FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

 


Os "partigiani"

"BELLA CIAO"

"Bella Ciao" é uma canção popular da Resistência italiana na Segunda Guerra Mundial. A partitura e o autor da letra são desconhecidos. A canção foi gravada por vários artistas italianos, russos, bósnios, croatas, sérvios, húngaros, ingleses, espanhóis, alemães, turcos, japoneses, chineses e curdos. O texto em sua versão original era cantado pelas mulheres que coletavam o arroz nas planícies de Pó, queixando-se sobre os mosquitos, os insetos que infestavam a área, mas também de forma simbólica pela maneira como eram tratadas pelos contramestres e proprietários. O texto foi mudado pela resistência italiana durante a segunda guerra mundial, tornado-se, em sua nova versão um hino do movimento dos trabalhadores. A Resistência foi um movimento armado de libertação que surgiu na 2ª Guerra Mundial em todos os países europeus ocupados pelos nazistas. A motivação profunda deste movimento histórico foi a vontade de resistir, de não ceder ao estrangeiro que entrara em seus territórios. A Resistência foi antes de mais nada uma revolta espontânea contra a invasão estrangeira, despertando a forte vontade de defender a própria terra e a própria liberdade. A dominação nazista na Europa de 1939 a 1945, sempre acompanhada da terrível rotina da guerra em suas fronteiras, bombardeando e destruindo as cidades, massacrando milhares de civis, mulheres, velhos e crianças, caracterizando um novo crime de horror: a deportação para os campos de concentração e de extermínio. Milhões de pessoas: opositores, hebreus, cidadãos deficientes foram transportados pelos alemães em condições desumanas, torturados, exterminados nas câmeras de gás, nos fornos crematórios, nos abrigos da morte, nos campos de concentração. Nos países ocupados - Áustria, Checoslováquia, Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Iugoslávia, Grécia, União Soviética, Hungria, Romênia, Bulgária, Países Bálticos - a Resistência foi uma resposta necessária: onde há opressão inevitavelmente nasce um movimento de libertação. Não podemos pensar que a Resistência era igual em todos os países: é possível fazermos uma distinção nos países sob um regime nazi-fascista (Alemanha, Áustria e Itália), países com democracia parlamentar ocidental (Noruega, Dinamarca, Bélgica, Holanda, França e Tchecoslováquia), países que lutaram pela defesa de sua identidade nacional (Polônia e Estados Bálticos), a Iugoslávia e a Grécia. Na Itália a oposição ao nazi-fascismo foi complexa. Não se tratou somente do armistício de 18 de setembro de 1943 ocupando a península com dez divisões, mas antes de mais nada, tratava-se da luta contra a ditadura fascista instalada na República Italiana. A causa da Resistência na Itália teve dois motivos: 1- A libertação da Itália do estrangeiro; 2- A rejeição a ditadura que havia se apossado do país e a catástrofe que se vivia, contra a vontade do povo, a serviço dos invasores, através do fascismo de Mussolini. Atualmente, existem controvérsias quanto a história da Resistência Italiana, como um dos casos ocorrido com os guerrilheiros da resistência que encontraram Mussolini e a companheira dele, Clara Petacci, e outros altos oficiais do regime fascista escondidos em meio a tropas nazistas que batiam em retirada para a Suíça. Os corpos do fascista e de Petacci foram levados para Milão e dependurados para exposição pública em um posto de gasolina em uma praça. O combatente que capturou Mussolini, Urbano Lazzaro, disse em 1995 que o ditador italiano e a companheira dele já estavam mortos quatro horas antes da alegada "execução" por parte da resistência. Citando um combatente que supostamente esteve presente na ocasião, Lazzaro disse que o casal morreu perto do lugar alegado quando Petacci tentou tirar a arma de um dos guardas que os estavam levando para Milão, para a planejada execução pública de Mussolini. "Ela estava gritando 'eles querem matá-lo'. Dois ou três tiros foram disparados na luta e atingiram Mussolini, que caiu em agonia. Eles terminaram de matá-lo imediatamente e então atiraram em Petacci por ter provocado o incidente", disse Lazzaro, que morreu em janeiro.

Texto retirado do site:
http://www.miniweb.com.br:80/Historia/Artigos/i_contemporanea/cantos_historia/cantos_historia8.html


Os cadáveres de Mussolini e Clara Petacci
Foto escaneada do livro "Eu estava lá" de Elza Cansanção

A COOPERAÇÃO ITALIANA

Desiludidos dos benefícios do fascismo, fora do jugo de Mussolini, comprimidos pela fome, os italianos nos foram muito úteis. Por amizade, identidade de princípios, por harmonia de idéias, ou por necessidade, eles colaboraram muito para as vitórias aliadas na Itália. Não foram só os "partigiani" vencendo, minando, destruindo, removendo as resistências do inimigo. Não foram só os alpinos, transportando nossas munições, nosso armamento, nossos abastecimentos. As populações civis estimavam-nos com suas acolhidas. Um dia o ten. Trota realizou uma patrulha em uma localidade defronte de Samone. Receberam-no com festas, vinho, queijo; os sinos repicaram. A patrulha limpou a cidade de alemães, trouxe 20 prisioneiros, e queria fazer outras patrulhas. A população de Piacenza nos recebeu entre alas, sob palmas e flores. E nos primeiros dias, quando nossos "jeeps" surgiam, a cena se repetia. Quando o nosso Batalhão conquistou Monte Castelo, recebemos convites de muitas famílias da cidade de Silla, que nos queriam homenagear. Alguns de nossos soldados "fugiam" dos locais de repouso do Batalhão para irem a Lustrola, tal a acolhida que aí tivemos. Em Basílica, já feita a Paz, o comandante do Batalhão ordenou ao valoroso comandante da 3ª Cia., então o Cap. Lira, que transferisse sua subunidade para Podenzano, mais perto de S. Polo, onde se achava o PC do Batalhão. No dia seguinte, o Cap. Lira nos procura e diz-nos que a população do lugarejo e seus soldados mandavam pedir que a 3ª Cia. ficasse em Basílica. E ficou! Inegavelmente, essa acolhida, esse carinho, sobretudo, para os que estão fora dos seus, é um estimulo, é um fortalecente! Mas a cooperação italiana também se manifestou através das informações que nos prestavam do inimigo. Em nossos "giros de horizonte", em nossa identificação do terreno e das posições inimigas muito nos auxiliaram os civis italianos. E as comidas que nos preparavam e os vinhos que nos ofereciam não eram uma compensação para nossos sacrifícios? Os poucos italianos maus e despudorados, que denunciavam as posições aliadas aos alemães, ou que procuravam escondê-los de nossas patrulhas, não desfazem o mérito, não desdizem a cooperação dos demais. O Prefeito de Gaggio-Montano denunciou a Cia. de Petrechos do nosso Batalhão como tendo depredado o edifício da Prefeitura ao comando do 4º corpo local, porque elementos dessa companhia encontraram manifestos e bandeiras fascistas no seu gabinete. Uma senhora proprietária do prédio onde se alojou a 2ª Cia. em S. Giorgio, cobrou ao comando brasileiro quase cem mil cruzeiros de indenização pelos prejuízos que sofreu sua propriedade com a ocupação alemã. Em Fidenze encontramos a casa de um fascista, com as portas e janelas fechadas com tijolos, para que os aliados não as ocupassem. Mas isso era um nada diante das continuadas provas de carinho e atenção que recebíamos. Se o moral elevado é fator preponderante na guerra e se carinho e atenção contribuem para a elevação desse moral, os alpinistas e "partigiani" italianos contribuíram também por essa forma, para a nossa vitória?

"Crônicas de Guerra"
Cel. Olívio Gondim de Uzêda


Comandante partigiano com a sua metralhadora alemã.
Em Lizzano de Belvedere, no Quartel General dos partigiani de "Armando".
Foto escaneada do livro "Caçando Espiões" - Geraldo Batista de Araújo.

 

OS PARTIGIANI E A FEB

Os partigiani colaboraram ativamente com as várias Companhias dos Regimentos, empenhados em combate, nas diversas frentes da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (FEB). Abasteciam em armamento, munições, fardamento e alimentação, os soldados brasileiros, que se encontravam nos lugares mais perigosos. (o mesmo serviço foi prestado pelos soldados Alpinos, do Real Exército Italiano). Um dos trabalhos mais arriscados era justamente quando conduziam a "bóia", em muares, para os elementos brasileiros postados nas primeiras linhas. Eram os alvos preferidos pelos alemães. O trabalho do partigiano, de modo geral, foi dos mais nobres. Com que abnegação, com desprendimento, coragem, e orgulho abraçavam a causa pela qual combatiam! Esse trabalho foi amplamente reconhecido pelos chefes aliados, Generais Harold Alexander, Supremo Comandante das Força Aliadas na Itália; Mark Clark, Comandante do XV Grupo de Exércitos; Lucian Truscott, Comandante do V Exército e Willis D. Crittemberger, Comandante do IV Corpo de Exército e Mascarenhas de Morais, Comandante da Força Expedicionária Brasileira. Eles evitaram que centenas (e, quem sabe, milhares) de soldados aliados fossem mortos pelos alemães. Ao lado dos seus compatriotas partigiani, auxiliando as nossas tropas, se encontravam os valorosos soldados Alpinos, que mereceram do General Mascarenhas de Morais o seguinte elogio:

"Os soldados alpinos italianos têm colaborado brilhantemente com a FEB. Partilham na sorte da nossa gente, sofrem conosco as reações do inimigo, derramando, com os nossos combatentes, o sangue generoso, e oferecem a vida, como nós, para extirpação da prepotência, no velho Continente. Conduzindo, na montanha, o alimento para os nossos homens e a munição que mata e fere o inimigo, estes bravos italianos se recomendaram pela dedicação e desprendimento. Na boa camaradagem resultante de ideal comum, a acionar-lhes a vontade, retribuída em sincera amizade, forte elo une os naturais deste belo país aos filhos da sempre belíssima terra das palmeiras e do céu estrelado, o vínculo que há de levar à destruição total, o nosso adversário. Essa bela camaradagem, essa sincera amizade, já existia entre as duas nações. De há muito, os italianos convivem com os brasileiros, e no grandioso país da América, os filhos da terra da história e das artes não se sentem estrangeiros. Uma grande afinidade, em que muito há de sentimentos, de religiosidade, de origem das línguas, obriga a que se compreendam reciprocamente. E essa boa vontade sempre foi e haverá de ser perfeita. Agora, mais que nunca, conseqüente ao esforço que juntos temos despendido, por certo, ainda mais estreitos serão os liames da boa compreensão entre os soldados das duas Nações, em promissora confiança, para a reconstrução do trabalho e alcance da felicidade, tão ardentemente desejada e tão bem merecida pelos povos amantes da liberdade. Soldados Alpinos. Eu vos saúdo e tenho satisfação em exaltar os vossos méritos."

( Do Boletim Interno nº 127, de 07/05/1945, da 1ª DIE)

"Caçando Espiões"
Geraldo Batista de Araújo



Partigiani anônimo.
Foto escaneada do livro "Caçando Espiões" - Geraldo Batista de Araújo.

OS "PARTIGIANI"

Assim chamavam os italianos aos seus compatriotas guerrilheiros que combatiam os alemães. Com trajes civis, com uniforme italiano ou americano ou mesmo alemão; providos de armamento das mais variadas origens, alimentados com os recursos locais ou pelos americanos; de um modo geral, grupados e orientados por chefes fiéis aos aliados aos quais obedeciam cegamente esses patriotas, como também eram chamados os "partigiani", foram muito úteis aos aliados; conquistando cidades, dificultando a retirada do inimigo, combatendo os fascistas, minando o moral dos alemães, denunciando-lhes os movimentos, dificultando-lhes a própria vida, quer através de ações de força, de trabalhos, de sabotagem e de emboscadas, quer através de insidiosa propaganda. Conquistaram Milano e Torino, e tantas outras cidades do norte da Itália; prenderam e mataram Mussolini; salvaram da destruição muitas cidades e muitas obras de arte. Entretanto, como toda coletividade, os bravos "partigiani" tinham, em seu conjunto, elementos que não condiziam com sua nobre e alevantada missão. Talvez por isso, nosso Batalhão não tenha sido muito feliz em seus primeiros contactos com esses denodados patriotas. Em Áfrico, por exemplo, mandaram-nos um grupo desses rapazes, comandados por um tenente. À qualquer missão mais difícil ele, ponderava: "molto pericoloso". O pior, porém, era quando eles diziam isso já engajados na missão, diziam isso aos nossos soldados, contagiando-lhes a sua "PAÚRA" (medo em italiano)! Dentro dos princípios do nosso Batalhão, dispensamos o auxílio desses moços. De outra feita, quando substituímos o destemido esquadrão de reconhecimento da divisão, no setor Morro Dell'Oro x Rocca Pitigliana, lá herdamos um contingente de uns 90 "partigiani". Demos-lhes missões, mesclávamo-los com os nossos soldados. Um dia eles alegavam armamento deficiente, outro que não possuíam roupa adequada, e, quase, sempre, achavam tudo "molto pericoloso"! Reforçávamos-lhes o armamento. O perigo continuava a perseguí-los. Distribuimos-lhes agasalhos e algumas peças de roupa interna. Surgiu-nos então, um novo problema. Tão pronto a equipe, que estava trabalhando com o Batalhão, se achava bem provida de roupa, era substituída por outra sem roupa e sem agasalho. Como era de esperar, o zeloso subcomandante do Batalhão, cap. Aragão, reclamou. Cessado o mal, os "partigiani" continuavam. Certo dia, porém, os comandantes de companhias pediram-nos que, definitivamente não lhes mandássemos mais "partigiani" para auxiliar suas patrulhas, porque eles se apresentavam sempre cheios de ponderações, e vinham provocando pânico e confusão. O cap. Aragão e o tenente Renato chamaram o tenente comandante dos "partigiani" e invectivou-os, reprovou-lhes o procedimento. Ele respondeu-lhes que a comida que lhes vínhamos fornecendo era escassa e que senza mangiares, niente di morale! Desta feita, reunimos todos os "partigiani" que se achavam com o Batalhão e os mandamos apresentar ao nosso amigo Major Diogo, competente e dedicado S2 do Regimento, dispensando-os de vez. Só fomos retomar contacto com os "partigiani", em Monfestino, onde eles nos receberam festivamente, inclusive oferecendo um baile aos oficiais do Batalhão. Por sinal, que em Monfestino observamos duas coisas bem curiosas: uma foi os prisioneiros alemães trabalhando em liberdade, na reconstrução das casas destruídas; e viviam soltos, embora só se locomovessem em forma, por sinal que comandada por um garoto "partigiani"; a outra foi uma mulher "partigiani", enérgica, corajosa e decidida mandar os alemães limpar o salão para o baile e nos dizer: "isto é para lhes retribuir as surras que levei"!  Voltamos a encontrar os "partigiani" em Piacenza, a histórica e importante cidade, à margem do rio Pó, que eles conquistaram. Aí tivemos conhecimento do magnífico trabalho que realizaram. Vimo-los morrer, socorremos seus feridos, testemunhamos outro tipo de "partigiani": corajosos e valentes. Entretanto, esses mesmos "partigiani" deram muito trabalho ao nosso Batalhão, com seus desmandos, arruaças, arbitrariedades e perseguições a seus desafetos pessoais! E por que trabalho para o nosso Batalhão? Porque, de acordo, com a própria orientação aliada, onde chegava uma sua tropa, o seu comandante assumia automaticamente o governo local. Isto é, competia ao nosso Batalhão manter a ordem e assegurar os direitos onde quer que nos achássemos. Vinda a paz tão almejada, os nossos amigos "partigiani" queriam prosseguir armados, dando tiros a esmo, provocando desassossego. Uma vez impedimos, sob o testemunho do Cap. Andersen, que um indivíduo que se intitulava barão, e um outro que se dizia chefe "partigiani" em Milão, extorquissem 10 quilos de manteiga a um fabricante desse artigo, na localidade de Montanaro. O snr. Cagnani, em S. Polo, foi ameaçado de prisão, como colaboracionista. Nada disso. Seus opositores queriam o dinheiro do Snr. Cagnani, que era o rei do "pomodoro" em Piacenza! Os "partigiani" tinham raspado as cabeças das moças italianas que eles sabiam haverem colaborado com os alemães. Mas, de quando em vez, queriam raspar as cabeças das que não queriam andar com eles, ou das que andavam com os brasileiros. E lá nos vinham queixas. Só à custa de muita energia conseguimos discipliná-los, ou, pelo menos, remover os incidentes que chegavam ao nosso conhecimento. Por isso mesmo as localidades italianas ficavam radiantes quando uma tropa aliada estacionava em suas proximidades! Os desvios dos denodados "partigiani" eram como que um extravasamento após tantos anos de cativeiro, de tolhimento, de jugo, de constrangimento. Entretanto, para sermos justos, devemos observar que os chefes "partigiani" não concordavam com essas irregularidades, e sempre que elas chegavam ao seu conhecimento eles puniam os faltosos, por vezes até com pancadas, recomendavam sempre ordem, calma, respeito. Por isso, e porque, com o perpassar do tempo, a razão vem à tona é grande a nossa, esperança de que vença a parte sã, e os verdadeiros "partigiani" completem a sua obra, benemérita e patriótica, reconstruindo sua bela Itália, material e moralmente, no mais curto espaço de tempo, para o seu bem estar, como recompensa de tantos sacrifícios; para satisfação nossa, de nós que lutamos pela sua liberdade; para gáudio dos que amam a arte e o belo, para sossego do mundo, para exemplo dos ditadores.

"Crônicas de Guerra"
Cel. Olívio Gondim de Uzêda



Em Piacenza, desfile dos partigiani com suas armas de guerra.
Foto escaneada do livro "Caçando Espiões" - Geraldo Batista de Araújo.

 

Atividades de Resistência

Durante toda a guerra os partigiani viveram nas montanhas, combatendo contra alemães e fascistas. Mensagens em código eram constantemente recebidas dos operadores de rádio do Movimento de Resistência Italiana. Ingleses e americanos deixavam cair suprimentos, armas, espiões aliados, agentes de movimento, elementos de ligação ou sabotadores. Assim, milhares de toneladas de equipamento (metralhadoras, carabinas, morteiros, etc.) e, centenas de agentes foram lançados na retaguarda das tropas alemães. Durante o avanço das tropas Aliadas, os Serviços de Informações se encontravam informados da localização exata das tropas alemães. Por diversas vezes, aparelhos de reconhecimento fotografaram os campos, onde justamente se localizavam esses membros do movimento subterrâneo, para evitar possíveis enganos por parte da aviação aliada. Os Agentes lançados pela aviação aliada, atrás das linhas alemães, eram de várias nacionalidades: americanos, ingleses ou italianos. Esses Agentes levavam uma faca-punhal, peças de rádio, estojo de curativos, mapas da região, etc. Muitas vezes usavam uniformes das forças alemães e cadernetas militares, isto é, o "Soldbuch". Recolhiam informações, que habilitavam as força aliadas a desencadear ataques de efeitos devastadores: localização de depósitos de munições, se o inimigo se achava acampado nas cidades ou fora. O nosso trabalho, dizia um partigiano, era forçar o inimigo a guardar as suas linhas de comunicações, a concentrar grandes força, como se esperasse um ataque à sua retaguarda. Era praticada sem trégua uma sabotagem bem organizada: destruíam pontes e instalações militares, faziam explodir depósitos de munição. As armas lançadas pelos aviões aliados eram imediatamente usadas, geralmente, com efeitos desastrosos para as tropas e o moral dos alemães. Atravessavam constantemente o front, para colher informações nas linhas alemãs. Um partigiano que se fazia de espia para as tropas aliadas, certa vez tomou parte num enterro efetuado na cidade de Montese. O morto tinha sido uma das suas vítimas, no dia anterior. Os componentes da Milícia fascista, mencionaram então, na Praça principal da cidade, os nomes dos elementos anti-fascistas, os Ribelli, Pavesi, Vacceri, Sormine, Fontorie, Bernadoni e muitos outros. Onde se acham? perguntava o orador. Não se sabe. Com essa atividade, os Partigiani facilitaram aos aliados a conquista e destruição da "Linha Gótica", a libertação de inúmeras cidades italianas como Pisa, Bologna. Modena, Reggio-Emilia, Montecchio, Vignola, Zocca, Piacenza, Castelvetro, Cremona, Turim, Milano, Lodi, Parma, Alessandria, Solero, Valenza, Casale e muitas outras. Os partigiani formaram na Itália, perto de 200 brigadas, cada uma possuindo de 200 a 300 homens em atividades nas montanhas, nos campos e nas cidades. As Divisões e Brigadas mais importantes que estiveram, direta ou indiretamente, em contacto com a Forma Expedicionária Brasileira, foram as Brigadas Piave, Matteoti e de Valoris; Divisões Piacenza, Val D'Arda, Val Moure, Garibaldi, G.L., Pátria, Marengo, Matteoti, Pavia, Mingo, Gramusci, Aliota, Barni, Masia, Modena, etc. A proporção que as cidades iam sendo libertadas, os partigiani prendiam fascistas, fuzilando a muitos. Os alemães, constantemente torturavam os elementos partigiani, que lhes caiam nas mãos, porém, nem sopro de informações conseguiam. As expedições punitivas, geralmente caiam em emboscadas, preparadas pelos partigiani. Suas perdas atingiram a milhares de soldados, dezenas de canhões, um inumerável acervo de metralhadoras e fuzis.

"Caçando Espiões"
Geraldo Batista de Araújo



Brigada Garibaldi em Lizzano de Belvedere, chefiada pelo famoso "Armando",
responsáveis por uma verdadeira guerra invisível contra os alemães.
Os partigiani de "Armando" colaboraram eficazmente com as tropas brasileiras,
principalmente com os Centros de Contra-Informações Aliados..
Foto escaneada do livro "Caçando Espiões" - Geraldo Batista de Araújo.

 

Revista em Quadrinhos sobre a FEB

Página por Página, baixe aqui:
http://picasaweb.google.com/felipe.brag a/FEBColeODeAventurasNo19#

Em PDF, baixe aqui
http://www.4shared.com/file/70534276/66 9610c4/FEB_Coleo_de_Aventuras_No_19.html

Um Herói nunca morre!

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As Origens
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