PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História


Estréia da peça Pluft o Fantasminha no Cine Estrela em 23/12/1961.
Da esquerda para a direita em pé: João Gomes, Osvaldo Peixoto, Aparecida Coelho, Major Lessa Bastos,
Dora Mota, Cecília Masiero, Paulo Henrique. Sentados: Paulo Mazza, Jair, Edmundo Manzini, Betinho Luz,
César Damico, Yeyé Masiero. Em destaque na frente Nelo Pellegrine, o Capitão Perna de Pau.

Artistas Reunidos do Teatro Experimental
A.R.T.E.

ARTE e PLUFT, o Fantasminha

Mais uma vez se reuniram os elementos da ARTE, em nossa cidade para representarem, pela terceira vez, a gozadissima peca intitulada: Pluft, o Fantasminha. A apresentação teve lugar no Cine Estrela do Norte, dia 10 do corrente, às 19,30 hs. Lá compareci, a fim de prestigiar o trabalho artístico dessa plêiade de jovens que integram a ARTE; alguns ainda adolescentes e novos, mas amadurecidos pelo espírito da cooperação, pelo amor à causa do teatro, pela assunção de responsabilidades e compromissos. O cinema estava literalmente tomado, regurgitando de crianças que se fizeram acompanhar de suas famílias.


- Mamãe, gente existe?
- Claro, Pluft, claro que gente existe...
- Mamãe, eu tenho tanto medo de gente...

Tratava-se de uma peça para a garotada... mas os adultos também deixaram-se arrastar em meio a essa multidão delicada dos pequenos... e com estes, riram, gargalharam, bateram palmas e se sentiram felizes. Procurei fazer uma perfeita observação de tudo; e enquanto no palco se desenrolavam as cenas e os personagens se sucediam, fui analisando as feições de uns, o modo de reagir de outros. O contentamento foi geral!Impelido a peça, fi-lo com espírito crítico com a intenção de observar os mínimos detalhes as múltiplas particularidades... Agradou-me sobremaneira! Se algumas falhas houve, estas, entretanto, como que se dissolveram quais bolhas de sabão, em contacto com o colorido perfeito da naturalidade dos gestos, das expressões dos atores, dos diálogos não afetados, do não artificialismo das emoções vividas nas diversas situações. Quanta rudeza e quanta ambição naquele Capitão Perna de Pau! Parabéns Nelo Pelegrine, pela sua atuação! Tornou-se irreconhecível! Perfeito desempenho das funções de pirata, que até amedrontou alguns guris, os quais se puseram a chorar, obrigando os pais a retirá-los do recinto.

Quanta alegria esfuziante e quanto pavor nos três marinheiros João, Julião, Sebastião, com as suas bebedeiras, seus tropeções, suas algazarras e sua falsa coragem transformada em terror, quando em contacto com os fantasmas.

Parabéns aos marinheiros da ribalta - Cesar Damico, José Alberto da Luz e Sargento Manzini - na vida real, os amigos de cada dia.

Aplausos também àqueles que atuaram com eficiência:- Osvaldo Peixoto - no papel de tio Gerúndio - o fantasma dorminhoco; Maria Auxiliadora Leite Mota - como Pluft o fantasminha travesso, mas de bom coração. Auxiliadora é uma revelação no teatro e foi a alma da peça, com sua naturalidade marcante;

Maria Aparecida Coelho - no papel de Mamãe Fantasma, com suas pilhérias e seus conselhos chistosos; Márcia Mazza - a pequena Maribel - prometendo muito para o futuro.

Ao diretor da ARTE - José Palmiro Masiero - profundo agradecimento pela concretização de mais esse trabalho artístico e social. Um povo impõe-se pela cultura e pela arte, amando o belo e abeberando-se nas fontes cristalinas que jorram da Literatura, da Música, da Escultura e do Teatro. Os gênios, em todos os setores da atividade humana, dia a dia desaparecem, mutilados pela falta de valorização. Mister se torna incentivar o despontar de novas mentalidades e de novos valores no campo da arte. Em nossa Piquete medram e vicejam muitos desses valores. Urge aproveitá-los, faze-los passar pelo crivo do aprimoramento e torná-los flores a embalsamar o nosso patrimônio artístico e cultural. Que o povo piquetense dê aos seus filhos o mérito que lhe é próprio e não permita jamais que esse entusiasmo pela arte, entusiasmo santo e fecundo, morra pela ausência de apoio e compreensão. Que o nosso meio social seja como terra feraz a receber as sementes sacrossantas do ideal artístico. Oxalá as autoridades de nossa terra:- civis, militares e religiosas, dêem perfeita assistência à nossa ARTE, para que essa associação crie corpo e se agigante. Já é chegado o momento de Piquete se destacar no cenário artístico e cultural do Vale do Paraíba. O campo é vastíssimo... os valores se multiplicam... e com muita felicidade, já disse o Cel. Lessa Bastos - fundador da ARTE: Piquete é um grande laboratório humano.

Francisco M. Ferreira Neto
Jornal "A Cidade" - Piquete, SP
14/01/1962
Fotos da página enviadas por João Gomes

Obs. A atriz no papel da Menina Maribel, identificada no texto como Márcia Mazza,
na realidade, foi Cecília Masiero.

Continua

 

 

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