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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

Getúlio Vargas,
Presidente do Brasil
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Após a vitória sobre os paulistas em 1932, quando estes ganharam na paz o que não conseguiram com armas, Getúlio Dornelles Vargas é eleito, através de uma Constituinte, Presidente da República brasileira (a segunda), em 1934. Veio, assim, nova Constituição a ser outorgada ao País em 14 de julho deste mesmo ano. De acordo com esta Carta, o mandato de Getúlio encerrar-se-ia em 1938. Todavia, a 10 de dezembro de 1937, em plena campanha eleitoral, disputando a presidência de um lado Armando Sales de Oliveira e de outro o candidato governamental, José Américo de Almeida, por um golpe conluiado nas hostes palacianas e com o apoio das Forças Armadas, Vargas põe fim à chamada "Nova República" e institui o "Estado Novo". Muitos piquetenses tiveram que tomar chá de sumiço por esta época, pois pertenciam ao partido dos "camisas verdes", Partido Integralista, a quem Getúlio Vargas deu toda corda, inclusive, permitindo o desfile dos mesmos em plena Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, para, logo após, dar o golpe de misericórdia no regime vigente. Mais urna Constituição foi imposta ao país em 1937 e pelo seus princípios baseados em países europeus, foi apelidada "A Polaca". Deixando de vaguear pela história, vamos direto ao assunto. Estava imposta a ditadura no Brasil e, como tal, não havia réplicas ou contestações. Entre tantas medidas, o retrato do Presidente fora colocado em todos os locais, públicos ou não. Justamente para falar sobre a cerimônia da entronização do retrato do hábil político no recinto da Prefeitura de nossa cidade é que estamos aqui no exórdio desta crônica. Foi criada uma comissão municipal para organização desta solenidade e, exatamente às 13h do dia 15 de maio de 1938, com a presença das autoridades municipais, oficiais das guarnições de Piquete e Lorena e a presença de grande número de populares que lotavam todas as dependências e arredores da Prefeitura (na época lá perto da EEPG "Antonio João" que ainda não existia), a Corporação Musical dirigida pelo saudoso José de Castro Ferreira, teve início a cerimônia. Aberta foi a sessão pelo Presidente da Comissão, Padre Septímio Ramos Arantes que, em sua oração, referiu-se à proficiente ação da igreja católica na colonização e educação de nosso povo, terminando por exaltar "a figura inconfundível do preclaro Chefe da Nação Brasileira". Usou da palavra, em prosseguimento, o Secretário da mesma comissão, Professor Sinésio Martins de Castro, que em grandíloquo discurso ressaltou a grande vantagem para os brasileiros de todas as camadas sociais, da Constituição de dez de novembro, tecendo loas à figura do supremo mandatário do país. O Presidente da Mesa, Pe. Septímio, convidou o Capitão Augusto César do Nascimento, representante do Diretor e Oficiais da Fábrica de Pólvoras e Explosivos de Piquete, a retirar a Bandeira Brasileira que cobria a efígie emoldurada do homenageado. Enquanto ia surgindo o rosto do Presidente estrondosa salva de palmas ecoou por todo o prédio e adjacências. Ato seguinte foi a execução do Hino Nacional por nossos músicos e cantado por todos. À criança piquetense foi dado o direito de também reverenciar o chefe do governo. Uma aluna, do Grupo Escolar, falou em nome dos petizes e ao terminar declamou, de Olavo Bilac, a poesia "Pátria", que encantou os presentes. A mulher de Piquete esteve representada na pessoa da Professora Maria Tereza de Melo, que defendeu os princípios feministas e enalteceu a figura de Vargas pela sua contribuição na vitória da mulher brasileira pelo direito de voto e, com a Constituição do "Estado Novo", ter instituído o Departamento Nacional e o Conselho Geral do Lar, Dia das Mães, etc. Pelos funcionários da Fábrica, de improviso, falou o velho mestre José Correa. Ouviram-se, ainda, as palavras do Dr. Alvim Costa Horcades, Promotor Público da Comarca de Lorena e do Major Armando de Castro Uchoas, pelo 5º R.I., também da vizinha cidade. Encerrou a sessão seu Presidente. Havia um termo de comparecimento para o registro daqueles que prestigiaram o ato cívico e que consta de cento e setenta e cinco assinaturas. Para que possam rememorar este evento e fazer uma viagem de retorno ao passado e como pleito de saudade para os que já nos deixaram, vamos destacar o nome de alguns que lá estiveram naquela distante tarde:
Cap. Augusto César do Nascimento, Pe. Septímio Ramos Arantes, Prof. Sinésio Marins de Castro, Paulo Cardoso, Seraphim Moreira de Andrade, José Correa, Walter Nogueira Santos, Horácio Pereira Leite, Antônio da Encarnação, Braz Pereira de Olivas, Maria Euphrasia da Silva Couto, Eduardo Silvio Pereira, Dr. Antonio da Gama Rodrigues, Antonio Rosa Jr., José Vieira Soares, João de Aquino, Agnaldo Moreira Leite, José Moreira da Silva, José Nogueira Macedo, Messias Alves Beraldo, Duílio D'Amico, Geraldo Cavalca Primo, Targino Cunha, João Custódio de Oliveira, José Monteiro de Brito Junior,Dogmar de Castro, Godofredo Guedes, Francisco Máximo Ferreira, Adhemar Costa, Arlindo Marcondes de Moura, Manuel Ribeiro dos Santos Filho, Benjamin Gonçalves de Faria, Antonio de Pinho, José Ribeiro dos Santos, Antonio de Assis, Odilon Soares da Costa, José Leite da Silva, José Venino Vieira, Godofredo Bittencourt, Antonio Simas, João Vieira Soares, Luiz Arantes Junior, José Izaltino da Luz, Nuno de Oliveira Filho, Luiz Vieira Soares, Benedito Custódio de Oliveira, Caetano José da Silva, Antonio Francisco Peixoto, Eurico Fernandes, José da Silva Costa, Manoel Vaz dos Reis, Antonio Lino da Silva, José dos Santos Barbosa, Jovino Gonçalves, Sebastião Júlio, Lindolpho da Costa Manso, Antonio Brasilino, João Adão, Herculano Gonçalves, José Galvão, Hermógenes Junqueira, Clemente Teixeira, Maria de Lourdes Ferreira, Thomé Serafim, Ignácio Vieira, Geraldo Magalhães, Antonio Baylon, Benedito Irineu, Carlos Vieira Soares, Benedito José de Oliveira, Antonio Joffre, Antonio Serafim Machado, Letícia Bangoim de Andrade, João de Deus da Silva, Pedro Pinto de Miranda, Pedro Silva Coelho, José de Castro Ferreira, João Batista Barreto, Antonio Martins de Camargo, João Faustino, Irene Geralda de França, João Ramos da Silva, Salomão José Netto, Dario Rosa da Silva, e muitos e muitos outros... No ano
seguinte, mais exatamente no dia 17 de julho de 1939, a Fábrica de Piquete
recebia a visita do Presidente Getúlio Vargas que, acompanhado pelo
Ministro de Guerra, General Eurico Gaspar Dutra e do Chefe da Casa
Militar, General Francisco José Pinto, chegava de Itajubá, em carros,
pouco antes do meio dia. Na escadaria do Cassino dos Oficiais aguardavam a
comitiva o Ministro da Marinha, Almirante Aristides Guilhen; o Interventor
do Estado de São Paulo, Dr. Adhemar Pereira de Barros; o Comandante da 2ª
R. M., General Maurício Cardoso; o Comandante da 5ª R. M., General
Lúcio Esteves; o Diretor do Material Bélico, General Silvio Portela; o
Diretor de Engenharia, General Raymundo Sampaio; o Comandante da
Infantaria Divisionária, da 2ª R. M., General Octaviano José da Silva; o
Secretário da Justiça de São Paulo, Dr. Moura Rezende; o Diretor da
Fábrica de Piquete, Coronel José Gomes Carneiro, a oficialidade da
Fábrica, autoridades civis e eclesiásticas, pessoas gradas da região,
estudantes e quase toda a população piquetense, que lotava a Praça
Marechal Mallet. Pela Banda de Música é executado o Hino Nacional, o
Contingente apresenta armas em continência e centenas de pequenas
bandeiras brasileiras agitam-se no ar pelas mãos dos menores estudantes,
ao mesmo tempo em que se ouvia de uma seção de artilharia 75 sch. Do
troando as salvas de vinte e um tiros de canhão.
Logo após
ligeiro descanso no Cassino, o Presidente dirige-se para o interior da
fábrica onde, na praça em frente ao antigo prédio-diretor, foi saudado
pelo Coronel Carneiro em nome da Direção do Estabelecimento, sua
administração e oficialidade. O funcionário Augusto Ribeiro de Souza, de
improviso, saúda o visitante em nome de todo o operariado. Uma menina,
representando os estudantes, com desembaraço, graça e naturalidade, louvou
o supremo mandatário da nação, declamando um vibrante poema. A visita do
Presidente continuou, mas isso são outros papos. As duas orações do
penúltimo parágrafo acima é que encerrarão este escrito pelo que em si
representam. A primeira locução diz ter o nosso ex-Professor, querido e
sempre lembrado amigo, Augusto Ribeiro de Souza, saudado o Presidente como
embaixador de seus colegas de labuta. Até ai nada demais e honra seja
feita pela tão acertada escolha, dada a competência e cultura do orador. O
que nos absorve é a ironia deste acontecimento ante um outro, vivido pelo
mesmo personagem. O professor Augusto Ribeiro de Souza foi um dos bravos
da épica batalha do Túnel, ponto este estratégico para o domínio de todo o
Vale do Paraíba. Embora a cada momento sofresse rudemente o ataque dos
legalistas, seus ocupantes não cederam um palmo sequer da posição ocupada.
Para se ter idéia de quão notável foi essa defesa, basta lermos a respeito
dela o que disse o chamado "herói do Túnel", Antonio Paiva de Sampaio
(neto do patrono da Infantaria brasileira, General Sampaio), um gaúcho que
ás primeiras horas do levante aderiu às forças revolucionárias paulistas:
"Depois da Guerra do Paraguai e de Canudos, o maior episódio militar
verificado no Brasil foi a resistência do Túnel". Este fato marcante
deu-se durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando São
Paulo lutava contra a ditadura Vargas. Agora, lá estava o intrépido
ex-combatente de 32, saudando o ditador Vargas. Diante das circunstâncias
da época e conhecendo a estoicidade do caráter, a retidão e integridade do
"velho mestre", só temos a considerar que sabiamente ele assimilou o
pensamento de M. C. Hess: "Dê o troco perdoando".
A segunda
oração fala de uma menina que declamou representando nossa infância
estudantil. Recordam-se, quando discorremos sobre a introdução do retrato
do Presidente no salão da Prefeitura, que uma menina também fez uma
alocução e avigorou os versos de um poeta, como símbolo da nossa petizada?
Pois a menina de um fato e outro é a mesma: Maria Augusta Beraldo Leite. O
que podemos interpretar? Que pela susceptibilidade em conseguir abstrair a
linguagem dos poetas e transmiti-la com tanto vigor e força, que era capaz
de "ver e ouvir estrelas", não poderia jamais, aquela pequena sensível,
apenasmente vivificar o que tinham eles a dizer. Pensando, talvez, como
Marilyn Leffler, que "aquilo que eu guardo, eu perco; o que eu dou para
os outros é meu para sempre", resolveu doar-nos aquilo que de belo,
nobre e justo alojava-se no seu espírito, na sua índole, no seu gênio, em
forma de poesia, repleta de entusiasmo, lirismo e amor. Ganhou ela, muito
mais nós. Aquela menina dos idos de 38 e 39 referidos, transformou-se na
emérita poetisa Mariinha Mota, Delegada da U.B.T. de Piquete, do Clube de
Trova do Vale do Paraíba, da Academia de Trovadores da Fronteira Sudoeste
do Rio Grande do Sul, da Academia de Letras do Vale do Paraíba (Cadeira n.
27), cujo Patrono é o Padre José de Anchieta, membro de várias outras
instituições, além dos muitos lauréis conquistados em concursos nacionais
e internacionais.
José Palmyro
Masiero |

Foto de 24 de
outubro de 1940, publicada no Jornal "O Estafeta", na segunda visita de
Getúlio
às instalações da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça. À frente, da
esquerda para a direita: Cel. Monte, Cel. Aquino,
o Presidente Getúlio Vargas
e o Gen. Afonseca e Silva. Atrás no centro o Ministro da Guerra Eurico Gaspar
Dutra.
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Visita Presidencial Durante a década de 1930, a Fábrica de Pólvora de Piquete passou por um processo de ampliação de suas instalações e aperfeiçoamento da qualidade de seus produtos, tudo de acordo com o progresso da técnica de fabricação de pólvoras e explosivos. Este trabalho foi fruto de um ambicioso projeto de técnicos da Fábrica, que contou com o apoio incondicional do Governo Federal. Entre alguns melhoramentos houve a montagem da fábrica de pólvora de base dupla, que proporcionou considerável acréscimo na produção em relação à capacidade anterior. Piquete, até então, só fabricava pólvora de base simples, para armas portáteis e alguns canhões de pequeno e médio calibre do Exército. Os canhões de grosso calibre e toda a artilharia naval atiravam com pólvora de base dupla, deixando em evidência a lacuna existente. A importância da nova fábrica foi realçada com com a presença do Presidente da República Getúlio Vargas, que a visitou por dois dias, em julho de 1939. A eclosão da Segunda Guerra Mundial acelerou o término das obras, uma vez que o país necessitava aumentar a produção bélica voltada para a defesa nacional. Em outubro de 1940, o Exército executou uma grande manobra militar no Vale do Paraíba, e o Presidente Vargas veio assistir de perto os exercícios de guerra. Nos dias treze e quatorze daquele mês, a Fábrica de Piquete recebeu a visita do General de Divisão Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra, que se fazia acompanhar de seu Ajudante de Ordens e de oficiais de seu gabinete. Visitaram, nessa ocasião, as oficinas e dependências da Fábrica, bem como as novas instalações da fábrica de pólvora de base dupla. Entusiasmados com a grandiosidade das obras, incluíram a visita do Presidente da República a Piquete. No dia 23 chegaram os Generais de Brigada Artur Sílio Portela e Amaro Soares Bittencourt, respectivamente Diretor do Material Bélico e Sub-Chefe do Estado Maior do Exército, os quais vieram preparar a visita do Presidente da República. No dia seguinte, 24 de outubro, deixando por algumas horas as manobras militares, o Presidente Vargas veio pela segunda vez a Piquete. Chegou à Fábrica por volta das 14h30min, acompanhado do Dr. Adhemar de Barros, Interventor do Estado de São Paulo, e dos Generais Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra, Valentim Benício da Silva e Meira de Vasconcelos, bem como de outras pessoas de destaque do Estado Maior. Aguardavam sua chegada os Generais Artur Sílio Portela, Amaro Soares Bittencourt e Luis Sá Afonseca, responsável pelas obras da Base Dupla, bem como o Diretor da Fábrica e todos seus oficiais, o Prefeito de Piquete, José de Brito Junior, e oficiais da 2ª Residência da Comissão Construtora da Fábrica de Base Dupla e de Nitroglicerina. Dispensando as honras de estilo, o Presidente Vargas dirigiu-se logo às novas construções apreciando tudo e dando mostra de satisfação. Após uma hora e dez minutos de visita às obras fabris, o Presidente e demais presentes foram recebidos no Círculo de Oficiais da Fábrica de Piquete, onde foi servido um rápido lanche. Pouco tempo depois, retirou-se, declarando à Direção da Fábrica achar-se satisfeito com o que vira, que demonstrava grande soma de trabalhos já realizados. As obras seguiram rápidas, de maneira que em 15 de março de 1941, aniversário de fundação da Fábrica, foi inaugurado um novo grupo fabril, constituído das fábricas de nitroglicerina, dinamite, pólvora de base dupla e de um novo laboratório experimental. Na ocasião, em reconhecimento ao grande incentivo dado pelo Governo Federal à expansão da Fábrica de Piquete, por ato Ministerial e Aviso n° 3.231, a mesma passou a denominar-se Fábrica Presidente Vargas. Jornal "O Estafeta" - Janeiro de 2009 |

Visita de Getúlio, em foto publicada no
Jornal "O Estafeta"
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