FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

 


Pelotão comandado pelo Ten. Iporan em Biccochi, dias antes do ataque a Montese
Arquivo Diana Oliveira Maciel

 

Ofensiva da Primavera

 


Quartel General em Porretta - Terme: Ten. Cel. Humberto de Alencar Castelo Branco,
Gen. Robinson Duff  (sub comandante da 10ª Divisão de Montanha) e Mascarenhas de Moraes.
Foto escaneada do livro "Mascarenhas de Moraes - Memórias" - I Volume

"A 20 de março, e depois a 8 de abril, compareceram ao QG do IV Corpo os generais comandantes de Divisão para acertarem as medidas referentes ao emprego de suas Grandes Unidades na Ofensiva da Primavera. À Divisão Brasileira coube o encargo de:
1) conquistar Montese e explorar o êxito até o corte do Panaro; 2) substituir continuamente o flanco ocidental (esquerdo) da 10ª Divisão de Montanha; 3) progredir na direção de Zocca-Vignola. A ação ofensiva sobre o maciço de Montese, constituída com um escalão de ataque do valor de um Regimento, foi dirigida e conduzida pelo nosso chefe divisionário do observatório de Sassomolare. A reserva, nas mãos do comandante da 1ª DIE e com o valor global de quatro Batalhões, não só seria empregada na alimentação do ataque ao maciço de Montese, mas também seria destinada ao prolongamento do flanco oriental (direito) da Divisão e ao aproveitamento do êxito até o rio Panaro. As forças do IV Corpo de Exército iniciaram a fulminante Ofensiva da Primavera na memorável jornada de 14 de abril de 1945. O 11º RI, encarregado do ataque a Montese, coberto à direita pelo II Batalhão do Regimento Sampaio, iniciou às 10:15h a sua ação de patrulhas que conseguiram atingir os objetivos designados. O ataque propriamente dito teve início às 13:30 hs, precedido de compacta preparação de artilharia e contando ainda com o apoio de blindadas e fumígenos. Por volta de 15 horas o I/11º RI conseguiu penetrar na vila de Montese, desorganizando e envolvendo as resistências antagônicas. Os blindados americanos, seguidos pela infantaria brasileira, atingiram, pouco antes das 18 horas, a encosta meridional de Montebuffone, ao norte de Montese. Revestiu-se de manifesta dureza a jornada de 14 de abril, que assinalou a memorável conquista de Montese, cuja posse vai-se manter através de cruenta luta. Impunha-se ainda a conquista das alturas de cota 927 e Montelo, para cobrir o avanço da 10ª Divisão de Montanha, contra as vistas e os fogos inimigos. Diante da situação ainda confusa, o 11º RI, dado a seu elevado estado moral, teve ordem de continuar o ataque na jornada de 15. As 11:45 hs desse dia as nossas posições se desafogaram com a tomada de Montebuffone e cota 788. Ao entardecer do dia 15, a Divisão Brasileira recebeu a missão de manter suas atuais posições e prolongar a sua frente para leste. A resistência obstinada do inimigo causou à nossa tropa um elevado número de baixas e um extremo cansaço, o que levou o chefe divisionário brasileiro a determinar a substituição do III/11º RI pelo 6º RI, então a dois batalhões. Na jornada de 16 os alemães desarticularam por três vezes a tomada do dispositivo do III/6º RI, por efeito das marteladas de sua artilharia que transformavam Montese em um verdadeiro inferno. No dia 17 recebeu o comando brasileiro a ordem do IV Corpo para não mais atacar. Os episódios que se desenrolaram em torno da tomada e posse definitiva de Montese, foram extremamente sangrentas, porém decisivos para o êxito da manobra do IV Corpo de Exército. Nessas jornadas severas, vividas sob os mais pesados bombardeios, glorificaram-se os soldados do Brasil pela sua resistência e capacidade combativa. Ao anoitecer de 19 de abril, a frente de Montese se aprofundava na direção do Panaro, ao mesmo tempo que o fogo da artilharia inimiga declinava sensivelmente. A Divisão Brasileira prosseguia para o Norte na direção geral: - Zocca- Monte Orsello - Vignola, fazendo a limpeza da margem oriental do Panaro e guardando o flanco esquerdo do V Exército. A jornada de 21 de abril assinalou, como acontecimento principal, a posse da vila de Zocca, operação executada pelo 6º RI, que contou com a colaboração do I/1º RI. Zocca era um obstáculo de real importância para a Divisão Brasileira e a sua conquista permitia descortinar situações ainda mais favoráveis às nossas armas. À retaguarda, unidades da 92ª DI, americana, substituíam os batalhões brasileiros, retidos na cobertura de nossas linhas de comunicação ao longo da margem oriental do Panaro, contra possíveis incursões vindas da margem oposta. Com a recuperação desses batalhões, aumentava o poder ofensivo da Divisão Brasileira, que, na sua marcha vitoriosa para o Norte, atingia a 22 de abril as imediações da aprazível localidade de Vignola. Os Germânicos então se disseminavam pela imensa planície do Pó, irresistivelmente batidos e desorientados. Finalmente, assinalou a jornada de 22 de abril o término de nosso aproveitamento de êxito, cuja duração se limitou a quatro dias e do qual resultou a conquista da porção oriental de todo o médio Panaro para as armas brasileiras. A jornada seguinte marcaria o princípio da perseguição. Vignola foi, portanto, um marco e uma encruzilhada no curso das operações militares do final da Campanha da Itália."

Marechal Mascarenhas de Moraes
"A FEB pelo seu Comandante"

 


Vista parcial da localidade e da Torre de Montese
Arquivo Diana Oliveira Maciel

"Ainda vi os carros do Esquadrão de Reconhecimento encostados aos sobradões de Montese, que me deixou penosa impressão dos recentes combates. Por toda a parte escombros, casas incendiadas, crateras de granadas. Alguns veículos, nenhum civil. Uma cidade morta. Só tristeza. Jeeps apressados iam e vinham. Soldados mastigavam a ração de campanha. Dois, acompanhados de duas meninotas, procuravam um lugar discreto no meio daquela confusão, enquanto os outros, cansados e quase indiferentes, soltavam piadas depravadas. Passa um prisioneiro alemão. Aproxima-se uma coluna de infantaria, exausta, marchando em filas ao longo da estrada, enquanto outra embarca em caminhões para ser levada a novas posições mais à frente."

Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira
"Rasgando Papéis - Reminiscências"

 


Vista de Montese a partir do P.O. da 1ª DIE
Arquivo Diana Oliveira Maciel

"Escrevo de dentro de Montese destruída. Montese já não existe. Nenhuma casa ficou intacta e só agora podemos avaliar o efeito terrível causado pelos disparos de Artilharia. Montese é uma cidade deserta, envolta em ruínas. Em suas casas destroçadas as manchas de sangue assinalam a violência da batalha com que os alemães a defenderam. Mas a completa destruição de Montese ainda não terminou. Decorridas mais de 48 horas após a sua captura, os alemães continuam a bombardeá-la quase que ininterruptamente com artilharia e granadas de morteiros. A todo instante ouvem-se explosões dentro da cidade. Alguns 'tanks' destruídos, paredes caídas, uma bomba de avião que não explodiu, montões de escombros nas ruas, silêncio de homens cansados, eis o que é Montese, outrora uma das mais interessantes das pequenas cidades italianas. Sua torre principal está partida, o próprio cemitério está revolvido pelas bombas. Procurei em vão encontrar um habitante de Montese. Só deparei com portas destroçadas, leitos vazios, cômodos em desordem. Penso que, desde que começou a batalha pela sua posse, a população abandonou a cidade. Os brasileiros venceram os nazistas, entre os quais se achavam muitos prussianos, num combate verdadeiramente épico, depois de encontro de ruas, de casa em casa, onde ficaram mortos e feridos muitos combatentes nossos."

Egydio Squeff, correspondente de guerra do jornal "O Globo".

 


Tropa de Infantaria em progressão nas vizinhanças de Montese
Foto escaneada do livro "O Brasil na II Grande Guerra"
Ten. Cel. Manoel Thomaz Castello Branco

"A grande odisséia da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em Montese teve início no dia 14 de abril de 1945 e assinalou o começo da ofensiva aliada da primavera, na frente do IV Corpo de Exército ( IV CEx), ao qual nossa 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) estava integrada. A conquista do maciço no dia 14, ocupação no dia 15 e manutenção nos dias 16, 17 e 18 custou a FEB um saldo de 34 mortos, 382 feridos e 10 extraviados, configurando-se , com certeza, em uma das mais árduas e sangrentas vitória de nossos 'pracinhas'. Montese era um dos bastiões mais fortes da famosa linha defensiva 'Gengis Kan', estabelecida pelos alemães. Sua conquista significava o rompimento dessa barreira, o que contribuiria para a expulsão do inimigo do vale do rio Panaro, impedindo-o de oferecer resistência ao avanço aliado rumo à planície do rio Pó. A missão atribuída a 1ª DIE foi atacar aquela região e cobrir o flanco esquerdo da 10ª Divisão de Montanha do exército norte-americano. Compreendia duas fases bem distintas: a primeira era o lançamento de fortes patrulhas com o objetivo de obter o controle da primeira linha de alturas; a segunda consistia numa ruptura para conquistar a região de Montese- Montello. Apesar de depararem com um adversário valoroso, firme em seu propósito de não ceder terreno e consciente da importância de Montese para o seu sistema defensivo, as tropas brasileiras não desanimaram e cumpriram sua missão conforme planejado, conquistando ao final da tarde seu objetivo. Após essa memorável jornada que culminou com a conquista e ocupação de Montese, coube a tropa brasileira continuar cobrindo o flanco esquerdo do ataque e manter as posições heroicamente conquistadas, o que foi feito sob tremendo bombardeio inimigo. Isso possibilitou a 10ª Divisão de Montanha do exército norte-americano romper o dispositivo inimigo, por onde foram lançados elementos em aproveitamento do êxito. A missão estava cumprida! Terminava , assim, a epopéia brasileira em Montese. Façanha de muito sacrifício, valor e heroísmo de nossos pracinhas, que serve de exemplo e estímulo aos soldados de hoje. O sucesso brasileiro serviu para que o Comando aliado incentivasse as demais divisões e foi enaltecido por todos os comandantes aliados. O general Crittenberger, comandante do IV Corpo, assim sintetizou o feito da 1ª DIE: ' Na jornada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a divisão brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade'."

Egydio Squeff
56º Aniversário da Tomada de Montese


Cel. Iporan Nunes de Oliveira em cerimônia realizada em São João d'El Rei, MG,
em 1967, reverenciando os heróis de Montese.
Foto escaneada do livro "Frei Orlando, o Capelão que não voltou", do Ten. Gentil Palhares

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