PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Sessão Solene na Câmara Municipal
118º aniversário de Piquete



Mesa de autoridades na Sessão Solene da Camara Municipal de Piquete

 

Em 12 de junho de 2009, a Câmara Municipal de Piquete, em Sessão Solene, comemorou o 118º aniversário da Emancipação Política da cidade. Na ocasião, aconteceram algumas homenagens: a concessão do Diploma da Ordem do Mérito Municipal - criado pela ex-vereadora Terezinha Generoso e destinado aos filhos da cidade que se destacaram dentro ou fora de Piquete -, o título de Cidadão Honorário de Piquete e o Prêmio Placa de Prata, concedido esse ano ao Sr. José Benedito Jerônimo. Dentre os demais homenageados: a Profª Aurora Domingas de Carvalho Motta, Érico Cabral Carvalho, José Gonçalves de Oliveira, Major Aviador Antonio Luiz Godoy Soares Mioni Rodrigues, Sub Oficial Músico Júlio Cesar Lemes Barbosa, Sub Oficial da Aeronáutica Francisco das Chagas Feitoza Filho, Dr. Edgar Lino Ferreira e Mauro José da Silva. Convidada pelo Presidente da Câmara Municipal, Prof. Hugo Ricardo Soares, como oradora da noite procuramos destacar, em nossas palavras, que a história de uma cidade não deve ser contada apenas através de fatos e datas. O principal, na construção de um tempo e de uma época são as pessoas, personagens responsáveis por essa história. Aproveitamos a ocasião para revisitar as nossas saudades...

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira


Maria Auxiliadora Vieira (Maux) discursando na Sessão Solene da Camara Municipal de Piquete


Exmas. Autoridades Civis, Militares e Eclesiásticas
Caros Amigos

É impossível descrever em palavras a emoção de aqui estarmos com vocês. Gostaríamos de agradecer ao Presidente da Câmara Municipal de Piquete, Vereador Hugo Soares, pela delicadeza da lembrança de nosso nome. E a todos vocês por aqui se encontrarem. Devido a problemas familiares e profissionais, não pudemos contar com a presença, nesse encontro, de nosso esposo e filhos, mas eles estão conosco em pensamento, felizes por saber da alegria de sua companheira e mãe, na noite de hoje.
Quando recebemos o convite para essa solenidade, onde deveríamos dizer algumas palavras sobre a história de nossa cidade em seu aniversário, não conseguimos pensar em nada mais do que destacar seu povo. A história de uma cidade não existe sem as pessoas que a compõem. Não importam datas nem documentos. Uma história só é feita e construída através das pessoas.

Poderíamos lembrar a origem de Piquete, uma origem inicialmente agrícola, embalada pelo som dos cascos dos animais, na descida da serra, e o ranger das rodas dos carros de boi, transportando o café das fazendas, mas essa lembrança não seria completa sem o canto monótono dos nossos tropeiros; sua culinária pobre composta de feijão, farinha e toucinho; de importância cultural relevante, veiculadores de idéias e notícias; contadores de casos, das histórias de assombração às aventuras de Pedro Malasartes; divulgadores de superstições, como Lobisomem, Mula sem Cabeça e Saci Pererê.

Poderíamos recordar a inauguração, em 15 de março de 1909, da Fábrica de Pólvora sem Fumaça, posteriormente Fábrica Presidente Vargas, e destacar a sua importância centenária, na construção e manutenção de nossa economia. Não poderíamos esquecer, no entanto, os nossos irmãos, humildes operários, que a ela se dedicaram, alguns com o sacrifício de suas vidas e, muitos outros, com a perda definitiva ou parcial de sua saúde. Uma revista de grande circulação nacional, na década de 50 ou 60, não nos lembramos bem, destacando as explosões que haviam acontecido seguidamente em nossa cidade, intitulou sua reportagem “Piquete, Cidade Coragem”. Coragem, sim; mas coragem e também sofrimento!

Quantas vezes, perdidas em nossas lembranças, sentimos novamente o abalo das explosões sacudindo o nosso chão; nossa população saindo assustada às ruas, temerosa sobre seus familiares e amigos que poderiam ter sido atingidos no acidente. Quantos piquetenses ali perderam suas vidas! Quantas lágrimas, quantas dores, quantos órfãos! Quantos operários esquecidos comprometeram irrecuperavelmente a sua saúde, na labuta diária, sem noção de que seus males seriam relacionados ao trabalho! Até quando diziam: “o ácido comeu meu fígado” ou “o ácido acabou com meu pulmão”, não sabiam da importância dessa afirmativa. A descarga dos resíduos lançados nos nossos rios, amarronzando suas águas em determinados dias da semana, invadindo nossas narinas ribeirinhas, novamente “o ácido”, traz-nos suspeitas, impossíveis de serem comprovadas na atualidade, sobre a origem da grande incidência de doenças neurológicas, como o Mal de Parkinson, encontradas em nossa população, nos operários da fábrica e até em militares engenheiros que aqui labutaram. 

A preocupação com a prevenção e o tratamento das doenças ocupacionais, o cuidado com a saúde do trabalhador, nossa bandeira principal desde que passamos a atuar como gestora na área de saúde pública, origina-se do que vimos acontecer aqui, numa época em que não eram estabelecidas relações entre o homem adoecido, suas atividades e as condições de seu ambiente de trabalho. Charles Chaplin, em 1937, em seu antológico filme “Tempos Modernos”, apresentou ao mundo a primeira manifestação artística da doença ocupacional. Seu personagem Carlitos, operário cuja função era apenas apertar parafusos, de forma repetitiva e exaustiva, em uma cena magnífica mistura-se à engrenagem da máquina, identifica-se com ela e num surto neurótico sai a parafusar botões e quaisquer outras estruturas que se assemelhem ás porcas e aos parafusos. O mundo voltou-se à busca de soluções para as doenças ocupacionais; a Organização Mundial de Saúde, juntamente com a Organização Internacional do Trabalho, conceituou saúde ocupacional; foi criada legislação própria: as normas de segurança no trabalho passaram a ser respeitadas e surgiu a cobrança de ações preventivas, além da reabilitação do trabalhador acometido por essas patologias. No Brasil, as coisas aconteceram de forma mais lenta. Hoje, em todo o país, já existe essa preocupação, num desempenho ainda incipiente, mas de grande importância.

Retornando a nossa história, poderíamos destacar a ação efetiva do Hospital da Fábrica Presidente Vargas, nos cuidados com a saúde de nossa população, oferecidos por décadas, mas não poderíamos olvidar as doces freiras salesianas, como a Irmã Maria Clara Moreira e a Irmã Conceição, que o comandavam com sua ternura e competência; os dedicados médicos militares, com destaque para o Dr. Djalma Barros Passos e Dr. Leopoldo Wanderley que tão carinhosamente nos atendiam; os enfermeiros que cotidianamente minoravam os nossos sofrimentos, como Hugo, Marta, Catarina, Terezinha, Aparecida, Maria José, Geraldo Pé-de-Sapo e tantos outros que a memória e o tempo limitado desse evento não nos permitem citar.

Ainda na saúde, o que dizer do nosso querido Dr. José Amoroso? Desde que aqui aportou, ele adotou nosso povo e a ele se dedicou por toda a sua vida. Dr. José Amoroso representou para nós, o modelo de médico e figura humana a seguir. O médico de família, que Dr. Amoroso foi brilhantemente, por todo o seu tempo de atividade profissional, hoje configura uma especialização médica, até com mestrado na área de Saúde Pública; o Programa de Saúde da Família foi criado pelo Governo Federal e espalhado por todos os rincões do Brasil, como uma novidade... Outro dia, em palestra destinada a jovens profissionais de saúde, destacamos uma lembrança de nossa infância: Dr. Amoroso ao chegar com sua maletinha preta e voz inconfundível, em nossas casas, solicitava sempre uma colher para “examinar a garganta”. Já acadêmica de medicina, em nossas intermináveis conversas, indagamos o porquê desse pedido, uma vez que abaixadores descartáveis de língua nos são ofertados, sem custos, pelos laboratórios. Ele nos respondeu que assim agia, para desenvolver um elo com o paciente; a colher pertencia ao seu habitat, ele não a temia; e assim se iniciava uma união mais próxima com a família, o doente e o médico. A decadência da saúde pública em nosso país pode ser modificada, através do estímulo à formação dos médicos de família, mas isso apenas não basta. É necessário um compromisso maior das gestões municipais, estaduais e federal, investindo corretamente os recursos, sem desviá-los, preocupando-se com o oferecimento de um serviço de saúde com qualidade para os seus eleitores. E a população brasileira tem o direito e o dever de cobrar isso de seus governantes! Saúde e educação são vertentes muito lembradas em época de eleição, mas totalmente esquecidas nos quatro anos que se seguem.

Ao pensarmos nessas duas necessidades básicas, recordamo-nos de Ricarda Godoy Lopes, dedicada professora de Prática do Ensino, da Escola Normal Duque de Caxias. Certa feita, conhecendo nosso desejo de cursar medicina, ela nos deu uma frase que conservamos com carinho até hoje: “O Pediatra constrói a Raça de Atletas, mas o Professor Primário prepara o Homem de Amanhã”. Dr. Amoroso contribuiu na preservação de nossa saúde, mas houve também quem colaborasse na formação de nosso caráter e nos forjasse para o futuro. Ressaltamos a maravilhosa educação que recebemos, desde a fundação, em 25 de março de 1920, do Grupo Escolar do Piquete.
Em 1942, a Fábrica Presidente Vargas criou o Departamento de Assistência Educacional, uma obra social magnífica, oferecendo educação, em todos os níveis, para as nossas crianças e jovens. Lendo no Jornal Virtual “Piquete Cidade Paisagem”, de maio de 2009, a notícia da implantação, em breve, de algumas classes da Escola Técnica da Fundação Paula Souza, nas dependências do Colégio Estadual Leonor Guimarães, não pudemos deixar de lembrar quantos profissionais de qualidade o Ginásio Industrial da Fábrica Presidente Vargas formou durante os seus anos de funcionamento. Maravilhosa iniciativa essa de retorno aos cursos técnicos, para a preparação de nossa juventude. Pena não contarmos mais com a liderança do saudoso professor Antonio César Dória e o concurso de Leopoldo Marcondes de Moura Neto.

O sucesso de nossas escolas, tanto do Departamento Educacional da Fábrica Presidente Vargas como dos nossos grupos escolares, deveu-se à dedicação e ao carinho de nossos mestres. Sua competência e a qualidade de seus ensinamentos eram tão completas que seria injustiça citar nomes, uma vez que foram tantos e tão bons. No entanto, pessoalmente e representando todos os outros, gostaríamos de destacar dois mestres que nos ministravam disciplinas básicas, sem o conhecimento das quais nada mais poderíamos realizar em matéria de aprendizagem. Referimo-nos ao temível professor de matemática Benedito de Paula - o nosso Dito Potência - e Abigail Léa, mestra de português. Essas matérias – e destacamos sempre isso – foram as únicas com a quais não precisamos nos preocupar, durante o curso preparatório para o vestibular de medicina. Eles nos deixavam prontos para qualquer concurso, sem nada mais a aprender. Aos queridos mestres, de público, embora tardio, o nosso agradecimento.

Não existe possibilidade de se falar da história de nossa cidade e de nosso povo, sem revisitarmos nossas origens. Piquete, assim como toda a população brasileira, é composta de um mosaico racial. Ao homenagearmos nossa gente, temos necessariamente que render tributo aos povos que colonizaram nosso país, colaboraram com nossa formação. Consideramo-nos pessoalmente, um exemplo típico dessa miscigenação, um produto pleno de etnias as mais diversas. Tomando a nossa história familiar como parâmetro, recuemos a Portugal do século XVIII, no reinado de D. José I.

O Marquês de Pombal, então primeiro ministro, perseguiu o clero e a nobreza da terra, confiscando seus bens e fazendo com que buscassem refúgio em outros países. Para o Brasil vieram muitos desses exilados e alguns deles instalaram-se em Pouso Alto, MG. Dentre esses, podemos citar Antonio Pereira Leite, Gaspar Alves de Melo, os irmãos Antonio, Gregório e Custódio Ribeiro, além de Jerônimo Leite Guimarães. Buscando terras mais propícias ao cultivo do café, esses portugueses deslocaram-se para São Paulo e para a região norte fluminense do Vale do Paraíba, onde vicejaram em São José do Barreiro, Areias, Queluz, Bananal e Resende.
No início do século XIX, logo após o Dia do Fico, em 09 de janeiro de 1822, o príncipe regente Dom Pedro criou a sua Guarda de Honra, arregimentada entre jovens patriotas voluntários, moços das mais distintas famílias, que se destinavam à proteção do príncipe, apoiando o seu objetivo de conduzir a emancipação brasileira do domínio lusitano. Partindo em busca de aliados, ao passar por Resende, Dom Pedro anexou a sua comitiva quatro jovens da cidade: Antonio Ramos Cordeiro, José de Rocha Correia, Antonio Pereira Leite e David Gomes Jardim. Esses jovens acompanharam o príncipe pelo restante de sua viagem, que culminou na proclamação da Independência em 07 de setembro, às margens do Ipiranga. A Guarda de Honra foi transformada em Guarda Imperial e durou até 1831, quando Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro em benefício de seu filho. Décadas depois, as famílias Pereira Leite e Jardim, representadas por Horácio Pereira Leite e Corina Jardim, uniram-se em matrimônio. Em sua descendência encontramos um prefeito de Piquete: José Armando de Castro Ferreira e Chico Máximo, ícone da cultura de nossa cidade. Horácio Pereira Leite, que trazia em suas veias sangue português mesclado ao sangue indígena de uma avó bugra, caçada a laço, e de imigrantes italianos através de sua mãe Ovídia, foi fazendeiro, dono de terras e de gado, juiz de paz e chefe político. Instalando-se em Piquete, vicentino e congregado mariano, Horácio foi proprietário do primeiro jornal da cidade, o quinzenário “SENTINELLA", fundado em 18 de setembro de 1927. Doou os terrenos do cemitério municipal, de onde se vislumbra uma das mais belas vistas da cidade. A então artéria principal de Piquete, a Rua Major Carlos Ribeiro, foi composta por inúmeras casas construídas por ele, com destaque para seus paredões de pedras retiradas do ribeirão que a ladeia. Enviuvando, Horácio casou-se em segundas núpcias com Maria de Lourdes Alves Beraldo, oriunda de um clã de origem italiana, que desceu a Mantiqueira fixando-se em Taubaté, Cachoeira Paulista e Piquete. O casal teve seis filhos, dentre os quais mais um prefeito de Piquete: Luiz Carlos Beraldo Leite há bem pouco tempo falecido.

Gostaríamos, contudo, de destacar sua primogênita dessas segundas núpcias: Maria Augusta, mais conhecida como Mariinha Mota, nossa mãe. Professora por vocação dedicou-se por toda a sua vida às crianças do Grupo Escolar Antonio João, formando gerações e plasmando caráteres.
Mariinha Mota em trova antológica afirmou:

Duas coisas pedi a Deus
nessa vida tão sumária:
viver feliz junto aos meus,
ser professora primária.

Com sua cultura, inteligência privilegiada e sensibilidade, Mariinha Mota é uma representante digna do professorado piquetense. Declamadora, poetisa e trovadora de escol, membro da Academia de Letras do Vale do Paraíba, cadeira numero 27, entre seus poemas, encontramos o soneto “Piquete, Cidade Paisagem”, em nosso entendimento, a representação mais vívida, em versos, de nossa cidade e de nossa gente. Mariinha Mota, do alto de seu estro, apregoa:

Existe uma cidade linda, acolhedora,
almo ninho imortal de cálidos olores;
de edênica paisagem, tela sedutora,
domicílio gentil de rosas e de flores.

O povo bom se iguala à flâmea natureza!
Humildes operários, almas superiores,
guardam em seus corações manifesta grandeza,
vivendo para a paz e o bem imorredores.

Num recanto da amada Pátria Brasileira,
envolvendo-a lá está a Serra Mantiqueira,
parecendo, à tardinha, um manto rosicler.

É assim minha cidade bela e pequenina,
onde vivi contente os sonhos de menina
e realizei, feliz, meus sonhos de mulher.

Deixando o Colégio do Carmo, em Guaratinguetá, Mariinha encantou-se com o sorriso e os olhos azuis de Geraldo Sílvia Mota. Geraldo nos remete à mítica Ilha de Panteleria, a Ilha dos Ventos, a Pérola do Mediterrâneo. Reza a lenda que Ulisses, o rei aventureiro de Ítaca, retornando de Tróia, ali naufragou, após perder seus navios e seus comandados. Encantado pela deusa Calypso, com ela viveu uma história de amor que durou sete anos. Dessa ilha vulcânica, de negras pedras e fontes termais, Salvatore Silvia partiu, trocando os olivais e vinhedos pelas verdes montanhas do sul de Minas Gerais.
A princípio em Caxambu, posteriormente radicado em Baependi, Salvatore conheceu a jovem Silvina, a quem amaria por toda a sua vida. Oriunda de uma família de artistas - músicos, pintores e escultores - que mesclava, em sua origem, portugueses e indígenas, Silvina iniciou com Salvatore uma prole numerosa. Geraldo, filho primogênito, com a infância encurtada pela necessidade de sobrevivência, assumiu com seu pai, desde os oito anos de idade, os cuidados com os irmãos menores. Na década de quarenta, o som magistral de seu piston o trouxe para Piquete, contratado para atuar na Orquestra da Fábrica Presidente Vargas. Instalava-se na cidade, juntamente com seus pais e irmãos, quando foi convocado a defender a liberdade e a democracia nas encostas geladas dos Apeninos, na Segunda Guerra Mundial. Integrando a Força Expedicionária Brasileira, como mineiro sapador, Geraldo pertenceu ao Nono Batalhão de Engenharia e participou de todas as grandes vitórias do Brasil, como a Tomada de Monte Castello e a conquista de Montese. Após a guerra, definitivamente instalado em Piquete, casou-se com a quase menina Mariinha e com ela construiu a família que aqui representamos, cuja descendência já se amplia, mesclando-se por sua vez a outros povos e culturas.

Multi étnica, poli racial – essas as definições de nossa família e de todas as outras da cidade de Piquete e do nosso Brasil. Muitas raças e cores mais compõem a nossa gente. O japonês com sua cultura milenar; o africano com suas tradições, sua dança, sua música, sua culinária e tantas outras manifestações culturais. Em Piquete, a raça negra tem suas raízes preservadas pelo trabalho magnífico do professor Gil, mas não podemos esquecer aqueles que, anteriormente a ele, sem recursos financeiros, sem patrocínios e sem divulgação, resguardaram essa cultura; como exemplo: Nair Porphírio e os ex-vereadores dessa casa, Terezinha Generoso e Zé das Moças. Gostaríamos ainda de destacar a importância da colônia libanesa em Piquete, por sua atuação no comércio, no esporte, na cultura, nos eventos sociais de nossa cidade. Lembramo-nos com carinho de Michel Gosn, Mounir Atie e sua esposa dona Janete, dona Maria Turca, os irmãos Raffoul e tantos e tão queridos outros, que fizeram parte de nossa vida e de nossa história.

Finalizando essas palavras, gostaríamos de enviar aos jovens piquetenses uma mensagem de crença e confiança no futuro, na possibilidade de realização de seus sonhos, bastando que se empenhem na obtenção dos resultados. Uma vez que a poesia sempre dominou nossa vida, buscamos entre nossos versos algum que representasse nossa trajetória e demonstrasse a saudade dessa terra tão querida. Encontramos um poema, que nos reconduz a junho de 1958, uma festa junina, no Grupo Escolar Antonio João. Ele nos traz à recordação, o som do acordeon de seu Vitor; o sorriso de nosso diretor, professor Carlos Ramos; Mirthes Mazza, então jovenzinha e linda comandando as quadrilhas; as professoras do Grupo Escolar Antonio João, tão queridas: mamãe, Fernanda Faury, Eunice Fernandes (nossa professora na época), Conceição Soares (a quem tivemos a felicidade de reencontrar hoje), Maria Cipoly, o piano inesquecível de dona Milita e tantas outras mais que seria impossível continuar essa citação; colegas de escola, amigos dentre os quais alguns se encontram aqui nessa noite.



A menina de nove anos em 1958 possuía um ideal, acreditava na possibilidade de construir o seu futuro e concretizar seus sonhos. Com as mesmas esperanças e expectativas dos jovens que circulam atualmente por nossas ruas, lutou sempre, enfrentando todas as dificuldades. A menina de Piquete alcançou as suas metas e a vida lhe permitiu até mesmo ultrapassar os seus objetivos. E pode feliz, nessa noite, num alento, dedicar aos jovens piquetenses, o poema São João da minha Infância.

"Miss Arraiá" de tranças bem trançadas,
colorido sorriso e um vestido lilás.
A alegria feliz da infância a rolar...
Inocência tão doce; um tempo de esperança...

Mantiqueira altaneira, o frio tão gostoso;
paçocas, milho verde e o tão bom do quentão...
Quermesses e a quadrilha do meu São João.
Saudades dessa infância que se foi...

Onde ficou a menina de tão ruivas tranças?
Das bolinhas de ouro nas pontas da orelha,
da meia soquete e da bolsa branquinha?
Cadê o som junino do meu acordeon?

Saudades deste tempo tão distante,
onde deixei puros sonhos coloridos,
a subir num balão que ao queimar no céu
avermelhou o verde dos Marins...

 

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