FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA



 

Relatos de Guerra II

 

Patrulhando...

"Pela manhã, o 6° Pelotão foi solicitado a socorrer um grupo de soldados que havia caído num campo minado e que tinha sido atingido por minas antipessoal. O quadro que se apresentava era horrível: os rostos estavam deformados e sujos de lama; para minorar a sede tinham colocado terra na boca e a aparência era terrível; o local dos pés era uma mancha de sangue. Os engenheiros gastaram algum tempo em retirar as minas até liberar uma trilha que permitisse a chegada dos padioleiros. Em seguida, começaram a limpar casa por casa, removendo as armadilhas existentes. Numa delas, o Cabo Mario Müller chamou a atenção do Tenente, dizendo que ouvira falar alemão no seu interior. Cercaram a entrada; o Cabo que falava bem esse idioma, dada sua origem na colônia alemã do sul do nosso país, e seguindo as instruções do seu Comandante, ordenou aos combatentes que subissem do porão, pois se tratava de amigos. À proporção que iam saindo, encontravam as armas apontadas contra eles e não tinham tempo de esboçar a menor resistência. Assim, foram aprisionados sete alemães, entre surpresos e indignados. Contou o Tenente que o último, que devia ser o chefe deles, não pôde deixar de dizer: "Puxa, que amigos!" Na mesma casa foram encontrados fuzis, metralhadoras e granadas. O inesperado deste aprisionamento mostra que seus defensores foram surpreendidos pela velocidade do ataque brasileiro."

Gen. Raul da Cruz Lima Júnior
"Quebra-Canela" - Biblioteca do Exército

 


Cruz homenageando a valentia de três pracinhas brasileiros
Arquivo Diana Oliveira Maciel

TRÊS BRAVOS!

"Promoção de praças post-mortem - O Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, soldado Clóvis da Cunha Paes de Castro e soldado Aristides José da Silva, integrantes de uma patrulha de reconhecimento, lançada pelo Regimento Sampaio sobre as posições inimigas do ponto cotado 720, na região de Precaria, no dia 24 de janeiro de 1945, portaram-se com evidente destemor na execução da missão que lhes foi confiada. Custou-lhes à vida o cumprimento do dever. Este ato bastante dignificante impressionou o próprio inimigo que, numa eloqüente afirmação da bravura desses elementos da FEB, testemunhou sua admiração, gravando em seu túmulo a seguinte inscrição: 'Três heróis - Brasil - 24-1-1945!'. Este Comando resolve, pois, promovê-los ao posto imediato, post-mortem, como justa homenagem aos que tão bem souberam sacrificar-se pela Pátria, com dignidade e bravura". (Bol. Int. da 1ª DIE, de 29-VI-945).

Este caso único e extraordinário, de bravura reconhecida pelo próprio inimigo, foi descoberto depois que nossas tropas ultrapassaram a zona de Precaria. Avisados pelos italianos de que havia três brasileiros enterrados em determinado local, para lá se dirigiu o pessoal do Pelotão de Sepultamento, afim de providenciar a remoção dos corpos para o Cemitério de Pistóia, após a identificação dos mesmos. O fotógrafo do Ministério da Guerra, Horácio Coelho, acompanhou os trabalhos de exumação, e fotografou o túmulo com a cruz tosca, onde se lia a inscrição lacônica, porém, expressiva, em alemão: "3 tapfere -Brasil - 24-1-1945". Até hoje não foi possível apurar as circunstancias que cercaram a morte desses três brasileiros. Eles tombaram em terreno inimigo e foram sepultados pelos próprios alemães, que aliás abriram uma exceção, pois não costumavam enterrar nossos mortos. Que gesto de heroísmo tiveram eles ao morrer, que impressionou tão fundamente aos inimigos, a ponto de ser por eles reverenciados? Não houve testemunha brasileira, pois eles eram três e os três morreram no campo da honra. Talvez um dia se venha a saber, através do depoimento de nossos contendores, da cena que ali se desenrolou. Podemos estar certos, porém, de que foi algo de invulgar e edificante, de intenso e admirável, reconhecido pelo próprio adversário, que lhes prestou a homenagem de uma inscrição tão singela quanto significativa: "3 tapfere!" -Três bravos! Os exemplos acima apontados são apenas alguns dentre centenas de outros, consignados nos relatórios das unidades e nos boletins de guerra. E quantas bravuras semelhantes não ficaram desconhecidas, pela modéstia de seus autores?

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

 

Na campanha da Itália, país em que nos batemos, onde nos confiaram um setor de grande responsabilidade e em que o nosso homem lutou destemidamente, empregando todo seu esforço para que a nossa Pátria saísse triunfante, houve cenas inesquecíveis de heroísmo, gestos que elevaram e enobreceram a nossa Pátria. Nem todos esses gestos, nem todos esses heroísmos, no entanto, se tornaram públicos, para que se gravassem, com letras de ouro, nos anais da História, os nomes dos bravos. Haja vista a passagem épica que, abaixo, passamos a narrar e que teve por palco o solo minado e semi-intransponível de Montese, cidade italiana tomada pelo 11º RI a 14 de Abril de 1944, à custa de muito sangue. Quando da mobilização para se formar a FEB, foram convocados, entre milhares de brasileiros, os jovens Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baêta e Geraldo Rodrigues. O primeiro, Arlindo da Silva, era sanjoanense, tendo nascido na legendária São João Del Rei, em 12 de Fevereiro de 1920. Pobre, moço criado sem os cuidados do pai, pois este era doente mental, Arlindo fora internado na "Escola de Preservação de Menores Abandonados Padre Sacramento". Aí terminou o curso primário, deixando a escola a pedido de sua mãe, com a idade de 15 anos. A 20 de maio de 1943 fora convocado para o serviço militar, como reservista que era, em face de o Brasil achar-se em guerra com as potências do Eixo. Daí em diante a sua vida foi inteiramente voltada ao serviço da Pátria: em prol da qual derramaria o seu sangue. O autor destas reminiscências históricas privou de perto com Arlindo Lúcio, desde que este prestara seu serviço militar na 2ª Cia. do 11º RI, então comandada pelo Capitão João Manoel de Faria Filho, e de onde, saíra reservista. Era um soldado retraído, de pouca conversa e de gestos humildes, o protótipo do moço pacato, sossegado e bom, respeitador dos regulamentos. Arlindo Lúcio andava sempre só e a sua conduta, no quartel ou na rua, não parecia de um moço de pouco mais de 20 anos. Quando os outros meninos da sua idade jogavam o futebol nas ruas de São João Del Rei, iam ao cinema ou corriam de bicicleta, o futuro pracinha, sem infância; podemos dizer, já empunhava a enxada no amanho da terra do Patronato, que em boa hora o acolheu, tornando-o um cidadão digno da sociedade e da Pátria. Convocado para a guerra, embora arrimo de família, não murmurou um queixume contra as leis do país, submetendo-se ao chamamento à caserna, habituado que era a obedecer sempre. Na farda, sujeito à disciplina, jamais protestava, jamais se referia desrespeitosamente aos regulamentos e às atitudes dos chefes; é que ele, pelo sofrimento, amoldara seu espírito, plasmara-o para todas as contingências da vida e tornara-se um cidadão capaz de resistir às adversidades, às surpresas que se lhe surgissem. Convocado para o serviço militar, reincorporado nas fileiras do Exército, esse espírito extraordinário só poderia, na guerra, frente ao inimigo, tornar-se um Herói! Certo dia, após os avanços sucessivos dos nossos homens, conforme iremos ver, o corpo de Arlindo Lúcio, já semi-destruído pela terra que a tudo consome, fora encontrado nas imediações de Montese, conjuntamente com outros dois brasileiros, sepultados na encosta de um morro, quando do ataque àquela cidade pelo 11º RI, a 14 de Abril de 1944. E fato extraordinário, digno mesmo de que a história futura da FEB, não o esqueça: encimando as sepulturas rasas que os alemães lhes deram, viam-se gravados, numa tabuleta, os seguintes dizeres: "DREI BRASILIANISCHE HELDEN" "Três Heróis Brasileiros". Lá estavam, sepultados pelos alemães, três pracinhas do Brasil, os bravos ARLINDO LÚCIO DA SILVA, GERALDO RODRIGUES e GERALDO BAETA, os dois últimos desconhecidos do autor destas notas. Que de heroísmo não praticaram esses brasileiros? Que de bravura não fizeram esses nossos patrícios para que os alemães, na sua rigidez e no seu alto orgulho prussiano, lhes rendessem tão significativa e comovedora homenagem? Os dois companheiros do sanjoanense heróico deviam ter sido, em vida, semelhantes a ele... naturalmente dois moços amantes do trabalho, dois cidadãos que, como Arlindo Lúcio, não tiveram infância... As opiniões são as mais diferentes sobre o que pode ter sucedido aos três bravos. Entrementes, a mais aceitável é que, tendo saído a serviço de patrulha, como de fato saíram, distanciaram-se os três companheiros, desgarraram-se dos demais elementos, talvez por força de um ataque imprevisto dos alemães e, encontrando pela frente uma tropa de efetivo elevado, não relutaram dar-lhe combate, preferindo a morte a se entregarem. Ficaria o feito anônimo se os próprios alemães, que os alvejaram, naturalmente após encarniçada luta, não tivessem reconhecido e exaltado a bravura dos seus contendores, resultando que, admirados, lhes conferissem a tocante homenagem que se via gravada em um tosco pedaço de tábua, em bom alemão: "DREI BRASILIANISCHE HELDEN" "Três Heróis Brasileiros". A FEB passará, seus generais desaparecerão; aqueles que escalaram os montes nevados da Itália, cumprindo o seu dever de brasileiros, serão esquecidos e a poeira do tempo consumirá da face da terra a lembrança dessa jornada que marcou uma época e assinalou uma geração. O tempo que a tudo destrói, porém, jamais poderá apagar essa passagem da nossa história, como jamais extinguirá de nossa lembrança os acontecimentos dolorosos que precederam à nossa participação na luta, ou seja a morte traiçoeira e bárbara de nossos patrícios, em nossas próprias águas. ARLINDO LÚCIO DA SILVA, GERALDO RODRIGUES, GERALDO BAETA, simbolizam bem os nossos vultos do passado, os Antonio João, os Marcílio Dias e aqueles de nossa geração que em 1935, quando da Intentona Comunista, morreram defendendo a integridade da Pátria.

"De São João Del Rei ao Vale do Pó"
1º Ten. Gentil Palhares

Ferido em Combate

Verdadeiramente desesperadora era a situação de feridos em plena zona de combate, obrigados a permanecer expostos ao fogo inimigo, na esperança de um socorro que as condições não permitiam chegar. A narrativa de Vessio Maneli nos pinta ao vivo o quadro aflitivo, durante os momentos em que sua vida esteve em perigo: "Sou natural de Sorocaba, Estado de S. Paulo, e pertencia à 3ª Cia. do 1º RI. Fui ferido no primeiro ataque ao Monte Castelo, no dia 29 de novembro de 1944. A uma hora da madrugada entramos em posição na base do morro. Recebi ordem para cavar um "foxhole", onde passei a noite. À medida que cavava o chão ia juntando água, de modo que dormi as poucas horas dentro d'água, enrolado na manta. Ao raiar do dia nos foi servida uma ração K e às sete horas da manhã recebemos ordem de avançar pelas encostas do morro, em terreno descoberto. Chovia granadas e balas de todo lado. Os tiros de nossa própria artilharia caiam muito próximos de nós. Nossa progressão foi pequena pois, diante da intensidade da defesa alemã, ficamos logo detidos. O Cap. Mandinho deu ordem para nos abrigarmos e aguardar. Fui ferido logo no começo, primeiro nas costas, quando tentava cavar um abrigo. Não podendo continuar a cavar, procurei rastejar para a retaguarda. Foi quando uma rajada de metralhadora me atingiu de novo, duas balas, uma na coxa e outra no flanco, perfurando-me o abdômen. Não podendo mais me locomover, virei-me para o lado dos alemães e fiquei protegendo a cabeça com o capacete de aço. Recebi outra bala bem no meio do tórax, que moeu minha placa de identidade. Fiquei ali, ao alcance dos tiros inimigos durante todo o dia. As balas parece que tiveram pena de mim ou já sabiam que eu estava bastante ferido e só pegavam no chão, ao redor de meu corpo, jogando-me terra, como se já quisessem me enterrar ali mesmo. Ao escurecer cessou o fogo e um padioleiro veio a meu socorro e me fez um curativo. Só às onze da noite é que veio uma equipe de padioleiros para me transportar para as posições da Cia. e dali, em um "jeep" para o posto de socorro do Batalhão. Colocaram um aparelho de ferro na coxa esquerda e me levaram para o hospital de Valdibura, donde segui para Pistoia, Livorno, Estados Unidos, onde passei um mês e meio em New Orleans e Charleston. Vim então para Recife e daí para o Rio de Janeiro, onde fiquei no Hospital Central do Exército. Fui operado cinco vezes e meu corpo está cheio de cicatrizes".

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

 

FEITOS HERÓICOS I

Como prova dos feitos heróicos de nossos pracinhas, vamos transcrever algumas citações de combate, publicadas nos Boletins da 1ª DIE:

"Soldado João Peçanha de Carvalho - do 1º RI, natural de Minas Gerais:
Em 12-12-1944 - A citação do soldado Peçanha tem, no aspecto, duplo valor: estímulo e consagração. Era um soldado apenas, mas brasileiro acima de tudo: tinha o pensamento menos voltado para si do que para a glória de sua terra. A doze de dezembro último, atingido mortalmente por bala inimiga, expirava nos braços de seu Comandante, gritando ainda a seus companheiros vizinhos: "Avancem camaradas!" Era um herói. É um exemplo notável. Reverenciemos o soldado Peçanha e respeitemos sua memória". 
(Bol. Int. da 1ª DIE, de 16-1-45)

"Terceiro Sargento José Carlos da Silva - do 1º RI, natural de Minas Gerais:
Em 12-12-44 - Seu pelotão, por ordem superior, se retraia no ataque realizado contra as posições inimigas do Morro do Castelo, em 12 de dezembro p.p. O Sargento José Carlos voltou ao ponto que havia atingido antes, para reconduzir um companheiro que lá jazia ferido, dizendo: "Homem de meu Grupo não fica ferido, esperando socorro!" Neste mesmo instante foi mortalmente atingido por bala inimiga, ficando ali seu cadáver cerca de dois dias. É um exemplo que, pela sua pureza, pela sua própria elevação, dispensa comentário. Aponto-o com carinho e respeito à tropa brasileira". 
(Bol. Int. da 1ª DIE, de 16-1-45)

"Terceiro Sargento Benevides Valente Monte - do 1º RI, natural de Alagoas:
Em 21-II-45 - Atacávamos pela terceira vez as fortes posições alemãs do Monte Castelo, organizadas com cuidado especial e aproveitando, ao máximo, os recursos da técnica defensiva e as condições favoráveis do terreno. Um dos grupos de combate progredia sem cessar. Impulsionado pelo estímulo que lhe incutia o respectivo comandante, que a toda hora apontava o perfil do Monte Castelo, os atacantes avançavam . "É necessário atingir e ocupar o Monte Castelo", dizia-lhes o Sargento Benevides. Em dado momento o fogo inimigo atinge aquele bravo, que tomba, para sempre, no campo da honra. Pela sua grandiosidade e pureza, a ação do Sargento Benevides não ficará esquecida. Reverenciemos sua memória e rendamos nossa admiração àquela alma forte de brasileiro".
(Bol. Int. de 28-III-45)

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

 

FEITOS HERÓICOS II

"3º Sargento Luís Ribeiro Pires, da 2ª Cia.  do 9º BE de Engenharia, natural do D. Federal:
Em 21-II-45 - O Sargento Luís Ribeiro havia chegado na véspera do curso da "Engineer School", de MTOUSA, em Dugenta, Nápoles, onde tirou o primeiro lugar da turma. Não estava escalado para tomar parte na ocupação, mas insistiu junto ao Cmte. de Cia. e obteve permissão para seguir. Na madrugada de 21 de fevereiro, após uma noite de intenso trabalho na limpeza de minas e "booby-traps", junto ao II Batalhão do 11º RI, quando todos foram descansar, para atender a um pedido de um tenente de infantaria, foi limpar casas em Abetaia, para repouso dos infantes. Após limpar três casas, ao trabalhar na quarta, já cansado, acionou um "booby-traps", que desmoronou a casa e soterrou seu corpo despedaçado. É um exemplo máximo de esforço e dedicação, que o levou a se cansar de tal maneira que prejudicou sua capacidade técnica, acarretando-lhe a morte, justamente quando ele mais prometia".
(Segundo dados colhidos no Relatório do Cmte. do 9º B.E.)

"Cap. João Tarciso Bueno - do 11º RI, natural do Estado de Mato Grosso:
'Em 12-12-44 - No ataque ao Monte Castelo, em doze de dezembro último, o Cap. Bueno comandava a 1ª Cia. do 11º RI. Inicialmente marchava em seu lugar próprio, à frente do segundo escalão. Quando se ajustaram fogos inimigos sobre a sub-unidade, esta entrou numa fase crítica. Sem perda de tempo o Cap. Bueno tomou a decisão de passar à frente e pessoalmente impulsionar sua tropa, transmitindo-lhe um reflexo novo de entusiasmo. Ao atingir seu objetivo, agora combatendo a granadas de mão, foi gravemente ferido, tão perto das linhas inimigas que nesse local chegou a permanecer por mais de vinte e quatro horas. Aponto-o como um dos raros exemplos de coragem, dignidade, compreensão exata do papel de chefe, tenacidade, todas essas qualidades que fortalecem o animo da tropa brasileira e a tornam capaz de ações de relevo".
(Bol. Int. da 1ª DIE de 16-1-945)

 "Soldado Sérgio Pereira - do 11º RI, natural de Minas Gerais:
Em 14-12-44: Várias tentativas se fizeram para reconduzir às nossas linhas o Cap. João Tarciso Bueno, Cmte. da 1ª Cia. do 11º RI, gravemente ferido. Em local tão perigoso,  combatido facilmente pelo inimigo, essas tentativas frustraram e as patrulhas organizadas regressaram sem o ferido. Na madrugada do dia seguinte ao do combate, silenciosamente, sozinho, parte o soldado Sérgio à procura de seu comandante de Companhia, ordenança que era do Cap. Bueno, havia poucos dias. Parte e volta transportando o oficial ferido até um ponto onde pudesse ele ter assistência. Mais do que a dedicação pessoal, vejo neste gesto nobre do soldado Sérgio, a dedicação do subordinado pelo seu superior, qualidade primacial na tropa, para que seu esforço atinja o objetivo máximo. E' um magnífico exemplo de dedicação ao chefe, que tenho a mais grata satisfação de apontar à FEB".
(Bol. Int. de 17-1-945)

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

FEITOS HERÓICOS III

"Soldado Arlindo Tavares Pontes - do 1º RI, natural de Pernambuco:
Em 21-II-45 - O soldado Arlindo participava da ação da 1ª DIE, naquele dia, contra as fortes posições do Monte Castelo, organizadas de modo excepcional pelo inimigo que procura tirar partido, para este efeito, das vantagens que o terreno oferecia à defesa. No curso da progressão, o soldado Arlindo, sempre vigilante e animado do verdadeiro espírito de combatividade, observa os movimentos do inimigo. A Artilharia Brasileira despeja sobre os alemães todo o peso de seus canhões. Em dado momento, sob a ação do bombardeio, uma guarnição alemã se refugia no abrigo, deixando no terreno, a metralhadora que guarnecia a posição. Sem perda de tempo, e mesmo sob o fogo, o soldado Arlindo se aproxima, apanha aquela arma e a conduz para seu lado. Ao regressarem os adversários se vêem logrados e abandonam o local, dantes perigoso para o Pelotão que, de outra maneira seria tomado por fogos de retaguarda. A vigilância incansável, a iniciativa oportuna, o animo ofensivo do soldado Arlindo são belos exemplos a apontar à tropa brasileira".
(Bol. Int. de 1-IV-45)

"Terceiro Sargento Sebastião Boanerges Ribeiro - do 11º RI, natural de Minas Gerais:
Em 3-III-45 - Seu Pelotão progredia, procurando apossar-se de Cá di Giasimoni. No princípio do movimento o sargento Boanerges fora atingido, embora sem gravidade, pela explosão de uma mina, que vitimou um companheiro a seu lado. Evacuado por ordem de seu comandante de Pelotão, recebeu os primeiros socorros e pediu permissão para retornar ao ataque. Autorizado, e com uma vista vendada, realizou todo o avanço, distinguindo-se particularmente pelo seu ardor combativo. No dia seguinte baixou ao hospital. A ação de realce excepcional do Sargento Boanerges, pela sua elevação moral, merece um registro particular no acêrvo da tropa brasileira na Itália".
(Bol. Int. de 9-IV-45)

"Soldado João Martins da Silva -do 1º RI, natural, do E. do Rio.
Em 5-III-945 -  Eis outro episódio que, na sua simplicidade reflete as belas virtudes do soldado brasileiro. Durante o bombardeio de seu posto em Belavista, foi atingido por três estilhaços de granada o soldado Martins. Assim ferido, deixou-se ficar no mesmo lugar, sem uma queixa sequer. E ali permaneceu cerca de oito horas. Sabedor do fato pelos companheiros do soldado ferido, o Comandante do pelotão determinou sua evacuação. No Posto de Socorro, interrogado pelo médico porque resolvera calar sobre seu estado de saúde, respondeu-lhe simplesmente que, ciente de que os alemães iriam lançar contra-ataques, decidira não se afastar do posto para ajudar a repeli-los, uma vez que o Pelotão se encontrava desfalcado e ainda se sentia forte. Possuía, realmente, o soldado Martins a têmpera do verdadeiro combatente. O seu exemplo, pela sua grandeza e pelo estoicismo, envaidece a tropa brasileira".
(Bol. Int. de 9-VI-45)

" Soldado Temer Jorge - do III Grupo de Artilharia, natural do Estado de São Paulo:
Em 5-3-945: - No ataque daquele dia, do 6º RI, contra as posições de Soprassasso e Castelnuovo, o soldado Temer fazia parte, como telefonista, da turma de ligação junto ao I Batalhão desse Regimento. Caiam sobre o terreno, sem cessar, bombardeios de artilharia e morteiros. Em dado momento arrebentou-se a linha telefônica da turma. Sem perda de tempo, o soldado Temer saiu para repará-la. Em caminho, junto à encosta do Soprassasso, ouviu vozes em língua estranha para ele. Cautelosamente se avizinhou do abrigo donde partiam rumores, cerca de quinze metros à sua frente. Aproximou-se mais, e a dois metros dirigiu-se aos desconhecidos em italiano, respondendo-lhe apenas um gemido. Prevenido, arma engatilhada, chegou mais perto ainda, e viu que eram dois alemães, os estranhos ocupantes desse abrigo. Um tentou reagir, mas a ação rápida do soldado Temer anulou qualquer reação do inimigo. Aprisionou-os e os entregou a um oficial de Infantaria. Concluída esta tarefa, retornou ao local onde se dera o arrebentamerito da linha e tranquilamente passou a repará-la. A serenidade, a iniciativa, o desassombro do soldado Temer são magníficos exemplos para os brasileiros na Itália". (Bol. Int. de 9-IV-45)

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

"... Mas a Vergonha é Maior... "

Era um tipo baixo, franzino, abugrado, natural dos sertões mato-grossenses. Nada se sabia de sua família. Estava na 2ª Cia desde os terríveis tempos de S. João Del Rei, na tumultuada fase da organização do 11º RI. Relaxado ao extremo, andava sempre desuniformizado. E, diariamente, ante a sua postura desengonçada, vendo-o no desmazelo costumeiro, repreendia-o : "Jovino, abotoe a camisa." E ele , na frouxidão do gesto caipira, sorrindo, ia se arrumando. Semi-alfabetizado, mal "ferrava" o nome : Jovino Alves de Santana. Pertencia ao 3º Pelotão, comandado pelo bravo Tenente Iporan. Na defensiva do inverno, revelara-se exímio patrulheiro. Numa ação da Companhia, se não me engano, no ataque a Castelnuovo, foi ferido e evacuado. E dele não mais tivemos notícias. Em abril de 1945, às vésperas do ataque a Montese, o S/1 do Regimento, Cap. Luiz de Faria, chama-me ao telefone : "Sidney, o depósito do pessoal acaba de nos comunicar que o Soldado Jovino Alves de Santana desertou de lá. Como ele pertenceu a sua Companhia, é possível que apareça por aí." "Entendido", respondi. "Estou com o efetivo completo, mas, se o Jovino aparecer, pretendo ficar com ele por aqui." "Veremos", retrucou-me o Capitão Faria. "Se ele chegar, avise-me. Até logo." Dois dias após a minha conversa com o Cap. Faria, já noitinha, surge-me o Jovino. Cansado, faminto, só trazia a roupa do corpo, o cinto de guarnição e o capacete. Entrou no meu PC e sem qualquer formalidade, foi dizendo: "Capitão, fugi do "depóis ". "Já sei", respondi-lhe. "Só que você não fugiu, pois já é considerado desertor. Quantos dias levou para chegar até aqui e como soube aonde estamos?" "Demorei dois dias, Capitão. Vim pegando carona com os americanos até Pistóia; de lá arranjei passagem até Porreta, onde descobri um jipe do nosso batalhão que me trouxe até Iola; em Iola me ensinaram o caminho e de lá vim a pé." "E por que fugiu do depósito?" "Ora, Capitão, aqueles 'Sacos C' viviam me sugando na instrução e me ensinando coisas que estou cansado de saber."
Imediatamente liguei o telefone para o Faria e lhe dei a notícia. Pedi-lhe que resolvesse a situação irregular do Jovino e o deixasse comigo. E que providenciasse com o S/4 o armamento e o resto do equipamento para o fujão. Faria, com a sua costumeira eficiência, resolveu o caso. Mas Jovino estava faminto. Sua última refeição fora o café da manhã em Porreta - Terme . Assim, mandei que lhe dessem algo para comer. Saciada sua fome, voltei ao diálogo interrompido. "Jovino, você demonstrou ser um bom combatente e tomou parte em quase todas as ações da nossa Companhia. Foi ferido em combate e, depois de restabelecido enviado para o depósito. Acho que já cumpriu seu dever e nada mais tem a fazer aqui." "Tá certo, Capitão. Mas, depois de passar tanto tempo na frente, não gosto de receber instrução de gente que nunca viu um tedesco. Além disso, estava com saudades do pessoal da Companhia e quero ficar aqui." Encarei-o firme, e lhe perguntei: "Jovino, você não tem medo de morrer?" E ele, com a sinceridade dos simples, e sem baixar os olhos, respondeu-me: "Ih, meu Capitão. O senhor me pergunta se tenho medo? Tenho demais, mas a vergonha é maior que ele."
Senti vontade de abraçá-lo. Ali estava a bravura anônima e simples da nossa gente representada nas palavras singelas daquele caboclo. Levantei-me e fui até ao PO. Ao longo a torre da igreja de Montese, iluminada por um luar de primavera italiana, parecia resplandecer como a couraça de um velho guerreiro romano, enquanto os vultos esguios dos castanheiros que se inclinavam pelas encostas íngremes semelhavam infantes em progressão. A beleza do cenário e as palavras do Jovino aumentaram a confiança que eu depositava nos bravos que a sorte me destinava comandar. Até o amanhecer, com o fone ao ouvido, recebendo os relatórios das patrulhas ou as ordens do comando do Batalhão cismava, recordando o que me dissera aquele soldado que desertara de um relativo conforto na retaguarda para, talvez, morrer ao lado de seus companheiros, nas duras pelejas que são o apanágio dos melhores combatentes: os da infantaria. Como poderia aquele humilde caboclo, que mal garatujava o nome, definir a coragem em tão poucas palavras, enquanto que psicólogos, para chegarem à mesma conclusão devaneiam em centenas de páginas de volumosos tratados! Até hoje não sei. Era talvez a própria vida que lhe dava a explicação dos sentimentos que o levavam a afrontar os perigos. E veio a sangueira de Montese. O inferno das granadas que explodiam sobre nossas cabeças, o sinistro pipocar das "lourdinhas", o ronco das máquinas no céu e nos vales pouco representavam para nós, se comparados ao horror das minas que, a cada passo, ameaçavam nos destroçar. E o Jovino, sempre no primeiro escalão, na primeira linha, impávido, seguia a sorte do Regimento, ao lado do seu excepcional comandante de Pelotão, ajudando a conquistar um objetivo quase impossível de ser atingido. Não tremia, não se assustava e, calmo, estava nas mais arriscadas empresas, avançando sempre, sem jamais demonstrar o mais leve temor. No tremendo bombardeio que o inimigo despejou sobre Montese durante os cinco dias subseqüentes, nas margens do Rio Panaro, na implacável e estafante perseguição ao Exército alemão em retirada, até Turim, também estava o Jovino : destemido, simplório, relaxado, as calças fora das perneiras, a camisa desabotoada... Até que um dia a guerra terminou. Regressamos ao Brasil e, dois dias após, minha Companhia foi dissolvida. Com lágrimas nos olhos, abracei um a um, dos bravos que por tanto tempo sofreram comigo as mesmas incertezas e os mesmos azares da guerra. Mas, nem todos estavam naquela despedida : vinte e um, desde o destemido tenente Ary Rauen até o bem-humorado Soldado "Alegria" ficaram na Itália, onde à sombra dos ciprestes do cemitério de Pistóia, descansavam para sempre. Passaram-se os tempos. Já Coronel e servindo no Rio encontrei-me com antigo sargento de minha companhia e meu afilhado de casamento, José Marinho de Andrade, então capitão dentista do Exército e que, como tantos de seus companheiros se destacara na guerra. Falamos sobre a campanha e relembramos os memoráveis combates da Itália e os companheiros que lá estiveram conosco. Soube então, que o Jovino se encontrava no Maracanãzinho, na dependência dos irrecuperáveis do pavilhão de neuropsiquiatria do Hospital Central do Exército. Fui visitá-lo. Disse-me o enfermeiro que me atendeu que aquele paciente era completamente "desligado", isto é, a ninguém reconhecia e de nada sabia. Entrei na enfermaria e lá o encontrei. Velho, desdentado, enrugado, o cabelo grisalho, enfim , um mulambo, um bagaço de gente. A sombra daquele expedicionário intrépido que, com tantos outros bravos, forçara a conquista de Montese. Chamei-o pelo nome: "Jovino !" No fundo de sua consciência, minha voz talvez soasse como na rigidez das antigas ordens de comando. Ele estremeceu, olhou-me com o seu olhar idiota e um lampejo de lucidez fulgurou o seu mundo de trevas. Pôs as mãos nas passadeiras das medalhas que me ajudara a conquistar e disse apenas : "Meu Capitão!" E se "desligou" de novo. Meus olhos se embaciaram e dali sai literalmente arrasado. Deixei-o, pensando no que ele me dissera quando apareceu no meu PC após a fuga do Depósito. "Ih, meu Capitão, o senhor me pergunta se tenho medo? Tenho demais, mas a vergonha é maior..." E murmurei baixinho: "Obrigado Jovino, Deus lhe pague pela mais linda definição de coragem que já ouvi em toda minha vida e que você, um dia, me deu. Obrigado por me haver reconhecido. Obrigado por tudo".

"Revista Militar Brasileira" - Número Especial - Secretaria Geral do Exército - 1973
Retirados do site
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O Pracinha Carlos Scliar

A primeira vez que vi o pracinha Carlos Scliar, lá no "front", fazia um frio medonho. As nevadas haviam esbranquiçado tudo: todo o caminho, os primeiros, os plátanos e os ciprestes. Haviam endurecido as águas e paralisado, como um filme quebrado, as pequenas cascatas que, no outono,caiam livres defronte do PC da  Artilharia. Naquele tempo o cabo Scliar tinha que manipular um trabalho burocrático e cansativo: ficar atento aos telefones, receber pedidos de tiros, falar com o tenente ao lado e receber do tenente autorização para ordenar fogo às baterias do seu Grupo..."Dois tiros na cota 65. Quatro tiros de morteiro na região de Bombina. Cinco tiros de artilharia na fralda sul do Monte Castelo". Toda a frente do 5º Exército era então uma coisa semelhante. Ninguém se arriscava a um ataque tendo pela frente o inverno tão duro - nem nós aliados, nem os nazistas, dois quilômetros além. Uma guerra apenas de patrulhas, de troca de tiros, de inquietação. Encontrei-me várias vezes outras com o pracinha Scliar, e numa delas, me lembro bem, as coisas não estavam muito risonhas no seu PC. Acontece que um dos canhões nazistas havia, parece, localizado uma bateria brasileira próxima, e durante toda uma tarde, enquanto conversávamos, as granadas ficam explodindo perto. O edifício tremia todo, de vez em quando, e de vez em quando alguma coisa passava gemendo ou assoviando fino sobre nossas cabeças. Alguma coisa que ia rebentar metros além, cavando uma ferida negra na neve imaculada. Falávamos naquele dia precisamente dos desenhos, motivos e "croquis" de pracinhas brasileiros, paisagens e tipos italianos, com os quais o cabo Scliar começara a encher vários grandes cadernos, comprados em Florença. O primeiro caderno, iniciado ainda quando os brasileiros estavam no setor do rio Secchio, é essencialmente uma coleção de coisas outonais, com pinheiros amargurados e estradas cobertas de lama. Mas eu acredito que foi em Porreta Terme, um lugarzinho numa crista dos Apeninos, que o cabo Scliar desenhou suas melhores coisas. Então o inverno era total, e todos afundávamos na neve. Os pracinhas se enterravam nas mantas e quanto mais o termômetro descia - 14, 15, 16 graus abaixo de zero - mais eles se tornavam murchos e calados. Um dos cadernos de Carlos Scliar está repleto de fisionomias assim, e sem dúvida foi o própria experiência do pracinha-desenhista, em tantas ocasiões também enregelado e murcho, que imprimiu àquelas caras o ar profundamente vivo, melancolicamente vivo, que todas elas trazem. Há também cenas de "foxholes" e de trincheiras coletivas que são de uma força formidável - essa força que a gente encontra nas coisas que de fato existem, não sei se me expresso bem. Uma tarde, ainda no inverno, encontrei o pracinha Scliar muito feliz no seu PC. Aliás, duplamente feliz: primeiro porque havia encontrado em Florença uns livros de arte que ele considerava uns encantos, com reproduções coloridas; e segundo porque um senhor amigo, também pintor, lhe dera um presente que era um verdadeiro tesouro e que consistia num frasquinho cheio de uma tinta cor de cobre. O pracinha Scliar me explicou: esta tinta é extraída de uma qualidade de nozes. Rembrandt pintava com ela. E me mostrou em seguida vários croquis e desenhos seus à base da referida tinta, compostos na noite anterior. Não entendo muito de desenho, ou não entendo nada, mas a verdade é que aqueles desenhos estavam mais fortes e sólidos, de onde se deduz que Rembrandt tinha lá suas razões para usar o citado líquido extraído das nozes. Noutra ocasião, o pracinha Scliar me revelou que estava usando "um branco inteiramente diferente", fruto da inspiração que lhe haviam dado a neve e o gelo. Foi nessa ocasião que ele me declarou mais ou menos o seguinte: Quando eu sai do Brasil, tinha uma idéia inteiramente diferente das cores. Que é que tem um crepúsculo italiano, por exemplo, com um crepúsculo do Flamengo ou de Porto Alegre? E você já viu quantas cores tem o sol daqui? Trouxe comigo uns vinte desenhos do pracinha Scliar, mas deixei lá com ele, uns duzentos ou trezentos mais. Seu plano é reunir os melhores trabalhos e publicá-los num álbum: o álbum do pracinha brasileiro. Se ele fizer isso, acredito, terá contado melhor do que nós, correspondentes, a história da Força Expedicionária Brasileira - pracinhas lutando, dormindo e comendo, pracinhas mortos e vivos, paisagens e trincheiras, a neve caindo como uma mortalha, a lama do outono e as montanhas inundadas de primavera, derrotas e vitórias, a poeira dos caminhos secos pelo sol, patrulhas e baterias, "sfolatti" e prisioneiros, civis desmantelados pela guerra, toda a guerra enfim. A guerra que somente um pracinha como ele poderia ver, compreender e reproduzir.

"Lutas de Pracinha"
Joel Silveira e Thassilo Mitke

As gravuras são de Carlos Scliar, copiadas de seu site http://www.carlosscliar.com.br/

Um Herói nunca morre!

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As Origens
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