FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

A COBRA FUMOU!


A Conquista de Montese
Tela de Antonio Martins

 

AOS QUE NÃO VOLTAM

Àqueles que caíram sem uma prece!
Aos que caíram no terrível impasse!
A todos que jamais verão a face
do ente que os espera e não os esquece...

Aos que deram de si todo o interesse,
sem que ao dever, um só, jamais faltasse...
Aos que ficaram para que eu voltasse!
Aos que morreram para que eu vivesse!

Aos que tombaram para que pudesse
viver o Homem sem ter quem o escravizasse,
talvez fosse ainda pouco e não bastasse,

ao sacrifício que a eles enaltece,
se um milagre divino concedesse
revivê-los a página que eu estampasse...

 Soneto sem autoria.
"A Tocha",  17 de julho de 1945.
Transcrito do livro "Meu Diário da Guerra na Itália" - Cap. Newton C. de Andrade Mello


Pintura a óleo "Os 17 de Abetaia" - Otton Arruda Lopes
Exposto no Museu da FEB - Belo Horizonte, MG.


A COBRA FUMOU!

Antônio PATROCÍNIO Fernandes, José B. de ARANTES Filho e Rodoval Cabral TRINDADE. Você sabe quem foram estes homens? E quanto a Waldemar Ferreira FIDALGO, José GOMES e Evilásio Rocha de ASSIS. Já ouviu falar deles? Um dia foram gente como você, como seu pai, seu melhor amigo ou seu irmão. Quando comemoramos os sessenta anos do desembarque na Normandia, onde os aliados deram os passos decisivos para dizimarem as hostes nazi-fascistas que destroçaram a Europa e parte do mundo, bem que poderíamos evocar os nomes de algumas pessoas. Laércio XAVIER de Mendonça, Ernecito José das CHAGAS e Durvalino do ESPÍRITO SANTO. Como será que eles eram? Sonharam em constituir famílias, em estudar Direito ou Medicina; será que jogaram futebol e gostaram de ir à praia nos fins-de-semana assim como nós gostamos? Severino BARBOSA de Farias, José de MORAIS e Wilson R. BONFIM. Imagine essas pessoas sentadas à mesa carioca, encarando uma feijoada, bebendo caipirinha e comentando a última mazela da semana. Talvez programando um passeio para rever “as palmeiras onde canta o sabiá”.  Geraldo Baeta da CRUZ, José VARELA e Nelson A. FONSECA poderiam ser homens do campo, comendo seu feijãozinho com torresmo, criando galinhas e porcos, plantando arroz e colhendo batatas, mas não! João GONÇALVES dos Santos, Ananias HOLANDA de Oliveira e Benevides VALENTE Pontes poderiam ser colegas de trabalho no escritório, preenchendo toda aquela papelada, bebendo cafezinho em canecas de louça e ajeitando suas gravatas sobre as camisas engomadas, mas não! Francisco de CASTRO, Hortêncio da ROSA e Abílio dos PASSOS talvez estivessem clinicando em algum hospital, com seus aventais brancos e máscaras azuis, aplicando injeções com seringas de vidro e flertando com as enfermeiras de quadris generosos, mas não!
Alguns derrotistas diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que José GRACILIANO C. da Silva, Francisco TAMBORIM e Rodrigo Leme da SILVA irem combater na Itália ou em qualquer outra parte junto aos seus companheiros, e que se Carlos COCO, FRANCISCO ALVES de Azevedo e Altino Martins da VITÓRIA desembarcassem naquela terra deflagrada, somente serviriam de buchas
de canhão, mas também não! Eles foram e o símbolo dos Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira foi justamente a imagem da cobra fumando um cachimbo, demonstrando aos incrédulos como pode ser fácil lutar e morrer por uma Pátria, quando em seu coração você realmente tem uma. Foram poucos, é verdade, mas seus atos os transformaram em muitos. Nenhuma mulher brasileira participou dos combates, mas milhares delas sucumbiram na guerra da saudade, da solidão e do medo. Ayres QUARESMA, José BRAVOS e AURÉLIO V. de Oliveira não puderam voltar para seus lares. Alcebíades B. da CUNHA, José P. BARBOSA Filho e Achylles BRASIL nunca mais apareceram sorrindo para abraçar seus familiares e cumprimentar os amigos. Para consolidarem a liberdade dos seus, ofereceram seus corpos em holocausto no campo minado de uma guerra necessária, mas cruel. Se eles foram heróis por opção ou porque as circunstâncias os obrigaram a tanto, quem é que sabe? O que vale é o resultado final. A consciência de Pátria é como a honestidade, a nobreza de caráter e a vergonha na cara: só têm valor para aqueles que têm tais critérios registrados dentro de si próprios. Você deve estar pensando: - Meu Deus, nunca vi tantos nomes num texto só! Qual a razão de tantos nomes? – É simples. São apenas TRINTA E TRÊS honrosas menções, um número até muito pequeno se levarmos em conta a soma de QUATROCENTOS E SESSENTA E CINCO compatriotas que sacrificaram a própria vida para que nossas liberdades constitucionais se mantivessem saudáveis. O que aconteceu depois pouco importa. Mas associe este número à idade que contava aquele que morreu com a intenção de salvar nossas almas e daí a História fará sentido. Finalmente, se você estiver chateado por ter lido tantos nomes, dê uma olhada em sua Carteira de Identidade e leia seu próprio nome. Depois, lembre-se de que talvez nem mesmo você existiria sem o patriotismo febril dos homens cujos nomes você tanto se cansou de ler. Você percebeu que todos eles têm em destaque alguma coisa que lembra singelamente o Brasil?

AQUI TAMBÉM VOCÊS NÃO FORAM
NEM JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS...

ROBERTO DE LACERDA - Cronista
robertoceci@uol.com.br

Texto gentilmente enviado pelo autor.


Cemitério de Pistóia: chamada aos colegas mortos.
Foto escaneada do livro "A verdade sobre a FEB" - Mal. Floriano de Lima Brayner

 

Hoje em dia, uma romaria cívica impõe-se a todo cidadão brasileiro: visitar o Monumento da Força Expedicionária Brasileira, no Aterro da Glória, no Rio de Janeiro. Vá sozinho, para não se distrair com diálogos impossíveis e inoportunos, porque o lugar é de prece, recolhimento e meditação.

A ENTRADA

Desça, humilde e pequeno, contrito sempre, os degraus que o levarão à cripta do mausoléu. Sinta a emoção constringir-lhe o peito, tomar-lhe a garganta e estreitá-la num rito incontrolável. Aos poucos, a cada olhar pelo cenário que se abre ali, haverá lágrimas pedindo para cair. Lá, no tabernáculo do soldado que não regressou, um silêncio profundo o envolverá. Ouvir-se-á apenas o rumorejar suave da água que cai do pequeno lago para o plano da tumba eterna. Você ouvirá os passos da sentinela que ali transita, na monotonia do quarto-de-hora do para-lá-para-cá, e tudo o mais será silêncio. O silêncio da Morte, o silêncio da História, o silêncio da Pátria. O silêncio da Vida. Todos e tudo reverenciam a memória que lá se agasalha: a saudade do brasileiro a quem a terra distante pediu o sacrifício de sua vida. E ele a deu... Vá, lentamente, sem pressa, passando de urna em urna e leia os nomes que, na pedra de Carrara foram gravados, estampados no mármore para a eternidade e para o testemunho dos tempos. A nostalgia haverá de invadir o seu coração; aquele silêncio o atordoará e você meditará. Meditará o sacrifício daqueles homens desconhecidos e que se imolaram por aquilo que os dedos não sentem, os olhos não vêem, mas que no íntimo palpita, chamado Dever, também Pátria. Você ouvirá os passos da sentinela! E então ver-se-á levado a filosofar sobre a fragilidade de sua gratidão e a ingratidão do seu esquecimento. Será um minuto que nunca mais se apagará da sua lembrança, se o impulso que o convidou à peregrinação for o mesmo que marca, nos verdadeiros homens, o instante em que eles se agigantam para a posteridade. Depois de uma prece por eles, deixe o relicário dos heróis e vá redimir-se e conhecer a história dos moços que deixaram a terra boa... E não retornaram!

A SAÍDA

E enquanto subir os degraus rumo ao sol, certo de que na penumbra da cripta há mais luz do que no adro do Monumento, lembre-se de que aqueles homens, tão jovens e tão cheios de ardor pela Pátria, pela qual iriam morrer, cantavam esperançosos o estribilho da Canção do Expedicionário:

"Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra,
sem que volte para lá...
Sem que leve por divisa,
esse "V" que simboliza
a vitória que virá."

Daí por diante, compassivo a refletir, porém, grato, você dirá: Glória eterna aos heróis de Monte Castelo, de Montese, de Camaiore, de Monte Prano, de Castelnuovo, de Zocca, Collechio, Fornovo di Taro; glória eterna ao homem da FEB, glória eterna a tantos que, traçando-o com seu sangue, acrescentaram ao rol das vitórias brasileiras, em seus quatro séculos de história e tradições nobres, mais essas peças de edificantes exemplos para a mocidade e para o futuro da Pátria.

LEMBREM-SE DO SOFRIMENTO.
LEMBREM-SE DA NEVE.
LEMBREM-SE DAS BATALHAS.
LEMBREM-SE DOS MORTOS.
LEMBREM-SE DOS VIVOS.
LEMBREM-SE DA VITÓRIA!

Adaptação do texto de autoria do Dr. Wilson Veado
MM Juiz do Tribunal de Alçada (MG)
Monumento Verde Oliva


Monumento Nacional aos Mortos na II Guerra Mundial - Rio de Janeiro
Foto escaneada da capa do livro "Eu estava lá" - Elza Cansanção.

 

PRECE

Por estes dias cheios de amargura;
pelas noites de espanto e de terror;
pelo cansaço, pela atroz tortura...
Nos hospitais, pelo último estertor!

De um companheiro, pela sepultura
que lá ficou na neve... Pela dor
de nossas mães; pela existência obscura,
de nossas noivas, sem o nosso amor...

Pelo momento que precede a luta...
Pela incerteza, pela vida bruta,
por tudo o que confrange o coração...

Pelos anos perdidos sem remédio...
Pelas angústias, pelo eterno tédio...
Ó Deus, que isto não tenha sido em vão!

Soneto sem autoria.
"A Tocha", 17 de julho de 1945.
Transcrito do livro "Meu Diário da Guerra na Itália" - Cap. Newton C. de Andrade Mello


Monumento Nacional aos Mortos na II Guerra Mundial - Rio de Janeiro
Postal representativo.

Um Herói nunca morre!

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