PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Os Estabelecimentos de Ensino



Formatura do Jardim da Infância - Grupo Escolar Antônio João, na década de 60
Primeira à esquerda, professora e pianista Maria de Lourdes Brito Villar, dona Milita.
Arquivo de Lety

Os Estabelecimentos de Ensino

Minha saudosa mãe elogiava muito as Escolas Reunidas, onde fez seus primeiros estudos. Não cheguei a conhecê-las com esse nome e sim como Grupo Escolar de Piquete, pelo qual me diplomei em 1925. Apesar de ser um velho casarão adaptado de uma antiga fazenda, o grupo escolar possuía todas as dependências essenciais exigidas para um estabelecimento de ensino: salas de aula do 1° ao 4° ano, salas para a Diretoria e a Secretaria, um salão para trabalhos de modelagem em barro e outro para trabalhos manuais, um espaçoso pátio-recreio e dois campos de futebol (um deles onde é hoje a Rua Antônio Lino). O nosso grupo escolar possuía um grande porão que, para os supersticiosos, era mal-assombrado. Bobagens! Ali era apenas um depósito onde se guardavam o material de limpeza e também o material esportivo: bolas de futebol, jogos de malha e de pingue-pongue, petecas e meia dúzia de bilboquês, estes disputadíssimos, inclusive por mim que aprendi a jogar e o faço até hoje com um de minha propriedade. Construído no topo de um alto barranco, o acesso ao prédio da escola era feito por uma longa escadaria. Quantas saudades sinto dessa escola, na qual aprendi as primeiras letras, o contato com os algarismos e o gosto pelo estudo que somente iria recomeçar vinte e quatro anos depois, com o meu ingresso no curso ginasial. E fato curioso e inédito para o curso primário: eu e meus colegas de então, no 4° ano primário, aprendemos noções da língua francesa com o competente Prof. João Cardoso do Nascimento, inclusive com alguma conversação. O professor assim se dirigia aos alunos: "Monsieur... allez au tableau, escrivez là, s'il vous plâit". Isso me ajudou um pouco no estudo do Francês, nos cursos que fiz posteriormente. Do Grupo Escolar de Piquete, guardo gratas recordações, sendo eu um dos poucos remanescentes dos que se diplomaram em 1925. Entre suas paredes, como nas dependências externas (pátio e campos de futebol), ficou um pouco da minha vida, talvez os melhores anos de minha infância. Lembro-me, saudoso, de tudo em que lá participei. Como esquecer, por exemplo, o Prof. Cardoso, já citado, e o Prof. Galvão, exigente mas muito dedicado; e o Prof. Gonçalves, sempre preocupado com o nosso aproveitamento, inclusive levando os alunos interessados para aulas de reforço em sua residência? Como não lembrar o Livro de Português de Eduardo Carlos Pereira? E o Compêndio de Aritmética, de Antônio Trajano, através do qual se aprendia fração ordinária e decimal, regra de três simples e composta, juros, câmbio, raiz quadrada e cúbica, mistura, liga, falsa posição, dízima periódica simples e composta? (Bons tempos, em que era ensinado tudo isso no curso primário!) E o livro de textos e o de leitura, Saudade, de Mário de Andrade, no qual, entre tantas coisas úteis, li, aprendi e guardei na memória os contos "Pedro Pichorra", "Pinto Sura", "O cordão" e outros, os quais muitas vezes já contei e recontei aos meus filhos e netos. As aulas de Moral e Cívica despertavam em nós a consciência nacional e o amor à pátria, e nos ensinavam boas maneiras no trato com os semelhantes. E as sessões de educação física ministradas pelo sargento-chefe dos Escoteiros, com ginástica sueca, marchas e acampamentos, nos incentivavam quanto à disciplina que deve presidir todos os atos de nossa vida. Dez minutos antes do início das aulas, diariamente, as diversas classes e respectivos professores se reuniam, no pátio fronteiriço à entrada do prédio, em fila dupla, para cantar o Hino Nacional, durante o hasteamento da bandeira brasileira. Em seguida, era hasteada a bandeira paulista e todos cantavam o Hino das Escolas Paulistas, cuja primeira estrofe e o estribilho eram assim:

Pavilhão das Escolas Paulistas,
Estandarte bendito de luz.
És a história das grandes conquistas,
Que na trilha do Bem nos conduz.
Salve, salve, belo e nobre,
Majestoso Pavilhão.
Doce brisa te desdobre,
Na vitória da Instrução.

Na comemoração da Independência, cantávamos o "Já podeis da Pátria filhos..." , que alguns alunos menos reverentes entoavam baixinho: "Japonês tem quatro filhos..." Nos tempos do meu curso primário, havia cuidados especiais com as futuras gerações, dando-lhes boa estrutura à educação, como base sólida para a vida adulta, através da cultura geral e também das aulas de Moral e Cívica e Escotismo. Havia igualmente uma deliciosa comunhão entre educadores e educandos... Por isso, nossa gente não decepcionou quando solicitada para sacrifícios maiores, de que temos alguns exemplos: o jovem Alcides Alves de Oliveira, prestando Serviço Militar em campanha durante a Intentona da Coluna Prestes, desapareceu e foi dado como morto em combate, só reaparecendo após dois anos, pois estivera preso, inclusive no Paraguai; no Movimento Constitucionalista de 1932, mais de cento e vinte piquetenses, eu inclusive, foram excluídos do Serviço Público Federal, por terem servido à causa da Revolução Paulista; o nosso conterrâneo Geraldo Pinto de Almeida, lutando nas trincheiras, teve uma perna amputada por ter sido estraçalhada por rajadas de metralhadora. E na guerra contra o Eixo (1939/1945), tivemos um mártir piquetense - Genésio Valentim Correia derramou o seu generoso sangue brasileiro, na gloriosa Batalha de Monte Castelo, na Itália. Outros brasileiros com mais sorte, como o meu amigo José Pires, foram e voltaram sãos e salvos como heróis da Força Expedicionária Brasileira. Um parêntesis. Recentemente, em 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a extinção da matéria Educação Moral e Cívica sob a alegação de que "essa disciplina foi criada durante o regime militar em 1964, com o intuito de passar aos alunos a ideologia do regime vigente, sendo incompatível com o espírito democrático da Constituição de 1988". Muito estranha essa alegação, pois quando cursei a escola primária (1922/1925), já estudávamos Moral e Cívica e não consta que o Brasil estivesse sob regime militar. Fecho o parêntesis. E o resultado desastroso está aí: falta de civismo e ausência de moral pública e particular campeando por toda parte, pois é sabido que a liberdade quando dissociada de um fundamento moral confunde-se facilmente com libertinagem. Com o passar dos anos, o velho prédio do grupo escolar já não oferecia condições de segurança para atender à clientela escolar, havendo necessidade urgente de sua substituição por um edifício adequado. Porém, alguns fatores adversos como as injunções políticas e, sobretudo, os movimentos revolucionários de 1930 e 1932, atrasaram a sua consecução, o que só foi possível no ano de 1941, quando inaugurou-se o Grupo Escolar Antônio João.


Escola Estadual Darwin Félix
Foto de Lety

A partir daí, tudo se tornou mais fácil, sendo inaugurados, sucessivamente, os grupos escolares Prof. Darwin Félix, na Vila Esperança, e o Grupo da Fábrica Presidente Vargas, na área militar de Estrela.


Fo
tos do Zoológico do Jardim de Infância da FPV, enviadas por Lety

Até então (década de quarenta), Piquete só contava com estabelecimentos de ensino primário mantidos pelo Estado, mas no âmbito particular já funcionavam escolas de curso secundário mantidas pela Fábrica Presidente Vargas. Em 1963, porém, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo instalou o curso ginasial, mais tarde ampliado com o curso científico, com o nome de Colégio Estadual de Piquete, recebendo em seguida a denominação de Guimarães Rosa e hoje EEPSG Profª Leonor Guimarães.


O Ginásio Estadual de Piquete foi instalado em 1963. Mais tarde, passou a chamar-se Colégio Estadual de Piquete, e, em 1969, Colégio Estadual Guimarães Rosa. Em 1976, fundiram-se Grupo Escolar Profª Leonor Guimarães e Colégio Guimarães Rosa, com a denominação de Escola de Primeiro e Segundo Graus Professora Leonor Guimarães. Em 1999, teve seu nome mudado novamente: Escola Estadual Professora Leonor Guimarães, com Ensino Fundamental, Ensino Médio e Curso Supletivo de Ensino Médio.
Foto de Lety

A essa altura, eu já me formara professor, lecionando nas escolas da fábrica e também no colégio estadual. Como dissemos, a Fábrica Presidente Vargas mantinha cursos de nível secundário, bem antes da criação do ginásio estadual. Tudo começou em 1939. A primeira idéia dos dirigentes do estabelecimento fabril era criar um patronato com a finalidade de recolher e amparar meninos de rua, os quais seriam os futuros aprendizes para um curso profissional, a fim de atender e formar jovens especializados para os serviços da própria fábrica. Porém, uma lei governamental do mesmo ano determinou a criação de cursos profissionalizantes nas empresas fabris, o que mudou de imediato o rumo idealizado inicialmente. Assim, foram relacionados e matriculados trinta rapazes com as seguintes obrigações: aulas de educação física pela manhã; durante o dia, aprendiam Mecânica, Marcenaria, Fundição e Eletricidade nas oficinas da fábrica conforme a aptidão individual; à noite, tinham aulas de Português, Matemática, História e Geografia. No ano de 1942, a Fábrica Presidente Vargas passou por uma estruturação orgânica, sendo criado o seu Departamento de Assistência Educacional (DAE) e, logo em seguida, foi fundada a Escola Industrial Masculina, ministrando aquelas matérias mencionadas acima. Logo depois, foi fundada a Escola Industrial Feminina. E a coisa não parou aí. Sucessivamente, novos cursos foram sendo criados: Jardim de Infância, Pré-Primário, Primário e Ginásio (1945); Curso Ginasial noturno em 1949; Curso Científico e Escola Normal em 1950; Curso de Aperfeiçoamento do Professor em 1959. Particularmente, muito devo ao Departamento de Assistência Educacional da FPV, pois sendo funcionário da fábrica, foi-me concedida a oportunidade de fazer o curso ginasial e o curso de formação do professor (o curso superior fiz na Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena), passando em seguida a lecionar nas mesmas escolas nas quais me formara. Infelizmente, não há bem que sempre dure...


Ana Barbosa Ecklund, professoranda de 1956, em seu baile de formatura
Arquivo Ana Barbosa Ecklund

Novos (e maus) ventos sopraram, novas medidas foram tomadas pela direção da Fábrica Presidente Vargas. Assim, um a um, foram sendo desativados todos aqueles cursos e, com eles, também desapareceu o grande monumento de ensino que foi o Departamento de Assistência Educacional, só restando a saudade e o agradecimento pelo bem intelectual e técnico que os referidos cursos proporcionaram a várias gerações de jovens piquetenses. Felizmente, as escolas de 1° e 2° graus, agora mantidas pelo Governo Estadual, como também as escolas urbanas e rurais, de responsabilidade da Prefeitura Municipal, estão aí cumprindo a sua alta finalidade de instruir e formar cidadãos úteis para a vida e para a pátria.

João Vieira Soares
"Minha Terra... Minha Gente... Minha Vida..."


Vera Junqueira, formanda de 1956
Foto enviada por Lety

Memorial de um Modelo

A propósito de ações do governo de Getúlio Vargas, cujo cinqüentenário de morte ocorreu a 24 de agosto do corrente ano.


Ao Centro, Cel. Aquino, diretor da Fábrica Presidente Vargas, ladeado por mestres e operários. Durante sua administração, foi dado grande impulso à modernização da empresa e à Educação, com a formação de mão de obra qualificada. Foto de 7 de setembro de 1944, publicada no Jornal "O Estafeta".

1932 trouxe para Piquete uma revolução e uma revelação. Modernizar-se tornou-se uma palavra de ordem -processo de ilustração, no sentido de esclarecimento. A revolução demonstrou que era necessária uma modernização nos processos de produzir pólvora, derivados e munições. A Guerra Civil Espanhola (1936) e as guerras mundiais européias demonstravam uma evolução nas armas e técnicas a requererem novos processos de trabalho e educação. Para modernizar é preciso iluminar os espíritos; assim, educar passou a ser prioridade máxima. Preparar mão-de-obra e gente qualificada para trabalhar com a modernidade a troco de moradia (vilas operárias), boas condições de saúde (hospital, ambulatório, postos de atendimento), alimentação (centro de compras e abastecimento doméstico, refeitórios) e, naturalmente, lazer (esportes, clubes, etc.), pois, afinal, "ninguém é de ferro". A implantação de um Departamento Educacional coroava o edifício e fazia sua sustentação, desde a educação infantil, inclusive pré-escolar (o jardim da infância), até os cursos médios completos. Além dos profissionais. Enfim, todo um equipamento funcional com finalidade específica, atendendo a uma concepção gestada pelo Estado Novo no qual pontificou Getúlio Vargas e seus assessores, entre os quais se contavam, para o Ministério da Educação, Gustavo Capanema e Carlos Drummond de Andrade. Tudo de acordo com os conceitos da Escola Nova de Fernando de Azevedo. Militares designados para a Fábrica Presidente Vargas chegavam com novas idéias enriquecidas por carreiras acadêmicas bem estruturadas. Entre elas (as idéias) a boa escola estava incluída, não somente para seus filhos, mas também para a comunidade local e as adjacentes. Com as escolas, os cérebros se mobilizaram. Um tempo para pontificarem bons professores, de acordo com um modelo original componente de uma filosofia ligada ao corpo e mente sãos, pelo progresso e pela dinâmica de uma sociedade em transformação. Nesta, o proletariado, visto idealisticamente, rompia o velho modelo oligárquico, para garantir um novo, admitido da ascensão das bases até então controladas hierarquicamente, até os estratos mais elevados do profissionalismo. Homens e mulheres destinados ao ensino, desde a mais tenra idade até a que inaugurava a fase adulta, desenhavam, com suas ações, um sistema de trabalho tornado original e engrandecido pelos efeitos. Professores e mestres de ofício distinguiam-se no campo social como referentes desse modelo tornado pragmático e refletido como imagem a ser cultuada. Gente de fora da comunidade engajara- se e marcara seu tempo para se tornar memória. 


Alunos do Ginásio Industrial da FPV, acompanhados pelo Professor Pedro Mazza- 1943
Imagem publicada no Jornal "O Estafeta"

A Escola Normal Livre Duque de Caxias e a Escola Profissional - a masculina e a feminina -, moldadas nos conceitos assistencialistas, procuraram, revestidas da ilustração que se demonstrava, conceber uma nova fórmula reprodutiva de seus princípios. Enquanto os militares graduados, habitando a Vila Militar da Estrela do Norte (que não é norte geográfico, mas menção tradicional do Vale do Paraíba paulista, dirigido a Minas, nos tempos áureos da cafeicultura) delimitavam-se da cidade pelos trilhos da ferrovia e respectivas estações (da Estrela do Norte e da desativada da Serrinha). Ali, em núcleo fechado, admitidos como inacessíveis ao público externo, viviam em exclusividades aqueles que elaboraram o modelo, garantiram seu financiamento e criaram as normas diretrizes. A velha oligarquia baseada na propriedade da terra e seus produtos foi substituída pela galardoada, pelas insígnias castrenses e por uma rígida hierarquia uniformizadas, perfilada e obediente às normas rígidas. Por isso, que, atravessando, por razões específicas, os limites estipulados, quer normativo, quer territorial, sentiam-se em área sacralizada, e, como tal, vista até aos dias atuais, seja pela tradição, seja pela impregnação. Costumes codificados. Professores e mestres de ofícios faziam seus alunos respeitadores desses códigos reforçados nas famílias, nas Igrejas, no lazer, nas festas cívicas de culto aos símbolos nacionais e locais: hinos, bandeiras, signos representativos, tudo em ordem, com ordem, pela ordem.


Desfile da Semana da Raça
Foto escaneada do Jornal "O Estafeta"

Letícia Frota, de família de militares aqui chegados e aqui radicados - dos Frotas, de importantes professoras: a própria Letícia, Maria Odaísa, Maria Olga e mais outras, como Maria Cipoli, Gessy Junqueira, e tantos outros e outras que, nominalmente, seria difícil lembrar e registrar. Todos incorporando os significantes propostos pelo modelo, transformaram-se junto às sucessivas gerações de professores da Escola Normal e dos profissionais - mestres de seus ofícios, em reprodutores e fixadores do modelo que se tomou marca na região do Vale e inovou um sistema educacional refletido como original pelos propósitos e frutos.


Saudosa e querida mestra, Gessy Junqueira Andrade encantava
por sua beleza, gentileza e elegância.
Foto enviada por Lety

As aposentadorias e pensões dos habitantes de Piquete, tão numerosas, tornam as filas com senhas e cadeiras confortáveis ou não, referências. São atestados desse passado. Rótulos como os que identificam marcas selecionadas nos mercados de qualificações, medalhadas ou não. E nós, que recebemos, atônitos, a impactante notícia do suicídio de Vargas, há 50 anos, sabíamos que o modelo permaneceria, pelo testemunho e pelos efeitos. Para o bem e para o mal.

Dóli de Castro Ferreira
Publicado no Jornal "O Estafeta" - setembro de 2004

 


Formatura da primeira turma de científico de Piquete - 1966
Da esquerda para a direita sentados: Professores José Armando de Castro Ferreira e
Raimundo Pereira Maduro. Em pé: prof. Luiz Gonzaga, Auxiliadora e Mariinha Mota
Arquivo Maria Auxiliadora Mota G. Vieira

Memórias de um bom aluno

O prodigioso Ginásio da FPV foi uma pérola do ensino, começando pelas instalações: salas amplas e arejadas, pátio largo e comprido, sanitários limpos sem pichações filosóficas nas paredes e portas. Na direção, o saudoso professor Augusto Ribeiro conduzia o estabelecimento com esmero e afinco. Os professores, inspetores de alunos e serventes tinham grande amizade com os alunos. Acima dos seus afazeres, eram disciplinadores. A consciência, educação e disciplina eram atributos de cada aluno. Porém, nem tudo que reluz é ouro. Certa vez, na sala de aula de Trabalhos Manuais, dava aula o professor Mendes. Os alunos gostavam dessa matéria: formar figuras com barro era divertido. Na bancada que ficava no fundo da sala, o professor Dória moldava no barro um busto do Cel. Monte. Os alunos ficavam curiosos para acompanhar o andamento do trabalho. Como era coberto por um pano úmido, não tinham como ver a obra de arte. Naquele dia, o professor Dória chegou à sala. O professor Mendes ficou eufórico e nos apresentou o artista. Quando o professor Dória descobriu o busto, a surpresa... O rosto estava sem o nariz e um dos olhos repuxado. A consternação foi geral. Seu Dória, desapontado, não teve palavras, a não ser dizer que fora brincadeira de mau gosto. Durante a semana o tititi correu pelos quadrantes do ginásio. Não houve responsável.

O professor Dinho Maduro, de Inglês, costumava dar as provas em três partes: parte A, ditado; parte B, emprego dos verbos to be e to have; parte C, tradução. Cursávamos a segunda série. Uma turminha do barulho sentava-se no fundo da sala. Veio a prova. O ditado foi mole. O emprego dos verbos também. Quando chegou na tradução, havia uma palavra desconhecida do pessoal, uma tal de umbrella. Uma colega me chamou: - Edival, Edival! O que é umbrella? Cabisbaixo, respondi em voz alta: - Não sei. Acho que nem os ingleses sabem o que é isso! Até hoje não sei por que a gargalhada foi generalizada. O professor Maduro, que estava à frente da sala, ouviu tudo e replicou: - Eu sei o que é umbrella! Umbrella é zero! É zero! Assim falou tomando nossas provas. O professor Maduro sempre teve bom coração. O zero não saiu. Essa passagem do umbrella tomou-se "unforgettable".

Edival da Silva Castro
Jornal "O Estafeta" - Fevereiro de 2010

 

 

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