FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 

 

 

O EMBARQUE

 


General Delmiro Pereira de Andrade - como coronel, organizou e comandou o 11º RIE.
Foto escaneada do livro
"De São João Del Rei ao Vale do Pó"
1º Ten. Gentil Palhares

O EMBARQUE NO BRASIL

O entra-e-sai dos oficiais de ligação do Ministério da Guerra com o Comandante da FEB era constante, inalterável! "Jeeps" iam e vinham deslizando sobre as estradas, conduzindo mensageiros, e as ordens eram recebidas e retransmitidas com presteza, não deixando dúvida quanto à aproximação do tão falado dia "D". Os quartéis do 1º e 11º RI Expedicionários, a partir do dia 18 ficaram impedidos, e, conforme diziam os seus comandantes, orientando os seus comandados, "o embarque estava no tempo e no espaço": "não havia hora determinada; a tropa embarcaria a qualquer hora do dia ou da noite". Nós, expedicionários, prontos para a partida, com o saco de lona "A" pejado de roupas e objetos de uso, sabíamos, tínhamos a convicção de que o embarque se avizinhava. Lá fora, nas ruas do Rio de Janeiro, porém, pairava, ainda, uma espécie de dúvida, um ceticismo mórbido criado pela "5ª coluna" e espalhado por entre as massas. Havia incredulidade, incerteza, comentários heterogêneos. Já não partiam, apenas, dos elementos terroristas: as próprias famílias dos expedicionários, ou porque se influenciassem com a persuasão falsa de maus compatriotas, ou porque se deixassem levar pelo natural sentimentalismo de seus corações amantes, mostravam-se duvidosas. Somente nós, expedicionários, não tínhamos a menor dúvida! Compreendíamos o aproximar-se do dia em que, varando as águas do Atlântico, Mediterrâneo e Tirreno, deixaríamos a Pátria querida, as nossas esposas, as nossas mães e filhos chorosos!... E quantas lágrimas, quanto desvario provocado pela separação iminente, inevitável, pois que a Pátria necessitava de seus filhos?! 19 de setembro de 1944. O cenário da Capital da República era de expectativa em torno à saída do segundo Escalão da FEB. A Imprensa não dizia uma palavra que elucidasse o povo quanto ao embarque da tropa. O nosso governo havia tomado medidas severas a respeito e tudo parecia dizer que, se saíssem os brasileiros, seria às caladas da noite. Não o foi, entretanto! No dia 20 de setembro do ano acima, às 14 horas de um dia escaldante, bem carioca, o 11º Regimento de Infantaria, da legendária Terra de Tiradentes, entrava em forma, após o sinistro toque de reunir, que ressoou pelo Morro do Capistrano e se perdeu pelas baixadas da Vila Militar. Seria, como de fato foi, a última formatura do Regimento naquele "Capistrano" de dolorosa recordação, em que tanto padecemos, não somente com os trabalhos árduos e intensivos da preparação, como também com a dúvida, com a incerteza do nosso destino, com a "GUERRA DE NERVOS" que amofina, desespera e enlouquece. Só mesmo aqueles que se viram nessa situação, longe de suas famílias, preocupados com uma saída cujo dia era uma constante interrogação, podem dizer do verdadeiro sentido da "guerra de nervos". O Coronel Delmiro Pereira de Andrade, à frente da tropa, era, já, o homem sereno, que habituáramos a ver todos os dias. Mas traía-o um ar de tristeza estampado em seu rosto: é que ele também tinha coração, uma esposa e filhas em Botafogo, onde o Cristo Redentor nos parece mais nítido e como que, na época, a estreitar em seus braços, mais e mais, os que, no coração do Brasil, ficariam chorando a ausência dos seus entes queridos. Frei Alfredo, hoje Vigário de São Lourenço, postou-se à frente da Companhia de Comando e falou sobre a partida, como sacerdote. Por entre as colunas e as filas de homens que o podiam ouvir, reinava um silêncio profundo. Pairava, no ar, como que uma tristeza e uma desolação... O sol queimava, e o suor descia pelas faces. Ao lado de cada oficial ou soldado, o saco de roupa A -nossa bagagem que, pesando como uma carga de chumbo, nada representava, no entanto, comparado à intensidade da dor da partida, das saudades que viriam depois castigar-nos a todos... A coluna pôs-se em marcha! Do Morro do Capistrano à estação da Vila Militar não houve uma parada! Com a nossa carga às costas atravessamos as ruas daquele subúrbio, entre a avidez da ventura, o cumprimento do dever e a agonia da separação. Corações opressos, a tristeza estampada nas fisionomias, fazíamos o trajeto estranho, sombrio, aquela marcha que seria, como foi, o primeiro passo para a glorificação do nosso nome, embora, para tanto, muitas vidas se extinguissem e muito sangue corresse!... A Pátria, porém, exigia de nós o sacrifício máximo! O Brasil, traiçoeiramente atingido na sua soberania, reclamava de cada um de seus filhos uma parcela de seu esforço... um pouco de seu sangue... a sua bravura e a sua própria vida. Dentre os milhares de soldados que integravam a expedição brasileira, muitos havia que, meses antes, perderam as esposas, os filhos e os pais, covardemente, brutalmente atingidos pela sanha do inimigo em bombardeio aos nossos navios indefesos... Agora, a coluna marchava sobre o asfalto quente da Vila Militar! Se cabisbaixos fazíamos o percurso, fitando o chão negro, impelia-nos a tal o peso da bagagem disposta em nossos ombros, doloridos! Coragem não nos faltava e o ânimo era o mesmo dos dias que precederam ao embarque. E a coluna, composta de elementos de todos os quadrantes do país, marchava, resoluta, rumo aos carros da Central, que nos levariam ao cais do porto. O 1º RI, Regimento Sampaio, pertencente à guarnição da Capital Federal e que, como vimos, integraria como integrou, heroicamente, a expedição, já havia embarcado em outro navio, que não seria o nosso. Nas colunas do nosso Regimento já não existiam sulistas, nortistas, paulistas, mineiros ou cariocas: somente brasileiros, sem distinção de Estado, de descendência racial ou de costumes... Centenas de carros fizeram, repetidas vezes, o percurso da Vila Militar aos navios-transportes, que se achavam atracados no cais da Praça Mauá. Não houve abraços, despedidas de última hora. As ruas foram interditadas e o embarque se processou sem atropelo, debaixo de sua tristeza infinda... Ao cair da noite do dia 20 de setembro do ano de 1944, que já se vai distanciado no tempo, o 11º Regimento de Infantaria escreveria mais uma página memorável nos anais da sua história militar ocupando com o seu efetivo de guerra uma das maiores Belonaves norte-americanas, o "A. P. 116 GENERAL MEIGS". Por entre a tropa notava-se, no semblante de cada um, um misto de tristeza, de alegria e de dúvida; tristeza porque tudo que lhes era mais caro estavam deixando naquele momento; alegria porque se haviam livrado, de vez, daquele ambiente terrível, insuportável, daquela indecisão no que se referia à saída do contingente; dúvida, porque a tropa, até então, já dentro do navio, ignorava por completo o destino que tomaria, ou melhor, o destino que lhe dariam. Antes de embarcarem, surgiu a conversa de que o nosso destino seria a África; não passava tudo, porém, de conjeturas sem fundamento, de vez que nem mesmo a maioria dos oficiais sabia algo a respeito. Naquela tarde histórica e inolvidável, uma chuva fria e miúda veio abafar o calor do dia... No interior do navio alguns soldados se entretinham jogando cartas, sentados no assoalho, sentados no assoalho; outros já procuravam os banheiros e chuveiros para afugentar o calor; um alto-falante, a todo momento trazia-nos algumas notícias lá de fora. Um sargento recebeu, antes de partir, a comunicação de que sua esposa dera à luz uma criança, um menino, cujo nome fora citado. Houve gracejos e pilhérias maliciosas, seguidos de abraços no pai. palmas e vivas. Era digno de louvor o entusiasmo e a vibração dos nossos soldados, já quando, avançando a noite e conformados com a situação, entregaram seus corações a larga, como se dispostos a tudo suportarem, ansiosos mesmo de que o navio iniciasse a viagem, sulcasse os mares, rumo ao inimigo que esperavam vencer. Só assim poderiam pensar voltar algum dia.

"De São João Del Rei ao Vale do Pó"
1º Ten. Gentil Palhares


O desfile no Rio de Janeiro, antes da partida.
Foto escaneada do livro "Trinta Anos depois da Volta" do Gen Octávio Costa.

O militar profissional brasileiro é dotado de qualidades que muito o enobrecem e distinguem, num país de radical vocação civilista. Normalmente, no Brasil, os militares não são apreciados, salvo quando, na iminência de catástrofe nacional, corre a Nação a se abrigar sob a asa fraterna e desinteressada que emerge das casernas. Investido de uma missão, calcada nos seus sagrados juramentos, o Exército aceita qualquer sacrifício, com serenidade e sem alarde, enfrentando o desconhecido, palmilhando caminhos ainda não percorridos, no curso de nossa história. A história daquela jornada de 30 de junho de 1944 bem merece um capítulo à parte. De um lado, o Comando e o Estado-Maior da 1ª Divisão Expedicionária, no seu trabalho sigiloso, cometiam uma pequena traição com os seus comandados divisionários, mantendo-os no desconhecimento da data da partida. Faltou, por isso mesmo, a emoção da despedida aos que deixaram os lares e os quartéis para um período de exercícios, quando na realidade estavam marchando para uma longa separação ou, quem sabe mesmo, para nunca mais voltar. Nada de "adeus", nem de lenços brancos. A saudade viria depois. Podia parecer que se tratava de uma violência, uma coação contra militares de uma Nação livre que, de outra forma, se recusariam a seguir rumo ao desconhecido. Entretanto, este aspecto foi superado pela preponderância absoluta do interesse da segurança da partida, ante a intensa espionagem nazista e o perigo da tocaia dos submarinos do Eixo, agravada pela falta de educação psicológica do povo, naquela emergência. Por outro lado, até mesmo aos que compunham o Estado Maior Especial que planejou o embarque, foi ocultado que o ponto de primeiro destino era o próprio Teatro de Operações da Itália, e não o Norte da África, como acontecia com as Divisões Americanas que se destinavam ao Mediterrâneo, e como havia sido combinado com o Gen. Mascarenhas, quando de sua visita ao Comando do Teatro do Mediterrâneo. Com essa decisão mantida em segredo, ficava toda a tropa do 1º Escalão da FEB exposta a ingressar quase que no campo de batalha, completamente desarmada, e desconhecendo grande parte das armas e equipamentos com que teria de combater. O sigilo imposto impediu que trocasse idéias com o Estado-Maior. Foi, afinal, o que se deu. Não existia no Teatro de Operações, com a devida antecipação, um órgão nosso que nos aguardasse e tomasse as decisões, as quais somente depois de estarmos na Itália foram adotadas pelo Comando da tropa. A visita prévia do Gen. Mascarenhas não produzira o efeito desejado. Partíramos sem portar qualquer instrumento de guerra. E chegávamos ao Teatro de Operações da Itália de saco às costas, de mãos abanando e de fisionomia assustada, como alguma coisa que não era mais do que chair à cannon. Só uma circunstância nos confortava, a nós do grupo de Comando e do Estado-Maior Especial; é que, no âmbito das nossas famílias e dos mais íntimos interesses, permanecia o mesmo sigilo que nos impedira de falar claro aos nossos comandados. Mais tarde soubemos - o que, aliás, já havíamos constatado nos Estados Unidos - que as Divisões partiam para os diversos Teatros de Operações na calada da noite, de surpresa .Anoiteciam nos estacionamentos, e não amanheciam. No meu lar, até às 19 horas do dia 30 de junho de 1944, o que se sabia era que o "cabeça do casal" participaria de um grande exercício a se iniciar naquela noite. Na realidade, foi determinado que todos deixassem a casa, inclusive os empregados domésticos. Apenas permanecia, àquela hora, o casal. As 19h e 30 minutos, encostava à porta da casa o automóvel, que recebeu imediatamente a bagagem composta apenas de uma mala de campanha. O outro saco de campanha já se encontrava a bordo, sem que as pessoas da casa tivessem suspeitado da partida. Naquele momento exato comuniquei à esposa toda a extensão da verdade.

- Não se trata do exercício. Estou partindo, realmente, para bordo do navio que nos conduzirá ao Teatro de Operações da Europa. Nessas condições, não regressarei esta noite. Voltarei quando Deus quiser. Vou para o Cais do Porto dirigir o embarque das tropas. Ninguém sairá de bordo depois de embarcado. Para todos os efeitos, desde este momento, considero-me em viagem. Não seja pessimista. Alimente sempre a esperança de um breve regresso. Nossa segurança dependerá do sigilo seu e das outras, em torno das pessoas que participam deste empreendimento. Fale o menos possível. E não ouça boatos, nem intrigas. Tudo que disser respeito à minha pessoa, você saberá oportunamente. Eu lhe darei notícias pelos meios normais.

Aquela imposição quase tirânica, verdadeira traição que, em nome dos rígidos princípios da honra militar, eu praticava, já ocorrera em dezenas ou centenas de lares, muitos dos quais se tomariam acéfalos irremediavelmente. Com raríssimas exceções, aqueles 6 000 homens que, em comboios velozes partiam da Vila Militar, desde 20 horas daquele dia 30 de junho de 1944, ignoravam que dentro de minutos estariam num transporte de guerra. Também minha família o ignorava. Mal podia conter a minha emoção, ante o imperativo daquele segredo. Retomemos, entretanto, ao embarque da tropa. As medidas de segurança, drásticas e incisivas, estavam sendo cumpridas impiedosamente. Ao deixar minha residência, num esforço sobre humano para vencer a perplexidade, enquanto rumava para o Cais do Porto reintegrava-me completamente nos meus pesados encargos. Responsável, acima de tudo, pela coordenação dos esforços de todos os elementos que dele dependiam, particularmente dos Chefes de Seção, recebia naquele momento a mais complexa das missões, absolutamente inédita no transcurso de nossa vida militar: Comandante da Área de Embarque, o que significa dizer, um supercomissário regulador de embarques. Parecia um exagero dar esta atribuição ao Chefe do Estado-Maior da Divisão. Todavia, a verdade é que a Área sob jurisdição direta dos dirigentes do embarque abrangia todo o Cais do Porto, desde a Ponte dos Marinheiros e Corpo de Bombeiros até a Praça Mauá. A Divisão, desde 19 horas daquele 30 de junho passara a operar em três Grupamentos, em três direções diferentes. E até o momento da descentralização, quando cada unidade seguiu seu rumo e passou a operar por conta própria, o Estado-Maior Divisionário exercia o mais absoluto controle sobre o conjunto. A dissociação foi supervisionada pelo Chefe da 3ª Seção. Os embarques na Vila Militar e o cruzamento ferroviário de Deodoro estiveram sob o controle da 4ª Seção e órgãos dos serviços, enquanto a 1ª Seção e seus adjuntos solucionavam os últimos problemas de efetivos. A 2ª Seção coube o problema máximo: segurança da Área de Embarque e do próprio Embarque, dentro do mais rigoroso sigilo. Chefiou magistralmente esse Serviço o Ten.Cel. Amaury Kruel, oficial dotado de animo inquebrantável e energia férrea. Chamou a si todas as medidas policiais comuns, e ocupou a área com tropas do Corpo de Fuzileiros Navais que, entretanto, ignoravam a razão do aparato e das severas medidas adotadas. A partir de dezenove horas, houve interdição radical de transito, de veículos e de pedestres, entre o Corpo de Bombeiros e a Praça Mauá, com severa vigilância entre a Ponte dos Marinheiros e o Cais do Porto, pela Av. Francisco Bicalho. Naquele trecho foram abertas várias valas, com a remoção de paralelepípedos. As patrulhas de Fuzileiros cobriam toda a área, não transigindo com ninguém. Houve, apenas, um incidente com um cidadão português que, dirigindo um automóvel, varou o bloqueio em grande velocidade, insurgindo-se contra os sinais que lhe eram feitos e que, segundo alegou, não compreendeu. Foi duramente metralhado, escapando, por milagre, de morte certa, pois seu veículo apresentava várias perfurações de bala que o obrigaram a parar. Aprisionado, foi conduzido à presença do Chefe da Segurança que o submeteu a intensos interrogatórios, permanecendo preso, no próprio Cais, até o dia imediato. Libertado pela manhã continuou ignorando as razões da violência. As 20 horas do dia 30, partiram da Vila Militar os primeiros comboios do Grupamento nº 2, rumo aparente de Nova Iguaçu. Carros fechados, venezianas arriadas, disciplina severa no interior das viaturas. Ao atingirem a estação de Deodoro os comboios recebiam novas ordens do Comissário aí destacado pela 4ª Seção; e com horário preferencial, partiam em grande velocidade para a estação marítima, ao invés de seguirem o rumo de Nova Iguaçu. Naturalmente, os que se encontravam no interior dos carros, ignorando os detalhes do percurso a fazer, sentiam na imaginação a aproximação de Nova Iguaçu, quando a realidade era outra. Como Chefe do EM, era eu o agente de equilíbrio, intermediário normal entre o Comando da Divisão e os órgãos de execução, inclusive os próprios chefes de Seção. Mantinha-me eqüidistante de todas as Seções e órgãos dos Serviços. Minha grande missão, ou melhor, minha conduta funcional estava em não permitir que as decisões do Comando se vissem deturpadas ou deformadas; ou que qualquer dos seus subordinados fizesse, por ambição ou indisciplina intelectual, obra unilateral, procurando ofuscar os outros, em detrimento da ação conjunta, de cuja harmonia dependia o êxito. Na procura da unidade espiritual, dentro de um EM improvisado, embora reunindo valores indiscutíveis, impunha-se evitar a hipertrofia de qualquer das Seções sobre as demais, que traria como conseqüência inevitável o desequilíbrio e a desarmonia. Nos termos da organização do Exército Norte-Americano, que fôramos obrigados a adotar, a 3ª Seção dos Estados-Maiores, chamada Seção de Operações, goza de uma certa independência para entender-se com o Chefe diretamente, sobre operações. As próprias ordens de operações, assinadas pelo Comandante da GU, são referendadas e conferidas pelo G3 (Chefe da 3ª Seção), naquela organização. Todavia, nós não adotamos esses preceitos no mecanismo de funcionamento do nosso EM. Preferimos ficar com a nossa organização normal, em que a subordinação integral do EM era diretamente ao seu chefe orgânico, o Coronel Chefe do EM Div., o que não impedia, entretanto, que em benefício do Serviço o Chefe da 3ª Seção fizesse entendimentos diretos com o comandante da DI. Mas, todas as ordens de Operações, em todas as fases da Campanha, foram sempre conferidas e referendadas pelo Chefe do EM Divisionário, como se pode constatar compulsando o próprio arquivo do Operações da FEB.

"A Verdade sobre a FEB"
Mal. Floriano de Lima Brayner

 


O desfile no Rio de Janeiro, antes da partida.
Foto escaneada do livro "Trinta Anos depois da Volta" do Gen Octávio Costa.

Excusado seria dizer que o humor da tropa não se apresentava dos melhores, naquela quadra inesquecível de 1944, quando tudo indicava que não estava longe o dia do embarque da forma destinada a empenhar-se em luta no Velho Mundo. Havia uma visível reação do nosso homem, daqueles que, de um momento para outro, se viram convocados para uma guerra brutal, deixando assim as suas atividades civis, para acudir ao chamamento da Pátria. E mais se revoltavam, vendo que nem todos os que saíram pela praças fazendo comícios e gritando GUERRA! GUERRA! ali se encontravam de fuzil em punho e as saudades de casa no coração. Muitos não conheciam o Rio e sempre viveram nas montanhas alegres de Minas, nas suas terras e aldeias, tranqüilas, onde tudo era sossego, ao lado de suas famílias, no cultivo abençoado da terra. Não estavam acostumados à vida agitada de uma Metrópole, nunca imaginaram o que fosse o Rio de Janeiro com seus automóveis, com o trem elétrico da Vila Militar, com os arranha-céus empanando a beleza do sol, dos dias alegres que eles só conheciam nos seus rincões mineiros, em que tudo é simples, é puro, é natural... E o calor! Este, mais acentuadamente, agiu sobre o viver do pracinha mineiro, habituado, como estava, ao clima ameno e saudável do seu Estado. Só o filho do norte, já aclimatado à canícola da sua região, mostrava-se indiferente aos 39 graus à sombra... Das classes liberais ou das Universidades de nossa Pátria, de cujo âmbito saíram aqueles que, exaltados, pediam guerra ou faziam comícios em praça pública, poucos foram os que, envergando o uniforme expedicionário, tomaram parte na guerra européia. No dizer de um general do nosso Exército, em uma obra que escrevera, "os apelos das autoridades militares, chamando para as fileiras da tropa expedicionária a todos os homens aptos, ficavam sem eco entre as elites mais expressivas. Oradores dos comícios de véspera, chamados à incorporação, alegavam, ao apresentar-se, acharem-se amparados por dispositivos legais que os isentavam de servir no Exército. E assim a Forma Expedicionária Brasileira teve de ser organizada com a juventude pobre do Brasil". Daí se conclui o motivo por que reinava um certo descontentamento no seio dos integrantes da FEB, daqueles que, convocados, não tinham em que se estribar para pleitear suas exclusões das fileiras, quando, no entanto, outros se tornavam isentos, por Decretos e Avisos surgidos à última hora. As praças incorporadas ao 11º Regimento de Infantaria Expedicionário, embora oriundas de diferentes Estados, provinham, na sua quase totalidade, de Minas Gerais, de diferentes cidades, vilas e povoados; e algumas, poucas aliás, de Belo Horizonte, capital do Estado montanhez. Pouco antes do Regimento embarcar, porém, estava com o seu efetivo composto de elementos de todos os quadrantes do país. Não se submetiam, em alguns pontos, aos preceitos regulamentares: chamadas às armas nas condições já mencionadas, viviam como que numa revolta íntima, insubmissas a determinadas tarefas da caserna, numa reação passiva que enervava os chefes, obrigando-os a tomar medidas severas, enérgicas e contrárias mesmo aos próprios regulamentos. Os superiores não estavam isentos de desacato, de insubordinação por parte das praças, que chegavam ao ponto de abandonar o acantonamento sem a devida licença e seguir para suas casas, onde permaneciam dias e dias. Regressavam, depois, sem o menor constrangimento, como se nada houvesse e, passivamente, se deixavam recolher ao cumprimento do castigo disciplinar. Às idas furtivas às suas terras denominavam fazer a "TOCHA". Ir fazer a "TOCHA" queria dizer que o pracinha ia à casa sem permissão, o que na gíria da caserna chamam, também, ir à casa "a comando". E ia mesmo, custasse o que custasse, embora de volta fosse dar com os costados no xadrez. As "TOCHAS" foram outro fator que pesou na balança para que houvesse tanta demora em se preparar a FEB. Tinham elas, porém, uma razão de ser: as dispensas estavam rigorosamente proibidas e o pracinha de Minas, afetivo por índole, saudoso, ia rever os seus de qualquer forma... Não fosse o pracinha tão amoroso à família, não fosse ele tão compenetrado dos laços fortes da verdadeira ternura filial, de par com o espírito profundamente cristão de que é dotado o filho da terra mineira e talvez que na guerra, a que se entregou de corpo e alma, não tivesse sido o "TITAN" que assombrou a nossa pátria e as demais nações do mundo... O pracinha não admitia Pátria sem família e, quando desta se desapegou, voltou-se inteiramente à defesa do solo pátrio e o resultado foi o que hoje sabemos. Acabada a guerra, porém, vencido o inimigo, a "cobra" atirou o cachimbo para um lado e ficou "giboiando" pelo Vale do Pó. O pracinha, enquanto isso, voltava a fazer suas "TOCHAS" para ver as "segnorinas" belas em Turim ou Milão... O brasileiro é sempre assim... Uma equipe de oficiais norte-americanos, de sargentos e graduados, há tempos se encontrava em nosso meio, orientando, em parte, as instruções da tropa, instruções que aumentavam mais e mais de intensidade à medida que os meses avançavam. Em torno dos barracões, que serviam de acantonamento, foi construída uma pista para Educação Física, o terror da tropa. Em se tratando de uma construção de emergência, foi uma obra magnífica e com tantos requisitos das boas pistas que a do Capistrano tornara-se, para os pracinhas estreantes, como que um fantasma. Nem todos conseguiram transpor os obstáculos que requeriam resistência e sangue frio. A hora da instrução física, pela manhã bem cedo, aquele que lutaria como um felino nos campos da Itália, o mesmo que, dentro em pouco, iria pegar alemão a unha nos Apeninos e que assombraria o mundo pela bravura, era um medroso na grande rede colocada num navio simbólico do campo de instrução. Era mesmo uma parada dura, difícil... O comando, no intuito de preparar o pracinha para as eventualidades do mar, familiarizando-o com tudo que se lhe relaciona, mandara construir um "navio" simbólico, cuja finalidade era a escalada da rede exposta ali, externamente. Todos os dias, frente ao grande "navio", o nosso soldado, à hora da subida, coçava a cabeça, persignava-se e pedia coragem aos céus... rindo e gracejando, mas pedia. Certa manhã, quando apenas faltava menos da metade do pessoal para escalar o "navio" - o que era feito com o homem equipado e armado de fuzil - um acontecimento doloroso quebrou o ritmo da instrução. Um sargento já estava a meio caminho da rede para galgar as bordas da "embarcação", cuja altura equiparava-se a de um navio para 20 000 toneladas, quando, não se sabe como, desprendeu-se das malhas da rede, e veio cair ao solo em estado desesperador. Foi o sargento em questão uma das primeiras vítimas expedicionárias do nazi-fascismo. O acontecimento abalou a todos nós, calando fundo em nossos corações; e desse dia em diante a rede do navio, mais do que nunca, transformou-se num verdadeiro FANTASMA!

"De São João Del Rei ao Vale do Pó"
1º Ten. Gentil Palhares


O embarque para a Itália
Foto escaneada do livro "A Luta dos Pracinhas"
Joel Silveira e Thassilo Mitke

Execução do Embarque

Ao entrar o 1º comboio no Cais do Porto, detendo-se diante do navio-transporte General Mann, verificava-se uma chocante comparação. Enquanto o navio, que chegara ao Rio no dia 27 de junho, se apresentava feericamente iluminado, o comboio ingressava na plataforma em black out e de venezianas arriadas. Era o 1º Batalhão do 6º RI, juntamente com o EM do Regimento chefiado pelo Cel. Segadas Viana. O bravo soldado, experiente de tantas guerrinhas internas, estava sereno, encarando aquela dura realidade com calma e resignação. Estivera gravemente enfermo e ainda não estava restabelecido. Mas. em hipótese alguma admitia a sua substituição. Aliás, o próprio Comando Divisionário também pensava assim. Os valores que caracterizavam sua personalidade suplementavam a deficiência física momentânea. A tropa desceu dos carros em silêncio absoluto, aparentemente esmagada pela surpresa. Ao invés da pequena estação suburbana de Nova Iguaçu, estavam defrontando-se, como num conto de fadas, com um imponente navio de guerra, arfante e pletórico de luz, com três escotilhas de entrada, correspondentes às três pontes de embarque. Por uma delas embarcariam os soldados e graduados; pela outra, os oficiais. A terceira se destinava ao uso exclusivo da guarnição americana do navio. Transmitidas as instruções à tropa pela equipe da Área de Embarque, foi dado o início à operação propriamente dita. Os homens que haviam desembarcado do trem com os seus sacos A e se encontravam formados em rigorosa disciplina em coluna por um, penetravam no navio guiados pelos elementos do Destacamento Precursor ao labirinto interno e conduzidos até os leitos (macas) que lhes eram destinados, superpostos, até dez. Nenhuma reação, nenhum ato de desespero, nenhuma lamúria, nenhuma demonstração de medo. Em todas as fisionomias estava estampado um sentimento de resignação e de solidariedade, na marcha para o desconhecido, naquela imensa urna metálica, de mais de 36 000 toneladas de deslocamento. Quantos voltariam dessa aventura? Só Deus sabia. Ao iniciar-se a operação estavam presentes, na Área de embarque, os Gens. Mascarenhas de Moraes, Zenóbio da Costa, Cordeiro de Farias e o Gen. Walsh, do Exército dos Estados Unidos, que viera especialmente para assistir àquele embarque. Nenhum outro General brasileiro. Nem o Chefe do EM do Exército, nem o Ministro da Guerra. Acreditamos que o sigilo do embarque não poderia ser o pretexto para essa ausência, mormente se considerarmos que partiam dois generais, inclusive o Comandante da Divisão e seus auxiliares imediatos. Quanto às autoridades civis, absoluta ausência. O ambiente geral era melancólico, triste mesmo. Nenhum sinal de entusiasmo, talvez devido à surpresa que assaltou a todos e à severidade do segredo que dominava os mínimos atos ligados ao embarque.

"A Verdade sobre a FEB"
Mal. Floriano de Lima Brayner


Getúlio Vargas visita os soldados que partirão rumo ao Teatro de Operações da Itália
Foto escaneada de "O Globo Expedicionário"

Antes de chegarmos ao fim dessa terrível jornada, tão significativa para os destinos do Brasil, do Exército e de cada um de nós, uma última emoção nos ficara reservada, quando toda a tropa já estava embarcada, restando no Cais somente os Oficiais Generais e o Comando da Area de Embarque. Anunciava-se a próxima chegada do Chefe do Governo, Sr. Getúlio Vargas, que traria sua visita de despedida aos chefes e soldados que partiam. A notícia, retendo-nos fora do navio, serviu como um derivativo para a nova avalancha de preocupações que nos assaltariam, desde o momento da partida. Que partido procuraria tirar daquele acontecimento o sexagenário Vargas, o homem que há 14 anos se apossara do Poder e o exercia como bem entendia, chegando à temeridade de se comprometer a enviar ao Teatro europeu uma Força Expedicionária, que deveria alcançar um efetivo da ordem de cem mil homens, por sua única e exclusiva decisão? A verdade é que, no íntimo, nós nos sentíamos como que abandonados, lançados à própria sorte, sem nos apercebermos do juízo que os nossos aliados realmente faziam do nosso sacrifício e da nossa colaboração. A minha impressão era de que Getúlio Vargas, calculista impenitente, pretendia com aquela despedida desfechar um duplo golpe psicológico em benefício de sua permanência no poder. Avistando-se com oficiais e soldados que partiam, deixava-lhes n'alma a impressão de um interesse invulgar pelos seus destinos. Da mesma forma, face à Nação e, em particular, ao Exército, a repercussão da visita e das suas palavras valeria como um atestado de sua dedicação, tanto mais valiosa quanto era certo que outros contingentes deveriam partir com o mesmo destino. Mas Getúlio era sincero. Sem dúvida, ele amava o Brasil. Por outro lado, presente ao embarque estavam os generais americanos Kröner, adido militar no Brasil, e Walsh, este representante da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos, com sede em Washington, além de outros oficiais da mesma origem, e toda a guarnição do imponente barco da Marinha dos Estados Unidos. Nenhuma cooperação prestaram (nem lhes era solicitada) nos atos de embarque propriamente. Mas seriam testemunhas de um ato isolado, de aparente comunhão de idéias, entre o Ditador e o Exército que mantinha a Ditadura. Chegou o Chefe do Governo ao Cais cerca de 24 horas do dia 30. E foi imediatamente levado ao interior do navio. No salão de honra, onde estavam concentrados todos os oficiais, houve a apresentação rápida e sumária. Levado à Ponte de Comando, enquanto os oficiais se recolhiam aos seus camarotes, lá o colocaram face ao microfone do comando. Aí, então, Getúlio Vargas apareceu na plenitude de sua personalidade jamais decifrada. Os americanos apelidaram seu governo de "A Ditadura paternalista de Getúlio Vargas". E um dos seus chefes da Casa Militar, que com ele conviveu longos anos, principalmente no período da guerra, assim o apreciava: "Nem o chapéu sabe o que Getúlio tem na cabeça". Sua voz, cadenciada, traindo uma grande emoção, ecoou forte no silencio da madrugada, invadindo os mínimos recantos do navio, onde cada homem, ocupando seu leito (beliche), fora advertido de que iria ouvir a palavra do Chefe do Governo do Brasil:

"Soldados da Força Expedicionária! O Chefe do Governo veio trazer-vos uma palavra de despedida, em nome de toda a Nação Brasileira. Sei quanto nos custa, a todos, este momento transcendente em que vos separais dos vossos lares, do calor e do carinho dos entes amados. O destino vos escolheu para a missão histórica de fazer tremular, nos campos da luta,  o pavilhão auriverde e responder com a presença do Brasil às ofensas e humilhações que nos tentaram impor".

E depois de outras considerações patrióticas:

"Dedicai-vos de corpo e alma à vossa gloriosa missão. A Nação vos seguirá com o pensamento ungido pelas mais fervorosas preces a Deus, certa de que a vitória será o apanágio das vossas armas. 0 Governo não se descuidará um instante, no desvelo pelas vossas famílias. Estejais tranqüilos. É com emoção que aqui vos deixo os meus votos de pleno êxito. Não é um adeus, é antes, um até breve, quando ouvireis a palavra da Pátria agradecida".

Durante toda a sua alocução, que aí está em síntese, pois foi de improviso, Getúlio manteve a mesma fria serenidade, que sabia conservar nos momentos mais críticos. Ao deixar o microfone, apresentou suas despedidas ao Comando do navio. E a sua voz já não transparecia a mínima emoção. Pilheriou com o General Zenóbio, cuja personalidade reunia dois aspectos interessantes: homem dos desportos na tropa e combatente ardoroso de famosa bravura na realidade da guerra. No portaló, despediu-se do Gen. Mascarenhas, desejando-lhe todo o sucesso na sua árdua missão e recordando que o Governo queria ser constantemente informado, para que pudesse estar sempre atento, no apoio devido à FEB. Mascarenhas, que já se investira na Delegação de Comando, na forma da lei, recebia naquele momento o voto de confiança do Governo; estava sereníssimo, tão frio e indiferente quanto o seu interlocutor. Descendo a escada de bordo, a pequena comitiva se afastou lentamente, não sem olhar, de relance, o imponente transporte americano, feericamente iluminado, enquanto o resto do Cais permanecia imerso na penumbra e no silêncio da madrugada. Todo o 1º Escalão da 1ª Divisão Expedicionária estava embarcado, inclusive os generais e o Estado-Maior. Deixara de existir o Comando da Area de Embarque. E daquele momento em diante ficava estabelecida a proibição formal, sem exceção, de descer a terra, a qualquer brasileiro embarcado. A grande nave metálica  estava pronta, com a sua carga humana, para zarpar. Nada mais dependia de nós; estávamos nas mãos dos americanos. Sentia-se que dos ombros de todos que compunham o Governo se retirava, desde aquele instante, a incomoda sobrecarga . Mesmo que não seguisse mais ninguém, que o esforço do Brasil se resumisse naquele modesto Combat Team reforçado, toda a carga de responsabilidade se transferia ao Gen. Mascarenhas de Moraes que, por isso mesmo, embarcara com aquele 1º Escalão, para se converter em "bode expiatório", eventualmente, no caso de algum contratempo, ou "insucesso", surpreender as nossas inexperientes formações. O grosso da Divisão, com os dois Grupamentos táticos, as unidades Divisionárias, todos os órgãos dos serviços, além do QG da Divisão, excetuados o Chefe do EMD, e os quatro Chefes de Seção, todos ficavam no Brasil sob o Comando do Gen. Cordeiro de Farias, "espiando a maré", como diz o homem do povo. Não houve o menor empenho, da parte dos americanos, para que a Divisão seguisse toda, em conjunto, como seria de desejar. Nessas condições, o que estava sendo enviado ao Teatro da luta era uma verdadeira "ponta de lança", mais do que um grupamento tático, uma miniatura de Divisão, sob o comando do Gen. Zenóbio da Costa, chefe dotado de extrema combatividade e legendária bravura. A presença do Gen. Mascarenhas e de um grupo de assessores, todos pertencentes ao EM Divisionário, deixando no Brasil o grosso da Divisão, para cujo transporte futuro não havia qualquer notícia ou compromisso firmado, era evidentemente mal explicado.

"A Verdade sobre a FEB"
Mal. Floriano de Lima Brayner

Ao transpormos a barra, o Cristo Redentor, do Corcovado, estava intensamente iluminado pelo sol. Seu imenso abraço nos acalentava. Adivinhávamos em sua fisionomia, serena e paternal, a benção que os lares imploravam: "Deus vos acompanhe!" Eram 7 horas do dia 2 de julho. Depois, já fora da barra, Copacabana, o sonho de muitos, a saudade de todos.

"A Verdade sobre a FEB"
Mal. Floriano de Lima Brayner

Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
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Saudade
A vida felizmente pode continuar... 

 

 

 

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