, que foi convidado a tornar-se, também,
funcionário da Fábrica Presidente Vargas, mas para atuar como jogador de
futebol, no seu time "Estrela Futebol Clube". Geraldo seguiu para um teste
em Piquete. O maestro João Evangelista apresentou-lhe algumas músicas para
tocar, uma das quais com um solo para piston. Vaidoso, Geraldo nem leu as
partituras, sabendo que estava sendo observado. O ensaio começou e ele
tocou de forma perfeita as peças apresentadas. Ao término, o maestro
disse-lhe que o seu conjunto precisava dele. Mas estava difícil um acordo
financeiro. Geraldo deixou bem claro que só aceitaria o emprego se
houvesse um salário superior ao que obtinha em Baependi, em sua oficina.
Um mês depois recebeu em sua cidade a resposta de que tinha sido
contratado, segundo ele por vinte e dois contos de réis, o maior salário
pago a um músico na região. Ele mesmo contava: "Eu era um músico muito
bom; em pouco tempo de estudo era melhor que os antigos. Eu dava para
aquilo; nasci músico. Acho que era o que se chama de talento... Do mesmo
jeito que o Geraldo Luiz. Quando eu o vi tocando piano pela primeira vez,
ainda no comecinho, percebi que aquele era o destino dele. Mesmo que se
formasse em outra coisa ou se empenhasse em outra profissão"... A guerra
grassava na Europa e, embora seu pai fosse italiano, aqueles homens não se
incomodavam com ela. Hitler e Mussolini, nazismo e fascismo estavam muito
distantes de sua realidade.
Um dia, Geraldo
recebeu a convocação para participar da FEB. Nada disse a sua mãe. Agiu
como se fosse partir para uma viagem qualquer. Deixou tudo acertado: nada
faltaria aos seus pais e irmãos menores na sua ausência. No Rio de Janeiro
permaneceu em treinamento, juntamente com outros jovens convocados. A
incerteza da partida, o que poderia lhe acontecer, nada disso ele dividiu
com os pais. Aceitou o destino, ele que durante toda a sua jovem vida só
fizera lutar. Seria uma luta a mais, apenas.
Finda a guerra, os pracinhas brasileiros foram autorizados a percorrer a Itália, mas apenas dentro do continente. Geraldo tentou ir até Pantelleria, transformada em posto avançado do Exército Americano, mas não conseguiu. Conheceu as belas obras de arte da Itália, a Capela Sixtina, o colosso do Moisés de Michelangelo. Lamentaria, posteriormente, a falta de cultura na época, que não lhe permitira aproveitar mais o que vira. Apenas sua sensibilidade artística apreendera o que havia conhecido. Contava que no retorno ao Brasil, no desfile dos pracinhas vitoriosos, no Rio de Janeiro, a multidão avançava sobre eles tentando arrancar-lhes um souvenir. Ao ver aquilo, ele retirou do uniforme o seu emblema da "Cobra Fumando", um dos objetos mais roubados pela população, e o escondeu em seu bolso. "Veja como está arranhado. Esteve comigo em todos os momentos difíceis que eu vivi na Itália. Não ia deixar que me roubassem", contou ele certa feita. Geraldo não seguiu carreira militar. Tinha pressa em
voltar para sua vida comum, suas partituras, seu piston, para os quitutes
da dona Silvina. Já em Piquete, Geraldo apaixonou-se por uma quase menina,
recém saída do Colégio do Carmo, em Guaratinguetá, filha de um fazendeiro
e chefe político da região, Horácio Pereira Leite e de sua segunda esposa,
Maria de Lourdes Alves Beraldo Leite. A bela Maria Augusta, Mariinha como
era conhecida por todos, que no início de sua vida desejava ser freira,
apaixonou-se pelos olhos azuis e pelo lindo sorriso do "expedicionário".
O velho Horácio bem que relutou em entregar sua filha a um homem
mais velho, experiente, filho de um imigrante e músico. A persistência do
rapaz fez com que ele cedesse. Após Geraldo construir a casa na qual
viveria nos primeiros anos de união com o amor de sua vida, o casamento
realizou-se em 30 de setembro de 1947, na Igreja Matriz de São Miguel, em
Piquete. Mariinha era apenas uma menina ciumenta de 17 anos. A
intelectual e escritora em que ela se tornaria anos mais tarde ainda não
desabrochara. Ao ler o diário de Geraldo, enciumada por seus encontros
amorosos com as italianas, ao final da guerra, não percebeu o valor
histórico de seus relatos e os queimou...
Hoje
em dia temos certeza que ela se arrependeu deste impensado e infantil ato,
no qual destruiu uma fonte de informações históricas de enorme valor.
Geraldo iniciou sua família. Cinco filhos Deus lhes deu e um desses Ele
mesmo levou, aos dez anos de idade, com um osteossarcoma. Pouca coisa Geraldo relatou a sua família sobre o que vivera na Itália. Mariinha postava-se sempre contra estas recordações, zangando-se quando via os filhos desejando saber mais sobre a história de seu pai na FEB. Do pouco que contou dava para se notar que havia muita dor e que presenciara muito sofrimento... Geraldo não participou de nenhum movimento de ex-combatentes. Nunca desfilou nas paradas, nunca ostentou no peito suas medalhas. Sempre considerou o ex-pracinha um injustiçado pelo país e esquecido pelo governo. Eu
me orgulho dele nunca ter se contentado com as escassas palmas que os
sobreviventes da FEB recebem nas paradas de Sete de Setembro. Não me
conformo quando leio sobre as indenizações milionárias e benefícios
oferecidos aos familiares dos desaparecidos e aos perseguidos pela
ditadura militar - concedidas por presidentes e políticos que também se
beneficiam com estas medidas, sem importar-se com o destino do restante do
povo brasileiro. Comparo com a vida miserável que eu vi, não meu
pai, felizmente, mas muitos companheiros seus atravessarem
desamparadamente, esquecidos pela Pátria e por seus sucessivos governos.
Aos convocados da FEB não foi concedida opção: se não participassem da
Segunda Guerra, seriam considerados desertores e penalizados porisso.
Quantos brasileiros inocentes ficaram enterrados no Cemitério de
Pistóia... Quantos jovens bravos tombaram sob as balas alemãs na conquista
estratégica do Morro de Monte Castelo... Aquela não era a sua luta mas não
fugiram do que lhes reservara o destino. Brasileiros souberam ser,
cumprindo o que lhes pedia a Pátria, na verdade o que lhes determinava o
ditador Getúlio Vargas. Vítimas, estes sim, de uma ditadura que para
defender os seus interesses internacionais e econômicos convocara os
jovens brasileiros sem o direito de protesto, os pracinhas da FEB pagaram
com a sua vida ou comprometeram sua integridade física e mental.
Nem todos, como meu pai, retornaram inteiros e saudáveis; todos
eles ficaram marcados pela Guerra. E nada receberam deste país... Enquanto
isso, quem empunhou armas, seqüestrou, roubou, em nome de uma ideologia
que quando chega ao poder se percebe bem semelhante a todas as demais, foi
PAGO pelo governo, com um dinheiro que falta para o pão e o remédio dos
demais brasileiros... Aqueles que lutaram contra o governo militar estavam
conscientes do que desejavam e dos riscos que enfrentariam. Era a sua
ideologia, a sua luta. Diferentemente daqueles pobres homens convocados,
que deixaram suas famílias, seus amores, sua inconseqüência juvenil, sem
nem mesmo saberem para que nem para onde iam, qual o objetivo daquela
guerra, porque foram escolhidos para enfrentar este risco. Se os
presos políticos, os perseguidos e torturados pela ditadura militar de
1964 têm direito à indenização, o que dizer de nossos pobres
febianos? Porque dois pesos e duas medidas? Os ex-combatentes da FEB foram
esquecidos, tornaram-se incômodos ao Brasil; Mascarenhas de Morais foi
temido - e porisso colocado no ostracismo ao final da guerra -; pela força
que poderia representar por ter vitoriosamente comandado um contingente de
25 mil homens, lutando na Europa pela democracia e pela liberdade que não
existia em seu próprio país... Por décadas, os pracinhas foram
humilhados, chamados de loucos, de neuróticos de guerra. Amargaram
sozinhos a desordem que a convocação provocou em suas jovens e inocentes
vidas. Eles não pediram, não queriam, não precisavam e, muitos deles, nem
entendiam aquilo que lhes acontecera. Recentemente, ofereceram algumas
vantagens aos heróis da FEB, mas quanto sofrimento eles não passaram antes
e quantos deles já mesmo estavam desaparecidos, sem usufruir das poucas
regalias que tardiamente o país lhes ofereceu. Meu pai precisou
desistir de uma aposentadoria que possuía, para a qual trabalhara e
contribuíra, para obter a concessão deste benefício. Ao falecer, como se
tratava de uma "pensão especial", um "prêmio" do governo brasileiro ao
ex-combatente, minha mãe - que também possuía sua própria aposentadoria,
por igualmente haver trabalhado e contribuído durante toda uma vida -
precisava, para recebê-la, desistir de seus próprios direitos. E não
pensem que se trata de um provento milionário. Insignificante face aos
benefícios dos anistiados... Claro que o caso foi aos tribunais.
Não poderíamos permitir que essa afronta acontecesse mais uma vez. Meu
irmão Miguel Ângelo advogado, assumiu a contestação desta injustiça e a
sua vitória abriu precedentes para outras viúvas de ex-pracinhas que se
encontrem nesta mesma situação. Muitas outras histórias poderia
contar, como a de uma amiga, que como eu desejava cursar medicina. Sua
capacidade intelectual assemelhava-se à minha. Poderia ter sido uma
excelente médica. Seu pai, ex-combatente, pobre alfaiate autônomo do
interior de São Paulo, não pôde bancar-lhe um cursinho preparatório para o
vestibular e nem poderia mantê-la por seis anos numa faculdade tão cara e
de retorno em longo prazo. Ela arquivou seu sonho e, professora, prestou
um concurso para o Banco do Brasil, onde recentemente aderiu ao plano de
demissão voluntária. Investiu em um pequeno restaurante o que recebeu do
Banco e, falida, não sabe atualmente como sobreviver. Esta a realidade de
um país que não valorizou os seus heróis e nem respeita os seus filhos,
mesmo os concursados... |

Um Herói nunca morre!
Simples História de
um Homem Simples
As Origens
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