PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

 

Cinqüentenário do Pórtico
da Fábrica Presidente Vargas

 


Pórtico da Fábrica Presidente Vargas na década de 60
Arquivo Mª Auxiliadora M. G. Vieira

Pórtico da FPV - 50 anos


Placa de Inauguração do Pórtico da FPV
Foto enviada por Lety

Amanheceu chuvoso o dia 19 de novembro de 1955, data da inauguração do pórtico construído pela FPV no início da Avenida 15 de março, à entrada da Praça Duque de Caxias, em Piquete. Apesar dos contratempos e do clima, a população aguardava, curiosa, para admirar os trabalhos em baixo-relevo executados pelo professor César Dória naquele monumento. A ansiedade era grande, uma vez que a data prevista para a inauguração, 15 de novembro, quando se comemora a Proclamação da República, fora mudada, devido ao momento político conturbado que o país vivia. Não era hora para festas. Era preciso esperar o desenrolar dos acontecimentos no Rio de Janeiro, então capital federal, para que a inauguração em Piquete acontecesse. O impasse político aconteceu logo após as eleições de três de outubro, quando Juscelino Kubitscheck foi eleito Presidente da República. Era seu vice João Goulart. Entretanto, setores contrários à política de Vargas, que se suicidara no ano anterior, eram abertamente contrários à posse de JK e Jango. Nada contra JK, mas sim contra Jango, ex-ministro do trabalho de Vargas, visto por muitos como "incitador de greves e articulador da república sindicalista". Oficiais das Forças Armadas passaram a defender uma saída golpista, como o coronel Jurandir Mamede que, no dia 10 de novembro daquele ano, na presença de autoridades, discursou a favor do impedimento da posse. Henrique Teixeira Lott, legalista, à época ministro da Guerra do Presidente Café Filho, pediu a punição do militar. Mas o Presidente sofreu súbita enfermidade cardiovascular no dia 3 de novembro, sendo substituído no cargo por Carlos Luz, Presidente da Câmara. Este, contrário à posse dos eleitos, recusou-se a punir o militar. Lott demitiu-se do Ministério no dia 10 e articulou-se com militares favoráveis à posse. Na madrugada do dia 11, deflagrou-se um movimento com tanques da vila militar tomando pontos nevrálgicos da capital, cercando o Catete e destituindo Carlos Luz, dando o chamado "contra-golpe" ou "golpe preventivo". Carlos Luz embarcou para São Paulo. A Câmara e o Senado o declararam impedido, passando a presidência a Nereu Ramos, Presidente do Senado, que empossou JK e Jango em 31 de janeiro de 1956. Amainados os tensos momentos políticos no Rio de Janeiro, o Pórtico da FPV foi inaugurado no dia 19 de novembro. Não contou com a presença de militares da Capital Federal, como era previsto. No entanto, houve maciça participação da comunidade e de autoridades civis e militares de Piquete. Para descerrar a placa inaugural, em que constam a data de 15 de novembro e os nomes dos responsáveis pela obra, o coronel Edgard de Abreu Lima, idealizador do projeto, convidou o bispo diocesano, Dom Luiz Gonzaga Pelluzo. Em seguida, desfilaram, triunfalmente, passando por sob o arco central do pórtico, alunos do departamento Educacional e soldados do Contingente, ovacionados pela população. Num município carente de marcos urbanos de significativo valor artístico, o Pórtico da FPV tem grande importância para a memória cultural da comunidade. De incontestável beleza plástica, sua singularidade extrapola para a região do Vale do Paraíba. Preservado como marco arquitetônico em que a obra artística do professor César Dória fica eternizada, foi tombado pelo Decreto Municipal n° 2472, de 24 de junho de 2002. O Pórtico não é somente uma obra da história da ação militar no nosso país, mas também referência do desenvolvimento de nossa cidade, compondo com a Praça Duque de Caxias um conjunto harmonioso de grande importância para nosso patrimônio ambiental urbano.

Jornal "O Estafeta" - Novembro de 2005


Soldados do Contingente da FPV durante desfile de inauguração do Pórtico da Fábrica.
Foto escaneada do livro "Crônicas de Cidadezinha" de Francisco Máximo Ferreira Netto

Tombamento: Decreto 2472/02

"Dispõe sobre o tombamento do Pórtico da FPV conforme Lei Ordinária Municipal N° 1396 de 13 de dezembro de 1991.

Luiz Carlos Beraldo Leite, Prefeito Municipal de Piquete, no uso da atribuição que lhe confere a Lei Orgânica Municipal, considerando os estudos realizados pela Comissão Técnica do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico de Piquete - COMDEPHAAPPI; considerando que o referido Conselho, em reunião de 29 de maio de 2002, decidiu, por unanimidade, pelo tombamento do imóvel; considerando que é de interesse público conservar e proteger o imóvel contra a ação destruidora decorrente de atividade humana e do repassar do tempo, em virtude de sua vinculação a fatos pretéritos memoráveis e sua relação com a vida e a paisagem do município; considerando os documentos arrolados no processo COMDEPHAAPPI n° 003/2002 e considerando os termos da Lei Ordinária Municipal n° 1396 de 13 de dezembro de 1991;

DECRETA: Art. 1° - Fica tombado o imóvel denominado Pórtico da FPV, localizado no início da Av. 15 de março, com área envoltória delimitada em 15 metros, partindo dos limites da edificação principal.

Art. 2° - Este Decreto entra em vigor a partir da presente data, ficando revogadas as disposições em contrário.
Prefeitura Municipal de Piquete, 24 de junho de 2002

Luiz Carlos Beraldo Leite
Prefeito Municipal

Registrado no Livro próprio do Departamento de Administração e publicado no Paço Municipal aos vinte e quatro dias do mês de junho do ano de dois mil e dois.

Paulo Noia de Miranda
Diretor Geral de Administração


Equipe que trabalhou na construção do Pórtico da FPV
Foto publicada no Jornal "O Estafeta"


Convite de Inauguração do Pórtico da Fábrica Presidente Vargas.
Arquivo Marcos Pacca

 

 

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