FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

Estratégia Final do General Mascarenhas

 


No Vale do Rio Pó
Arquivo Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira

 

A Corrida para o Vale do Rio Pó

"O inimigo retirava-se apressadamente das posições que antes defendera com tanto vigor. As informações colhidas indicavam que, apesar de sua decantada disciplina, já havia muita desorganização nas fileiras alemãs. O objetivo aparente era atravessar o rio Pó para fincarem pé ao longo do rio Ádige, menor do que o rio Pó, porém bem mais situado para defender o Passo de Brenner, nos Alpes austríacos e, passagem para a Baviera, onde se julgava que Hitler organizaria, para continuar a guerra, o 'reduto nacional'. Essa tentativa de resistência desesperada foi motivo de muita preocupação, e uma das razões pelas quais os aliados na Itália se empenhavam para evitar que as tropas alemãs fossem reforçar aquele 'reduto nacional'. (...) O 4º Corpo determinou que os brasileiros avançassem para perseguir os alemães e, ao mesmo tempo, cobrissem o flanco esquerdo do 4º Corpo contra uma possível  intervenção dos fortes elementos inimigos ainda combatendo na Ligúria. No início, a 1ª DIE teve como vizinho, à direita, a 1ª Divisão Blindada e depois a 34ª Divisão de Infantaria, a qual seguiria paralelamente com a divisão brasileira até Parma. O eixo do avanço da 1ª DIE era batizado pelas importantes cidades da região Emília (Parma, Fidenza, Piacenza), mas ainda havia muito terreno para percorrer até a ocupação destas áreas. A 1ª DIE recebeu ordem para iniciar a perseguição do inimigo no dia 23 de abril. Para deslocar a sua divisão com maior rapidez, o General Mascarenhas, no mesmo dia, tomou uma decisão que se tornou histórica. Ao perceber que o deslocamento a pé era muito moroso, além de esgotar fisicamente o soldado, ele resolveu utilizar todos os recursos de locomoção disponíveis da Divisão, inclusive as viaturas da artilharia, que estava praticamente sem missão devido ao recuo dos alemães. O General Mascarenhas convocou com urgência em seu QG avançado em C. Grotti, seu Estado maior e os Generais Zenóbio e Cordeiro de Farias. Expôs sua idéia e teve a compreensão de todos os presentes, inclusive do comandante da artilharia, general Cordeiro, que não só entendeu o alcance da proposta como se prontificou imediatamente a colaborar, organizando os comboios. Assim, em poucas horas, os soldados estavam encarapitados em caminhões GMC 21/1, pertencentes à artilharia, e em todos os outros tipos de viaturas disponíveis da Divisão, para dar combate ao inimigo nas planícies do Pó."

"A FEB por um Soldado"
Joaquim Xavier da Silveira


No Vale do Rio Pó
Arquivo Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira

"Terminara vitoriosamente, e sob os melhores auspícios, o primeiro período de operações das forças comandadas pelo General Crittenberger. Diversos reencontros das últimas jornadas serviram para evidenciar a desorganização que lavrava nas fileiras germânicas. Em presença dessa situação, o comando do IV Corpo decidiu realizar a perseguição, que reclamava, evidentemente, maior velocidade de marcha, sem maior desgaste físico para o combatente. Resolve, então, o chefe brasileiro desarmar parcialmente a artilharia da divisão, para que as suas viaturas automóveis fossem empregadas no transporte da infantaria, uma vez que esta prescindia, em parte, do apoio da arma irmã. Com tal decisão, vai a Divisão Brasileira, com a sua surpreendente velocidade de marcha, cortar a retirada de numerosas tropas inimigas e por fim aprisioná-las. De Vignola, a singular encruzilhada operativa da Divisão Brasileira, o eixo de marcha se dirige para Sassuolo e prossegue na direção de Montecchio Emilia - Collecchio. Informações de várias fontes indicavam uma DI Alemã em franca retirada para o Norte, provavelmente no rumo do Parma, sinal de que conseguira desvencilhar-se dos guerrilheiros italianos que vinham, segundo anunciavam, hostilizando as suas retaguardas nos passos montanhosos dos Apepinos emilianos. Baseado nestas informações e em cumprimento às ordens do IV Corpo, o comandante da Divisão Brasileira, ao amanhecer de 26 de abril, decidiu encetar a perseguição entre os cortes do Enza e Taro. Na tarde de 26 de abril choca-se o Esquadrão de Reconhecimento, em Collecchio, com forças inimigas, cujo valor era superior às suas possibilidades, e, ao anoitecer, um batalhão do 11º RI, em colaboração com o Esquadrão e uma companhia do 6º RI, toma contacto com a tropa alemã, que se defende tenazmente. Pela madrugada de 27, recrudesce a luta que se prolonga por algumas horas. Dominada a agressividade dos contrários, a tropa brasileira, sem perda de tempo, completou a conquista da localidade e iniciou a devida limpeza. A vitória de Collecchio barrou o acesso inimigo à cidade de Parma e proporcionou esplêndidas condições de partida a uma operação convergente sobre Fornovo. Valeu-nos ainda a glória de aprisionar 588 alemães e capturar grande quantidade de material bélico, de intendência, de transmissões e cerca de cem cavalos. Com o interrogatório dos prisioneiros capturados em Collecchio, foi identificada a 148ª DI Alemã, procedente do setor costeiro de La Spezia e em rota batida para o Norte do rio Pó. Tendo em vista os resultados do combate de Collecchio e a presença de numerosas tropas inimigas no vale do rio Taro, o general comandante da 1ª DIE não só articulara a metade de seus meios na bacia taresa, destinados a uma ação ofensiva sobre Fornovo, mas também adotara disposições que impedissem o retraimento daquelas forças contrárias pelas regiões convizinhas à referida bacia. Executando a ação principal da manobra divisionária, o 6º RI agiu em particular a cavaleiro do eixo Collecchio-Neviano- de Rossi-Fornovo, com a missão de capturar as tropas nazi-fascistas assinaladas na área de Felegara-Gaiano-Neviano de Rossi-Fornovo. Para isso, o comandante do 6º RI passara a dispor, afora a totalidade dos seus meios orgânicos, de duas Cias., de nossa Artilharia, uma Companhia de Engenharia do 9º BE e Cia. 'A'  do 760º Batalhão de Tanques, norte-americano. Travou-se o combate na jornada de 28 de abril, sob a forma de um enérgico engajamento, convergente sobre a histórica localidade de Fornovo di Taro, conduzido e impulsionado pelo comandante do 6º RI. Em cobertura do flanco Oeste (direito) do 6º RI, lançou-se o Esquadrão de Reconhecimento, brasileiro, pela margem ocidental do rio Taro, a cavaleiro da estrada Medesano-Felegara-Fornovo, investindo sobre o inimigo. À noite, o inimigo, já contraíra o seu dispositivo, adentrando-se na área de Fornovo. A tropa brasileira, apesar do escuro da noite, decidiu-se a segui-lo de perto, aumentando a pressão. Horas depois, na madrugada de 29 de abril, tinha começo o espetacular episódio da rendição incondicional da 148ª DI Alemã e dos remanescentes da 90ª Divisão Blindada e Divisão Bersaglieri Itália. A 1ª DIE realizou um singular feito d'armas, que foi o cerco e aprisionamento de uma Divisão inimiga com a totalidade de seus meios de vida e de combate. Nesse famoso episódio da Campanha da Itália capturamos 14.779 prisioneiros, entre os quais figuravam dois generais e mais de oitocentos oficiais. Apreendemos também cerca de oitenta canhões, um milhar de viaturas automóveis, duas centenas de veículos de tração animal, quatro mil cavalos, grande quantidade de armas automáticas, fuzis e outros equipamentos vitais. As nossas baixas foram de 5 mortos e 50 feridos. Na noite de 28 de abril, enquanto se travava o combate de Fornovo, elementos avançados da Divisão Brasileira ocupavam a planura que envolve a cidade de Placencia e, no dia seguinte, transpunham o Pó para estabelecer uma cabeça de ponte no Norte desse rio. A 2 de maio, um batalhão do 11º RI, reforçado por outros elementos, ocupou a importante cidade de Turim. Nesse mesmo dia o Esquadrão de Reconhecimento, reforçado por forte patrulha do I/11º RI, alcançou a localidade de Susa, 32 quilômetros distante da fronteira ítalo-francesa, fazendo ligação com a 27ª Divisão do Exército Francês. Era essa a situação da Divisão Brasileira, quando na noite de 2 de maio todos os Exércitos inimigos, situados no território italiano, terminaram a sua capitulação. Ao cabo de dezenove gloriosas jornadas, a Ofensiva da Primavera encerrou triunfalmente a árdua Campanha da Itália, no decurso da qual os chefes militares aliados deram exuberantes provas de sua capacidade profissional e de seu valor moral. Neste brilhante panorama de triunfos, o desempenho da Divisão Brasileira, particularmente nas missões que lhe couberam no decorrer da Ofensiva Primavera, foi considerado magnífico pelos chefes militares americanos. Nesses dezenove dias de ofensiva, fizemos pouco mais de dezenove mil prisioneiros e as nossas baixas foram calculadas em 47 mortos, 10 extraviados e 616 feridos, inclusive acidentados.

Marechal Mascarenhas de Moraes
"A FEB pelo seu Comandante"


No Vale do Rio Pó
Arquivo Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira

"Mas a melhor consagração da divisão brasileira está, sem dúvida, no que escreveu o Major alemão Rudolf Bohmler, veterano da luta na Itália, abrindo um parêntese no livro que trata das operações em torno de Monte Cassino: 'Esse avanço corajoso, colhendo o comando alemão inteiramente de surpresa, contribuiu para o rápido aniquilamento das forças ítalo-alemãs de Ligúria, e efetivamente, para a rendição  incondicional do Grupo de Exército C Alemão'. Em outras palavras: o avanço rápido da divisão brasileira, por obra do general Mascarenhas, foi uma brilhante ação estratégica."

"A FEB por um Soldado"
Joaquim Xavier da Silveira

 


No Vale do Rio Pó
Arquivo Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira

"Ajunto, desvanecido, que os espetaculares triunfos obtidos na última semana de abril, evidentemente resultaram do valor e agressividade da infantaria brasileira; mas não há negar que decorreram fundamentalmente da enorme velocidade de nossos infantes, conduzidos, em longos percursos, pelo serviço de transporte a cargo da artilharia. Supervisionando e realizando o transporte de nossos infantes ao longo do Vale do Pó, a poderosa arma de Mallet, na pessoa do general Cordeiro de Farias, conjugou esforços com a valorosa arma de Sampaio, a infantaria, na obtenção das esplêndidas vitórias que culminaram no cerco e rendição de mais de 15 000 alemães."

Marechal Mascarenhas de Moraes
"Memórias" - 1º Volume


No Vale do Rio Pó
Foto escaneada do livro "A Verdade sobre a FEB"
Gen. Lima Brayner

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