FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

A FORMAÇÃO DA FEB


Da esquerda para a direita: Cordeiro de Farias, Zenóbio da Costa,
Mascarenhas de Moraes e Olímpio Falconière da Cunha.
Foto escaneada do livro "A FEB por um soldado" - Joaquim Xavier da Silveira

Nos bastidores, entretanto, havia muita intriga, muito despeito, muita animosidade contra a FEB. Afirma-se que alguns Generais de Divisão foram consultados para exercer o Comando da 1ª Divisão, entre eles os Gens. Valentim Benício, Amaro Bittencourt e Francisco Gil Castelo Branco, todos já falecidos. O Gen. Mascarenhas de Moraes, consultado, aceitou imediatamente. Todavia, quem mais aspirava esse Comando era o Gen. Leitão de Carvalho, chefe ilustre, amigo do Emb. Oswaldo Aranha, e que participara de todas as tratativas em Washington em torno da FEB, e lá se encontrava inteiramente dedicado ao assunto.Sua notável capacidade, energia e espírito militar seriam muito úteis no difícil comando, com a vantagem de conhecer as mínimas particularidades dos compromissos bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos. Todavia, não o convidaram. De qualquer forma, ao alcançar o dia 15 de maio de 1944, o ambiente no seio da FEB era de intensa opressão, angústia e - porque não confessar - de certo pessimismo. Continuava prevalecendo, em toda a sua extensão, a falta de preparação psicológica. E já agora se sentia também a falta de equilíbrio emocional entre os próprios Chefes. A escolha do Gen. Zenóbio da Costa para o comando da Infantaria da Divisão Expedicionária fora do inteiro agrado da tropa da Infantaria, mas não deixava de preocupar os outros Generais. Era difícil refrear o ímpeto do índio mato-grossense, que estava sequioso de glórias, amava o perigo e tinha uma confiança ilimitada na sua estrela. O Gen. Sampaio, patrono da nossa Infantaria, tinha esse instinto característico da personalidade de Zenóbio. Muito se assemelhavam, embora um tivesse nascido no Ceará e o outro em Mato Grosso. Sampaio não gostava de se afastar dos seus soldados. Talvez pela sua origem muito humilde, ele só se sentia bem quando privava do convívio dos seus comandados. Zenóbio, igualmente. Tinha fanatismo pela manipulação direta da tropa, indo ao extremo de estimular ou de censurar pessoalmente, tanto no exercício de tempo de paz como no correr do combate, o homem que o merecesse. Agora, como outrora, o segredo do êxito do Chefe está intimamente ligado ao modo pelo qual ele se prende aos seus comandados, dirigindo-lhes a palavra, infundindo-lhes a confiança tão necessária nos momentos difíceis. O único dos Generais da FEB que tinha esta aptidão era Zenóbio. Competia com os Tenentes e Capitães. Era tipicamente um infante. Mascarenhas era artilheiro até à medula; Cordeiro, mais político do que soldado, não chegara a ser Tenente de Artilharia. As revoluções o empolgaram e desviaram. Sua metamorfose se apoiava na lúcida inteligência. Falconière tinha um passado de bom infante e vigoroso administrador. Não foi testado no Comando. Teria sido mais útil se tivesse comandado um Grupamento Tático Especial, composto de tropas do Depósito do Pessoal. É preciso que se diga que a personalidade do Gen. Falconière não estava em jogo. Homem inteligente, de boa cultura profissional, corajoso e desassombrado, dispunha de grande autoridade moral e profissional para exercer qualquer função de seu posto. Sua presença, depois da chegada da FEB à Itália, foi muito útil no Comando dos órgãos de Retaguarda. Enquanto os três Generais se ligavam direta e incessantemente às operações em curso, na frente de batalha, o Gen. Falconière e seu Quartel-General supervisionavam todo o complexo mecanismo de apoio logístico, cujas linhas se alongavam de Nápoles aos Apeninos, permitindo um perfeito entrosamento com os órgãos americanos, sem, contudo, ficar numa subordinação despersonalizada, ou numa dependência desmoralizante. Em todo o transcurso da Campanha foi possível conservar a tipicidade das coisas brasileiras e manter a linha de cumprimento de ordens exclusivamente originária do Comando brasileiro. E isso foi possível porque, entre o Comando da FEB no Teatro de Operações e o complexo mecanismo dos órgãos da retaguarda, na sua heterogeneidade, se colocou um General com o seu Quartel-General. Essa, a missão de Falconière. Nenhuma ordem, de qualquer órgão de comando americano, chegaria aos executantes sem passar pelo filtro do Comando brasileiro, na frente como na retaguarda.

A Verdade sobre a FEB
Memórias de um Chefe do Estado Maior na Campanha da Itália
Mal. Floriano de Lima Brayner


Gen. Mascarenhas de Moraes ao centro.
Foto da FGV - CPDOC

 

MONTAGEM DO EMBARQUE

Essa foi a primeira e delicada tarefa que o Estado-Maior Especial teve de cumprir. Estava terminada? Analisemos serenamente os fatos. Diante desses grupo de oficiais, duas questões se levantaram para que tomasse um ritmo acelerado o embarque da tropa:
- Constituir o 1º escalão de tropas, para o embarque;
- Destacá-lo do conjunto divisionário e fazê-lo embarcar sem quebra de sigilo.

 A constituição, como vimos, estava consumada. Os que ali se encontravam, inclusive o General Comandante da Divisão, aceitaram os fatos consumados, pois era evidente que tudo já viera organizado dos Estados Unidos para uma rápida tramitação entre nós. Restava o problema do embarque propriamente, quando seria impossível controlar o sigilo. Entretanto, havia um fator precioso de êxito: o Estado-Maior Especial, assim designado pelo Ministro da Guerra, de composição e missão absolutamente secretas, era desconhecido de todo mundo. Pode, por isso, manter-se em atividade contínua sem se denunciar, porque esse era o compromisso de cada um dos seus integrantes. Nenhuma diretiva foi estabelecida para o seu trabalho, ao mesmo tempo que se proibia, formalmente, a preparação de qualquer documento sobre suas atividades. Na repartição das missões, coube ao Ten. Cel. Amaury Kruel o encargo de montar a segurança do embarque, sob todos os aspectos. O Ten.Cel. Castelo Branco ficou com a incumbência, como Chefe da 3ª Seção, de preparar novos planos, visando à aceleração da instrução, já agora em caráter objetivo, embora dissimulando o embarque parcial da tropa.  No dia 20 de maio, a 1ª Seção de Estado-Maior deu o "pronto" nos efetivos com a recuperação dos especialistas que se encontravam em adestramento, na Escola de Instrução Especializada. E no dia 24 de maio de 1944 a Divisão foi apresentada ao Presidente Getúlio Vargas, em público, com todas as armas que possuía, na maioria antiquadas, muito aquém, aliás, do que devia possuir, para parecer uma verdadeira Divisão do tipo americano. O público de nada sabia, embora se tratasse de uma despedida. Por uma questão de curiosidade e de solidariedade humana, a população se concentrou entre a Praça Paris e a Praça Mauá, para assistir o desfile da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária na sua forma definitiva, sentindo que estava iminente a partida. Nada impedia, porém, que muitos dos antigos "Integralistas" e outros de formação nazista difundissem a sua incredulidade procurando, pela desconfiança, e até pela intriga, levar o descrédito ao coração da tropa, atribuindo-lhe qualidades negativas e apelidos pejorativos. E o desfile, para esses negativistas, teria sido uma maneira de ludibriar a opinião pública. Essa fase, entre 15 de maio e 6 de junho de 1944, foi, entretanto, uma das mais angustiosas para o Alto Comando Aliado. Estava iminente a grande ofensiva estratégica em todo o mundo, mediante a intensificação das operações no Pacífico, a tentativa de desembarque no Mar do Norte e a investida simultânea contra Roma. Esta última operação, no Teatro de Operações da Itália importaria na liberação do Vaticano dos carcereiros nazistas e, principalmente, na desarticulação do Eixo Roma-Berlim, com a queda de um dos seus pólos. Somos dos que acreditam que os aliados, se tivessem podido colocar cem mil brasileiros da FEB na Itália, ao se iniciar a primavera de 1944, as Divisões Americanas e francesas que fossem recuperadas nesse front teriam participado de um desembarque - uma operação de "diversão" de grande envergadura no sul da França, numa verdadeira finta que muito diminuiria a densidade de tropas alemãs na Normandia e teria, talvez, precipitado o desfecho daquela onerosa batalha. Mas tudo se processou com extrema lentidão, particularmente entre nós. Os planos elaborados em Washington não vingaram. Não obedeceram às condições e ao imperativo do tempo. A idéia da intervenção do Brasil na luta já estava em cogitação desde 29 de março de 1943. E tão certa era essa idéia predominante que, naquela ocasião, os temas estudados com os brasileiros, na Escola de Leavenworth, versavam exclusivamente sobre desembarques na Normandia e outros pontos do litoral do Mar do Norte. Faltava, todavia, entre nós, mais firme espírito de decisão. O Ministro da Guerra de então, Gen. Eurico Gaspar Dutra, visitou, como convidado especial, em setembro de 1943, os Estados Unidos para "acertar os ponteiros"; o ritmo de nossa preparação pouco se acelerou. No entanto, muito antes de passarmos à beligerância, já tínhamos nos Estados Unidos uma Comissão de militares ilustres, chefiada pelo Gen. Estevão Leitão de Carvalho, tendo como colaboradores o Alm. Álvaro de Vasconcelos e o Cel. Av. Vasco Alves Secco. Representavam o Brasil na Comissão Militar Mista de Washington, cujo presidente era o General do Exército Americano J .G .Ord, o qual, falando perante a Comissão disse, no dia 27-8-1942:

"Nós, da América do Norte, estamos adotando agora uma atitude de ofensiva estratégica na proteção do nosso hemisfério. Como conseqüência, sentimos que, por enquanto, o pessoal destinado à defesa do Brasil, inclusive do Nordeste, deve provir do país. E esperamos sinceramente possamos limitar nossa contribuição a quadros de instrução para o material técnico, e um mínimo de homens necessários ao serviço de guardas, em lugares do interior" .

Analisando essas declarações, não podemos compreender a sua significação, nem interpretar os entendimentos e acordos assinados pelos Governos brasileiro e norte-americano. O regime ditatorial em que vivíamos não permitia, ou melhor, perdera o hábito de dar satisfações à opinião pública. Sentia-se através daquele texto que alguém, pelo Brasil, pedira tropa americana para defender nosso território nordestino sob grave ameaça. Confrontando datas, constata-se que o pronunciamento do Gen. Ord foi no dia 27 de agosto de 1942, seis dias após a nossa declaração de beligerância com o Eixo e dez dias depois dos cruéis torpedeamentos do Baependi, Aníbal Benévolo, Arara, Itagiba e Araraquara, em que tivemos 653 mortos. O atentado à nossa soberania ocorrera a 7 e 8 milhas das costas de Sergipe. Considerava-se, portanto, gravemente ameaçado o Nordeste, mormente se o Afrika Korps, de Rommel, chegasse a dominar o Norte da África e se voltasse contra a América do Sul. No clima emocional em que vivíamos, naquele momento, é de se admitir tenha havido alguma transigência da parte do Governo. Houve, realmente, entendimentos mal conhecidos até hoje, que deram margem à instalação da Base Aérea de Parnamirim (Natal), com uma guarnição de milhares de homens, onde se içava diariamente a Bandeira Americana, chegando a ser a mais importante do mundo. Também em Recife se instalou a Base Naval e Comando do Atlântico Sul. Naturalmente, nos campos de pouso e seções de Bases Aéreas, que foram surgindo por necessidade operacional (Fortaleza, Salvador, Fernando Noronha), aí chegaram pequenos contingentes de especialistas militares americanos para a montagem de uma infra-estrutura necessária. Esta obra despretensiosa não tem objetivos polêmicos, nem pretende revolver os arquivos para focalizar episódios mal conhecidos, principalmente nos anos de 1940 e 1945, em que corremos graves perigos no panorama internacional. Todavia, não é demais abordarmos a crítica construtiva, apontando os fatos mal justificados. Os povos de menor expressão econômica e que não sabem se impor no campo político internacional, estão na dependência de severas restrições. O sentido da amizade entre os povos está inegavelmente sujeito a múltiplas condições, em que o egoísmo, a ganância e o exclusivismo são predominantes. O Estado-Maior da Divisão não podia deixar de atentar muito particularmente para os aspectos que influíssem no seu rendimento. Como nordestino. eu olhava com desconfiança para a maciça ocupação que faziam os americanos no grande saliente do nordeste do Brasil, sem perder de vista o que se passava no Sul do Pais. O Sul do Brasil era largamente influenciado pela colonização germânica e italiana, o que significa dizer que dificilmente se voltaria contra as suas origens, vinculadas aos velhos troncos ancestrais. Por outro lado, o Nordeste do Brasil, em face do conflito que se desencadeara no Velho Mundo, em 19 de setembro de 1939, era ponto nevrálgico da defesa continental. Era o Brasil, mais uma vez, o perigoso arquipélago tão falado na literatura antropogeográfica, às voltas com um regime de governo no qual predominavam os homens do Sul do país, de modo que a sua política de guerra teria, forçosamente, de refletir esses aspectos. Assim pensando, os americanos do Norte, que já viam com severas restrições as tendências germanófilas da República Argentina, procuraram logo aglutinar a América em tomo de uma causa continental, em que se visse severamente comprometido o Brasil, a principal potencia da América do Sul. Nessas condições, nossa política de guerra deveria ser essencialmente contrária aos países do Eixo. Das reuniões e entendimentos bilaterais realizados em Washington, resultou o compromisso de mobilizarmos todos os nossos recursos, inicialmente com o objetivo de neutralizar as atividades multiformes dos agentes dos países do Eixo dentro de nossas fronteiras, cooperando deste modo para a própria segurança interna dos países vizinhos. E, complementarmente, para fazer convergir os meios disponíveis para as regiões mais expostas às possíveis investidas do inimigo comum. Longe de nós estava o conhecimento de que, nos conciliábulos de Washington, o Gen. Góes Monteiro, Chefe do Estado-Maior do Exército, chegara a solicitar o concurso de tropas americanas para a defesa de alguns pontos do território brasileiro. Como se não bastasse a ocupação de Parnamirim (Natal) e de Recife por órgãos americanos! Ainda aqui não quero me deixar levar pelo desejo de examinar, cuidadosamente, a cilada que o destino nos armou, e que a proteção divina não permitiu se transformasse em tragédia para a nacionalidade. Germanos ao Sul e anglo-saxões no Nordeste e Norte do País estiveram debruçados sobre a encruzilhada da nossa soberania. Nós, da FEB, tudo ignorávamos desse horizonte tempestuoso, embora acompanhássemos, angustiados, o desenrolar da política da guerra que arrasava o mundo e o medíocre papel que o Brasil desempenhava, sob a égide de um governo ditatorial, em que as mais transcendentes decisões tinham que emergir do cérebro de uma única pessoa, toda poderosa - o Ditador -, felizmente um homem patriota. Faltava o poder eminentemente político - o Parlamento -, isto é, o Povo, para as grandes decisões, com a interferência dos seus líderes preferidos. Getúlio Vargas era um homem de boa formação moral e de temperamento blandicioso. Mas era Chefe absoluto do Governo há quatorze anos, sem a sanção das urnas. Suas decisões, como era natural, obedeciam, acima de tudo, à preocupação da perpetuidade da ditadura. Não me posso furtar à amargura de um comentário sobre a evolução política de povos, como o nosso, que não atingiram à maturidade e ficam expostos ao espírito de aventura do caudilhismo. Os exemplos estão aí, à vista, na crista de processos aparentemente revolucionários, que dão acesso ao poder a homens sem nenhuma formação política e sem qualquer característica de estadista. Vem à tona imediatamente o primarismo, de envolta com o individualismo tacanho de quem, afora as vinganças pessoais, perseguição de adversários, só se preocupa com o favoritismo no uso e gozo das prerrogativas do poder. E não podem esconder o horror às manifestações da opinião pública, o temor do sufrágio popular que sabem lhe será adverso. Se há, por acaso, um poder Legiferante que emane do Povo, o Executivo passa a votar-lhe profundo desprezo, levando-o até à anulação. A 1ª Divisão da FEB, pronta para ser transportada para o Teatro de Operações, não sabia bem o que lhe caberia representar: um capricho da Ditadura ou o Povo brasileiro. 

A Verdade sobre a FEB
Memórias de um Chefe do Estado Maior na Campanha da Itália
Mal. Floriano de Lima Brayner


Juraci Magalhães (terceiro da direita para a esquerda) e Cordeiro de Farias (sexto da direita para a esquerda),
entre outros, durante o 2° curso de Comando e Estado Maior do Fort Leavenworth, 1942. Kansas (EUA).
Foto da FGV - CPDOC

 

Como não houvesse, nos efetivos de paz, algumas das unidades a mobilizar, tornou-se necessário criá-las. Daí a razão dos cinco Decretos-Lei expedidos a 6 de dezembro de 1943, mandando organizar, na Capital Federal, as seguintes: QG, Tropa Especial, 1º BS, 1º Esqd Rec; 1ª Cia Com e I/1º RAPC. Providências idênticas tomaram-se com respeito ao Depósito do Pessoal e aos Serviços Gerais. A mobilização das unidades foi, sem dúvida, a operação mais difícil e delicada que o EM do Exército teve de enfrentar durante esta angustiosa fase do conflito. Vendo-se na contingência de realizar uma campanha externa e estranha ao seu povo, com unidades e uma doutrina inteiramente diversas das existentes no país, natural sofresse os duros impactos da realidade, que o obrigaram a adaptar, sob pressão dos acontecimentos, velhos sistemas ultrapassados pela rotina dos anos. A execução dessa obra exigiu redobrados esforços dos seus planejadores e obreiros. O que não foi readaptado, modificado, teve de ser criado, tudo isto sob a orientação de alguns oficiais norte-americanos e brasileiros recentemente chegados dos Estados Unidos. Um dos problemas mais complicados dessa intricada operação foi, inegavelmente, o preenchimento das inúmeras funções especializadas existentes nos novos quadros de organização, pois na Reserva não havia elementos em número e em condições de preenchê-las. O armamento, como as metralhadoras Madsen e Hotkiss, os fuzis modelo 1895 e 1908, os canhões Schineider e Krupp, os equipa:mentos de engenharia e de comunicações e os apetrechos das unidades de serviço eram, em geral, de origem francesa, alemã ou nacional, bem diversos dos materiais de procedência norte-americana. As dotações orgânicas no tocante a equipamentos de engenharia, comunicações, guerra química, transporte, eram irrisórias. Se nos lembrarmos que, outrora, não existiam nas unidades aparelhos telegráficos, teletipos, criptógrafos, detectores de minas, "bulldozers", unidades de banho, etc., e que, de uma hora para outra, tiveram de ser manipuladas por homens oriundos, na sua maioria, de regiões agrícolas, subdesenvolvidas, podemos avaliar o que realmente tenha sido a mobilização da FEB. Não obstante todas essas dificuldades, o EM do Exército não desanimou, procurando na Reserva os elementos capazes de integrá-la. Nesse sentido elaborou instruções para os Comandantes de Grupos de RM, 1ª, 2ª, 4ª e 9ª RM e Diretorias, mostrando-lhes como poderiam ser aproveitados, nas novas funções, os reservistas constantes dos quadros de mobilização. Nos casos em que não houvesse elementos para preenchimento desses claros ou quando os reservistas convocados não satisfizessem inteiramente às exigências das novas funções, recomendava fossem matriculados em escolas de instrução, a fim de se habilitarem convenientemente. A mobilização deveria processar-se apenas nas 1ª, 2ª, 4ª e 9ª RM, por meio da convocação individual e do voluntariado, cabendo às próprias unidades designadas para dar organização às que iriam constituir a 1ª DIE, selecionar o pessoal. Ordens posteriores, entretanto, modificaram este critério, de modo que a mobilização passou a fazer-se simultaneamente em todo o território nacional, talvez para atender aos patrióticos apelos que partiam de todos os recantos do país. Se por este lado a iniciativa foi elogiável, verificamos, sob o ponto de vista técnico, que só serviu para tumultuar a mobilização, porquanto nem as Juntas Médicas regionais estavam em boas condições para atender aos contingentes de inspecionandos nem os transportes existentes satisfaziam às suas necessidades. A seleção médica constituiu problema dos mais graves, não só devido às limitadas possibilidades do Serviço de Saúde do Exército, como à falta de melhor compreensão dos examinandos que, ao revés de aceitarem as inspeções como atos de medicina preventiva, encaravam-na, em geral, como obstáculos à sua carreira profissional, temendo o estigma depressivo da incapacidade. A inspeção de saúde, vista sob este angulo, será sempre contra-producente e nociva. A sua finalidade não é condenar, mas selecionar e orientar os indivíduos que apresentam lesões ou deficiências orgânicas, com o elevado propósito de mantê-los sãos no selo da coletividade. Se assim não for, provocará, irremediavelmente, o divórcio entre o examinador e o examinando, quando o ideal será que, após a inspeção, formem um todo harmônico, como normalmente ocorre na vida civil. Além desse aspecto negativo das inspeções, cuja culpa cabe menos aos médicos do que aos inspecionandos, outros houve que dificultaram a seleção, a começar pela constituição das Juntas Especiais de Saúde, das quais deveriam fazer parte especialistas diversos e não os havia em número suficiente nos Quadros da Ativa. Apelos feitos aos médicos civis trouxeram elevado número deles a colaborar com os da ativa, sem remuneração. Assim mesmo, em determinadas regiões, as Juntas funcionaram incompletas, com prejuízos para os inspecionandos. A seleção deveria ter obedecido às seguintes normas fundamentais constantes das "Instruções para organização e funcionamento das Juntas Médicas de Seleção":
- Inspeção de saúde rigorosa por Juntas compostas de médicos especializados nos diferentes ramos da medicina.
- Avaliação da capacidade intelectual, feita por médicos psiquiatras e por psicólogos, de sorte a ficar determinado, por meio de testes, a idade mental e, conseqüentemente, o grau de desenvolvimento da inteligência dos examinandos.
- Observação do estado de saúde física e mental, nas unidades de treinamento, dos que tenham sido julgados aptos, durante o prazo de três meses.
- Os homens seriam classificados em quatro grupos:
Apto para o serviço do Exército, categoria especial (E)
Apto para o serviço do Exército, categoria normal (N)
Incapaz temporàriamente para o serviço do Exército
Incapaz definitivamente para o serviço do Exército .
- Os aptos, categoria E, seriam incorporados à 1ª DIE nas funções que exigissem maior dispêndio de energia.
- Os oficiais de categoria N, não seriam incluídos na FEB.
- As praças de categoria N, poderiam ser aproveitadas em determinadas funções.
As inspeções iniciaram-se com o máximo rigor, de acordo com as normas expedidas, acusando altas percentagens de incapazes para o serviço de guerra, que causaram muita sensação, apesar de equivalentes às de outros exércitos do mundo. Para evitar, parcialmente, os prejuízos decorrentes desse excessivo rigor, o Ministro da Guerra unificou as duas categorias E (aptidão para o serviço de guerra) e N (aptidão normal), sendo todos incluídos na categoria E, depois das inspeções feitas. Este fato de elevar indivíduos de características apenas normais à categoria especial, na qual as exigências eram muito mais severas, resultou, posteriormente, em más conseqüências. Para agravar esta situação, as inspeções processaram-se segundo a diretriz de que deveriam estar concluídas no prazo de sessenta dias, o que não foi possível, apesar do açodamento que lhes imprimiram. Sérios problemas técnicos tiveram de ser enfrentados, tais como o da imunização da tropa e o dentário. Todos os homens deveriam embarcar imunizados contra a varíola, as febres tifóides e para-tifóides, o tétano e o tifo exantemático. Devido, porém, às freqüentes inclusões e transferências de contingentes de uma unidade para outra, muitos deles tiveram de concluir as séries de vacinações no próprio decurso da viagem. A questão dentária preocupou bastante nessa ocasião. Não sendo o povo brasileiro bem orientado na conveniência da procura periódica do dentista, bem como das vantagens do rigoroso asseio dentário, ocorreu que grande número de inspecionandos apresentou-se com a superfície mastigatória incompleta e estragada. A primeira idéia foi mandar para o TO homens com a dentadura recomposta. Como, porém, não fosse possível recuperar, em tempo, todos os doentes, exigiu-se, apenas, o tratamento dos dentes. Mesmo assim, muitos não puderam ser atendidos, prosseguindo o trabalho a bordo e na Itália, onde foram feitas inúmeras extrações e serviços diversos. Se os exames físicos deixaram muito a desejar, pior ainda foram os psicológicos, por cujas malhas passaram centenas de homens, inclusive oficiais, que não estavam em perfeitas condições para suportar as imensas responsabilidades que lhes caberiam na batalha. As intensas e variadas emoções da luta e as bruscas e violentas mudanças de atitude exigem dos combatentes, além de muito vigor físico, perfeito equilíbrio emocional, do contrário tornar-se-ão presa fácil do ridículo e da covardia. Muitas vezes um corpo aparentemente são encobre um espírito fraco que, ao primeiro contacto com a realidade, lança-o irremediavelmente ao solo, como tantos casos que se verificaram na própria FEB. Inversamente, muitos indivíduos franzinos e débeis agigantam-se na luta, exatamente porque têm um espírito forte e uma formação moral sólida a impeli-los a frente. Distinguir nos indivíduos estes traços, eis a grande tarefa dos selecionadores, de modo que para a guerra só sigam os fortes. Com esta providência, não só economizaremos dinheiro e tempo, como preciosas vidas que poderão ser bem mais úteis em outras atividades menos trepidantes. Durante as inspeções psicológicas, o primeiro obstáculo a ser enfrentado era a recusa às entrevistas com os psiquiatras, tidos mais como homens estranhos e excêntricos do que como especialistas e conselheiros, tornando-se inexpressivos os resultados obtidos. Aqueles que compreendiam o valor de tais medidas procuraram com eles cooperar, tentando identificar, no seio dos fisicamente capazes, os que lhes pareciam neuróticos pela simples observação das suas atitudes ou pelos resultados das suas entrevistas. É doloroso confessar, à margem dessas considerações, que neste peregrinar pelos quartéis, foram descobertas centenas de indivíduos de má conduta, que a irreflexão de muitos tentou incluir na FEB, como se esta fosse um repositório de malfeitores ou uma unidade correcional, agravando uma situação já bastante onerada. A guerra moderna exige o que há de melhor e mais representativo no seio da Nação e não analfabetos, doentes e desordeiros, que só servem de entrave à ação dos exércitos. Na II Grande Guerra, o Serviço de Seleção norte-americano rejeitou mais inspecionandos por diagnósticos relativos a desordens mentais e de personalidade, manifestas ou em potencial, do que por qualquer outra causa. Mais de 800 000 homens foram rejeitados por tais motivos, representando 17,8% do total das incapacidades. A despeito desta eliminação, entre 1941 e 1946, mais de 1 000 000 (um milhão) de pacientes foram admitidos nos hospitais do Exército por diferentes espécies de manifestações neuropsíquicas, o que bem realça a importância do problema. A FEB passou, de 15 de setembro de 1944 a 2 de maio do ano seguinte, engajada na campanha. Durante esta fase foi poucas vezes empenhada intensamente na luta, mas os seus homens sofreram profundamente as conseqüências desse esforço continuado, sendo visíveis, em muitos deles, sintomas de medo, ansiedade e fadiga, além de outras manifestações mais graves. Entretanto, quando se pensava em substituí-la à frente, para repouso à retaguarda, ainda havia vozes que se erguiam para manifestar descontentamento, dentro daquele conceito brutal, de que o homem deve ser superior ao próprio tempo. O cronista José Leal, de "O Globo", publicou neste vespertino (Edições de setembro de 1957), uma série de reportagens sobre a neurose de guerra na FEB, sob o título "0 outro lado da glória". São inúmeros os dolorosos casos que ele narra, porém, a exata extensão destas desordens mentais só será conhecida nos anos vindouros, pois, em muitas vítimas, as manifestações da moléstia só se revelam num futuro distante, arruinando novas vidas, ceifando novos lares, roubando velhas esperanças, destruindo, enfim, valiosos patrimônios. Embora esta questão constitua assunto específico dos médicos, todo e qualquer oficial, particularmente aqueles que se preparam para postos de chefia, devem conhecer alguns dos seus sintomas e, o que é mais importante, as suas conseqüências imediatas e remotas, para não permitir que seus homens atinjam os perigosos limites das resistências físicas e mentais, de grande efeito sobre o estado disciplinar e o moral das tropas.

"O Brasil na II Grande Guerra"
Ten. Cel. Manoel Thomaz Castello Branco


Gen. Mark Clark entre os Gens. Zenóbio da Costa e Lima Brayner.
Foto escaneada do livro "A Verdade sobre a FEB" de Lima Brayner

 

A CONSCRIÇÃO

A conscrição para a guerra pode dizer-se que foi bem feita. O Exército estava preparado para fazê-la. As Circunscrições de Recrutamento, espalhadas pelo território nacional, tinham o fichário dos reservistas que haviam servido ao Exército, com suas respectivas especialidades, não só civis como militares, bem como dos reservistas de 2ª categoria que haviam prestado o serviço militar nos chamados Tiros de Guerra ou Escolas de Instrução Militar Preparatória, anexas aos ginásios e faculdades. O Exército sabia quem era motorista (muito poucos naquele tempo), quem era atirador de morteiro, quem era volteador, quem sabia ler e escrever... Manusear fichas foi fácil. Entretanto, o número de reservistas já treinados foi insuficiente para preencher os claros de uma Força Expedicionária que se pretendia de três Divisões, ou mais, dependendo das necessidades e das contingências da guerra. O Exército teve, por isso, que lançar mão dos chamados reservistas de terceira categoria, aqueles brasileiros em idade de prestar serviço militar, mas sem nenhum treinamento. Homens que jamais tinham visto uma arma, que nem ao menos sabiam marchar ou o que era direita volver! Eles chegavam submissos, aos magotes, ao Quartel do Onze, em São João Del Rei. Chegavam totalmente xucros. Deu trabalho transformá-los em soldados, especialmente preparados para enfrentar o melhor soldado do mundo. Os oficiais antigos contavam que houve um tempo no Exército no qual, em vez de cadenciarem a marcha com a cantilena (pé) esquerdo! direito! para que os recrutas acertassem o passo, diziam: pé com palha! pé sem palha! Tinham antes amarrado uma palha de milho no dedão do pé dos soldados. Talvez tivesse acontecido isso no tempo da Guerra do Paraguai. No nosso tempo, não chegamos a tanto. Olhando-os, eu ficava triste, tinha vontade de chorar, tanto que me afligia aquele retrato cruel do Brasil. Muitos chegavam da roça descalços. Mal vestiam uma calça cerca-frango, curta pela canela, e uma camisa miserável, ambas de brim, já rotas. Grande parte deles, desdentados, ou com grandes falhas de dentes. Havia os papudos, os enfezados, nanicos, todos criançolas imberbes, cabeludos (não tinham dinheiro para cortar os cabelos), bobos, gagos, grande número de analfabetos. Em geral, feios. A cada contingente que chegava, eu, de novo, tinha vontade de chorar. O retrato de minha Pátria era, deveras, contristador. Graças a Deus, vinte anos depois, quando recebi um contingente para servir ao Exército, no 12° RI, não recebi um homem sequer descalço. Já haviam crescido, tinham sido alfabetizados, já possuíam muitas habilitações. O Brasil melhorara, apesar de tudo. Hoje, mais de cinqüenta anos depois, verifico, com alegria, que os jovens de meu país melhoraram sobremaneira. Naquele tempo, quando eu entrava em um elevador, com os meus 1,76m de altura, olhava de cima para baixo, para os que se encontravam junto de mim. Hoje, se são jovens estudantes, olho de baixo para cima. Nesse período de tempo nossa juventude cresceu 20 ou mais centímetros. Eles são altos, fortes, saudáveis, bonitos. A tropa, hoje, dá gosto de ver. Mas, retornemos no tempo. O quartel ficou regurgitando de homens. Não havia cama e alojamentos para todos. Os soldados antigos, mais experientes, foram mandados dormir em barracas, à beira do quartel, para que os convocados tivessem o mínimo de conforto, pudessem dormir nas camas. O número deles era grande. Os exames médicos demorados, a seleção rigorosa. Os dias se arrastavam lentos. Alguns oficiais temiam forçar aqueles rapazes, ainda paisanos, nos treinamentos, nas marchas, com medo de que alguém morresse por possíveis problemas de coração. Eles ficavam inativos, tristes, deitados pelos cantos. Em minha Companhia resolvi arriscar. Levava-os aos exercícios, às marchas. Achava a inação profundamente deseducativa. Homens acostumados à enxada, ao trabalho de sol a sol, passaram a descansar dia e noite, só comendo e dormindo. O que pensariam eles do Exército? Uma grande escola de ociosidade? Felizmente, nunca tive um problema, um acidente. Terminados os exames médicos, dispensados os incapazes, continuou o drama daqueles convocados. Já soldados, não tinham fardas, não havia equipamentos para eles, não possuíam muda de roupa, andavam sujos, andrajosos. A convocação fora bem feita, em tempo oportuno, mas o aprovisionamento não funcionara. Nem fardamento, nem agasalhos, nem cuecas, nem meias, nem camisetas, nem botinas. Era uma tropa de mendigos. Simplesmente inacreditável. A situação se arrastava. Os Tenentes nos afligíamos, mas não nos competia tomar providências. Até que um dia, marcaram a inspeção de um General, não sei se o comandante da Região Militar, sediada em Juiz de Fora, ou outro, de escalão mais alto. Toca a varrer, a limpar, a arrumar impecavelmente lençóis e cobertores. Treinar a apresentação da tropa. Ordem severa: esconder os paisanos! Pôr de serviço, de guarda, de sentinela, bem à vista, só soldados antigos, bem uniformizados, de botinas bem engraxadas. Esconder a tropa de mendigos! O Capitão Clorindo Valadares, um dos heróis da resistência do 12° RI em 1930, que não chegou a ir à guerra por ter sido promovido a Major e transferido, era o Capitão mais antigo do Regimento e assumira o comando do III Batalhão, que ocupava um prédio à parte, no centro da cidade, na avenida cortada ao meio pelo córrego do Lenheiro. Pouco antes ele tivera um pequeno desentendimento comigo. Tendo passado pouco tempo no comando da Companhia de Metralhadoras, não conferira a carga da sub-unidade, isto é, a relação do armamento, dos equipamentos, das camas, da roupa de cama, etc. Conferir e passar a carga era rotina e obrigação no Exército. Ele se achava um Capitão muito antigo no posto, quase Major e, aquilo, algo indigno dele. Com a transformação do efetivo de paz em efetivo de guerra, criaram-se mais um Batalhão, e inúmeras Companhias. Nós, os jovens Tenentes da reserva, tivemos que assumir a responsabilidade de organizar e comandar Companhias, função atribuída a Capitães. Houve um certo rodízio nos comandos. Eu não recebera do antecessor a carga da Companhia. O Tenente José Gabriel de Azeredo Coutinho, que me substituiu no comando da Companhia de Metralhadoras, então transformada em Companhia de Petrechos, fez questão de receber a carga. Apurando a responsabilidade, verificamos que o primeiro a deixar de conferi-la e passá-la fora o Capitão Clorindo. Procurando-o, ele me ameaçou: "Conferir carga é serviço para Tenente. Sou um Capitão antigo. Não vou conferir carga coisa nenhuma. Se o problema engrossar, direi que você se recusou a recebê-la". Um absurdo e uma inverdade. Mal se lembrava ele que quem o substituíra no comando fora o Tenente Vergueiro e não eu, o que tudo estava comprovado nos boletins do Regimento. Fiquei calado, e pronto para apresentar a prova escrita e cabal de minha inocência. Ainda bem que o Tenente Coutinho resolveu ele mesmo conferir a carga e o problema morreu no nascedouro. Terminando este parênteses sobre esse detalhe curioso da vida militar, voltemos à inspeção do General. Para espanto de todos, General e oficiais, o Capitão Clorindo, descumprindo as ordens, fez questão de mostrar a verdade, a situação real da tropa e de seu Batalhão. Em todos os postos, desde a entrada do quartel, colocou de serviço os soldados descalços e à paisana, com o cinto de guarnição por cima das roupas sujas e rotas. Foi chocante. O General ignorava aquilo completamente. Prometeu providências enérgicas. Tomou-as realmente. Em pouco tempo estávamos recebendo o fardamento e o equipamento. Em um pouco mais de tempo, depois de um trabalho insano dos oficiais, aquele punhado de caboclos rústicos, transformados nos Hércules Quasimodos de Canudos, tão bem descritos por Euclides da Cunha, nas páginas imortais d'Os Sertões, enfrentavam os alemães, de igual para igual, nas montanhas geladas dos Apeninos.

"Crônicas de Guerra"
Cássio Abranches Viotti

Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
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