FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 


 

 Na Itália, o grupo de jornalistas ficou agregado à FEB como correspondente, sediado em Pistóia, junto ao QG recuado. Diariamente, os repórteres se dirigiam à linha de frente, na região do Vale do Reno, onde buscavam matéria para as reportagens. Vários jornalistas estrangeiros se credenciaram junto à FEB, representando jornais e revistas americanas, agências e cadeias de rádio. O representante da BBC (British Broadcasting Corporation), Francis Hallowell, falava português fluentemente e se tornou figura popular na FEB, ganhando o apelido de Chico da BBC. No fim da guerra, acabou vindo para o Brasil, onde se radicou e escreveu um livro sobre a campanha da Itália. A massa de reportagens enviada pelos correspondentes de guerra foi muito grande e, sem demérito dos demais, destacaram-se Rubem Braga e Joel Silveira que depois da guerra escreveram livros e crônicas sobre a campanha da Itália. O jornal O Globo imprimiu um tablóide denominado O Globo Expedicionário, que era enviado à Itália e distribuído entre a tropa, com notícias do Brasil e do mundo. O jornal foi muito bem recebido pelos soldados. O comando da Divisão publicava um jornal oficioso, denominado Cruzeiro do Sul, com notícias do comando brasileiro e colaboração de soldados e oficiais da FEB. O principal redator era o Cabo Naldo Caparica. O Serviço Especial da FEB editava um pequeno tablóide, o Zé Carioca, muito popular entre os soldados. Era um informativo leve e com páginas de humor. Seu principal redator era o Cabo José Borba. Na mesma linha do Zé Carioca, as unidades começaram, na medida do possível, a publicar pequenos jornais. O 6º RI distribuía o "...E a Cobra Fumou", O 1º RI, o "Sampaio". A Companhia de Serviço do 11º RI publicava um, já citado, com o título de Vem Rolando; era uma folha diária mimeografada e distribuída às demais subunidades com um resumo das notícias irradiadas pelo Serviço Especial Americano. O texto traduzido era enriquecido com desenhos para explicar melhor o avanço das tropas aliadas. Além das informações continha a seção Crônicas de Guerra, anedotas e pequenas histórias de humor. O esquadrão de reconhecimento tinha um jornal com o nome de "Marreta"; a Companhia de Petrechos pesados do 11º RI editou o "Tá na Mão". As publicações, de impressão manual, feitas artesanalmente e sem regularidade, a maioria com notas de interesse da própria unidade, fatos cômicos e irreverentes, serviam para distrair a tropa e melhorar o moral em combate. Essa imprensa, que seria chamada hoje de alternativa, teve enorme importância, pois era um elo de ligação com o soldado que estava em combate ou na execução de sua missão, propiciando uma fuga, um momento de lazer no meio do quadro estressante da guerra. O curioso é que esses jornais surgiram espontaneamente, sem incentivo do alto comando. Os cinegrafistas recolheram cenas da atuação da FEB na Itália, mas infelizmente não foi feito um acervo de importância: não há filmes completos sobre os combates da FEB e parte do material foi extraviada. Com isso, a FEB deixa de ter uma filmoteca como merecia. Já na área da fotografia, o acervo é muito rico e variado, permitindo que se faça uma iconografia da FEB. A importância da imprensa foi enorme: os jornalistas, remetendo suas crônicas diárias sobre a campanha da FEB, ajudaram a democratizar o país.

"A FEB por um Soldado"
Joaquim Xavier da Silveira

 
Pracinha brasileiro lendo tablóide semanal com notícias do Brasil.
"O Globo Expedicionário"

Levar um pouco do Brasil aos valorosos pracinhas que começavam a combater nos campos de batalha da Itália - além das notícias, o sentimento caloroso de solidariedade e a saudade dos que ficaram, parentes e amigos; o conforto dos que tinham consciência da missão e dos objetivos que levaram a FEB a lutar e vencer nos inóspitos e gelados montes dos Apeninos e no verde vale do Pó na primavera da vitória. Foi o que se propôs O GLOBO Expedicionário, o tablóide publicado pelo O GLOBO de setembro de 1944 a maio de 1945, editado pelos jornalistas Rogério Marinho e Pedro Motta Lima. Durante nove meses, a partir da edição de seu primeiro número, a 7 de setembro de 1944, semanalmente ele chegou à trincheira mais avançada onde havia um soldado brasileiro. E com ele, durante nove meses ininterruptamente, os fatos que marcavam a vida cotidiana dentro do Brasil: as decisões dos campeonatos regionais - em São Paulo o Palmeiras, no Rio o Flamengo - as notícias da administração, os progressos da indústria, os acontecimentos artísticos e culturais, o verão e as praias e os fatos da política que se avolumaram no decorrer de 1945 (convocação das eleições, as candidaturas à presidência, a anistia). E, mais do que isso, O GLOBO Expedicionário aproximou os soldados que lutavam de suas famílias e dos amigos. Através de suas páginas, milhares de mensagens chegaram a eles - o filho que nasceu, a irmã que se formou, um irmão que conseguiu o primeiro trabalho, o outro que se alistou, o beijo dos pais e da mulher. De setembro de 1944 a maio de 1945, O GLOBO Expedicionário foi, como acentuou em sua apresentação, um verdadeiro mapa dos mais ternos e nobres sentimentos brasileiros para os que lutavam nos campos da Itália.

"O Brasil na II Guerra Mundial"
O Globo Expedicionário



O Jornal "O Globo" do Rio de Janeiro, passou a editar o tablóide "O Globo Expedicionário", remetido para distribuição entre os expedicionários, no qual eram transmitidas mensagens de seus parentes e amigos. Na última carta por mim recebida, constava que "o Governo pensou em não realizar o carnaval e a opinião pública ficou dividida, mas, ao final, aconteceu uma festa momesca sem o brilho e a animação dos carnavais passados. As músicas foram fracas, algumas ironizando o nazi-fascismo. Nós, aqui de casa, aproveitamos esses dias de folga obrigatória para reler cartas e rememorar fatos passados".

"Montese, Marco Glorioso de uma Trajetória"
Coronel Adhemar Rivermar de Almeida


Ando por corredores compridos, atravesso dormitórios mergulhados na penumbra ou apenas iluminados por uma luz difusa e velada, ouço distante o som de um disco; e já agora, bem próximo, o martelar intermitente de uma máquina de escrever. O sargento levanta a lona verde que serve de porta, deixa que eu passe, empurra de qualquer jeito minha bagagem no aposento - e lá dentro estão meus amigos Rubem Braga, do Diário Carioca, Egydio Squeff, de O Globo, e Raul Brandão, do Correio da Manhã. É uma chegada inesperada, e posso perfeitamente reconstituir a atitude e postura de todos, quando cheguei: Squeff batendo vagarosamente numa portátil, Brandão sumido sob uma tonelada de cobertores, e Braga, na cama, debruçado sobre um mapa enorme do tamanho de um lençol. A sala é grande, dividida ao meio por outra lona verde, e são seis as pequenas camas espalhadas sem simetria. Há uma mesa retangular no centro, feita de tábua rústica, mas me explicam logo que no andar de cima existe uma sala especial para os correspondentes. "Especial e fria como um cemitério", me diz Squeff .Quando o frio aumenta - e está aumentando de dia para dia, de hora em hora - os jornalistas, brasileiros, ingleses e americanos, preferem escrever cá embaixo mesmo, nos dormitórios, de janelas hermeticamente fechadas e todos enrolados em várias camadas de lã. Ao lado é a sala-dormitório dos correspondentes estrangeiros: Henry Bagley, da Associated Press; Harry Buckley, da Reuters; Frank Norall e Allan Fisher, da revista Em Guarda, editada pelo Coordinator of Inter-American Affairs, e Frances Hallawell, da BBC. É uma gente simpática, me dizem; e a prova disso é que logo me cercam e me bombardeiam com perguntas sobre o Brasil. Para o correspondente, a vida aqui, duríssima, tem que obedecer a uma certa rotina. Dia sim, dia não, vamos ao front, onde estão o QG Avançado e as linhas de frente da FEB, tudo situado a menos de 80 quilômetros do QG Recuado, e aonde se chega galgando cheio de cuidado a enviesada e esburacada Rota 62, que, a partir da etrusca Pistóia, começa a escalar os Apeninos. Nas vésperas de qualquer operação de maior envergadura lá na "frente", somos prevenidos e para lá vamos. E dos Postos de Comando da Artilharia ou da Infantaria podemos acompanhar o desenrolar dos combates ou o avançar lento das patrulhas pela terra de ninguém, um território ingrato atapetado de minas letais ou apertado entre montanhas cujas cristas os alemães há meses dominam, soberanos, por detrás de suas poderosas casamatas e de suas trincheiras cavadas no chão duro.

"A Luta dos Pracinhas"
Joel Silveira e Thassilo Mitke

 

O jornal "...E a cobra fumou!" foi uma voz das mais brilhantes que apareceu nos campos de batalha da Europa. Pugnando sempre contra o que estivesse em desacordo com a justiça a querida e acatada publicação do I Batalhão foi uma defensora sincera e desinteressada de tudo que se relacionasse com o Regimento. O seu último número foi publicado a 8 de maio de 1945, numa feliz exaltação à Vitória e editado em Voghera na Lombárdia. Desapareceu com o final da campanha mas deixou um exemplo frisante de trabalho honesto e eficiente, uma impressão excelente que o tempo jamais apagará em sua trajetória infinita graças aos alicerces impolutos nos quais foi ereto o saudoso periódico: "...E a cobra fumou!"

O Sexto Regimento de Infantaria Expedicionário
Antorildo Silveira

 

Sylvia de Arruda Botelho Bittencourt, jornalista brasileira, primeira mulher a receber o Cabot Awards de jornalismo em 1941 participou da cobertura jornalística da Força Expedicionária Brasileira - FEB - na Segunda Guerra Mundial. Quando os primeiros correspondentes de jornais brasileiros chegaram à Itália, lá já estava Sylvia de Arruda Botelho Bittencourt, esposa do diretor do Correio da Manhã, Paulo Bittencourt. Ela escrevia para os jornais utilizando o pseudônimo de Majoy e era correspondente de guerra da United Press - UP - na Europa. O contato dessa jornalista com as tropas brasileiras foi curto, pois sua agência a designou apenas para duas rápidas passagens pela FEB. E esse foi o procedimento adotado pela agência para a cobertura das tropas brasileiras. A UP não fixou um repórter com funções específicas junto a elas, utilizou seus correspondentes que faziam a cobertura do teatro de operações na Itália de forma geral. Por outro lado, vários órgãos de comunicação internacionais designaram jornalistas específicos para acompanharem as tropas brasileiras por períodos mais prolongados. Com efeito, nas instalações designadas para os correspondentes junto à FEB, geralmente no local onde se encontrava o Quartel General Recuado. A partir de dezembro de 1944 havia em média, continuamente, entre oito e dez correspondentes acompanhando a movimentação dos soldados do Brasil. Os profissionais estrangeiros agrupavam-se todos em um quarto contíguo aos correspondentes brasileiros, os quais também ocupavam um quarto coletivo. Geralmente, a proporção entre eles era equivalente. As razões do significativo número de repórteres estrangeiros trabalhando especificamente junto às tropas brasileiras eram decorrentes da importância diplomática da participação dos soldados do Brasil na guerra. Embora, logicamente, a FEB fosse apenas uma força simbólica em comparação ao efetivo dos demais países aliados atuando nos combates e, além disso, participando de ações em uma zona secundária da guerra no momento, o importante era que se tratava da única força terrestre da América Latina ativa nos combates.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_de_Arruda_Botelho_Bittencourt


Páginas de jornais de época pertencentes ao arquivo de Iório Adami.
Gentilmente cedidos por seu filho Fausto Iório Adami.

 

Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
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