FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 


Cemitério de Pistóia - 1945

 

O RETORNO DOS MORTOS

 

 

 

Escuta Deus,
jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te:
Bom dia! Como vais?

Sabes? Disseram que tu não existes
e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
vi teu céu estrelado
e compreendi então que me enganaram.

Não sei se apertarás minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo
achei a luz para enxergar teu rosto.
Dito isto já não tenho muita coisa a te contar.
Só que... que...
tenho muito prazer em conhecer-te.

Faremos um ataque à meia noite.
Não tenho medo.
Deus, sei que tu velas...
Ah! É o clarim!
Bom Deus, devo ir-me embora.
Gostei de ti, vou ter saudade.

Quero dizer, será cruenta a luta,
bem o sabes,
e esta noite pode ser que eu vá bater
a tua porta!
Muito amigos não fomos é verdade...

Mas sim... estou chorando!
Vê Deus, penso que já não sou tão mau.
Bom Deus, tenho que ir.
Sorte é coisa bem rara.
Juro porém que já não receio a morte...

Encontrado no bolso da farda de um Soldado Desconhecido, 
morto no primeiro ataque a Monte Castello.


Enterro de um soldado brasileiro, no Cemitério de Pistóia, precedido pelos nossos capelães.
Foto escaneada do livro "Eu estava lá!" de Elza Cansanção.

O repatriamento dos mortos da FEB sempre foi uma preocupação na vida do Marechal Mascarenhas, como relatou em suas memórias: "Minha obra de Comandante da FEB ficaria incompleta se não trasladasse para o Brasil os despojos dos que tombaram na campanha da Itália. Eu os levei para o sacrifício, cabia a mim trazê-los de volta para receberem as honras e a glória de todos os brasileiros." (Memórias, p. 585.) Foi uma tarefa ingente; havia uma série de obstáculos, inclusive a idéia de sepultá-los em seus Estados de origem, além de haver em Pistóia uma surda e natural resistência a essa mudança. O cemitério militar em Pistóia, muito bem cuidado, se transformou num ponto obrigatório de turistas brasileiros e mesmo de estrangeiros que passavam pela Itália. Zelava por esse cemitério um antigo febiano, que se radicou na Itália e recebeu esse encargo do governo. Quando o governo brasileiro decidiu trasladar os corpos, resolveu também construir em Pistóia um belo monumento que perpetuasse o cemitério militar e fosse uma manifestação de agradecimento à "Comuna" de Pistóia que, durante todos esses anos, guardou com tanto carinho e veneração os corpos dos que tombaram na campanha da Itália. Por decreto assinado em 10 de outubro de 1952, foi criada a Comissão de Repatriação dos Mortos do Cemitério de Pistóia, cabendo ao Marechal Mascarenhas a presidência da Comissão, cargo que ocupou até a conclusão dos trabalhos. A Comissão, composta de representantes das três forças armadas e de outras entidades federais e estaduais envolvidas no assunto, tinha também como incumbência erigir um monumento aos mortos da II Guerra Mundial. A Comissão do Governo do então Distrito Federal, através do Prefeito Alim Pedro, conseguiu a concessão de uma área no Aterro da Glória, obra de expansão da via litorânea, que estava em final de conclusão. Um local nobre, de frente para a entrada da Baía de Guanabara, permitindo que o pórtico do monumento a ser erigido fosse um prolongamento do eixo da Av. Rio Branco. A obra da construção iniciou-se em 24 de junho de 1957 e foi concluída em 24 de junho de 1960. A exumação dos restos mortais foi promovida por uma comissão especialmente criada por decreto de 20 de julho de 1960 e presidida pelo General Oswaldo de Araújo Mota que, na Itália, tomou todas as providências necessárias. A transferência dos corpos, em urnas especiais, coube à Comissão Militar de Trasladação, cujo presidente era o General Cordeiro de Farias. Ficou estabelecido que as urnas, em vez de virem para o Brasil em navios de guerra, seriam transportadas por aviões militares da FAB. Nessa trasladação quase ocorreu uma tragédia num episódio pouco divulgado, menos ainda lembrado. O percurso aéreo Itália - Rio de Janeiro previa, entre outras, uma parada técnica em Lisboa. Nas manobras de aproximação do Aeroporto de Lisboa, um dos aviões sofreu um acidente na aterragem, quebrou a asa e teve um início de incêndio. Alguns tripulantes e passageiros tiveram ferimentos leves, mas todos ficaram profundamente traumatizados com o acidente e com os possíveis danos à preciosa carga que levava o avião. Em seu depoimento, Cordeiro de Farias, que estava a bordo, conta com detalhes esse episódio ligado à história da FEB. As urnas não sofreram danos de monta e puderam ser reparadas para prosseguirem viagem em outro avião. A carga chegou no dia 16 de dezembro de 1960 ao Aeroporto do Galeão, onde permaneceu por alguns dias, sendo depois levada para o Palácio Tiradentes, então sede do Congresso Nacional. No dia 22 de dezembro, em solenidade de grande imponência, as urnas foram transportadas em cortejo por ex-combatentes, soldados e parentes até o Monumento. Coube ao Marechal Mascarenhas, juntamente com ex-expedicionários, levar uma urna, entregando-a em mãos ao Presidente da República, Juscelino Kubitschek, que a colocou em túmulo especial, coberto por uma lápide negra contendo a seguinte inscrição: "O BRASIL AO SEU SOLDADO DESCONHECIDO." A construção do monumento, com escolha das suas linhas arquitetônicas, foi objeto de muita controvérsia. A comissão encarregada escolheu o projeto idealizado pelos arquitetos Hélio Ribas Marinho e Márcio Konder Neto, entre mais de 30 projetos apresentados. Esses arquitetos idealizaram um monumento moderno, inovador e arrojado, no qual erguia-se em uma plataforma um pórtico monumental com duas colunas que subiam e eram ligadas em cima por um elemento ligeiramente côncavo como a palma de uma mão. O conjunto simbolizava dois braços e mãos na posição de prece. A escadaria monumental que dá acesso à plataforma contribui para a imponência do conjunto, que contém ainda outros elementos artísticos, concebidos para ressaltar a harmonia do monumento. Houve reações a essa linha moderna escolhida, mas as várias opiniões foram aos poucos se conciliando, e não se pode deixar de reconhecer, independentemente do critério ou do gosto de cada um, que a singela beleza da cripta induz o visitante a uma atitude de recolhimento e respeito. Lá se encontram sepultados, e enquadrados numa ordem simétrica, os corpos daqueles brasileiros, homens do povo, que atravessaram o Atlântico e morreram lutando pela Pátria e pelo ideal supremo da liberdade. Na solenidade de trasladação dos corpos, o Presidente da República, em sua oração em nome do Governo que representava, declarou que a presença daqueles pracinhas mortos se fazia necessária: "O Brasil precisava de seus mortos como exemplo para os vivos." Frase de rara felicidade. 

"A FEB por um Soldado"
Joaquim Xavier da Silveira


Enterro de  soldado brasileiro em Pistóia.
Foto escaneada do livro "Eu estava lá!" de Elza Cansanção.

Monumento Votivo Militar Brasileiro
Cemitério de Pistóia

A 2 de dezembro de 1944, precisamente em um dos dias mais penosos da Divisão Brasileira na frente de combate, o Capelão Militar Padre Noé Pereira benzeu cerca de setenta mortos da FEB, a serem sepultados nas vizinhanças da Igreja de San Rocco, distante três quilômetros do centro da cidade italiana de Pistóia. Nascia na Itália o primeiro chão de nossos mortos: o Cemitério Militar Brasileiro. Finda a guerra, preocupou-se o General Mascarenhas em recolher e reunir em Pistóia os corpos espalhados por outros cemitérios aliados, trabalho completado, muitos meses depois, pelo adido militar junto à nossa embaixada em Roma, que conseguiu encontrar outros restos mortais em terrenos de Monte Belvedere, de Vergato, de Montese e de Alessandria. Em janeiro de 1946, criou-se uma Seção da Guarda do Cemitério, extinta em junho de 1947, transferidos os cuidados a um zelador subordinado ao nosso cônsul em Florença. Em Pistóia, ficou um pedaço da FEB, de significação semelhante ao Monumento Nacional. Primeiro, ali esteve o Cemitério Militar Brasileiro, primoroso jardim de nossa saudade ao pracinha que não voltou, com as suas 465 cruzes brancas. A entrada, estava o pórtico com dístico e distintivos militares. Ao centro, a grande cruz de madeira, grinaldas e coroas de bronze. Sobre um pedestal, Nossa Senhora da Aparecida. Ao fundo, em alto mastro, a Bandeira Brasileira. Depois que os nossos mortos voltaram, o Presidente Castello Branco mandou erguer, no campo santo de Pistóia, o Monumento Votivo. Mascarenhas iniciou as gestões. Cedida generosamente, pela Itália, a posse perpétua do terreno, os Ministérios da Guerra e das Relações Exteriores deram-se as mãos para construí-lo, inaugurando-o a 6 de junho de 1967. Olavo Redig de Campos, o arquiteto. construiu longo muro de pedras a emergir do espelho das águas. Olhando o muro, a esplanada de mármore, onde se elevam a pira, de chama perene, e o altar. Gravados no muro de pedras, os nomes dos nossos heróis. Gravados ao longo do caminho de mármore que conduz ao altar, os nomes dos combates que vencemos. Gravada no chão — em extensas lâminas de mármore branco — a grande cruz, de nossa fé e de nossa saudade.

Nêodo N. Dias Jr.
Texto do site
http://www.cfh.ufsc.br/feb/56_anos_depois/5_.htm


Eles também precisavam enterrar seus mortos: cortejo fúnebre alemão.
Foto escaneada do livro "Eu estava lá!" de Elza Cansanção.

INSTALAÇÃO DO CEMITÉRIO MILITAR DE PISTÓIA
 
A Força Expedicionária Brasileira, como as demais forças aliadas envolvidas no segundo conflito mundial, teve a necessidade de instalar seu Cemitério Militar, como conseqüência natural de suas ações de combates. Assim quando a 1ª DIE profundamente empenhada em combate na cordilheira dos Apeninos contra a linha gótica, em pleno inverno no mês de Novembro de 1944, seu Comandante General de Divisão  João Baptista Mascarenhas de Moraes determinou, de acordo com Autoridades do 5° Exército dos Estados Unidos da América do Norte, que uma comissão composta de brasileiros e americanos, escolhesse um terreno, na Província de Pistóia, onde estava o Quartel General Recuado, para proceder à organização do Cemitério Militar. Pistóia situada fora da zona de ação na época, alem do QG citado tinha também um Hospital de campo, armazéns de materiais e vários serviços necessários ao desenvolvimento das atividades bélicas na linha de combate, a cerca de 30 quilômetros desta cidade. Foi escolhido um terreno na localidade de São Roque, 5 quilômetros do centro de Pistóia, nas proximidades do Cemitério Municipal e da Igreja do lugar. Aprovada a escolha do terreno, em 2 de Dezembro de 1944 foi feita a requisição militar pelo Ajudante General do EM Especial da 1ª DIE, Cel. Oswaldo Araujo  Motta, que juntamente com o 1° Tenente R. F. Fitzsevald, este representando o Comandante da Engenharia do 5° Exército, receberam o terreno de seu proprietário Advogado Pietro Landini. A área requisitada inicialmente era 15 389 metros quadrados, com uma frente de aproximadamente 200 metros, indo desde o Cemitério de São Roque, já citado, até o cruzamento da antiga "via Carota e Molina" com "via Sei Arcole" que fronteja o Cemitério Brasileiro. Os organizadores reservaram uma faixa distando de quatro metros do Cemitério Brasileiro, para uma pequena estradinha, que limitou a parte Sul do Cemitério dos brasileiros, de onde foi iniciado o jardim que circunda todo o local destinado às Sepulturas. Na mesma data o recinto foi abençoado pelo Capelão Militar Padre Noé Pereira, na presença do Capelão Chefe do Serviço Religioso católico Tenente Coronel João Pheeney de Camargo e Silva, ambos efetivos da 1ª DIE. Participaram da solene cerimônia o 1° Tenente I. E. Lafayette Vargas Moreira Brasiliano; todos os Oficiais e praças do Pelotão de Sepultamento e muitos outros militares da Tropa Brasileira, vindos a Pistóia especialmente para assistir o ato que consagrava aquela terra destinada a acolher os heróis brasileiros tombados no cumprimento do dever militar, além mar, em terras da Itália. O 1° Tenente Lafayette Vargas Moreira Brasiliano, Comandante do 1° Pelotão de Sepultamento da Tropa Especial da 1ª DIE foi o verdadeiro organizador do Cemitério, tendo como Sub-Comandante o 2° Tenente Copérnico Arruda Cordeiro e ainda o 2° Tenente Dalton Santos Martins da Costa que, entre eles e segundo necessidade do serviço revezavam o cargo de Sub-Comandante. Coincidiu a organização do Cemitério com a parte mais intensa da campanha na Itália. Rapidamente o terreno foi demarcado e dividido em doze quadras; entretanto, com grande habilidade o Tenente Lafayette, prevendo que nem todas seriam utilizadas, iniciou os sepultamentos pela quadra central, que tem como base o lado do Cemitério de "San Rocco" já citado. As quadras foram dispostas em coluna por três, e marcadas com letras maiúsculas do alfabeto. A quadra "A" foi a primeira do centro, seguida da quadra "B" na mesma fila; à esquerda da central estavam a quadra "C" e a quadra "D"; na fila, à direita da central, estava a quadra "E" que foi destinada a dar sepultura aos alemães recolhidos pelos brasileiros após os combates. O 1° Pelotão de Sepultamento que fora constituído desde julho, quando o 1° Escalão da FEB ainda se aproximava da Europa, prestando assistência a pracinhas tombados em cumprimento de dever militar, contava agora como lugar seguro para desempenho das tarefas de Comando e de Administração. Os primeiros brasileiros mortos em combate perto do litoral Tirrênico, tinham sido sepultados nos Cemitérios Militares dos Aliados, e até mesmo em Cemitérios Municipais da Itália; mas a  partir de Dezembro de 1944, já vinham diretamente para o Cemitério Brasileiro. Todos aqueles mortos anteriormente foram transladados para Pistóia, único Cemitério Militar brasileiro no exterior. Após o termino do conflito a área  empenhada pelo Cemitério foi reduzida a cerca da metade, pois era suficiente para acolher os 450 mortos em solo italiano, inclusive 8 Aviadores Pilotos da FAB. No Cemitério ficou a guarda do Exército brasileiro, até maio de1947, quando foi designado para a guarda e manutenção o Sargento Miguel Pereira, integrante da FEB, que resgatou os corpos dos companheiros com um meticuloso trabalho de pesquisa em todos os locais  atingidos pelo soldados brasileiros. Foram assim resgatados 8 entre os 23 desaparecidos que constavam na lista de baixas. Em dezembro de 1960 sob forte pressão do Marechal Mascarenhas de Moraes os despojos foram transladados para o Monumento aos Mortos da 2ª Guerra Mundial no aterro da Glória – bairro Flamengo do Rio de Janeiro – onde ainda repousam.

Mário Pereira
Administrador Monumento Votivo Militar Brasileiro


Nossas cruzes brancas em Pistóia

 

Esta terra sagrada foi sepultura dos soldados brasileiros mortos no campo da honra pela dignidade da pessoa humana...

Assim está escrito no monumento aos soldados brasileiros mortos na campanha da Itália, no lugar que foi o nosso cemitério militar, um campo entre oliveiras, perto da Igreja de San Rocco, em Pistóia. A terra sagrada escapou de virar plantação de cebolas ou campo de futebol porque, depois que os corpos foram transladados para o Rio, em dezembro de 1960, houve um período de incertezas; diante da inação de nossas autoridades, é natural que alguém em Pistóia reivindicasse o terreno para outros usos. E a idéia de um monumento foi, entretanto, avante, e em boa hora o projeto foi encomendado ao arquiteto Olavo Reidig de Campos, que fez um trabalho expressivo, mas sóbrio. Quatro cedros prateados e muitos ciprestes orlam o retângulo em que há um jardim de pedras e flores. O monumento foi inaugurado em 7 de junho de 1966; em 7 de junho de 1967, foi a ele recolhido mais um morto, não identificado, cujo corpo foi encontrado em Montese. O subtenente da reserva Miguel Pereira, antigo combatente, que se casou com uma jovem italiana, é o encarregado de zelar pelo monumento, onde palpita uma chama perene; quatro guardas de Pistóia revezavam-se na vigilância de 24 horas por dia, e há também um jardineiro. O gaúcho (de Santa Maria da Boca do Monte) Miguel Pereira mostra-nos o monumento, e quando batem as seis horas, nos convida a recolher a bandeira brasileira, que é hasteada diariamente às oito da manhã. Na pequena construção ao lado, onde estão algumas lembranças da guerra e o livro dos visitantes, ele gostaria de ter uma fotografia grande, boa, do Monumento aos Pracinhas do Rio. Diz que antigamente, todo Dia de Finados vinha alguém do Brasil - um oficial, uma viúva de guerra, um mutilado, um corneteiro, uma enfermeira... - trazendo flores de nossa terra para os mortos. Depois que os corpos foram removidos, isso não se fez mais; agora, que um soldado brasileiro desconhecido descansa ali, ele acha que essa prática piedosa deveria ser retomada. Aqui fica a sugestão para as associações de ex-combatentes: flores, no dia dos mortos, para o nosso pracinha solitário e anônimo que ficou na Itália. Visitamos o antigo QG Recuado na Piazza San Lorenzo, onde tantas vezes dormimos - os correspondentes Raul Brandão, do Correio da Manhã, Egídio Squeff, de O Globo, Joel Silveira, dos Associados, Thassilo Mitke, da Agência Nacional, Harry Bagley, da Associated Press, Allan Fisher e Frank Norall, da Coordenação de Assuntos Interamericanos, e eu, do Diário Carioca. O velho quartel bombardeado é hoje uma grande fábrica de móveis; ali junto, estranhamos alguma coisa no antigo hospital que a certa altura acolheu feridos e doentes brasileiros, o Ospedale del Ceppo, uma construção que vem da Idade Média. É que durante a guerra havia sido coberto e protegido o friso de terracota esmaltada de Guido dei la Robbia que desde o século XVI embeleza a fachada.Pistóia é hoje uma cidade de 90 000 habitantes - três vezes maior que em "nosso" tempo - que tem sempre um sindaco (prefeito) comunista. Sua eleição é assegurada pelo grande número de operários (só a Breda tem mais de 5 000) e outros trabalhadores; além disso, o PC italiano costuma receber muitos votos de gente da classe média, devido à sua tendência reformista.

"Crônicas da Guerra na Itália"
Rubem Braga


Foto gentilmente enviada por Mário Pereira, Administrador do Monumento Votivo Militar Brasileiro em Pistóia

O MONUMENTO VOTIVO MILITAR BRASILEIRO DE PISTÓIA

Depois de quase 5 anos em que o terreno do antigo Cemitério foi deixado repousar para permitir a drenagem da terra, foram começados os trabalhos para a construção do Monumento. Neste meio tempo muito grande foi a tarefa diplomática para conseguir os recursos e as autorizações necessárias para conseguir realizar o Monumento Votivo do Cemitério Militar Brasileiro. Foi o filho do então Embaixador Francisco D’Alamo Lousada, Engº Dr. Carlos Eduardo, que realizou uma grande opera de persuasão junto as personalidades e Autoridades do Governo e ao Ministro das Relações Exteriores Juracy Magalhães, vencendo inúmeras dificuldades para conseguir recursos governamentais. O Monumento foi projeto do Arquiteto Olavo Redig de Campos, discípulo do projetista de Brasília Oscar Niemayer, auxiliado pelo Engenheiro italiano Luigi Cafiero na realização que foi executada pela firma Zarri. A inauguração aconteceu em 7 de junho de 1966, na presença das mais altas Autoridades brasileiras, com destaque para S. E. Francisco D’Alamo Lousada, Embaixador junto ao Governo italiano em Roma, o Embaixador junto à Santa Sé Henrique de Souza Gomes, o General do Exército brasileiro Floriano de Lima Brayner, chefe da delegação especial das Forças Armadas brasileiras. Também as Autoridades italianas prestigiaram a cerimônia sendo presentes, entre outros o Ministro das Relações Exteriores, o subsecretário da Defesa ,o Prefeito de Pistóia, o Bispo da diocese de Pistóia, além de inúmeros representantes das Forças Armadas italianas. Foi no fim da mesma cerimônia que um idoso da cidade de Montese - onde aconteceu uma das mais grande batalhas – declarou conhecer o local onde um brasileiro estava ainda sepulto. Depois de um ano de pesquisa, o Guardião do Monumento, Miguel Pereira, conseguiu localizar os restos exatamente no local indicado, achando provas que não deixavam duvidas quanto à nacionalidade dos restos e sim sobre a identidade certa de quem podia ser o corpo, entre os ainda 15 desaparecidos. A decisão de deixá-lo repousar no Monumento, enquanto Desconhecido, e então representando todos os irmãos tombados no cumprimento do Dever, transformou o local – de fato – num Sacrário. Varias simbolizais caracterizam o Monumento, como muito bem explicado na entrada onde em duas colunas em base triangular são gravadas as palavras:

A TERRA

A terra de sepultura
É terra sagrada
Na Itália o campo-santo
É a terra intocável
Do antigo cemitério
E lá continua agreste
Como antes
Sagrada pelo “Sangue dos heróis”

A CRUZ

A cruz toma posse do terreno
Fixa seus limites
Consagra seu destino
São as linhas brancas
Da enorme cruz
Que marcam o lugar para sempre
Ao altar de Deus
Se ascende pelo pé da cruz
Os braços se abrem
Em verdes campos
De esperança e fé

O SACRIFÍCIO
Ao centro da cruz
Está o altar de Deus
Pelo sacrifício do altar
Os mortos se elevam
À glória de Deus
Aqui domina a vertical
As colunas elevam o pálio
Bem alto

A ÁGUA

O horizonte é o perfil da terra
Da terra que recebe os mortos
Para o descanso eterno
É a linha horizontal
Do longo espelho d’água
Serena, estática
Como as coisas acabadas
Como um cálice

A PEDRA

A pedra é símbolo da resistência
A pedra é tenaz
A pedra é dura
O muro de pedra guarda
Gravados para sempre
Os nomes gloriosos
E a memória dos vivos
Os nomes emergem
Das águas tranqüilas
As águas refletem os nomes no céu
É a gloria dos heróis

A GLÓRIA

Para ascender à gloria dos mortos
Um longo caminho
Em meio às pedras
O caminho das batalhas vencidas
O das vitorias
Alcançadas no sacrifício
O nome de Monte Castelo
E tantos outros
Gravados no chão de pedra
Reúnem a longa caminhada
De nossos irmãos

O RESPEITO

A presença dos vivos
É marcada pelo respeito
Um lugar apartado
Para a glorificação
Na contemplação
À direita do altar
No lugar de honra
A Bandeira do Brasil
E a gratidão da pátria.

Olavo Redig de Campos

Foi então o mesmo Arquiteto projetista, solicitado pelo Exmo Embaixador D’Alamo Lousada a escolher as palavras, dando voz aos sentimentos patrióticos do mesmo Embaixador, que manifestam-se numa carta ao Marechal Cordeiro de Farias (Cmte da Artilharia Divisionária): 

“Quando o saudoso Presidente Castelo Branco honrou-me ao designar-me Embaixador do Brasil em Roma, tornei prioritária, entre outros assuntos, a restauração de um marco, que para sempre fizesse lembrar a epopéia da Força Expedicionária Brasileira na Itália.” 

 Assim, os visitantes podem entender o significado da presença deste Monumento, que representa o esforço do Brasil para a recuperação da dignidade e liberdade do povo italiano. Na parede alem do espelho de água onde estão gravados os 465 nomes dos tombados brasileiros lê-se:
 
ESTA TERRA SAGRADA FOI SEPULTURA DOS SOLDADOS BRASILEIROS MORTOS NO CAMPO DE HONRA PELA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. SEUS NOMES ESTÃO GRAVADOS NESTA PEDRA PARA ETERNA MEMÓRIA DOS HOMENS

A atender as visitas desde o 1947 foi o Sr. Miguel Pereira, integrante da FEB que teve a honra de ficar como guardião, recebendo inúmeras importantes visitas (passaram até dois Presidentes do Brasil) e sem poupar esforços, ao longo dos anos, recuperou boa parte dos extraviados, bem como os contatos com as Prefeituras dos locais onde os soldados brasileiros atuaram, estreitando ainda mais as relações entre os dois países. Falecido em fevereiro de 2003 deixou ao filho a tarefa de continuar a “missão” de cuidar deste singelo lugar onde Historia, Honra e Glória estão de mãos dadas, num cartão postal que fala num conjunto único das qualidades humanas do povo do Brasil.

Mário Pereira
Administrador Monumento Votivo Militar Brasileiro


Foto gentilmente enviada por Mário Pereira, Administrador do Monumento Votivo Militar Brasileiro em Pistóia

O Monumento Votivo Militar Brasileiro fica no Bairro S. Roque, periferia leste de Pistoia, na estrada que liga a cidade a Montale. Saindo da Rodovia (A11) a direita, seguindo as placas marrom que indicam Monumento Votivo Militar Brasileiro. Da estação da estrada de ferro (FS) pela linha de ônibus 19 (Montale). De taxi todos conhecem o Monumento (chamado às vezes ainda Cemitério).

ATIVIDADES NO MONUMENTO VOTIVO MILITAR BRASILEIRO
 
Comemorações

A cada ano, no dia de finados a 2 de novembro, tem no Monumento uma comemoração que envolve as Autoridades do Brasil, bem como as da Itália, contando com a presença do Prefeito, do Presidente da Província e do Governador de Pistóia representando o poder estadual, alem dos Prefeitos das demais cidades atingidas de soldados brasileiros ao longo do conflito. São geralmente presentes o Exmo Embaixador do Brasil junto ao Governo italiano, bem como o Exmo Embaixador da Santa Sé, a Representação junto à FAO, e os demais altos funcionários da Embaixada. Também os Adidos das Forças Armadas do Brasil, Marinha, Exército e Aeronáutica e Defesa prestigiam a comemoração bem como, desde que foi instituída, a REMABI. Nos últimos anos destacou-se a presença de Veteranos da FEB (Força Expedicionária Brasileira) e da representação do Navio Escola Brasil. Em todas as solenidades que se realizam sempre há presença de jovens das escolas e idosos que estiveram junto com os soldados, com um intercâmbio cultural-histórico de valor muito elevado.

Visitas

O horário de visitas é das 8 da manhã até as 18. Como o dia nesta região varia muito ao longo do ano, a Bandeira é hasteada diariamente às 8, e retirada, nos dias mais curtos, antes do pôr do sol. Apesar disso o Monumento Votivo Militar Brasileiro de Pistóia pode ser visitado a qualquer hora do dia e da noite, sendo totalmente privo de fechaduras, e deixado à civilidade e respeito das pessoas que mantenham um porte conforme com o respeito e decoro que o local exige. Há possibilidade de efetuar visitas nos locais que foram campo de luta, visitando os Monumentos que foram construídos pela população das prefeituras atingidas pelos brasileiros ao longo do conflito.

Mário Pereira
Administrador Monumento Votivo Militar Brasileiro
Celular: +39 3483828751   24/hs
Escritório: +39 0573452754

Contatos por e-mail:
mariopereira@tiscali.it
mariopereira@email.it
monumentobrasilianopistoia@yahoo.it

monumento.brasileiro.pistoia@gmail.com

 

Um Herói nunca morre!

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