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Exmas.
Autoridades Civis, Militares e Eclesiásticas Caros Amigos
É
impossível descrever em palavras a emoção de aqui estarmos com vocês.
Gostaríamos de agradecer ao Presidente da Câmara Municipal de Piquete,
Vereador Hugo Soares, pela delicadeza da lembrança de nosso nome. E a
todos vocês por aqui se encontrarem. Devido a problemas familiares e
profissionais, não pudemos contar com a presença, nesse encontro, de nosso
esposo e filhos, mas eles estão conosco em pensamento, felizes por saber
da alegria de sua companheira e mãe, na noite de hoje. Quando recebemos o convite para essa
solenidade, onde deveríamos dizer algumas palavras sobre a história de
nossa cidade em seu aniversário, não conseguimos pensar em nada mais do
que destacar seu povo. A história de uma cidade não existe sem as pessoas
que a compõem. Não importam datas nem documentos. Uma história só é feita
e construída através das pessoas.
Poderíamos lembrar a origem de
Piquete, uma origem inicialmente agrícola, embalada pelo som dos cascos
dos animais, na descida da serra, e o ranger das rodas dos carros de boi,
transportando o café das fazendas, mas essa lembrança não seria completa
sem o canto monótono dos nossos tropeiros; sua culinária pobre composta de
feijão, farinha e toucinho; de importância cultural relevante,
veiculadores de idéias e notícias; contadores de casos, das histórias de
assombração às aventuras de Pedro Malasartes; divulgadores de
superstições, como Lobisomem, Mula sem Cabeça e Saci
Pererê.
Poderíamos recordar a inauguração, em 15 de março de 1909,
da Fábrica de Pólvora sem Fumaça, posteriormente Fábrica Presidente
Vargas, e destacar a sua importância centenária, na construção e
manutenção de nossa economia. Não poderíamos esquecer, no entanto, os
nossos irmãos, humildes operários, que a ela se dedicaram, alguns com o
sacrifício de suas vidas e, muitos outros, com a perda definitiva ou
parcial de sua saúde. Uma revista de grande circulação nacional, na década
de 50 ou 60, não nos lembramos bem, destacando as explosões que haviam
acontecido seguidamente em nossa cidade, intitulou sua reportagem
“Piquete, Cidade Coragem”. Coragem, sim; mas coragem e também sofrimento!
Quantas vezes, perdidas em nossas lembranças, sentimos novamente o
abalo das explosões sacudindo o nosso chão; nossa população saindo
assustada às ruas, temerosa sobre seus familiares e amigos que poderiam
ter sido atingidos no acidente. Quantos piquetenses ali perderam suas
vidas! Quantas lágrimas, quantas dores, quantos órfãos! Quantos operários
esquecidos comprometeram irrecuperavelmente a sua saúde, na labuta diária,
sem noção de que seus males seriam relacionados ao trabalho! Até quando
diziam: “o ácido comeu meu fígado” ou “o ácido acabou com meu pulmão”, não
sabiam da importância dessa afirmativa. A descarga dos resíduos lançados
nos nossos rios, amarronzando suas águas em determinados dias da semana,
invadindo nossas narinas ribeirinhas, novamente “o ácido”, traz-nos
suspeitas, impossíveis de serem comprovadas na atualidade, sobre a origem
da grande incidência de doenças neurológicas, como o Mal de Parkinson,
encontradas em nossa população, nos operários da fábrica e até em
militares engenheiros que aqui labutaram.
A preocupação
com a prevenção e o tratamento das doenças ocupacionais, o cuidado com a
saúde do trabalhador, nossa bandeira principal desde que passamos a atuar
como gestora na área de saúde pública, origina-se do que vimos acontecer
aqui, numa época em que não eram estabelecidas relações entre o homem
adoecido, suas atividades e as condições de seu ambiente de trabalho.
Charles Chaplin, em 1937, em seu antológico filme “Tempos Modernos”,
apresentou ao mundo a primeira manifestação artística da doença
ocupacional. Seu personagem Carlitos, operário cuja função era apenas
apertar parafusos, de forma repetitiva e exaustiva, em uma cena magnífica
mistura-se à engrenagem da máquina, identifica-se com ela e num surto
neurótico sai a parafusar botões e quaisquer outras estruturas que se
assemelhem ás porcas e aos parafusos. O mundo voltou-se à busca de
soluções para as doenças ocupacionais; a Organização Mundial de Saúde,
juntamente com a Organização Internacional do Trabalho, conceituou saúde
ocupacional; foi criada legislação própria: as normas de segurança no
trabalho passaram a ser respeitadas e surgiu a cobrança de ações
preventivas, além da reabilitação do trabalhador acometido por essas
patologias. No Brasil, as coisas aconteceram de forma mais lenta. Hoje, em
todo o país, já existe essa preocupação, num desempenho ainda incipiente,
mas de grande importância.
Retornando a nossa história, poderíamos
destacar a ação efetiva do Hospital da Fábrica Presidente Vargas, nos
cuidados com a saúde de nossa população, oferecidos por décadas, mas não
poderíamos olvidar as doces freiras salesianas, como a Irmã Maria Clara
Moreira e a Irmã Conceição, que o comandavam com sua ternura e
competência; os dedicados médicos militares, com destaque para o Dr.
Djalma Barros Passos e Dr. Leopoldo Wanderley que tão carinhosamente nos
atendiam; os enfermeiros que cotidianamente minoravam os nossos
sofrimentos, como Hugo, Marta, Catarina, Terezinha, Aparecida, Maria José,
Geraldo Pé-de-Sapo e tantos outros que a memória e o tempo limitado desse
evento não nos permitem citar.
Ainda na saúde, o que dizer do nosso
querido Dr. José Amoroso? Desde que aqui aportou, ele adotou nosso povo e
a ele se dedicou por toda a sua vida. Dr. José Amoroso representou para
nós, o modelo de médico e figura humana a seguir. O médico de família, que
Dr. Amoroso foi brilhantemente, por todo o seu tempo de atividade
profissional, hoje configura uma especialização médica, até com mestrado
na área de Saúde Pública; o Programa de Saúde da Família foi criado pelo
Governo Federal e espalhado por todos os rincões do Brasil, como uma
novidade... Outro dia, em palestra destinada a jovens profissionais de
saúde, destacamos uma lembrança de nossa infância: Dr. Amoroso ao chegar
com sua maletinha preta e voz inconfundível, em nossas casas, solicitava
sempre uma colher para “examinar a garganta”. Já acadêmica de medicina, em
nossas intermináveis conversas, indagamos o porquê desse pedido, uma vez
que abaixadores descartáveis de língua nos são ofertados, sem custos,
pelos laboratórios. Ele nos respondeu que assim agia, para desenvolver um
elo com o paciente; a colher pertencia ao seu habitat, ele não a temia; e
assim se iniciava uma união mais próxima com a família, o doente e o
médico. A decadência da saúde pública em nosso país pode ser modificada,
através do estímulo à formação dos médicos de família, mas isso apenas não
basta. É necessário um compromisso maior das gestões municipais, estaduais
e federal, investindo corretamente os recursos, sem desviá-los,
preocupando-se com o oferecimento de um serviço de saúde com qualidade
para os seus eleitores. E a população brasileira tem o direito e o dever
de cobrar isso de seus governantes! Saúde e educação são vertentes muito
lembradas em época de eleição, mas totalmente esquecidas nos quatro anos
que se seguem.
Ao pensarmos nessas duas necessidades básicas,
recordamo-nos de Ricarda Godoy Lopes, dedicada professora de Prática do
Ensino, da Escola Normal Duque de Caxias. Certa feita, conhecendo nosso
desejo de cursar medicina, ela nos deu uma frase que conservamos com
carinho até hoje: “O Pediatra constrói a Raça de Atletas, mas o Professor
Primário prepara o Homem de Amanhã”. Dr. Amoroso contribuiu na preservação
de nossa saúde, mas houve também quem colaborasse na formação de nosso
caráter e nos forjasse para o futuro. Ressaltamos a maravilhosa educação
que recebemos, desde a fundação, em 25 de março de 1920, do Grupo Escolar
do Piquete. Em 1942,
a Fábrica Presidente Vargas criou o Departamento de Assistência
Educacional, uma obra social magnífica, oferecendo educação, em todos os
níveis, para as nossas crianças e jovens. Lendo no Jornal Virtual “Piquete
Cidade Paisagem”, de maio de 2009, a notícia da implantação, em breve, de
algumas classes da Escola Técnica da Fundação Paula Souza, nas
dependências do Colégio Estadual Leonor Guimarães, não pudemos deixar de
lembrar quantos profissionais de qualidade o Ginásio Industrial da Fábrica
Presidente Vargas formou durante os seus anos de funcionamento.
Maravilhosa iniciativa essa de retorno aos cursos técnicos, para a
preparação de nossa juventude. Pena não contarmos mais com a liderança do
saudoso professor Antonio César Dória e o concurso de Leopoldo Marcondes
de Moura Neto.
O sucesso de
nossas escolas, tanto do Departamento Educacional da Fábrica Presidente
Vargas como dos nossos grupos escolares, deveu-se à dedicação e ao carinho
de nossos mestres. Sua competência e a qualidade de seus ensinamentos eram
tão completas que seria injustiça citar nomes, uma vez que foram tantos e
tão bons. No entanto, pessoalmente e representando todos os outros,
gostaríamos de destacar dois mestres que nos ministravam disciplinas
básicas, sem o conhecimento das quais nada mais poderíamos realizar em
matéria de aprendizagem. Referimo-nos ao temível professor de matemática
Benedito de Paula - o nosso Dito Potência - e Abigail Léa, mestra de
português. Essas matérias – e destacamos sempre isso – foram as únicas com
a quais não precisamos nos preocupar, durante o curso preparatório para o
vestibular de medicina. Eles nos deixavam prontos para qualquer concurso,
sem nada mais a aprender. Aos queridos mestres, de público, embora tardio,
o nosso agradecimento.
Não existe possibilidade de se falar da
história de nossa cidade e de nosso povo, sem revisitarmos nossas origens.
Piquete, assim como toda a população brasileira, é composta de um mosaico
racial. Ao homenagearmos nossa gente, temos necessariamente que render
tributo aos povos que colonizaram nosso país, colaboraram com nossa
formação. Consideramo-nos pessoalmente, um exemplo típico dessa
miscigenação, um produto pleno de etnias as mais diversas. Tomando a nossa
história familiar como parâmetro, recuemos a Portugal do século XVIII, no
reinado de D. José I.
O Marquês de Pombal, então primeiro
ministro, perseguiu o clero e a nobreza da terra, confiscando seus bens e
fazendo com que buscassem refúgio em outros países. Para o Brasil vieram
muitos desses exilados e alguns deles instalaram-se em Pouso Alto, MG.
Dentre esses, podemos citar Antonio Pereira Leite, Gaspar Alves de Melo,
os irmãos Antonio, Gregório e Custódio Ribeiro, além de Jerônimo Leite
Guimarães. Buscando terras mais propícias ao cultivo do café, esses
portugueses deslocaram-se para São Paulo e para a região norte fluminense
do Vale do Paraíba, onde vicejaram em São José do Barreiro, Areias,
Queluz, Bananal e Resende. No início do século XIX, logo após o Dia do Fico, em 09 de
janeiro de 1822, o príncipe regente Dom Pedro criou a sua Guarda de Honra,
arregimentada entre jovens patriotas voluntários, moços das mais distintas
famílias, que se destinavam à proteção do príncipe, apoiando o seu
objetivo de conduzir a emancipação brasileira do domínio lusitano.
Partindo em busca de aliados, ao passar por Resende, Dom Pedro anexou a
sua comitiva quatro jovens da cidade: Antonio Ramos Cordeiro, José de
Rocha Correia, Antonio Pereira Leite e David Gomes Jardim. Esses jovens
acompanharam o príncipe pelo restante de sua viagem, que culminou na
proclamação da Independência em 07 de setembro, às margens do Ipiranga. A
Guarda de Honra foi transformada em Guarda Imperial e durou até 1831,
quando Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro em benefício de seu filho.
Décadas depois, as famílias Pereira Leite e Jardim, representadas por
Horácio Pereira Leite e Corina Jardim, uniram-se em matrimônio. Em sua
descendência encontramos um prefeito de Piquete: José Armando de Castro
Ferreira e Chico Máximo, ícone da cultura de nossa cidade. Horácio Pereira
Leite, que trazia em suas veias sangue português mesclado ao sangue
indígena de uma avó bugra, caçada a laço, e de imigrantes italianos
através de sua mãe Ovídia, foi fazendeiro, dono de terras e de gado, juiz
de paz e chefe político. Instalando-se em Piquete, vicentino e congregado
mariano, Horácio foi proprietário do primeiro jornal da cidade, o
quinzenário “SENTINELLA", fundado em 18 de setembro de 1927. Doou os
terrenos do cemitério municipal, de onde se vislumbra uma das mais belas
vistas da cidade. A então artéria principal de Piquete, a Rua Major Carlos
Ribeiro, foi composta por inúmeras casas construídas por ele, com destaque
para seus paredões de pedras retiradas do ribeirão que a ladeia.
Enviuvando, Horácio
casou-se em segundas núpcias com Maria de Lourdes Alves Beraldo, oriunda
de um clã de origem italiana, que desceu a Mantiqueira fixando-se em
Taubaté, Cachoeira Paulista e Piquete. O casal teve seis filhos, dentre os
quais mais um prefeito de Piquete: Luiz Carlos Beraldo Leite há bem pouco
tempo falecido.
Gostaríamos, contudo, de destacar sua primogênita
dessas segundas núpcias: Maria Augusta, mais conhecida como Mariinha Mota,
nossa mãe. Professora por vocação dedicou-se por toda a sua vida às
crianças do Grupo Escolar Antonio João, formando gerações e plasmando
caráteres. Mariinha Mota em trova antológica afirmou:
Duas
coisas pedi a Deus nessa vida tão sumária: viver feliz junto aos
meus, ser professora primária.
Com sua cultura, inteligência
privilegiada e sensibilidade, Mariinha Mota é uma representante digna do
professorado piquetense. Declamadora, poetisa e trovadora de escol, membro
da Academia de Letras do Vale do Paraíba, cadeira numero 27, entre seus
poemas, encontramos o soneto “Piquete, Cidade Paisagem”, em nosso
entendimento, a representação mais vívida, em versos, de nossa cidade e de
nossa gente. Mariinha Mota, do alto de seu estro, apregoa:
Existe
uma cidade linda, acolhedora, almo ninho imortal de cálidos
olores; de edênica paisagem, tela sedutora, domicílio gentil de
rosas e de flores.
O povo bom se iguala à flâmea
natureza! Humildes operários, almas superiores, guardam em seus
corações manifesta grandeza, vivendo para a paz e o bem
imorredores.
Num recanto da amada Pátria
Brasileira, envolvendo-a lá está a Serra Mantiqueira, parecendo, à
tardinha, um manto rosicler.
É assim minha cidade bela e
pequenina, onde vivi contente os sonhos de menina e realizei, feliz,
meus sonhos de mulher.
Deixando o Colégio do Carmo, em
Guaratinguetá, Mariinha encantou-se com o sorriso e os olhos azuis de
Geraldo Sílvia Mota. Geraldo nos remete à mítica Ilha de Panteleria, a
Ilha dos Ventos, a Pérola do Mediterrâneo. Reza a lenda que Ulisses, o rei
aventureiro de Ítaca, retornando de Tróia, ali naufragou, após perder seus
navios e seus comandados. Encantado pela deusa Calypso, com ela viveu uma
história de amor que durou sete anos. Dessa ilha vulcânica, de negras
pedras e fontes termais, Salvatore Silvia partiu, trocando os olivais e
vinhedos pelas verdes montanhas do sul de Minas Gerais. A princípio em Caxambu,
posteriormente radicado em Baependi, Salvatore conheceu a jovem Silvina, a
quem amaria por toda a sua vida. Oriunda de uma família de artistas -
músicos, pintores e escultores - que mesclava, em sua origem, portugueses
e indígenas, Silvina iniciou com Salvatore uma prole numerosa. Geraldo,
filho primogênito, com a infância encurtada pela necessidade de
sobrevivência, assumiu com seu pai, desde os oito anos de idade, os
cuidados com os irmãos menores. Na década de quarenta, o som magistral de
seu piston o trouxe para Piquete, contratado para atuar na Orquestra da
Fábrica Presidente Vargas. Instalava-se na cidade, juntamente com seus
pais e irmãos, quando foi convocado a defender a liberdade e a democracia
nas encostas geladas dos Apeninos, na Segunda Guerra Mundial. Integrando a
Força Expedicionária Brasileira, como mineiro sapador, Geraldo pertenceu
ao Nono Batalhão de Engenharia e participou de todas as grandes vitórias
do Brasil, como a Tomada de Monte Castello e a conquista de Montese. Após
a guerra, definitivamente instalado em Piquete, casou-se com a quase
menina Mariinha e com ela construiu a família que aqui representamos, cuja
descendência já se amplia, mesclando-se por sua vez a outros povos e
culturas.
Multi étnica, poli racial – essas as definições de nossa
família e de todas as outras da cidade de Piquete e do nosso Brasil.
Muitas raças e cores mais compõem a nossa gente. O japonês com sua cultura
milenar; o africano com suas tradições, sua dança, sua música, sua
culinária e tantas outras manifestações culturais. Em Piquete, a raça
negra tem suas raízes preservadas pelo trabalho magnífico do professor
Gil, mas não podemos esquecer aqueles que, anteriormente a ele, sem
recursos financeiros, sem patrocínios e sem divulgação, resguardaram essa
cultura; como exemplo: Nair Porphírio e os ex-vereadores dessa casa,
Terezinha Generoso e Zé das Moças. Gostaríamos ainda de destacar a
importância da colônia libanesa em Piquete, por sua atuação no comércio,
no esporte, na cultura, nos eventos sociais de nossa cidade. Lembramo-nos
com carinho de Michel Gosn, Mounir Atie e sua esposa dona Janete, dona
Maria Turca, os irmãos Raffoul e tantos e tão queridos outros, que fizeram
parte de nossa vida e de nossa história.
Finalizando essas
palavras, gostaríamos de enviar aos jovens piquetenses uma mensagem de
crença e confiança no futuro, na possibilidade de realização de seus
sonhos, bastando que se empenhem na obtenção dos resultados. Uma vez que a
poesia sempre dominou nossa vida, buscamos entre nossos versos algum que
representasse nossa trajetória e demonstrasse a saudade dessa terra tão
querida. Encontramos um poema, que nos reconduz a junho de 1958, uma festa
junina, no Grupo Escolar Antonio João. Ele nos traz à recordação, o som do
acordeon de seu Vitor; o sorriso de nosso diretor, professor Carlos Ramos;
Mirthes Mazza, então jovenzinha e linda comandando as quadrilhas; as
professoras do Grupo Escolar Antonio João, tão queridas: mamãe, Fernanda
Faury, Eunice Fernandes (nossa professora na época), Conceição Soares (a
quem tivemos a felicidade de reencontrar hoje), Maria Cipoly, o piano
inesquecível de dona Milita e tantas outras mais que seria impossível
continuar essa citação; colegas de escola, amigos dentre os quais alguns
se encontram aqui nessa noite.

A menina de
nove anos em 1958 possuía um ideal, acreditava na possibilidade de
construir o seu futuro e concretizar seus sonhos. Com as mesmas esperanças
e expectativas dos jovens que circulam atualmente por nossas ruas, lutou
sempre, enfrentando todas as dificuldades. A menina de Piquete alcançou as
suas metas e a vida lhe permitiu até mesmo ultrapassar os seus objetivos.
E pode feliz, nessa noite, num alento, dedicar aos jovens piquetenses, o
poema São João da minha Infância.
"Miss Arraiá"
de tranças bem trançadas, colorido sorriso e um vestido lilás. A
alegria feliz da infância a rolar... Inocência tão doce; um tempo de
esperança...
Mantiqueira altaneira, o frio tão gostoso; paçocas,
milho verde e o tão bom do quentão... Quermesses e a quadrilha do meu
São João. Saudades dessa infância que se foi...
Onde ficou a
menina de tão ruivas tranças? Das bolinhas de ouro nas pontas da
orelha, da meia soquete e da bolsa branquinha? Cadê o som junino do
meu acordeon?
Saudades deste tempo tão distante, onde deixei
puros sonhos coloridos, a subir num balão que ao queimar no
céu avermelhou o verde dos Marins...
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