FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 



Estudantes brasileiros satirizam o regime nazista em peça teatral
Foto do site da FGV - CPDOC: www.cpdoc.fgv.br

Muralha Anti-Semita

Inspiradas em idéias racistas, autoridades do Estado Novo impediram a entrada de refugiados judeus no Brasil
Maria Luiza Tucci Carneiro


Desde a instauração do Estado Novo, em novembro de 1937, o governo brasileiro procurou impedir a imigração dos judeus refugiados do nazismo e dos sobreviventes dos campos de concentração. Indiferentes ao drama vivenciado pelos judeus na Europa, as autoridades brasileiras optaram pela adoção de uma política imigratória seletiva e restritiva. Valendo-se de velhos argumentos anti-semitas, interpretaram essa imigração como uma ameaça à integridade étnica e religiosa da população, idealizada como branca e católica. Representantes do governo argumentavam que a pobreza e a exploração do homem trabalhador poderiam ser evitadas desde que o Estado selecionasse o emigrante interessado em ingressar no país. Critérios para a concessão de vistos de entrada no Brasil foram então adotados com base em doutrinas racistas em voga na Europa desde o século XIX, como o arianismo, o darwinismo social, o evolucionismo social e a eugenia. Somou-se a este ideário racista a tradicional crença na pureza de sangue herdada de Portugal e aplicada à sociedade do Brasil Colônia. Seduzidos pelo progresso alcançado pelos países de regime totalitário, alguns setores do mundo político e diplomático brasileiro apresentaram-se como partidários das teorias e práticas anti-semitas que mobilizavam os nazistas em prol da edificação de uma raça pura. Autoridades acreditavam que, proibindo a entrada de judeus no Brasil, estariam impedindo a proliferação de doutrinas perigosas à segurança nacional, como o comunismo e o socialismo, e também o ingresso no país de representantes de uma raça que consideravam inferior. A lógica era de que o equilíbrio social, racial e político só poderia ser alcançado por meio da intervenção direta do Estado que, sob a liderança de Getulio Vargas (1897-1954), se apresentava como capacitado a  transformar o Brasil numa nação forte e gerar um “novo homem” brasileiro. Por meio de ações preventivas e punitivas, o governo Vargas sustentou uma política imigratória anti-semita com o objetivo de garantir uma imigração saudável e civilizada. O discurso intolerante adotado pelos nacional-socialistas alemães foi adaptado à realidade brasileira, servindo como argumento político para impedir a entrada de imigrantes tidos como indesejáveis, entre estes os judeus, os negros e os japoneses. É importante lembrar que os refugiados judeus eram, em grande parte, profissionais liberais, comerciantes, intelectuais e ativistas políticos excluídos da sociedade alemã e dos países ameaçados de ocupação pelos nazistas desde 1933. Diante da Liga das Nações, o Brasil devia sustentar a imagem de nação identificada com os ideais democráticos e de defensor dos direitos humanos. Não convinha a divulgação de notícias de que o governo brasileiro era contrário à entrada e à presença de judeus no país. Qualquer prática anti-semita por parte do Estado Novo poderia identificá-lo com o ideário do governo de Hitler, que desde 1933 executava um plano de exclusão dos judeus da sociedade alemã, posteriormente transformado em plano de extermínio, ou “solução final”. Coube ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitir circulares secretas que regulassem a entrada dos judeus indesejáveis por sua “raça”. A primeira delas (nº 1.127, de 7 de junho de 1937) foi redigida na gestão do ministro Mario de Pimentel Brandão (1889-1959), das Relações Exteriores, com o objetivo de  combater o caráter  desordenado” e “tumultuado” desta emigração, que, para o governo brasileiro, deveria ser interrompida imediatamente. Ao assumir a chefia do Itamaraty em março de 1938, Oswaldo Aranha (1894-1960) deu continuidade a esta política de intolerância: emitiu a “circular secreta” nº 1.249 (de 27 de setembro de 1938), com o objetivo de “disciplinar” o fluxo dos judeus indesejáveis. Este controle, segundo o chanceler, era necessário, pois o Brasil havia sustentado, entre 1934-1937, “uma política francamente liberal no que diz respeito à entrada de semitas, dando lugar a que entrassem, de acordo com os cálculos fornecidos pelos próprios comitês israelitas, cerca de 200.000 semitas” – número incorreto, pois na década de 1930 a comunidade judaica brasileira não ultrapassava 50 mil pessoas. Preocupado com o “perigo judaico”, Aranha copiou estes números de um memorando de 15 de fevereiro de 1939 assinado por João Carlos Muniz, então diretor do Conselho de Imigração e Colonização (CIC), órgão governamental criado em 1938 para opinar sobre os casos de imigração coletiva –, segundo o qual “a raça de Israel ameaçava entrar em volumosas proporções” no território brasileiro. Existem pelo menos 24 circulares secretas anti-semitas emitidas pelo Itamaraty entre 1937 e 1948, além da primeira “ordem permanente de serviço”, que antecipava o teor racista da já citada circular nº 1.127. Este conjunto de proibições tinha conseqüências imediatas na vida daqueles que procuravam fugir das perseguições nazistas que culminaram, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, na morte de 6 milhões de judeus, além de milhares de ciganos, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e dissidentes políticos. Ao negar vistos aos judeus interessados em emigrar para o Brasil, o governo Vargas deixou de salvar milhares de vidas. Assim como o Brasil, outros países têm uma responsabilidade histórica diante da morte de milhares de judeus que, não conseguindo vistos para emigrar, acabaram seus dias nos campos de extermínio nazistas. É importante lembrar que, além das questões de “raça”, o CIC estava atento às posições políticas de judeus que, além do estigma racial, eram considerados perigosos para a segurança nacional por sua identificação com o comunismo ou com os movimentos antifascistas. Daí a consulta obrigatória ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, ao Estado-Maior do Exército e ao chefe da Polícia Política. Até 1941, coube ao Ministério das Relações Exteriores decidir sobre os pedidos individuais e coletivos; após esta data, a última palavra passou a ser dada pelo ministro da Justiça, Francisco Campos (1891-1968), anti-semita e fascista convicto. Este fato, no entanto, não diminui a responsabilidade do Itamaraty, que continuava intermediando as concessões dos vistos por intermédio dos diplomatas em missão no exterior. Apesar da postura anti-semita do governo brasileiro, imigrantes conseguiam entrar no Brasil com a ajuda das associações judaicas nacionais e internacionais. Por intermédio de líderes comunitários, essas entidades se valiam das brechas na Constituição de 1934, que instituíra no Brasil o regime de cotas para a imigração, estabelecendo determinado percentual de vistos para cada nacionalidade. Por esse sistema, mantido pela Constituição de 1937, os judeus poderiam obter vistos de entrada pelas cotas de várias nacionalidades, já que tinham diferentes origens: franceses, alemães, ingleses, tchecos, austríacos etc. O fato dos judeus serem avaliados como “raça”, ainda que cadastrados por sua religião (israelita), criava sérios embaraços às autoridades da imigração. Estas perceberam que, apresentando nacionalidades distintas, os refugiados tinham múltiplas oportunidades de entrada. Valendo-se de “cartas de chamadas”, muitos refugiados ingressavam como falsos católicos, agricultores ou técnicos. Outros depositaram em conta do Banco do Brasil o capital mínimo exigido pelo governo, 500 contos de réis, para a obtenção de vistos desta categoria, que, por se condicionarem a esse depósito, ficaram conhecidos como “vistos capitalistas”. No entanto, milhares não conseguiram obtê-los por não disporem da quantia necessária, dada a situação de penúria em que ficaram, decorrente do confisco de seus bens pelos nazistas. É impossível contabilizar o número de judeus que entraram ilegalmente com a ajuda das associações judaicas internacionais envolvidas no processo de resgate dos refugiados do nazi-fascismo. Essas instituições providenciavam passaportes e atestados de batismo falsos, empréstimos para a compra de passagens e estada provisória no Brasil, além de intermediarem o trânsito pelos territórios dos países que se mantinham neutros durante a guerra, como Portugal e outros. Entre os raros diplomatas brasileiros que ajudaram a salvar centenas de judeus figura o embaixador brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, aliás aposentado “a bem do serviço público” por desafiar as regras impostas pelas circulares. A partir de 1938, ao ficar sob a responsabilidade do CIC, a questão, que até então era racial e social, assumiu status de problema político. A intensificação do movimento imigratório exigia também uma reinterpretação da questão judaica, que estava na pauta das assembléias da Liga das Nações. Apesar da pressão internacional, a maioria dos diplomatas brasileiros continuou a avaliar os refugiados judeus como “raças estanques, psicopatas incubados, parasitas do asfalto e das boates, propagandistas ocultos de ideologias reacionárias, indivíduos perigosos à segurança nacional, inaptos física e mentalmente”. Salvo poucas e honrosas exceções, diplomatas clamavam por medidas de profilaxia no expurgo dos cidadãos judeus – preocupação que marcou as ações de Jorge Latour, em missão nas cidades de Varsóvia e Roma. Colhendo fragmentos de uma realidade deteriorada por onde transitavam velhos judeus, vagabundos e ambulantes, Latour procurou comprovar, por meio de fotografias e de relatórios anti-semitas, que não interessava ao Brasil receber aquele “tipo de gente” – ou seja, “judeus inúteis”. Entre 1938 e 1940, a situação internacional mostrava-se ainda mais tensa, em decorrência do avanço nazista na Europa. O Brasil, por sua falsa neutralidade, se apresentava ao mundo como uma incógnita, porém passível de ser manipulado pelos Estados Unidos, que tinham no chanceler Oswaldo Aranha seu principal aliado. Entre 1940 e 1941, o ministro da Justiça, Francisco Campos, criou novas leis imigratórias restringindo ainda mais a emigração judaica, que estava em declínio desde 1939. Em janeiro de 1941, o decreto nº 3.175 suspendeu toda e qualquer emissão de vistos, permitindo apenas a entrada de portugueses e americanos, com especial atenção aos artistas e capitalistas que pudessem depositar 400 contos de réis no Banco do Brasil. Vistos temporários seriam concedidos somente àqueles que, provenientes da América, comprovassem que poderiam retornar ao seu país de origem, regra nem sempre obedecida. No ano seguinte, a imigração judaica estava praticamente suspensa, apesar dos pedidos de socorro por parte de associações e comitês judaicos internacionais. Ainda que ligado aos países aliados, o governo Vargas não ajudou a salvar os judeus perseguidos pelo nazismo. A criação de um Lar Nacional Judaico – o futuro Estado de Israel, fundado em 1948 – foi considerada por Oswaldo Aranha uma fórmula adequada para desviar as correntes dos judeus deslocados de guerra e sobreviventes do Holocausto para a Palestina. Ao mesmo tempo, não convinha ao Brasil conviver com as várias comunidades judaicas da diáspora, organizadas e articuladas politicamente contra os regimes fascistas. As elites políticas brasileiras acreditavam na efetivação de um possível complô internacional comunista-judaico, o que explica a censura postal à comunidade israelita entre 1934 e 1948, a vigilância policial das associações judaicas brasileiras e a manutenção de circulares anti-semitas até 1948. Quando distante das pressões dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, assim como dos grupos de socorro internacional, o governo Vargas, portanto, adotou princípios anti-semitas em prol da “higienização” da raça brasileira. Neste contexto, duas palavras servem para classificar a atitude de dirigentes políticos diretamente ligados ao presidente: omissão e insensibilidade quanto ao destino de milhões de pessoas que tiveram por um momento todos os seus direitos suprimidos. O indeferimento de vistos a milhares de judeus foi um sinal claro do distanciamento do Brasil em relação à causa dos refugiados, cujo drama clamava, então, por soluções imediatas. Hoje, transcorridos 70 anos desde a promulgação da primeira circular secreta do Estado Novo, consideramos que a concentração de várias comunidades judaicas no território brasileiro representa conquistas coletivas, e exclusivas, do povo judeu no exílio. Afinal, para o governo brasileiro, o que estava em jogo eram as “situações de poder”, e não a vida de milhares de israelitas. O anti-semitismo não se fez por acaso: foi fruto da persistência de uma mentalidade racista sedimentada havia séculos no país e que, naquele momento, aflorou da maneira mais desumana possível.

Maria Luiza Tucci Carneiro é professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo e autora dos livros O Anti-semitismo na Era Vargas, 3ª ed., Perpectiva, 2001, e O Veneno da Serpente, Perspectiva, 2003.
Texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional - 01/05/2007 


Movimento anti-getulista
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Perigo Amarelo

Apontados como “súditos do Eixo”, suicidas e fanáticos, imigrantes japoneses foram perseguidos pelo governo brasileiro
Rosangela Kimu

Já pesaram sobre os japoneses, no Brasil e em boa parte do mundo, os mesmos preconceitos que estigmatizam hoje o povo árabe, sobretudo após os atentados de 11 de setembro de 2001. Desde os primórdios do século XX, os japoneses eram considerados os “terroristas, fanáticos e suicidas” que pretendiam desencadear um confronto sanguinário a fim de abrir passagem para suas mercadorias baratas e consolidar sua hegemonia na Ásia, e por ocasião da Segunda Guerra Mundial, tornaram-se o “perigo amarelo”. Mas no Brasil, já em seu início, em 1908, a história da imigração japonesa sempre foi cercada de ambigüidades. Se para os setores ligados à agricultura paulista os imigrantes nipônicos eram considerados os braços que poderiam incrementar as lavouras depois do decréscimo das levas imigratórias européias, para outros segmentos da sociedade, interessados na “melhoria da raça brasileira”, não passavam de uma raça feia e inferior, que em nada poderia contribuir para a “formação nacional”. Juntamente com outras minorias, os japoneses ocuparam o centro do debate étnico do Estado Novo – o governo ditatorial instaurado por Getulio Vargas (1937-1945). As teorias de depuração da raça influenciaram fortemente a discussão acerca de quem seriam os “povos indesejáveis” para o Brasil dentro da política imigratória. Assim, o discurso – embasado em teorias “científicas” – que associava japoneses a degenerescência racial, taras, distúrbios psíquicos, terrorismo e ameaça à soberania nacional transformou-os em “elementos indesejáveis”. Mas foi por ocasião da Segunda Guerra Mundial que cresceu o sentimento antinipônico. Logo após o ataque da Marinha japonesa à base americana de Pearl  Harbor, em dezembro de 1941, milhares de imigrantes japoneses e seus descendentes passaram a ser tratados como inimigos de guerra nos Estados Unidos, o que deu início uma série de ações repressivas. O Departamento de Justiça norte-americano calcula que, na Costa Leste dos Estados Unidos e no Havaí, mais de 120 mil cidadãos de origem japonesa foram enviados para campos de internamento. Na América Latina, milhares de imigrantes japoneses e seus descendentes também foram retirados de suas casas e internados nos campos norte-americanos. O “perigo amarelo” também freqüentou o imaginário popular no Brasil. A acusação de ser um “quinta-coluna” – ou seja, um agente ou colaborador de um suposto plano de invasão japonesa – afetou nipônicos e seus descendentes de várias maneiras. Em São Paulo, atribuía-se comumente aos japoneses a culpa de todas as privações que a guerra impunha aos brasileiros, até mesmo o racionamento de alimentos. Segundo alguns jornais, os japoneses eram “vampiros do solo”, praticantes de uma “agricultura predatória”, sendo eles os principais responsáveis pela escassez de gêneros de primeira necessidade de que sofria a população. Combinada a outros ingredientes, esta onda de histeria coletiva criada em torno de um perigo iminente acabou por fazer com que muitos imigrantes fossem expulsos da orla marítima brasileira. Essas transferências compulsórias ficaram conhecidas como “evacuações”. No litoral paranaense, imigrantes alemães, italianos e japoneses, chamados de “súditos do Eixo”, foram obrigados, em 25 de setembro de 1942, a desocupar todas as áreas até 60 quilômetros da costa em menos de 24 horas, sob acusação de espionagem e sabotagem. No litoral paulista, consta que cerca de 10 mil imigrantes, dos quais quase nove mil eram japoneses e os demais alemães e italianos, residentes na Baixada Santista, foram retirados de suas propriedades em 8 de julho de 1943. Muitos imigrantes japoneses retirados do litoral paranaense foram internados em campos de trabalho e, com o término da guerra, abandonados à própria sorte, na mais absoluta miséria.

Rosangela Kimura fez mestrado em História na Universidade Estadual de Maringá com a dissertação “Políticas Restritivas aos Japoneses no Estado do Paraná: 1930-1950 (de cores proibidas ao perigo amarelo)”, e integra o Grupo de Estudos sobre os Movimentos Autoritários do Século XX, da UEM.
Texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional - 01/05/2007 

 
Manifestação contra o fascismo em 1942, em frente à Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.
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Fascismo à Brasileira

Integralistas da AIB podiam admirar Mussolini e Hitler, mas nem todos comungavam inteiramente com as idéias nazistas, como a que pregava a “pureza racial”
René E. Gertz

Nos anos 1920/30, com a ascensão do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha, movimentos congêneres surgiram em várias partes do mundo. No Brasil, o escritor Plínio Salgado criou a Ação Integralista Brasileira (AIB), que apresentava semelhanças com o fascismo europeu. Tinha organização militarizada e seus adeptos usavam uniforme com camisa verde e uma braçadeira com a letra grega sigma, ao estilo da suástica nazista. A AIB conservava, no entanto, algumas diferenças em relação ao nazismo. Num país de mestiços, não insistia, por exemplo, na pureza racial, o que não impediu que o segundo homem na cúpula do partido depois de Salgado, Gustavo Barroso, fosse um fervoroso anti-semita. Os próprios integralistas diziam ter um milhão de adeptos, achando-se o maior número de filiados em São Paulo, seguido de Bahia e Santa Catarina. Mesmo que não se saiba quem eram os integralistas de São Paulo, e mesmo que os da Bahia provavelmente não fossem de origem alemã ou italiana, não há dúvida de que em Santa Catarina o integralismo era claramente mais forte nas regiões de colonização alemã e italiana. As eleições municipais de março de 1936 provaram que a maioria dos que votaram na Ação Integralista Brasileira se concentrava no vale do Rio Itajaí, tendo escolhido oito prefeitos e 72 vereadores integralistas na região. Também no Rio Grande do Sul, os maiores percentuais de integralistas estavam em municípios típicos de colonização alemã e italiana, mesmo que em número menor. Das escassas quatro cadeiras conquistadas em câmaras municipais nas eleições de novembro de 1935, três foram em Caxias do Sul e uma em Novo Hamburgo, cidades de colonização italiana e alemã, respectivamente. Para o público da época, e para muita gente até hoje, esse fato não requeria explicação, pois, sobretudo no que tange a alemães e descendentes, estava muito difundido o mito de que não se tinham integrado à nossa realidade e, mesmo sendo cidadãos brasileiros, nenhum deles tinha qualquer interesse pelo país. Ouvia-se dizer que quando falavam em “pátria”, eles se referiam à Alemanha. Comentava-se que conheciam o nome de todas as autoridades alemãs, mas que não teriam a menor idéia de quem fosse o presidente do Brasil e muito menos quem eram seus ministros ou quem fosse o governador de seu estado. Teriam formado “quistos étnicos”, à margem da sociedade e do Estado brasileiros. Com isso, teriam sido integralmente assimilados pelo nazismo. Com o apoio entusiástico desses leais “cidadãos no exterior”, a Alemanha teria tramado a divisão do Brasil. E os integralistas teriam se associado a esse projeto imperialista da Alemanha. No livro O punhal nazista no coração do Brasil, publicado por autoridades policiais de Santa Catarina em 1943, lê-se: “Do estudo da documentação apresentada, é de concluir: nazismo e integralismo são unos”. Parece lógico. Além disso, há indícios de que é verdade. Em Santa Catarina, um jornal em língua alemã (a Blumenauer Zeitung) fez propaganda para o integralismo e o nazismo; o livro das autoridades policiais catarinenses traz uma foto com sedes embandeiradas de diretórios integralista e nazista no mesmo prédio. No Rio Grande do Sul, o almanaque Der Heimatbote [O mensageiro da Pátria], de Santa Cruz do Sul, fez propaganda para ambos. No entanto, quem lê com atenção aquilo que se escreveu sobre esse tema acaba detectando problemas sempre que se tenta generalizar a lógica da identidade absoluta dos dois movimentos. Num outro livro da época, The nazi octopus in South America [O polvo nazista na América do Sul] (1943), do uruguaio Hugo Fernández Artucio, é dito que a “arrogância das autoridades alemãs em Santa Catarina [evidentemente, consideradas nazistas] ia a ponto de tentar proibir que a Ação Integralista Brasileira se organizasse naquele estado”. Passagens deste tipo têm sido utilizadas de forma totalmente acrítica por autores contemporâneos. É notório que o integralismo teve uma expansão muito significativa no estado, fato que mostraria “uma dicotomia entre a cúpula dirigente germânica e os membros da colônia”. Diante de constatações desse tipo, o pesquisador é obrigado a perguntar se a Alemanha efetivamente tinha controle absoluto sobre alemães e descendentes, como prega a tese do “perigo alemão”, difundida no Brasil desde, pelo menos, 1870, pois se as “autoridades alemãs” tentaram agir contra o integralismo em Santa Catarina e mesmo assim ele floresceu, a propalada manipulação absoluta da população por parte dessas “autoridades alemãs” não existia. Mesmo tentativas mais sofisticadas, que recorrem a traços culturais, também não vão longe antes de caírem em contradição. No seu livro Nacionalismo e identidade étnica, a antropóloga Giralda Seyferth afirma: “É muito difícil pensar em centenas de pessoas identificadas com um nacionalismo essencialmente antibrasileiro [germanismo/nazismo], filiadas a um partido nacionalista brasileiro [integralismo]”. Na verdade, só se consegue entender o que houve nas regiões de colonização alemã do sul do Brasil naquela época, quando se descartam alguns mitos. É evidente que uma narrativa com espetaculares trombadas entre superespiões rivais, em meio a uma população exótica e alienada, com suspeitíssimos mapas contendo diabólicos planos de dilaceração do Brasil desenrolando-se pelo chão, é muito mais empolgante do que uma história em que não aparecem evidências da estocagem de milhares de mortíferas armas marcadas com o sigma e a suástica; ou uma história que não consegue confirmar que cidadãos brasileiros loiros escalavam as escarpas do litoral na calada da noite para, com lamparininhas de querosene, guiar submarinos nazistas ao destino certeiro para garrotear o Brasil. Isso não significa que não tenha havido intensa espionagem nazista no Brasil. Ela está descrita no livro A guerra secreta de Hitler no Brasil, do historiador Stanley Hilton. Fato, porém, é que a população de origem alemã do sul do Brasil não teve nada a ver com isso. Um dos espiões citados nesse livro se hospedou num hotel do Rio de Janeiro dizendo que era “catarina”, mas era espião profissional, vindo de fora. O que está mais próximo da verdade histórica? Primeiro, a alienação política da população de origem alemã do sul do Brasil, um pressuposto das versões “fascinantes” dessa história, é uma lenda. No Rio Grande do Sul, o controle dos governadores Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros sobre as regiões de colonização alemã e italiana, com prefeitos e vereadores impostos, pode ter dado a impressão de desinteresse e alienação. Mas logo que o poder quase absoluto de Borges foi quebrado pelo Pacto de Pedras Altas, que pôs fim à revolução de 1923, isso mudou. O acordo proibiu Borges e os prefeitos de serem reeleitos, além de conceder anistia geral aos revoltosos, o que permitiu que nas “colônias” se instituíssem práticas republicanas, como “prévias eleitorais”. Isto propiciou uma intensa mobilização política nos municípios coloniais. Se nas eleições municipais de 1928 em Porto Alegre, por exemplo, compareceram míseros 4% da população, em muitos desses municípios perto de 40% da população votou. É a partir de dados assim que se pode entender por que cerca de 20% dos eleitores de Novo Hamburgo, uma das “colônias alemãs” mais típicas do Rio Grande do Sul, tenham votado no integralismo nas eleições municipais de 1935. Esses dados mostram que é a situação política local que explica o relativo sucesso do integralismo nesse município, e não uma ordem de Hitler, transmitida em código pela Rádio de Berlim. Em Santa Catarina, o sucesso da AIB se explica de forma muito racional, e sem qualquer mistério, pela tradicional rivalidade entre as famílias Ramos e Konder, e a influência desta última no vale do Itajaí. Os Konder dominavam a política catarinense pelo menos desde 1914. Na Revolução de 1930, apostaram no candidato do governo, Júlio Prestes, e os Ramos, em Getulio Vargas. Com a vitória, os Ramos começaram a desforra contra os Konder, que se manifestou numa brutal perseguição a toda a população, com cenas de guerra civil desde o primeiro dia. Assim, as duas famílias acabaram perdendo seu eleitorado, abrindo espaço para os candidatos integralistas. Também ali, não foi uma ordem de Berlim que levou os eleitores a votar nos “camisas-verdes”. É a relação nazismo e integralismo? Mais uma vez, é preciso deletar mitos. Apesar de eventuais exceções, nem a diplomacia alemã nem as principais instâncias do Partido Nazista apostaram cegamente no integralismo. Alguns integralistas, por sua vez, destacavam que nada tinham a ver com o nazismo.  Segundo o professor Luís Edmundo de Souza Moraes, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o número de nazistas em todo o Brasil não chegava a três mil. Cerca de 500 estavam registrados no Rio Grande do Sul, e mais ou menos o mesmo número em Santa Catarina. Com muita freqüência, brigavam com as lideranças tradicionais das “colônias” e, nesses casos, se aliavam, por vingança, aos integralistas, que tinham um discurso nacionalista. Isso explica o fato de que um mesmo jornal fizesse propaganda integralista e nazista. Há mais uma questão: o mito da total homogeneidade político-cultural das regiões de colonização alemã leva à conclusão de que nazistas e integralistas eram “tudo a mesma coisa”, só porque tinham sobrenomes alemães. Essa visão levou a alguns absurdos. Depois da implantação da ditadura de Vargas, em 1937, o prefeito “integralista” de Blumenau, por exemplo, foi ruidosamente derrubado, e em seu lugar colocou-se o vereador “integralista” mais votado do município. A diferença entre ambos foi que o primeiro se chamava Alberto Stein, o segundo José Ferreira da Silva. 

René E. Gertz é professor dos Departamentos de História da PUC-RS e da UFRGS e autor de O fascismo no sul do Brasil. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.
Texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional - 01/05/2007 


Declaração de Guerra
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A POLÍTICA PRÓ-NAZISTA NO BRASIL E A LUTA NOS BASTIDORES

O Brasil dos anos 30 ainda era uma nação agrícola. A maior parcela da população vivia no campo e, politicamente, ressentia-se das revoluções e pronunciamentos militares da década de 20. Os anos 30 iniciaram-se com a Revolução que colocou Getúlio Vargas na Chefia do Governo. Durante seu mandato, ele procurou amoldar a situação política, disposto a apoiar a indústria para tornar o Brasil um país desenvolvido. Imersos em seus problemas internos, o Governo e a opinião pública davam pouca atenção aos acontecimentos que se desenrolavam na Europa. A ascensão do nazismo e a quebra dos compromissos do Tratado de Versalhes começavam a preocupar alguns membros do Governo; era evidente que a face da Europa mudava rapidamente e uma nova guerra se aproximava. O Governo nazista espantava o mundo com o rápido e grandioso ressurgimento da Alemanha que, dos escombros da I Grande Guerra, manietada pelo Tratado de Versalhes, rompeu os grilhões, transformando-se numa potência de primeira linha, sob a chefia de Adolf Hitler. A política expansionista da Alemanha, graças à complacência dos demais países europeus, estendia-se muito além de suas fronteiras, procurando incentivar as minorias raciais alemãs em outros países a agirem em defesa dos interesses do III Reich, mesmo que isso fosse contrariar interesses da nação que os abrigava. No Brasil, os estados do Sul, notadamente Santa Catarina e Rio Grande do Sul, tinham colônias de imigrantes da primeira e segunda gerações que passaram a sofrer pressão política emanada de Berlim, na tentativa de criar, através dessa minoria, algo semelhante ao que existia na região dos Sudetos, na Tchecoslováquia - essa circunstância serviu, posteriormente, de pretexto para anexação deste país à Alemanha. O noticiário da agência alemã Transozean, dirigida pelo notório Dr. Goebbels, exercia forte influência sobre essas minorias raciais. Por ordem direta do Marechal Goering, foram organizadas, em todo distrito brasileiro que abrigasse número suficiente de súditos alemães, unidades de combate filiadas às S.A. (Sturmabteilung). Essas unidades paramilitares estavam bem camufladas em clubes recreativos, esportivos, e sempre que possível, compareciam às festas cívicas, com o objetivo de conquistar novos simpatizantes. Em 1938, o Governo brasileiro estava atento ao problema, tanto que os estados sulinos começaram a tomar algumas medidas. Como interventor do Rio Grande do Sul, o General Cordeiro de Farias procurou, por todos os meios, tolher as influências dessas atividades políticas alienígenas, combatendo no terreno da política o mesmo nazismo com que, anos depois, como comandante de artilharia da FEB, se defrontaria nos campos de batalha da Europa. O Embaixador alemão no Brasil, Ritter, exercia atividades além dos limites permitidos a diplomatas, obrigando o Governo brasileiro a negociar sua retirada, por considerá-lo "persona non grata". Em carta enviada a um diplomata brasileiro sediado em Roma, o Chanceler Oswaldo Aranha determinou que ele procurasse o Conde Ciano, Ministro das Relações Exteriores da Itália fascista, e solicitasse seus bons ofícios para conseguir um entendimento, afim de amenizar a crise criada entre Alemanha e Brasil pela retirada do Embaixador Ritter, a pedido do Governo brasileiro. Para ressaltar a gravidade desses problemas, convém reproduzir um trecho do documento assinado por Oswaldo Aranha, no qual se pode aquilatar a política adotada junto às colônias alemãs pelo Governo nazista: "Os novos alemães, porém, mandados pelo Governo alemão, querem mudar essa situação. Resolveram organizar aqui seu partido, não para alimentar a tradição e a fidelidade raciais, que nós compreendemos e até facilitávamos, mas para obrigar e compelir os velhos alemães a obedecerem ao credo nazi, sob pena de martirizarem na Alemanha os seus parentes e tomarem os bens dos que não quiseram vender. Isso não é possível. Temos de protegê-los custe o que custar. Não impediremos ninguém de voltar à Alemanha, mas os que preferirem ficar terão a proteção do Brasil e a continental. Não queremos minorias, nem formadas por nós, nem pela Alemanha; todos são e continuarão a ser brasileiros. Não temos a menor queixa da gente alemã do Brasil, mas unicamente desse que quer vir, dentro de nossas fronteiras, tão abertas para entrar quanto para sair, impor normas e regras que não são nossas e com objetivos contrários a nós." Assim, antes mesmo da conflagração européia, e bem antes de o Brasil ingressar no conflito, homens do Governo, pessoas esclarecidas como Oswaldo Aranha, já defendiam nossa soberania contra o imperialismo nazista. Os alemães já faziam o Brasil figurar em mapas, como o existente em Leipzig, do lnstitut für Auslandskunde, Grenz und Auslanddeutsch, que exibia um mapa da América do Sul como um demonstrativo das minorias teutas. Por ele se podia verificar o número de cidades gaúchas com maioria alemã: Novo Hamburgo, São Leopoldo e Marcelino Ramos, entre outras. Já não se tratava do perigo das minorias alemãs: em muitas localidades, a minoria era de brasileiros. Essa política não passou despercebida aos Estados Unidos que procuravam atrair o Governo brasileiro, visando a possível extensão do conflito, àquela altura bem delineado na Europa. As autoridades americanas tinham consciência de que a guerra total, como estava sendo planejada pelos nazistas, não permitiria o status da neutralidade outrora respeitado. A participação no conflito era uma questão geográfico-estratégica, não importando o estrito cumprimento das regras e convenções por parte do país neutro; a estratégia militar predominava sobre qualquer outra consideração e, na Europa, a invasão da Noruega, Dinamarca, Holanda e Bélgica comprovaria esse novo conceito de guerra total. O chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, General Góis Monteiro, convidou o General Marshall a visitar o Brasil e ele desembarcou do navio Nashville, no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 1939. O General visitou vários estados brasileiros, sobretudo no Sul, onde foi recebido pelo General Leitão de Carvalho, comandante da 3ª Região Militar. De acordo com o interventor do Estado do Rio Grande do Sul, General Cordeiro de Farias, a grandiosa recepção chegou a comover o militar americano, que pôde avaliar pessoalmente a situação de nossas Forças Armadas. Atendendo a convite, o General Góis Monteiro seguiu junto com o General Marshall na volta deste aos Estados Unidos, criando-se condições para que as duas autoridades militares estabelecessem conversações. A iniciativa tinha o objetivo de anular em parte o convite feito (e aceito) pelo Governo alemão para que o General Góis Monteiro visitasse a Alemanha nazista. Na correspondência que enviou ao Presidente Vargas, o General Góis Monteiro manifestou a admiração que passou a ter pelos Estados Unidos, enfatizando que sua viagem à Europa (Alemanha) tornava-se agora muito importante, para colher ensinamentos na área profissional. O General Góis Monteiro disse também que havia conversado sobre o assunto com o General Marshall, comprometendo-se a remeter um relatório ao militar americano, afim de contar o que veria na Europa. Os militares sul-americanos, em geral, admiravam a técnica e a bem montada organização militar alemã. Era uma admiração baseada no aspecto puramente profissional, e nunca no ideológico. Admitia-se a superioridade das forças militares nazistas e se acreditava numa vitória final alemã na Europa. Essa crença, ou convicção nos meios castrenses, era um obstáculo à aproximação política com as potências ocidentais, fato que sempre foi bem explorado pela quinta-coluna. Os americanos não escondiam a preocupação com a defesa das áreas Norte e Nordeste, porque, se caíssem nas mãos inimigas, o poder naval dos Estados Unidos estaria ameaçado. Eles sabiam que o Canal do Panamá era vulnerável a ataques aéreos que partissem daquela região. Com o recrudescimento da política expansionista dos nazistas na Europa, tornou-se intensa a troca de mensagens e de visitas entre membros dos Governos brasileiro e norte-americano. Nessa mesma época Oswaldo Aranha partiu em missão aos Estados Unidos, onde foi recebido em audiência pelo Presidente Roosevelt. O Chanceler brasileiro, aliás, previa a inevitabilidade da guerra, tanto que alertou o Presidente Vargas para a necessidade imperiosa de preparar o Brasil para enfrentar a crise internacional, aconselhando a adoção de medidas preparatórias, entre as quais a arregimentação da opinião pública. Como veremos adiante, esse prudente conselho não foi seguido à risca: a opinião pública brasileira não foi arregimentada para a guerra e tampouco para a paz, como se verificará quando for tratada a desmobilização da FEB. A propaganda nazista no Brasil era orquestrada. No Rio de Janeiro, então capital do País, dois jornais (um matutino tradicional, Gazeta de Notícias, que já circulava no século passado, e um vespertino, moderno, denominado Meio-Dia) veiculavam toda a propaganda a favor da Alemanha. Eram abastecidos pelas agências alemãs e italianas de notícias, e recebiam das respectivas embaixadas material de propaganda e apoio. Dessa forma, mesmo sem ampla circulação, tinham bastante influência. A propaganda era bem feita e bem dirigida, mostrando o lado construtivo, as realizações da nova ordem alemã. O lado sombrio, os campos de concentração, a cruel perseguição aos judeus, a Gestapo, nada disso era mencionado. O que se veiculava, além das vitórias nazistas, era o tema de apoio ao trabalhador, denominado "Força e Alegria", as realizações culturais, as grandes obras de engenharia, o ressurgimento econômico. Apesar do volume de publicidade nunca visto antes - o Dr. Goebbels foi um pioneiro da propaganda para massas -, o povo brasileiro, porém, não se deixava iludir, o que levou Oswaldo Aranha a dizer com propriedade e acerto que 90% da população eram a favor da democracia ocidental e contra o nazismo.
"A FEB por um Soldado"
Joaquim Xavier da Silveira


No sul do Brasil, grupos de colônias alemãs mostravam abertamente seu apoio ao regime de Hitler.
Foto escaneada do livro "Os Brasileiros e a Segunda Guerra Mundial"
Francisco César Ferraz

Um Herói nunca morre!

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