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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

Coronel
Pederneiras
Foto publicada no Jornal "O Estafeta"
O passar dos anos faz cair no esquecimento fatos e pessoas notáveis que lutaram pelo desenvolvimento de nossa terra. Assim, é sempre bom recordar aqueles que muito fizeram por ela. Neste mês de março, um fato que reputamos como um dos mais importantes da história de Piquete completa cem anos - a inauguração de Fábrica de Pólvora sem Fumaça. Este foi um dos maiores feitos do Exército brasileiro voltado para a defesa nacional. Comemorar este fato significa reviver de forma coletiva a memória de um acontecimento que marcou a vida de todos de Piquete. A cidade ganhou alma nova com a chegada dos militares e seus habitantes passaram a conviver com homens dedicados ao serviço da Pátria, sempre dando exemplo de verdadeira cidadania. Terminadas as obras de construção da Fábrica, em 03 de maio de 1907, aumentou a curiosidade dos construtores, dos operários e da população de Piquete sobre quem viria assumir a direção de tão importante empreendimento. Tal curiosidade foi sanada em 17 de dezembro de 1908, quando foi nomeado por decreto federal para dirigi-la o Tenente Coronel Achilles Veloso Pederneiras. Toda a história da Fábrica está invariavelmente ligada a esse brilhante oficial do Exército. Fundador e diretor dessa indústria bélica, ele chegou a Piquete, com sua família, em 16 de janeiro de 1909. Deixou aqui vestígios inapagáveis de dedicação e amor ao trabalho. Os serviços por ele prestados são conhecidos muito além dos limites da Fábrica. Quando da inauguração da Fábrica, recebeu simbolicamente do presidente Afonso Pena as chaves do estabelecimento e fez-se merecedor do cargo que lhe fora confiado. Lutou dia-a-dia pelo levantamento material, técnico e moral da Fábrica, encontrando a cada passo ingentes obstáculos a transpor, desde a questão financeira à organização do pessoal eficiente para o trabalho. Durante os quase sete anos de sua administração correspondeu às responsabilidades do cargo procurando resolver todas as questões. As dificuldades, todos os anos repetidas com a exigüidade das verbas votadas pelo Congresso, foram os maiores obstáculos com que conviveu. Entretanto, apesar de todos os óbices, manteve a Fábrica em perfeito estado de conservação, com funcionamento regular de todos os serviços, com estoque de matéria-prima e produtos para todos os anos. Não por acaso fora escolhido para a direção da Fábrica - seu preparo para o cargo era inquestionável. Em janeiro de 1908, através de um Boletim do Exército, foi elogiado em nome do Presidente da República pelo modo lisonjeiro, criterioso e correto com que desempenhou o elevado cargo de adido militar junto à Embaixada Brasileira nos Estados Unidos da América do Norte. Em novembro daquele mesmo ano, através do Aviso 1658, foi louvado pela inteligência, zelo, critério e notável competência com que integrou a comissão encarregada de adquirir nos Estados Unidos o material destinado à montagem da Fábrica em Piquete. A par de todos os atributos intelectuais, o Cel. Pederneiras era uma pessoa afável e conciliadora, que procurava manter harmonioso o ambiente de trabalho. Seu relacionamento com os assessores diretos e com o operariado era notável. Verdadeiro pai.
Vivendo numa pequena Vila, longe da fascinação do mundo que conhecera, construiu em torno de si um ambiente saudável, mantendo bom relacionamento com a sociedade piquetense. O coronel Pederneiras era presença freqüente nas festas promovidas pelo coronel José Mariano, líder político local, no Hotel das Palmeiras, reduto social de Piquete. Foi responsável pela doação do campo de futebol do Esporte Clube Estrela, tendo sido seu primeiro sócio benemérito. Foi homenageado ainda em vida pela municipalidade de Piquete, por meio da Lei Municipal nº 57, de 01 de agosto de 1914, com seu nome dado a uma rua na Vila Operária São José – a Rua Coronel Pederneiras. Em Lorena, manteve bom relacionamento com o meio social e com os militares do 53° Batalhão de Caçadores e, principalmente, com os salesianos do Colégio São Joaquim. Muitos militares da Fábrica tinham seus filhos matriculados nesse colégio. Por mais de uma vez foi paraninfo dos alunos salesianos nas festas de formatura. E estes vinham com certa freqüência à Fábrica, a convite de seu diretor, para lhe conhecer as instalações.
Após mais de
seis anos de um relacionamento intenso com a Fábrica, o operariado e
Piquete, no dia 4 de março de 1915, o Cel. Pederneiras foi transferido
para o Rio de Janeiro. Iria comandar o Arsenal de Guerra. Foi nomeado para
substituí-lo o Tenente Coronel Antônio Afonso de Carvalho. Sua partida
deixou grande vazio. Mas, são ossos do ofício e, aos poucos, as coisas
foram retomando o ritmo. Em meados de maio de 1917, a Fábrica recebeu a
infausta notícia da morte do Cel. Pederneiras no Rio de Janeiro. Foi uma
perda lamentável, um duro golpe no operariado. Afonso de Carvalho decretou
luto, mandou que depositassem uma coroa de flores no tumulo de Pederneiras
e suspendeu os trabalhos naquele dia. Rendia-lhe, assim, um preito de
homenagem. Para relembrar este grande homem, as palavras do arquiteto
Adolpho Morales de los Rios Filho, lançadas no livro de visitas da
Fábrica, no dia 27 de dezembro de 1916: "... Ao ilustre Coronel Pederneiras, alma de artista
num corpo de aço, fundador e primeiro Diretor da Fábrica, o meu
incondicional parabéns." |

Pórtico de ferro
delimitando a área de acesso à Fábrica de Pólvora Sem Fumaça.
À sua frente, o
primeiro Diretor da Fábrica, Cel. Aquiles Veloso Pederneiras.
Foto publicada
no álbum "Coisas Findas" da FCR
As lembranças me vêm à memória um pouco apagadas, mas ainda vivas no meu inconsciente e, talvez, no inconsciente de muitos da minha geração. Certamente, os detalhes ficaram esquecidos, pois as marcas do tempo em nossas vidas são inexoráveis. Mas consigo me recordar das boas coisas que vivenciamos naquele longínquo tempo que começou antes mesmo do nascimento de muitos de nós. Quem não se lembra do trem dos operários, que subia e descia todos os dias, de manhã e ao entardecer, levando-os para o trabalho diário na fábrica? Eu o via "pelos entres" da cerca do quintal da casa do meu avô. Todo dia, dia a dia. Curioso é constatar que a identidade da FPV não exigia nenhuma outra menção, nenhum outro dado para complementá-la. Todos diziam apenas: a fábrica. Onde trabalha seu avô? Na fábrica. E seu pai? Na fábrica. Onde mora fulano? Perto do portão da fábrica.
Era a única na cidade. Dispensava quaisquer outros nomes, complementos ou rótulos. E, assim como ela, a maioria de seus setores e serviços agregados se identificava também como sendo da fábrica: o açougue, o armazém reembolsável, o cinema, o pórtico, a farmácia, a mata, as casas da Vila Duque. Tudo da fábrica. Alguns poucos setores não eram assim identificados: o cassino era dos oficiais, a estação era e é até hoje da Estrela. Aliás, no cassino faziam um sorvete que tinha sabor de delícias!!! Quando descíamos do Colégio Estadual, após as aulas, juntávamos nosso dinheirinho para comprar, de vez em quando, aquele sorvete cujo sabor se perdeu no tempo. E o futebol? Era programa familiar de muitos ir ao campo do Estrela nos finais de semana, para ver o time do mesmo nome jogar contra vários adversários da região. O time era formado por operários que trabalhavam na fábrica e vinham de vários lugares. Muitos vinham mais pela oportunidade de jogar futebol, mesmo tendo que trabalhar na fábrica. Quando o jogo era contra a Hepacaré de Lorena, aquele campo ficava absolutamente lotado de espectadores e torcedores. É muito bom ter também esta lembrança. Quando crianças, ficávamos encantados com os enfeites-de-natal que eram colocados na pracinha do cinema, com os presentes que nossos pais recebiam para entregar aos filhos, com as cestas-de-natal. Também com os parquinhos que eram montados perto da pracinha, com seus brinquedos que, à época, eram inovadores e desafiantes. Tudo por conta da fábrica. Havia a Escola Industrial, que também era da fábrica, onde muitos alunos de várias cidades do Vale iam estudar; a Escola do "Seu Leopoldo", onde muitos de nós estudamos. Além disso, e ainda mais significativo, havia o Hospital da Fábrica, que possuía um corpo médico altamente competente e especializado e para onde afluíam pessoas de inúmeros lugares. Algumas para se consultar, outras para se tratar e outras, ainda, que passavam por cirurgias diversas. Era um hospital de excelência, como poucos hoje o são. Felizes de nós que vivemos na cidade, nessa época. Ela possuía vida, prosperidade, recursos culturais, materiais e médicos, além de toda a gama de suporte cotidiano. Isso dava aos moradores a certeza de que podiam encontrar tudo ali e sequer precisavam procurar em outras cidades coisas básicas para viver. Freqüentávamos o cinema, onde passava quase sempre um filme diferente a cada dia. À porta do cinema, ficava o "seu" Geraldo pipoqueiro, com frio, sob chuva, para abastecer os cinéfilos e os passantes. O cinema, bom lembrar, era da fábrica também. O mesmo filme que passava no cassino dos oficiais era projetado para a população da cidade. Todos os dias. Foi ali que conheci os grandes mestres da cinematografia e assisti também aos seriados eletrizantes que passavam antes de cada filme. Enfim, vivemos por muitos anos à sombra dessa instituição que foi a Fábrica. A cidade até hoje sobrevive contando com os proventos deixados por ela, representados na aposentadoria de muitos e no valor que as pensionistas recebem a cada mês. Essas boas lembranças afloram de quando em quando em minha mente e chego a divagar, a imaginar como seria a cidade hoje caso essa sombra benéfica da Fábrica não tivesse deixado de pairar de vez sobre ela, mas tivesse apenas diminuído de intensidade. S.J. dos
Campos, fevereiro/2009 - Eunice Ferreira |

Trem conduzindo os
operários
Foto publicada no Jornal "O Estrafeta
A principal condução que levava os operários moradores de Lorena à Fábrica Presidente Vargas, em Piquete, era o trem. Conhecido por muitos como Piqueteiro e por alguns como o "Trem dos Operários", de segunda a sexta-feira saía da Estação de Lorena, às 6h. Repleto de operários, militares, professores, estudantes, o trem carregava a esperança de dias melhores que cada um trazia no coração. A convergência de passageiros, logo de manhãzinha, para o embarque era maciça. Todos, irmanados, procuravam sentar-se à janela das composições para poder apreciar a paisagem lindíssima no transcorrer da viagem. A fuligem largada pela máquina não incomodava. Como se fosse um trem de turismo, os passageiros conversavam, sorriam e comentavam algo acontecendo lá fora, e, de vez em quando, o maquinista acionava o apito charmoso, numa festança incomparável. O Chefe da Estação, ao badalar a sineta, autorizava a partida. O trem começava sua jornada entre os bairros centrais e o da Gabelinha. A primeira parada dava-se na Ponte Nova, sobre o rio Paraíba do Sul. De olhares ávidos, os passageiros curtiam as águas mansas do rio e brincavam com os pescadores às suas margens. A parada seguinte era a Estação Angelina (Fazenda Amarela). Ali não havia desembarque, apenas apresentava-se uma paisagem bucólica. O rio da Angelina, entre arbustos, corria tão pertinho da linha férrea, que dava para ouvir o murmurinho das águas misturando-se aos cantos dos pássaros. Na estação seguinte, Cel. Barreiros, às vezes a Maria Fumaça tinha sede. Depois de arrefecida a caldeira, seguia adiante. Da Parada Ramos pra frente, começava a aparecer Piquete, pequeno trecho da rodovia BR-459, as curvas do Rio do Piquete, casas e quintais arborizados. O maquinista, antes de chegar à parada Bela Vista, colocava a cabeça pra fora da máquina; se houvesse passageiro, facilitaria seu embarque. Na Estação Rodrigues Alves, a parada era um pouco demorada, pois embarcava e desembarcava muita gente. O Chefe da Estação estava sempre atento: só permitia a saída do trem com a estação sem qualquer movimento de pedestre. Na Estação da Estrela desciam alguns estudantes, professores e militares. Era uma estação movimentada, pois alguns funcionários ali picotavam seus cartões. Dali até a última parada, no Portão da Limeira, onde ficava a Casa do Ponto, alguns operários procuravam ir à plataforma das composições a fim de serem os primeiros a descer. Com as composições vazias, o trem passava pelo Portão da Limeira, fazia a manobra no interior da Fábrica e retornava. Nunca atrasou. Sempre à hora deslizou pelo tempo a fora. O barulho das rodas rilhando, o apito charmoso, a fuligem que às vezes queimava o capim seco ao longo do itinerário, a sineta das estações, o picotador de passagens – tudo passou como sonho. Neste 15 de março, centenário da Fábrica Presidente Vargas, nós a abraçamos e agradecemos sua existência. Edival da
Silva Castro |

Atual "Portão da
Fábrica
Foto de Lety
O cristianismo e o hinduísmo divergem na consideração do elemento pó. Os cristãos são todos pó. No dizer do Pe. Vieira, o cristão morto é pó deitado; o cristão vivo, pó levantado. Os hindus, divididos em castas, consideram pó somente os párias, os “dalits”. É pó que não deve ser tocado, porque contamina. Quando a memória do povo se publica nas praças, nas festas, nos encontros de amigos e familiares, somos obrigados a concluir que nem sempre a psicologia acerta a respeito dos sentimentos humanos. Diz a psicologia que a dor tem maior carga emotiva que o prazer, que nos esquecemos mais facilmente das alegrias do que das tristezas, dos elogios do que das ofensas. Parece que o ofendido é quase sempre obrigado a se lembrar de sua condição de pó – e parece não gostar disso. Sem nenhuma razão; porque o pó levantado é o que se movimenta, que observa, que escolhe, que constrói – que vive; que, pressionado, aprende. Chamo a atenção para este ponto, porque, na proximidade da comemoração dos cem anos da Fábrica Presidente Vargas, fomos anotando as lembranças espontâneas dos operários aposentados e de seus familiares a respeito dos oficiais e assemelhados que conduziram a vida do estabelecimento. E verificamos que, poucas vezes, se referem a acontecimentos negativos ou dolorosos. Os mais antigos fazem referência ao espírito democrático do Cel. Carneiro, que, preocupado com a assistência religiosa a seus subordinados, ajudou tanto na construção de um templo católico, como na de um templo protestante. Ninguém se esquece do fino trato do Cel. Aquino. Dizem que era tão gentil e afetuoso que, mesmo quando não tinha sua apelação atendida, o funcionário saía da audiência grato ao seu superior. Numerosos são os que rendem homenagem ao Cel. Monte pelo esforço em oferecer boas escolas aos filhos dos operários; e ao Cap. Tibúrcio, médico que se esmerou no curso para a formação de seus auxiliares na saúde. Muito elogiado também é o Maj. Toledo pelo seu senso de justiça, nunca permitindo que seu subordinado pagasse pelo que não devia. Os então estudantes são muito gratos ao Cel. Xexéo e ao Cel. Pinheiro, que chamavam os colegas de seus filhos para estudar em suas residências e lhes ministravam excelentes aulas. Algumas esposas e filhas de oficiais se tornaram conhecidas e admiradas, porque deram aulas ou compuseram bancas nos famosos exames finais orais. Entre elas, são citadas D. Alda Vital Brasil, D. Selma Vital Brasil e D. Nelly Meneses Quadrado. Grande alegria proporcionou ao meio artístico piquetense a esposa do Cel. Almir, D. Maria Eugênia da Graça Franco de Sá. As professoras do Grupo Escolar da FPV preparavam, todos os anos, uma festa para a entrega dos diplomas aos que concluíam o curso primário. Eram números variados de canto, dança e declamação apresentados no palco do Cine Estrela. D. Geninha preparou o roteiro da peça Cinderela (A Gata Borralheira) e convidou as professoras a representá-la na formatura seguinte. Aceita a proposta, ela mesma ensaiou as crianças, cuidou do figurino, da cena e da música. Durante muito tempo, a população de Piquete comentou, encantada, a atuação das crianças e a dedicação das professoras e da D. Geninha. Os pós levantados de Vieira criaram em Piquete, durante muito tempo, uma atmosfera saudável e produtiva. Os pós que produziam e os pós que comandavam, administravam, curavam, encaminhavam, uniram seus esforços – criaram uma orquestra bem afinada. E o que poderia ter sido apenas mais uma empresa decidiu afirmativamente o destino de muitos piquetenses. Bons augúrios à Fábrica Presidente Vargas! Oficiais citados: José Gomes Carneiro, Waldemar Brito de Aquino, José Pompeu Monte, Otávio Tibúrcio Ferreira, Benedito Toledo dos Santos, José de Mesquita Caldas Xexéo, José Guimarães Pinheiro, Almir Autran Franco de Sá. Abigayl Lea
da Silva |

Da esquerda para a
direita: Major Quadrado, Capitão Bartholomeu M. S. Ferreira, Capitão Médico Dr.
Rui Delfim Moraes,
Capitão Dentista Luiz Mesquita Júnior, Major Eletricista Pedro
Augusto Galvão, Capitão Alfredo Marum,
Major Pedro Henrique F. Bonorino,
Capitão Luiz Jorge da Silva Mello, Major José Guimarães Pinheiro, Major José
Previtera,
Major Alberto Lessa Bastos, Major Luiz Eduardo Sócrates Batista e
Major Construtor Leônidas Pinto Paca.
Foto do site extinto http://piquete.multiply.com
O que primeiro chama a atenção de quem conversa com o general da reserva Luiz Faro é a simpatia e o bom humor. Aqueles que tiverem a oportunidade de ouvi-lo contar sua trajetória como oficial do exército, engenheiro, professor e homem público ficarão impressionados com a dedicação e competência com que conduz quase 70 anos de atividade. Além do extenso currículo profissional, coleciona dezenas de homenagens e prêmios. Em entrevista ao Engenheiro, ele conta um pouco desses tantos feitos e fala sobre a engenharia de segurança do trabalho, especialização da qual foi pioneiro e em cuja regulamentação teve papel crucial, sendo considerado seu patrono. Como começou a
sua história no Exército? A idéia era
colocar a mão na massa, como engenheiro? Como era
trabalhar com nitroglicerina? E quando
começou a sua atuação nessa área? Como o senhor
se tornou patrono da engenharia de segurança do trabalho? Rita
Casaro |
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