Um Herói nunca morre...

 

 


Geraldo Silvia Mota - Pracinha da FEB
Arquivo Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

Geraldo Sílvia Mota participou das operações de guerra na Itália desde 23 de setembro de 1944, regressando ao Brasil em 19 de setembro de 1945. Pertencia à 2ª Cia, 4ª Seção, 9º Batalhão de Engenharia, comandado pelo Ten. José Maria Viveiros. Sua Identidade Militar era 1G 294695. Recebeu a Medalha de Campanha da FEB.
Partiu para a Europa no 2º escalão comandado pelo General Oswaldo Cordeiro de Farias.  O Cel. Iporan Nunes de Oliveira descreveu esta viagem:

"Houve preocupações quanto às ameaças de submarinos. Numa das primeiras manhãs a tropa ficou assustada quando iniciaram os exercícios de treinamento das guarnições, para combater a aviação e submarinos inimigos. O tempo de duração da viagem do 2º escalão da FEB foi de vinte dias. Embarcamos no dia 22/09/1944 e chegamos a Livorno em 11/10/1944. A condição de saúde da tropa foi relativamente boa durante a viagem. Havia quase diariamente, treinamento de abandono do navio; inicialmente houve grandes confusões, mas no final aprendemos e fazíamos com perfeição. Houve vários shows nos quais participavam como artistas, brasileiros e americanos membros da tripulação. Além dos shows haviam variados jogos de salão. Naquela ocasião aprendi a jogar poker, o que faço até hoje, com relativa perfeição."


Pedaço da farda de Geraldo Silvia Mota
Foto de Miguel Ângelo Leite Mota

 Papai nos contava, às vezes, alguma coisa sobre a sua participação na Segunda Guerra. Relatos esparsos, depoimentos colhidos enquanto mamãe não chegava, pois ela detestava ouvi-lo contar sobre esse capítulo de sua vida. Com meus irmãos ele falava mais, talvez porque eles insistissem em saber. Mas tenho minhas lembranças. Certa feita, um meu colega da Faculdade de Medicina, um capixaba de São José dos Calçados, empolgado por estar conversando com um herói, disse-lhe que o seu sonho era participar de uma guerra, ter esta experiência. Papai zangou-se: "Que ignorância, rapaz. Nunca afirme mais esta leviandade. Ninguém vai passear numa guerra. Não queira saber o horror que é!" O rapaz insistiu: "Diga-me, seu Geraldo, o senhor matou alguém, algum alemão?" Aí papai irritou-se mesmo. Arregalou seus lindos olhos azuis e muito zangado respondeu: "Você não entendeu o que eu disse? Eu não estava lá brincando e cumpri o meu dever. Fiz o que precisava ser feito."

Já no final de sua vida, alguns meses antes de seu falecimento, papai esteve muito doente. Pensamos que havia chegado o seu fim. Tomei o primeiro avião de Fortaleza para São Paulo e passei um mês ao seu lado no hospital. Conversamos muito e pela primeira vez me relatou detalhes sobre a sua vida antes, durante e depois da guerra. Perguntei-lhe porque sendo um civil, fora convocado numa idade mais adulta, quase trinta anos, sem que antes tivesse tido nenhum treinamento familiar. Papai respondeu-me que grande parte dos convocados civis era, como ele, de descendência estrangeira. Alegavam a necessidade desta convocação pelo tipo físico deles, semelhante ao do europeu, e o conhecimento da língua italiana, francesa, alemã, etc. Mas papai, nunca acreditou nisso. A maior parte dos convocados civis, segundo ele, era composta por filhos de imigrantes e quase que a totalidade pertencente a classe média média e baixa. Muitos eram arrimos de família como ele. "Assim como os Estados Unidos mandaram muitos negros para a Guerra do Vietnam e estas outras guerrinhas que eles inventam, o Brasil mandou para a Itália, os filhos dos imigrantes pobres. Uma das benesses que ofereceram referia-se à regularização dos documentos da família toda. Muitos nem certidão de nascimento possuíam"... Referiu-se ao fato de seu pai, mesmo com o filho lutando na Itália, precisar apresentar-se na Delegacia de Baependi, MG periodicamente e só poder circular pelo país com salva-conduto - documento do qual possuo uma cópia. Pude constatar suas afirmativas, ao colocar em ordem alfabética pelo sobrenome, a relação dos pracinhas falecidos na Itália. A prevalência de sobrenomes estrangeiros destaca-se, ao lado dos Silva e Souza. Portanto, papai talvez tivesse mesmo razão sobre a procedência dos brasileiros civis enviados para o sacrifício.

O que mais me impressionou neste meu último contato com meu pai foi o que ele disse numa tarde, quando percebeu que estava em melhores condições de saúde e que não seria desta vez que partiria: "Deus foi muito bom para comigo. Eu fui um homem muito feliz... Consegui conquistar e realizar muitas coisas. Esta doença é por causa da velhice." Conhecendo suas lutas desde a mais tenra idade, foi para mim uma felicidade saber que aquele homem que tanto labutara considerava-se realizado - E FELIZ. Espero, sinceramente, poder afirmar o mesmo no meu leito de morte.

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

 


Frente e verso de foto encontrada no cofre de Geraldo, após seu falecimento, por seu filho
Miguel Ângelo Leite Mota. A letra é de Geraldo Silvia Mota, o terceiro da esquerda para a direita em pé.

 

"Sempre converso com o papai sobre histórias da guerra; vou tentar tirar algumas coisas dele. É fácil; ele gosta de falar sobre o assunto. A mamãe é que fica brava, não gosta. Lembro-me de garoto, que ele tinha um baú com algumas relíquias da guerra, como por exemplo, um sabre alemão, tomado de um soldado, cuja patrulha foi feita prisioneira; segundo o papai, os primeiros prisioneiros alemães feitos pela FEB. Este sabre era lindo, muito superior à baioneta velha e enferrujada que o papai ainda guardava; a dos alemães, ainda possuía o vigor do aço novo, não enferrujava, tinha peso, uma arma digna dos deuses nórdicos. Eu me lembro bem, por que costumava pegar este sabre escondido do papai, para jogar 'fincão', uma brincadeira da época que consistia em espetar uma faca no chão, arremessando-a pela ponteira, tentando formar um triângulo. Lembro-me de distintivos e honrarias tanto do papai como soldado, como também de alemães, souvenires conquistados nas batalhas. Conta o papai que eles tiveram treinamento no Rio de Janeiro, por quase um ano. Fala de um colega que foi convocado e, com medo, chegou a arrancar todos os dentes - gente de classe abastada na época - e quando do exame médico, foi reprovado por ter PÉ CHATO. Amigos que morreram mesmo no treinamento, quando saltavam de grandes alturas empunhando o mosquetão com a bainha (calado, ou seja, com a baioneta); no salto o mosquetão teria que ficar ao lado do corpo, e com medo, colocavam-no de frente; quando batiam no chão, invariavelmente, a baioneta entrava na garganta e saia pelo topo craniano. As conquistas mais significativas da FEB, segundo relatos do papai, foram a tomada do MONTE CASTELO e MONTE FORNOVO. No Monte Castelo, foram as maiores baixas da FEB, pois dependiam do ataque aéreo americano, o que não aconteceu, fazendo com que os pracinhas brasileiros, avançassem e recuassem por 3 vezes, num frio glacial, tendo que ficar pulando dentro das trincheiras para não congelar as pernas; foi tanto o sacrifício de idas-e-vindas debaixo de severo fogo de artilharia, que os alemães, como faziam sempre, atiravam morteiros com propaganda nazista, pedindo aos rivais que se entregassem, pois teriam BOA VIDA. Os brasileiros não se rendiam, então os alemães soltavam panfletos alegando que o SOLDADO BRASILEIRO ERA O MAIS BURRO OU O MAIS VALENTE DO MUNDO. Conta o papai, que saiu ileso da guerra, não sabe como. Em cada acampamento, parece que dormiam 6 ou 7 soldados por barraca, sendo que em uma das vezes, o Comandante teria que mandar uma patrulha para uma determinada cidade italiana que não me lembro o nome; foram designados alguns soldados para a empreitada e como era uma cidade na qual o papai tinha conhecimento que moravam alguns parentes do vô Dodô, ele determinou-se a conhecê-la. Na posição de um dos pracinhas mais velhos - ele foi convocado com cerca de 30 anos - falou com o comandante e conseguiu substituir um dos soldados escolhidos. Assim, foi para a sua missão; nesta noite o acampamento deles foi severamente bombardeado e todos os colegas que faziam parte da sua barraca foram mortos. Para ele, sorte do destino. Parece-me que ele trocou de barraca, pelo menos três vezes, devido à morte de colegas, isto ele não gosta muito de falar. Conta também que o seu apelido de guerra era BAEPENDI; seus superiores sempre achavam que ele fizera parte da tripulação do navio brasileiro afundado 'pelos alemães' que motivou a entrada do Brasil na guerra, mas não: era pela sua cidade natal. Relata ainda que ao chegar na Itália, um oficial passando revista nas tropas gritou: QUEM É MINEIRO? O papai é lógico, levantou a mão e foi recrutado imediatamente, para o que eles chamavam de 'Pelotão Suicida', pois MINEIROS, eram os que iam à frente do batalhão, equipados com caça-minas, abrindo caminho para quem vinha depois. Quando soube do que se tratava, papai continuou em sua posição, pois pensou: 'se tenho que ir, pelo menos saberei onde piso; não preciso ficar na dependência de ninguém'. Por isto ele fez parte das missões mais importantes da FEB. Não sei se é de seu conhecimento, mas o papai tinha um diário, desde a época do treinamento no Brasil, até o último dia da guerra da FEB, enriquecido de fotos, dentre as quais a de Mussolini e sua mulher mortos dependurados de cabeça para baixo. Quando o batalhão do papai chegou ao local, ainda estavam retirando os corpos; anos mais tarde, fotos como essa, foram publicadas pelo O CRUZEIRO (vc se lembra da revista?), como furo de reportagem. O papai também possuia um arquivo desses, mas como em seu diário eram relatados casos com mulheres italianas, a mamãe que à época não entendia a riqueza documental daquele acervo, atirou-os, num acesso irresponsável de ciúmes, às plácidas águas do rio que corre em frente à nossa casa, último guardião de 'profundas riquezas', da história de vida de um bravo homem que lutou pela liberdade e pelos ideais de uma nação e que constituia-se num tesouro valiosíssimo, não só para o resgate do heroísmo brasileiro na Segunda Guerra, coisa que alguns não esclarecidos teimam em depreciar, como um tesouro familiar, pois trata-se de NOSSO PAI."

Depoimento de Geraldo Luiz Leite Mota

 


Frente e verso de foto encontrada no cofre de Geraldo, após seu falecimento, por seu filho
Miguel Angelo Leite Mota. Geraldo Sílvia Mota é o segundo, da esquerda para a direita.

A Bandeira Alemã

Uma bandeira alemã foi capturada, na rendição de Fornovo. Chamando o sargento que a guardara para que esta fosse entregue ao acervo histórico do Batalhão, ele informou que a bandeira havia desaparecido de seus pertences. Uma revista geral na Companhia foi infrutífera e o assunto começou a ferver. Preleções e até ameaças foram feitas, sem resultado. Apelei, então, para o nosso capelão, Padre Nilo Kollet. O padre Kollet fora designado para o 9º BE ainda quando estávamos na Vila Militar (Rio de Janeiro), aguardando embarque. Numa noite, estava de serviço, quando foi trazido, à minha presença, um tenente embaraçado com a continência e outros sinais de respeito. Percebendo sua situação embaraçosa, deixei-o bem à vontade e procurei dar-lhe algumas aulas de procedimento militar. Depois disso, tornamo-nos amigos e freqüentemente, estávamos juntos, até que, na Itália, ele ficou na sede do Batalhão e eu, afastado, com minha companhia. Sempre o capelão Kollet nos visitava e celebrava missas, principalmente nas vésperas dos ataques, para elevar o moral da tropa, por quem era muito querido. Com o tempo, conquistou a amizade dos soldados e era recebido afetuosamente pelos "pracinhas", inclusive com doces especiais, feitos no rancho; tinha um tratamento privilegiado. Além de dar muita atenção aos casos ocorridos com os praças, ele cuidava de obter "bênçãos papais", muito bem impressas, toda vez que ia à Roma e desincumbia-se maravilhosamente de seu ofício pastoral. Não havendo meio de se encontrar a bandeira alemã, resolvi apelar para o capelão. Alguns dias depois, numa manhã, antes do toque da alvorada, houve um enorme burburinho no acampamento. Aos gritos de "olha a bandeira, olha a bandeira", os praças saíam das barracas e cercavam um pacote semi-aberto que não tocavam e onde estava a bandeira desaparecida. Aproximei-me e apanhei o embrulho. Ao mesmo tempo, algum brincalhão jogou uma espoleta de granada, que passou zunindo com seu ruído característico. Instintivamente, uns se atiraram no chão e outros correram. Completamente distraídos, estavam por perto alguns prisioneiros de guerra, com um grande PG inscrito nas costas e que faziam a faxina do acampamento. Com o barulho e a correria, também correram sem saber o porquê. Os soldados espalharam o boato que os prisioneiros haviam contra-atacado para retomar a bandeira; a notícia correu por todas as barracas da Engenharia. Quando tocou alvorada, os soldados ainda riam e comentavam o fato, cada um dizendo que o outro havia corrido mais. Foi desta maneira confusa e em meio a brincadeiras que a bandeira voltou aos arquivos de campanha. Por via das dúvidas, no mesmo dia, encaminhei-a, oficialmente, ao comando do Batalhão.

Gen. Raul da Cruz Lima Júnior
"Quebra-Canela" - Biblioteca do Exército - Editora - Rio - 1982

 


Frente e verso de foto encontrada no cofre de Geraldo, após seu falecimento, por seu filho
Miguel Ângelo Leite Mota. Luiz de Barros também morou em Piquete, SP por toda a sua vida.
A numeração desses soldados no verso da foto não concorda com a relação publicada no livro Quebra Canela, 
do Gen. Raul da Cruz Lima Júnior. Segundo essa listagem, Luiz de Barros seria Sd 55 e Joaquim José de Souza Sd 59.

 

"Porque fui voluntário como 'mineiro'? Porque se eu tivesse que morrer pisando numa mina, que fosse pelo menos em um campo que eu tivesse desarmado. Eu seria assim, o único responsável pelo que acontecesse... Indo à frente dos outros eu também estava defendendo a minha vida."

Geraldo Sílvia Mota

 

"Os sapadores mineiros desempenharam as missões mais perigosas do combate. Cabia a eles precederem a tropa de infantaria removendo as minas explosivas colocadas pelo inimigo nos itinerários possíveis dos combatentes. Havia, pois, tipos de minas chamadas 'anti pessoal e anti tank'. Elas eram enterradas no chão e cobertas de terra. Funcionavam sob a pressão do peso de quem a pisasse. Em itinerários que não foram removidas pelos sapadores mineiros tivemos vários companheiros que perderam o pé. Eram as chamadas minas 'arranca pés'. Na organização da FEB cada Regimento e Batalhão de Infantaria dispunha de um pelotão especializado em localizar minas usando um sensor elétrico e depois, numa operação que exigia máxima cautela e técnica, desativá-las. No Batalhão de Engenharia da FEB havia uma Companhia de Sapadores Mineiros. O Marechal Mascarenhas de Morais, no seu primeiro livro 'A FEB pelo seu Comandante', no elogio que consigna ao Batalhão de Engenharia, página 300 e 301, destaca com veementes elogios as missões desempenhadas pelos sapadores mineiros. Assim, minha cara Maria Auxiliadora, pode se orgulhar, e muito, da missão cumprida pelo seu querido pai na FEB."

General Carlos de Meira Mattos

 


Frente e verso de foto encontrada no cofre de Geraldo, após seu falecimento, por seu filho
Miguel Ângelo Leite Mota. Geraldo Silvia Mota é o primeiro da esquerda para a direita, agachado.
A foto é do acampamento em Francolise, ao final da guerra.

"O papai teve um colega de Minas e de minas, que se chamava Geraldo Silveira de Almeida, e conta que brincava com ele, chamando-o de Silvério dos Reis, dizendo que era neto do traidor de Tiradentes. Um dia, estourou uma granada. Ele foi atingido por onze estilhaços nas costas e não morreu. Os médicos tiraram pedaços das nádegas para implante. Então, quando ele estava junto com moças, fazia gracinhas, dizendo que estava com uma vontade danada de sentar com o pescoço... O padre cearense que você falou, o papai conheceu (não se lembra direito do nome dele). Lembra-se de um caso com ele. O padre foi visitar soldados no Vale do Rio Pó e, neste momento, foram atacados. Um estilhaço caiu a uns dez cm da cabeça do padre e ele disse que iria guardar o estilhaço pelo resto da vida."

Miguel Ângelo Leite Mota

Obs. Em uma fita de vídeo que me foi gentilmente enviada por Fausto Iório Adami, onde seu pai Iório Adami, em 1995, deixou gravada uma entrevista sobre a FEB e sua participação na Segunda Guerra, ele apresenta um dos estilhaços de granada que feriram este soldado. No livro "Quebra Canela" encontramos uma lista dos participantes do 9º BE, com seus respectivos números. Ali está registrado: 102 - Sd Iório Adami; (...) 105 - Sd Geraldo Silvia Mota; 106 - Sd Geraldo Silveira de Almeida.

Continua

Um Herói nunca morre!

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