FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

 

 

A VITÓRIA
Como tudo aconteceu...

 


Armas e equipamentos capturados dos inimigos
Imagem do site
www.exercito.gov.br

ESTATÍSTICA

É conhecido o dito: os números falam. Em se tratando dum levantamento estatístico é certo que os elementos numéricos constituem assunto conexo. O número de prisioneiros inimigos feitos constitui para uma Unidade um índice fiel das suas atividades durante a campanha em que tomou parte. E' claro que temos de levar em consideração o tempo em que esteve efetivamente empregado além de outros fatores que afetam diretamente os índices estatísticos. O valoroso Sexto Regimento de Infantaria iniciou a sua gloriosa campanha a 15 de setembro de 1944 e encerrou-a, praticamente, a 29 de abril de 1945, com a rendição espetacular da 148ª DI Alemã, sob o Comando do Major-General, Otto Fretter Pico e da Divisão Bersaglieri Itália, comandada pelo General de Divisão, Mário Carloni, existindo ainda remanescentes da 90ª Panzer Alemã. Os detalhes da rendição foram anteriormente explanados e aqui nesta crônica basta acrescentar, à guisa de levantamento expedito o número de prisioneiros, material bélico, e animais capturados pelo excepcional Regimento Bandeirante.

Prisioneiros feitos anterior à rendição de Fornovo............................459
Oficiais feitos em 29-IV-945...........................................................820
Praças feitos em 29-IV-945.......................................................14 445
Total........................................................................................15 724

Acresçam-se 4 000 animais, na maioria cavalos; 2 500 viaturas das quais 1 000 motorizadas, armamento e munição suficientes para equiparem uma Divisão completa de Infantaria, e teremos a maravilhosa colheita feita pelo nosso Regimento nesse memorável 29 de abril. Acrescentem-se o material apreendido nas operações do Vale do Serchio e do Soprassasso e ter-se-á uma idéia real da cooperação eficiente do nosso modesto Corpo no âmbito da FEB.

"O Sexto Regimento de Infantaria Expedicionário"
Cap. Antorildo Silveira


Armas e equipamentos capturados dos inimigos
Imagem do site
www.exercito.gov.br

"O Brasil não teve reivindicações territoriais nesta guerra, a não ser o pequenino espaço de terra, onde na Itália repousam os seus heróis."

Mark Clark
General Comandante do V Exército


Ambulâncias capturadas aos inimigos
Foto escaneada do livro "A Epopéia dos Apeninos"
 José de Oliveira Ramos

67ª Pergunta: Qual a quantidade e natureza do material apreendido?

Resposta: Foi enorme a quantidade do material apreendido: a) armas leves individuais e coletivas com sua copiosa munição; b) material bélico de todos os tipos;
c) 80 canhões e obuses de diferentes calibres; d) 1 500 viaturas automóveis de todos os tipos; e) centenas de viaturas hipomóveis; f) cerca de 4 000 animais;
g) milhares de bicicletas de vários tipos e procedência. Além deste material foram capturados também muitos cortes de fazenda (sedas, linhos e casimiras) e até um cofre com dinheiro italiano. De um modo geral o armamento estava em ótimo estado de conservação, as viaturas com boa manutenção e os animais em excelente estado. Todo o material, inclusive o cofre com dinheiro italiano, foi entregue ao V Exército.

"100 Vezes responde a FEB"
General José Machado Lopes


Armas e equipamentos capturados dos inimigos
Imagem do site
www.exercito.gov.br

68ª Pergunta: Ficou o Brasil com algum material apreendido?

Resposta: Apenas alguns exemplares dos canhões alemães foram trazidos para o Brasil e hoje se encontram no Museu do Exército e ornamentando o Parque da Academia Militar das Agulhas Negras e de algumas Unidades do Exército. O Brasil nada quis, não exigiu nenhuma indenização de guerra e os poucos bens dos súditos alemães e italianos que haviam sido confiscados, quando da declaração de guerra aos seus países, foram posteriormente a eles devolvidos. O idealismo e altruísmo brasileiros atingiram o auge quando, não satisfeitos com a contribuição do seu generoso sangue, indenizaram aos Estados Unidos da América do Norte todo o material fornecido à FEB, inclusive a munição gasta nas operações de guerra e os gêneros alimentícios por eles fornecidos.

"100 Vezes responde a FEB"
General José Machado Lopes


Quartel General em Porreta Therme
Arquivo General Tácito Theóphilo

Final da Campanha

Os últimos dias da campanha foram caracterizados pela orgia de prisioneiros. Naquela fase de desintegração dos exércitos alemães, em que a derrota se tornava clara até para o mais obcecado nazista, o sentimento predominante era salvar a pele, uma vez que tudo mais estava perdido. E para isso nada melhor do que se entregar prisioneiro. Fazer prisioneiros nessa época deixou de ser uma façanha sensacional, para se tornar um fato vulgar, de toda hora. Até meu enfermeiro, destacado num posto avançado da Companhia de Transmissões, fez um prisioneiro, cousa que positivamente não era de suas atribuições. Um "jeep" que passasse por certas estradas menos transitadas, arriscava-se a ver surgir dalguma valeta um ou dois alemães, que desejavam ser aprisionados. Aquilo já nem tinha graça. Era interessante a maneira diversa com que os norte-americanos e os brasileiros tratavam os alemães. O americano trazia um prisioneiro com formalidade, de baioneta calada, mantendo-o alguns passos à sua frente, sem maltratá-lo, mas com severidade. O brasileiro não era assim. Uma vez que o "tedesco" se entregava mesmo, era quase um amigo. O pracinha batia-lhe no ombro, dizendo: "Alemão, heim ?" E lhe oferecia um cigarro. Uma vez chegou ao PC de Companhia, um pracinha desarmado, conduzindo um alemão que trazia dois fuzis. Apresentou-se ao tenente. - Pronto, seu Tenente. Este é um alemão que eu prendi. - E onde está seu fuzil? - Está com ele. Eu estava cansado e lhe pedi para trazer o meu também. Era assim, na camaradagem. Naquela Babel de brasileiros, americanos, alemães, italianos, etc., muita confusão havia de surgir. Com uma patrulha, comandada por um sargento gaúcho, se deu o seguinte fato: Numa volta do caminho, nossa patrulha dá com um bolo de alemães e o sargento imediatamente cercou todo mundo com seus homens, desarmando-os. A questão era que os alemães já vinham sendo tocados por dois ou três americanos, que os haviam aprisionado. Vendo nossos homens naquela atitude, os americanos gritaram: "Oh! Brazilian, friends!" O sargento, porém, que não sabia bem o inglês, não quis saber de conversa e foi dizendo: - Não tem disso, não! É tudo gringo, vai tudo preso! E só quando chegaram à Companhia é que se esclareceu quem era "gringo" e quem não era. Outro fato curioso desse final de guerra, foi o aparecimento de consideráveis massas de partisans italianos, ainda não suspeitadas pelo Comando Aliado. No dia 1º de maio assistia um desfile de partisans, em Módena, no qual positivamente tomou parte toda a população masculina daquelas redondezas e algumas centenas de mulheres. A guerra já havia terminado, mas os partisans não se convenciam. Passeavam pelas ruas de Milão, carregados de granadas, presas à cintura, e armados de uma ou duas metralhadoras de mão. Era até perigoso a gente se aproximar daqueles verdadeiros arsenais ambulantes. Vi um pracinha perguntar a um deles: "Oh! paizano! Non sabete que Ia guerra é finita?" Paralelamente ao aumento de partisans houve um desaparecimento misterioso dos fascistas. Ninguém mais era, nem havia sido fascista, o que nos causava estranheza. Com que rapidez se trocava de camisa e desaparecia um partido que havia dominado o país durante tantos anos!

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos


Os vencedores
Arquivo General Tácito Theóphilo

Comemorando a Vitória

Não havendo mais alemão para se combater nem prender, nos foi dada a missão de ocupar vasta zona do Piemonte, cujo centro era Alessandria, estendendo-se desde Placencia, Tortona, Voghera, Marengo, até Valenza e São Juliano. Em Alessandria ficou o Quartel General da FEB, desde 5 de maio, até 23 de junho, quando toda a Divisão se deslocou para Francolise, próximo a Nápoles. Alessandria é uma pequena mas interessante e movimentada cidade, às margens do Rio Tanaro. Bons cinemas, bons restaurantes, com vinhos especiais, comércio bem sortido. Além disso, era o que chamamos uma terra de moças bonitas. Nunca vi tantas beldades como em Alessandria e a confraternização foi geral. Raros escaparam aos encantos das alessandrenses. O Serviço Especial organizou o Clube dos Oficiais, onde havia reuniões diárias, com danças e boa música. Três acontecimentos importantes se passaram em Alessandria. No dia 11 de maio, a solene missa pelas almas de nossos mortos, foi rezada na Catedral, pelo Capelão-Chefe, Padre João Pheeney. Momento de grande emoção cívico-religiosa foi quando, à elevação da sagrada Hóstia, entoamos o Hino Nacional, acompanhados pela Banda de Música. Era a segunda vez que, pelas naves seculares das Catedrais italianas, ecoavam as notas vibrantes do Hino Nacional; cantado por vozes repassadas de grande fervor religioso e patriótico. A primeira fora em Pisa, antes da luta, quando tudo era sombrio e incerto. A segunda em Alessandria, quando nossa alegria pela vitória somente era empanada pela saudade de nossos companheiros, que dormiam o sono eterno, no Cemitério de Pistoia. No dia 13 de maio tivemos o almoço da Vitória, na sede do Quartel General, em que tomaram parte os oficiais generais, comandantes de unidades, chefes de serviços e representantes das sub-unidades. Em 19 de maio se realizou a solenidade de condecoração de nossa tropa, na Praça Garibaldi, com a presença dos chefes militares brasileiros e norte-americanos. Foi uma esplêndida tarde de sol. Oficiais e praças bem uniformizados, representantes de todas unidades, com seus símbolos e bandeiras. Foram entregues as medalhas norte-americanas e brasileiras, conferidas a unidades, oficiais e praças. Alessandria foi o "pivot" do grande turismo final, que nos permitiu visitar as importantes cidades do norte, Milão, Turim, Veneza, Verona, Pádua, Como, etc., e admirar as belezas naturais dos lagos e montanhas da fronteira ítalo-suíça. O V Exército estabeleceu em todos os pontos pitorescos estações de férias e repouso, ocupando os famosos hotéis de turismo, quer na região dos lagos, quer na Riviera italiana e francesa.

"A Epopéia dos Apeninos"
José de Oliveira Ramos

Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
l 1 l 2 l 3 l 4 l 5 l 6 l 7 l 8 l 9 l 10 l 11 l 12 l 13 l 14 l 15 l 16 l 17 l 18 l 19 l 20 l
l
21 l 22 l 23 l 24 l 25 l 26 l 27 l 28 l 29 l 30 l 31 l 32 l 33 l 34 l 35 l 36 l 37 l 38 l 39 l 40 l
l
41 l 42 l 43 l
44 l 45 l 46 l 47 l 48 l 49 l 50 l 51 l 52 l 53 l 54 l 55 l 56 l 57 l 58 l 59 l 60 l
l
61 l 62 l 63 l 64 l 65 l 66 l 67 l 68 l 69 l 70 l 71 l 72 l 73 l 74 l 75 l 76 l 77 l 78 l 79 l 80 l
l
81 l 82 l 83 l 84 l 85 l 86 l 87 l 88 l 89 l 90 l 91 l 92 l 93 l 94 l 95 l 96 l 97 l 98 l 99 l 100 l
Homenagens aos Heróis
Saudade
A vida felizmente pode continuar... 

Voltar

| Home | Contato | Cantinho Infantil | Cantinho Musical | Imagens da Maux |
l
Recanto da Maux | Desenterrando Versos | História e Genealogia l
l
Um Herói nunca morre l Piquete - Cidade Paisagem l
MAUX HOME PAGE- designed by Maux
2003 Maux Home Page. Todos os direitos reservados. All rights reserved.